
A entrega do certificado aconteceu na noite de terça-feira com a presença do governador Roberto Cidade/ Foto: Clóvis Miranda
O Teatro Amazonas recebeu, na noite de terça-feira (3/11), o certificado de Patrimônio Mundial da Unesco, honraria concedida aos Teatros da Amazônia. O governador do Estado, Roberto Cidade, recebeu o certificado das mãos do presidente do Iphan, Deyvsson Gusmão, e da representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto. A cerimônia, aberta ao público, reconheceu a inscrição conjunta do Teatro Amazonas, em Manaus, e do Theatro da Paz, em Belém, aprovada pelo Comitê do Patrimônio Mundial em 27 de julho, na Coreia do Sul.
O bem inscrito reúne o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, e o Theatro da Paz e a Praça da República, em Belém. É o primeiro Patrimônio Mundial cultural da Região Norte e o 26º sítio brasileiro na Lista da Unesco. Os dois teatros são tombados pelo Iphan desde a década de 1960.
Responsabilidade pela proteção
A representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, afirmou que o título “é um ponto de partida”. Segundo ela, o reconhecimento marca “o início de uma responsabilidade permanente de proteger, gerir e valorizar o patrimônio em benefício das comunidades que lhe dão sentido”.

Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896 / Imagem: Eustáquio Libório
O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, destacou o que os teatros dizem sobre a região. “Os patrimônios são objetos biográficos. Ajudam a contar a história de um lugar, a história de um grupo social”, disse. Para ele, os teatros ajudam a entender a formação social amazônica, ligada aos rios e aos ciclos econômicos, e mostram que a Amazônia, além do patrimônio natural, “também produz cultura”.
A chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Instituto Guimarães Rosa, Tatiana Carvalho, representou o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Ela lembrou que a candidatura foi apresentada em janeiro de 2025, a partir de um dossiê preparado pelo Iphan em oficinas que reuniram mais de 300 atores locais, e que os teatros constam da lista indicativa do Brasil desde 2015. “O título de Patrimônio Mundial, além de convidar a celebrações, inaugura também responsabilidades”, afirmou.
Segundo ela, o Comitê fez cinco recomendações ao Brasil, ligadas à gestão do sítio, à participação da sociedade civil e à pesquisa histórica e antropológica, com atenção aos povos indígenas e aos migrantes nordestinos. O Itamaraty seguirá acompanhando o cumprimento das recomendações no plano internacional, em articulação com o Iphan, o Ministério da Cultura e os governos do Amazonas e do Pará.
Futuras gerações
Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, o reconhecimento amplia o cuidado com o bem e com as pessoas ligadas a ele. “Nossos teatros ganham uma camada a mais de proteção, de garantia para as futuras gerações, mas também para quem fez parte dessa história. Por aqui passaram seringueiros, trabalhadores de origem indígena, nossos povos originários. Se hoje temos esse monumento, é porque lá atrás, há quase 130 anos, alguém o colocou de pé”, afirmou.
Ela também destacou a responsabilidade compartilhada. “Nosso papel, enquanto poder público, mas também enquanto cidadãos, é salvaguardar essa história que é da Região Norte e da Amazônia, e agora do mundo.”
A diretora do Teatro Amazonas, Beth Cantanhede, destacou o papel das pