Manaus/AM – O Polo Industrial de Manaus (PIM), cujo faturamento se mantém com tendência de crescimento, compartilha esta indicação com a mão de obra ali empregada, cujo contingente apresenta expansão desde o exercício de 2020. Entre aquele ano e junho de 2024, a média mensal da mão de obra passou de 94.756 postos para 118.796, o que implica em uma variação positiva de 25,37%
Nos anos intermediários, os números de vagas efetivas alocadas no polo industrial foram os seguintes: 2021, 105.972; 2022, 111.279 e 2023, 113.253.
Acima, média de vagas mantidas pelas dez principais geradoras de postos no PIM
Ainda em relação a junho de 2024, os registros da Suframa apontam que os dez setores que mais empregaram foram responsáveis por 105.181 postos de trabalho, os quais correspondem a 88,54% do total do contingente.
Um outro indicador positivo relacionado à mão de obra é o saldo na movimentação de vagas, que teve seu ápice entre os anos de 2020 e 2024, no exercício de 2021, com a geração de 7.405 novos postos de trabalho. Neste ano, até o mês de junho, o saldo é de 4.288 vagas, informam os Indicadores da Suframa.
É de se registrar, também, a expansão do número de empresas que se instalaram no PIM, passando de 445, no exercício de 2020, para as atuais 531 indústrias em operação.
Manaus/AM – De acordo com material divulgado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), nesta data, o Polo Industrial de Manaus (PIM) atingiu a marca dos R$ 97,13 bilhões de faturamento, no acumulado de janeiro a junho de 2024, o que reflete crescimento de 12,27%, comparado ao mesmo período do ano passado, em que pese as indefinições e até eventuais prejuízos que possam atingir o modelo com a reforma tributária em trâmite no Legislativo federal.
Quando convertido em dólares, o faturamento atinge a marca de US$ 18.94 bilhões, com crescimento de 10,58%, quando comparado às vendas de US$ 17.12 bilhões, à mesma época de 2023.
Se a reforma tributária pode atingir de forma negativa o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), tal percepção parece não ter chegado, ainda, aos investidores, os quais, conforme os números exibidos nos Indicadores do PIM, relativos ao mês de junho, mostram expansão de 3,77% no investimento produtivo, quando comparado aos valores de janeiro a junho de 2023 – US$ 9.86 bilhões – ante US$ 10.23 bilhões neste ano.
No entanto, alguns segmentos como o Mecânico, Produtos Alimentícios e, principalmente, o de Eletroeletrônicos, apresentam redução nos valores aplicados na ZFM. No subsetor Eletroeletrônicos, que em junho de 2023 registrava investimentos produtivos de US$ 3.018 bilhões, o montante ficou em US$ 3.002 bilhões em 2024, indicando baixa de 0,52%.
O indicador de expansão ou queda na produção do PIM, a aquisição de insumos, também é positivo e saiu de US$ 9.195 bilhões, em junho de 2023, para US$ 11.664 bilhões neste exercício, e mostra expansão próxima aos 27%, enquanto as exportações, que em 2023 foram de US$ 288 milhões, atingiram US$ 329 milhões neste ano, o que implica crescimento acima de 14%.
Se a guerra de Israel colocou o mês de outubro na história, aqui pelo Amazonas, acontecimentos climáticos também colocaram a vazante do rio Negro, assim como a fumaça que tomou conta de Manaus por quase dois meses, colocou a capital amazonense nos registros históricos.
Seca no rio Negro baixou nível a 12,70m
O rio Negro registrou, no ano de 2023, uma seca recorde que baixou ao nível de 12,70m, quota atingida no último dia 26 de outubro. O recorde anterior era de 13,63m, o qual ocorreu em outubro de 2010. Assim, a seca, não só em Manaus, mas praticamente em todo o Estado do Amazonas, em 2023, é fato marcante.
Maiores enchentes e vazantes
É importante registrar que as seis maiores cheias do rio Negro ocorreram já nos anos 2000, em pleno século XXI, enquanto as três maiores vazantes também aconteceram nesse período. Note-se que os níveis do Negro são monitorados desde 1902, conforme registros mantidos pelo Porto de Manaus.
Os problemas acarretados pela vazante do rio Negro, neste ano, levaram a situações que vão desde dificuldades na logística, tanto para abastecer Manaus de insumos e outros produtos para a indústria da zona franca, assim como mercadorias para o comércio local e no interior do Estado, onde 60 municípios ainda estão com dificuldades para obtenção de alimentos e até de água potável.
Outro fator que colocou a população de Manaus e de municípios da Região Metropolitana em situação de risco para a saúde foi a fumaça que atingiu a cidade desde meados do mês de setembro.
Poluição chega forte
A poluição por fumaça chegou a níveis graves, com algumas zonas urbanas da cidade tendo atingido 561 µg/m3 (micrograma por metro cúbico), o que caracteriza condições péssimas de poluição. Assim, crianças e idosos, principalmente, tiveram que tomar mais cuidados para evitar, ou pelo menos minimizar, danos à saúde, com ênfase ao aparelho respiratório.
Em que pese todos os transtornos ocasionados pela fumaça que ainda envolve Manaus, as autoridades não chegaram a um consenso acerca da origem deste tipo de poluição atmosférica. Se, por um lado, houve gente apontando queimadas na Região Metropolitana de Manaus (RMM) como responsáveis pela poluição, por outro, não faltou quem apontasse o dedo para o Estado do Pará, onde os focos de queimadas estão muito ativos.
No entanto, diz o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até ironicamente, diria eu, que, no período de agosto de 2022 a julho deste ano, o desmatamento na Amazônia Legal foi reduzido em 22,3%. Um jornal carioca informa, ainda, que a ministra Marina Silva – do Meio Ambiente -, na verdade mais do meio do que do ambiente, afirma que a “queda acelerou na gestão atual, com redução de 42% de janeiro a julho deste ano”.
A ministra não mente, acho, mas a população de Manaus não parece concordar, depois do sufoco, que ainda não terminou, ocasionado pela poluição originada por queimadas. Infelizmente não é a primeira e não será a última vez que viveremos, literalmente, este sufoco.
Primeira-dama do Brasil é vice-presidente e Ponta Negra ganha calçada vermelha
Existem períodos que entraram para a história quando fatos muito graves aconteceram e, em alguns casos, estes são reconhecidos como históricos de imediato.
Um desses fatos, ocorrido no mês de outubro, e que colocou o período na história da humanidade, foi o ataque do Hamas ao território de Israel, no dia 7, tornando-o um mês inesquecível, até pela barbaridade do ato terrorista inesperado que matou mais de 200 pessoas indefesas e iniciou o conflito armado no Oriente.
Venezuela x Guiana
Mas a guerra de Israel não é fato isolado a inscrever outubro na história. Existem, por outro lado, as maquinações feitas por Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, que está tentando criar narrativas que tirem a atenção do público venezuelano de seu desgoverno, ao promover uma guerra contra a República da Guiana.
Maduro defende a apropriação de boa parte do território da República da Guiana, a qual, conforme Maduro, se justifica historicamente.
Se no exterior a situação é complicada, no Brasil também há fatos que comprometem o desenvolvimento e crescimento da economia do país, assim como outros que pareceriam mais prosaicos se não fossem vendidos como verdades.
Meta zero no Brasil
É o caso, por exemplo, da afirmação do presidente da República ao declarar que dificilmente o déficit zero no orçamento federal será cumprido no ano de 2024. O presidente desautoriza o ministro Fazenda, Fernando Haddad, e reconhece que não há esforço da administração pública federal para combater gastos excessivos, com isso, a meta estabelecida deixa de existir extraoficialmente.
No entanto, no Brasil, existem os acontecimentos prosaicos aos quais já me referi. Por exemplo: o presidente Lula da Silva se recolheu ao hospital Sírio-Libanês para, segundo sua assessoria, fazer uma operação delicada que envolveria inclusive a reconstituição do quadril, além de correção estética facial.
Muita saúde
De quadril novo e com o rosto remoçado, Lula da Silva deixou o hospital apenas dois dias após a intervenção cirúrgica. É muita saúde para quem tem mais de 70 anos ou, então, está fazendo de conta ter feito uma coisa, quando, na realidade, fez outra.
Vice-presidente é mulher
Ainda na esfera presidencial, outubro foi pródigo com a primeira-dama brasileira: o jornal francês Le Monde, edição de 31 de outubro, publicou matéria elogiando-a e, inclusive, dizendo que a mulher de Lula da Silva é a vice-presidente do Brasil. Estamos assim.
Ponta Negra vermelha
Calçada de pedras portuguesas foi pintada de vermelho – Foto: Divulgação/Secom PMM
No panorama local, Manaus teve um, digamos, incidente, que marcou o mês, período no qual na cidade completou 354 anos de existência. Assim é que a Prefeitura de Manaus pintou as pedras portuguesas que constituem o piso da Ponta Negra de vermelho para, conforme justificou, sinalizar pista para uso de ciclistas. A descaracterização do local consumiu recursos públicos e vai custar mais ainda, uma vez que a prefeitura vai remover a pintura fora de contexto.
Manaus/AM – A poluição na cidade cresceu de três a quatro vezes em 24 horas, conforme leitura do site AppSelva, que faz a medição na Amazônia.
No início da manhã do dia 3 de novembro, conforme o appSelva, o número de partículas na atmosfera da zona sul manauara, a mais afetada, era de 197 miligramas/metro cúbico (µg/m3), 148 µg/m3 na zona leste, enquanto na zona oeste era de 74.7 µg/m3. Não havia leitura na zona norte.
Na zona Norte, a fumaça encobre toda a área e reduz a visibilidade
Neste sábado, dia 4, a zona sul apresenta como maior nível 589 µg/m3. Na zona oeste, o maior nível é de 289.8 µg/m3, na zona leste vai a 561 µg/m3. Não há leitura na zona norte.
A boa notícia é que esses níveis, por volta das 8h, começaram a cair e na zona sul fica em 361 µg/m3, na leste, em 225µg/m3, mas na zona oeste subiu para 325 µg/m3, e a zona norte está sem leitura.
Pelo menos desde 28 de setembro Manaus tem ficado exposta à poluição pela fumaça, que se agrava com o passar dos dias, como em 11 de outubro, quando o maior nível no fim da tarde foi de 177 µg/m3, registrado na Cidade Nova.
A ausência de chuva tem concorrido para ampliar a poluição, uma vez que tem sido muita escassa a precipitação nos últimos dois meses.
Manaus completa neste ano uma história de 353 anos que se iniciou em 1669 com a construção do Forte de São José do Rio Negro, o qual deu origem à cidade, e onde, inicialmente, viviam a tropa de guarnição portuguesa, assim como jesuítas e membros das tribos indígenas Banibas, Barés e Passés, catequisados pelos padres da ordem citada. O forte estava localizado na área próxima ao Roadway e dali se originou Manaus.
O Amazonas se desligou do Pará e seguiu sua rota, enquanto Manaus cresceu como cidade. A expansão da economia decorreu da exploração do látex, já a partir de 1880, assim como nas décadas iniciais do século 20, em harmonia com o crescimento da indústria automotiva que demandou a produção de pneus.
Com a riqueza trazida pela comercialização do látex, Manaus passa a ter administrações que buscam dotá-la de mais conforto para seus moradores, como ruas calçadas, esgoto, energia elétrica, telégrafo, telefone, bonde elétrico entre outros serviços públicos, assim como são construídas edificações mais portentosas, tanto particulares quanto públicas, estas já a partir de 1891, nas administrações de Eduardo Ribeiro.
Se o ciclo da borracha se foi, sem deixar a economia estruturada para sobreviver no pós-borracha, sobraram as edificações como Teatro Amazonas, Palácio da Justiça, Usina Chaminé, Palacete Provincial, Ponte Benjamin Constant, Mercado Adolpho Lisboa, Relógio Municipal, palácios Rio Negro e Rio Branco, Alfândega, Roadway, Reservatório do Mocó, entre tantas outras ainda existentes ou já demolidas para “dar passagem ao progresso”, como por exemplo, o palacete da família Maximino Corrêa, na avenida Eduardo Ribeiro, que deu lugar ao espigão homônimo.
A metrópole na qual Manaus se transformou deixou pelo caminho vítimas como os igarapés que existiam, como o dos Remédios, o do Espírito Santo, para dar lugar a logradouros como a atual avenida Eduardo Ribeiro. Por outro lado, com a chegada dos ingleses, que ajudaram a aterrar igarapés de forma correta – construindo galerias para dar vazão à água – também por aqui se ganhou um porto moderno – o Roadway – para escoar a borracha e desembarcar mercadorias da Europa e Estados Unidos.
Crescimento econômico gera riqueza, mas se não for bem administrado deixa mazelas como a ausência da preservação de bens culturais e históricos. Apenas para ilustrar, cito a Praça do Comércio, ou complexo Boothline, ou ainda Estação dos Bondes, encravados ao lado do Roadway. Ali funcionou agência do Banco do Brasil, The Manáos Tramways & Light Company Ltd., assim como um botequim, à época muito famoso, o Bolsa Universal.
Na década de 1990, sob a administração do prefeito Arthur Neto, nesse local, hoje em ruínas, funcionou a Empresa de Urbanização de Manaus (Urbam), na parte central da edificação. As demais áreas eram ocupadas, àquela época, pelo Bar do Bigode e por um supermercado. A edificação, em frente ao Banco do Brasil, está sem nenhuma conservação… destino que parece estar reservado ao prédio da penitenciária estadual, ao prédio do Museu do Homem do Norte, ambos na av. 7 de Setembro, e outros espalhados pela cidade.
Nesta terça-feira, dia 3, os Estados Unidos da América (EUA)devem definir o próximo presidente daquela grande nação do Norte. O resultado da eleição, no entanto, pode se transformar até em tumulto nas ruas de muitas cidades norte-americanas, em caso de derrota do presidente Donald Trump, o qual já ameaçou não aceitar um resultado no qual ele não seja o vencedor.
Importante não só para os Estados Unidos, assim como para os países que têm os EUA como grande parceiro comercial.
É o caso do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro, que se diz amigo pessoal de Trump, declarou que vai continuar apoiando o presidente estadunidense até o último momento de definição das eleições nos Estados Unidos.
É uma promessa que, para Trump, nada significa. Para o Brasil, uma perda de tempo, afinal, amizades podem até pesar no relacionamento entre dois países soberanos, isso, porém, não quer dizer que o Brasil terá que seguir tudo que os Estados Unidos definirem.
O alinhamento do presidente Bolsonaro com o presidente Trump pouco tem servido aos interesses do Brasil. Aliás o País tem perdido oportunidades em várias instâncias, apesar dessa “amizade presidencial”. Não foram poucos os milhões de dólares que o Brasil perdeu com a política de favorecimento às empresas norte-americanas adotada durante a gestão Trump.
Enquanto as eleições nos Estados Unidos se encerram com todas as chances de haver tumulto quando sair o resultado final, que pode demorar dias, no Amazonas os candidatos a prefeitos e vereadores mantêm as campanhas em suas cidades, apesar da covid-19.
A campanha eleitoral pode ter desencadeado uma segunda onda de covid-19 em municípios do interior do Amazonas e também em Manaus. Essa é a visão de autoridades do segmento de saúde do Estado.
O fato é que os candidatos não têm observado, em sua maioria, os protocolos para evitar a contaminação pelo coronavírus durante eventos de campanha, como passeatas e, em alguns casos, até em comícios As autoridades da área de saúde têm registrado aumento no número de internações por covid-19 em Manaus, e atribuem o crescimento dos casos de ataque do coronavírus justamente aos eventos das campanhas eleitorais. Se a covid-19 voltou em segunda onda, por outro lado as campanhas estão cada vez mais quentes e até candidatos que estavam trabalhando realmente com suas propostas, como é o caso de Amazonino Mendes, também resolveram responder aos ataques de seus adversários.
Enquanto os candidatos partem para ataques aos adversários, deixando propostas de lado, os eventos de publicidade eleitoral que vão parar na justiça também aumentam.
Um desses casos foi a propaganda do candidato Alfredo Menezes atacando Davi Almeida. Por determinação da Justiça Eleitoral, Alfredo Menezes teve de retirar, de suas redes sociais e outros locais, a propaganda que desconstruía a imagem do candidato Davi Almeida.
Nesta terça-feira, candidato Ricardo Nicolau também, por determinação da Justiça, vai ter que ajustar sua propaganda e citar a Prefeitura de Manaus, além de ter que esclarecer direitinho como é que ele, sozinho, em quatro dias, construiu um hospital de campanha.
Saindo da zona de sombra na qual o governo Bolsonaro, assim que iniciou, tinha colocado a Zona Franca de Manaus (ZFM), de vez que o modelo contrariava projetos na área econômica que o ministro da Economia, Paulo Guedes, então pensava implantar, a ZFM marcou pontos.
O ministro da Economia, quando assumiu a pasta, pregava e ainda prega o fim de incentivos e subsídios. Se a política econômica de Guedes parece não ter mudado acerca do que planeja fazer como ministro da Economia, no entanto, suas investidas contra a Zona Franca de Manaus estão menos agressivas. Tal posicionamento pode ser decorrência da atitude da bancada federal no Congresso Nacional aos ataques ao modelo de incentivos para desenvolver a Amazônia Ocidental e Amapá.
Assim é que, desde a semana passada, o Governo Federal sinaliza a manutenção do modelo. Tais sinalizações se concretizam na forma de normas baixadas, via decretos que mantêm incentivos fiscais para as organizações que operam sob os benefícios fiscais gerenciados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Na semana passada, decreto presidencial manteve vantagens contemplando organizações de bens e serviços na área de informática com isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e redução do Imposto de Importação (II), assim como a obrigação de que as empresas desse setor apliquem pelo menos 5% de seu faturamento em pesquisa desenvolvimento na região gerida pela Suframa.
Nesta terça-feira, dia 20, a boa notícia publicada pelo Diário Oficial da União (DOU) foi a manutenção da alíquota de 8% para o segmento de concentrados fabricados na Zona Franca de Manaus. A briga vem de longe com a alíquota caindo, e com isso, gerando insegurança jurídica, além de espantar – ou expulsar? – indústrias que aqui já estavam estabelecidas, que preferem sair da Zona Franca de Manaus, como foi o caso da Pepsi Cola.
Operações da envergadura daquela aqui mantida pela Ambev, por outro lado, poderiam também ser atingidas caso o IPI para o setor caísse mais, o que agora está fora de cogitação, pelo menos por enquanto. A Ambev, além de manter fábrica em Manaus, opera gerando milhares de empregos no interior do Amazonas, como por exemplo em Maués, onde é a grande compradora da produção de guaraná.
Duas rodas
A outra boa notícia está vinculada à produção do segmento de duas rodas, o qual, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), teve crescimento de 13,1% no comparativo entre os meses de setembro deste ano e o mesmo mês de 2019. Com produção superior a 105 mil motos, foi o melhor desempenho neste ano.
As boas notícias acabam aí, porém. Os números de produção depois da retomada nas atividades no Polo Industrial de Manaus (PIM), levou à reavaliação de metas no setor de motocicletas. Assim, a nova projeção da Abraciclo para fabricação de motos em Manaus é de 937 mil unidades neste ano, o que representa, em relação ao exercício de 2019, uma retração superior a 15%, uma vez que naquele ano foram fabricadas 1,10 milhão de motocicletas.
As comemorações pelos 351 anos da fundação de Manaus, que começou com o Forte de São José, às margens do rio Negro, assim como a crise que o País e o Estado do Amazonas vivem em decorrência, principalmente, da pandemia de covid-19, nos lembra outras crises pelas quais o Estado e Manaus já passaram e sobreviveram.
A mais virulenta, que parece só perder para atual de coronavírus, foi a crise da borracha, a qual, com sua derrocada, deixou a economia local às moscas até que a Zona Franca de Manaus (ZFM) a ressuscitasse, nos anos 1970.
No entanto, cabe lembrar um dos grupos econômicos que tiveram existência desde antes de a borracha se tornar riqueza local, e no decorrer de sua existência foram pioneiros em muitas atividades, como um dos primeiros supermercados foi por esse grupo fundado, o Peg-Pag, na Galeria JG, situada na avenida Eduardo Ribeiro. Vamos à história.
Aquele 27 de setembro de 1990 ficou na história do Amazonas dado o tamanho do incêndio que aconteceu no centro de Manaus. De acordo com jornais da época, começou às 13 horas e destruiu prédios situados na Eduardo Ribeiro, Quintino Bocaiúva, Marechal Deodoro e Theodureto Souto, quadrilátero que virou cinzas.
O mais complicado de tudo, porém, foi que o grande incêndio destruiu a Galeria Central, um conjunto de prédios que sediou as empresas do grupo J G Araújo & Cia., um dos principais jotas remanescentes dos tempos áureos da borracha. A galeria JG concretizava em tijolo e cimento, no Amazonas, talvez o Estado mais rico do País.
Em uma época em que as empresas alemãs, francesas e britânicas dominavam o comércio exportador de borracha a partir do Amazonas, o grupo JG , fundado em 1877, por Joaquim Gonçalves de Araújo, foi um dos mais bem-sucedidos e mais longevos.
Enquanto aquelas empresas cuidavam do comércio exterior da borracha, os portugueses, incluído o grupo de Joaquim Gonçalves de Araújo (J G Araújo), serviam no comércio interior do Estado, levando aos produtores de borracha o aviamento de mercadorias e insumos necessários à coleta do ouro branco, ao mesmo tempo em que o compravam.
De acordo com o pesquisador Samuel Benchimol, em seu livro “Manáos do Amazonas, memória empresarial”, o incêndio que acometera os armazéns ocupados por J G Araújo conforme o escritor, em outubro de 1989, embora jornais locais, como A Crítica e o Jornal do Commercio o noticiem conforme registramos.
O crescimento do grupo J G Araújo acontece principalmente em meados da década de 1910, com a retirada das grandes empresas que então faziam o comércio e exportação da borracha a partir do Amazonas.
O conglomerado J G Araújo, que naquela época fabricava até saltos e solados de sapato da marca Coroa, detinha em seu patrimônio empreendimentos como serraria, fazendas de gado, cultura de juta, entre outros iniciativas, nas quais a empresa atuou muito fortemente até os anos 1940.
Só para se ter ideia do tamanho do comércio de borracha feito pelo conglomerado, entre 1910 e 1916, Samuel Benchimol registra que o grupo J G Araújo vendeu 8,82 milhões de toneladas de borracha que, ao câmbio de 1992, corresponderia a 115 milhões de libras esterlinas.
A riqueza e o poder do comendador JG cresceu e, conforme se conta, ele teria sofria um atentado a bala. O tiro teria sido desferido por um negociante do rio Negro que negava a pagar uma dívida. Cobrado na justiça, o negociante atirou à queima roupa, e a bala teria atingido o cabo do guarda-chuva. O comendador teria, então, mandado colocar uma placa de ouro no guarda-chuva para comemorar sua salvação. E fato, no entanto, ocorreu, mas a vítima do atentado não foi o comendador JG, mas sim, o seu filho, o engenheiro Aluísio Araújo.
Fornecimento de energia em Manaus não teve melhorias com a privatização
Para quem acredita que a privatização de empresas estatais vai melhorar a qualidade dos serviços e produtos, o dia 10 de dezembro de 2018 poderia ter sido um dia muito feliz para essas pessoas. Naquele dia, depois de muita lenga-lenga, de decisões judiciais que autorizavam ou desautorizavam a privatização de concessionárias de energia elétrica subsidiárias da Eletrobrás, foi levado a leilão a Amazonas Distribuidora de Energia A concessionária foi arrematada pelo consórcio Atem Distribuidora de Petróleo e a Oliveira Energia pelo valor de 50 mil reais, assim como assumiu o compromisso de absorver um passivo superior a dois bilhões de reais. Além desse passivo, os novos titulares da distribuidora de energia tiveram que se comprometer a fazer investimentos iniciais de 491 milhões de reais. Até aí se poderia dizer que o negócio fazia sentido para os arrematantes, assim como para o governo, deste por reduzir despesas, àqueles pelo potencial que uma distribuidora de energia tem de ser um bom e lucrativo negócio. A Amazonas Energia, à época, já atendia cerca de 900 mil consumidores e agora deve estar próxima de atender, e mal, cerca de um milhão de consumidores no Estado do Amazonas. Os serviços, no entanto, desde quando eram prestados por uma empresa pública, também não tiveram nenhuma melhora do ponto de vista do consumidor, do usuário. Este fato é ilustrado, por exemplo, pelo alto número de reclamações que a companhia de energia do Amazonas tem registrado nos serviços de proteção ao consumidor. A última estatística divulgada pelo Procon-AM, a campeã era a companhia energética do Amazonas, com mais de 1.700 reclamações em 2020. Como a maioria dos usuários de energia não faz registro contra os serviços que são prestados sem a qualidade necessária para a população, dá para pensar que os números são muito maiores do que aqueles registrados pelo Procon-AM. Sem ser um método científico, as redes sociais espelham a insatisfação do cliente compulsório de energia, quando o serviço é cortado em áreas da cidade sem nenhum aviso prévio. Nesse fórum, a Amazonas Energia é a campeã desde há muito. Isto acontece tanto na época do verão amazônico, quando o calor é mais intenso e as temperaturas chegam próximas e às vezes até ultrapassamos 40ºC, quanto no inverno, que agora estamos iniciando. Nas duas ocasiões o corte de energia e muito frequente. Isto é, durante todo o ano… Se a qualidade dos serviços não melhorou, por outro lado, o indicador básico para a arrematação da Amazonas Energia, relacionado a tarifa mais baixa, não faz sentido, de vez que o serviço é ruim e a companhia continua tentando obter mais reajuste em suas tarifas. Os frequentes eventos de falta de energia atingem o parque industrial de Manaus e a empresa que não tiver geradores para atender sua demanda, vai ter que parar, como param outros tipos de negócios que não tomam precaução para manter sua atividade em caso de falta de energia. Cabe, por fim, questionar o órgão regulamentador, isto é, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre quais providências, se as tem tomado, e o que pode ser feito com o objetivo fazer a empresa prestar o serviço – com qualidade – para o qual é paga por seus usuários.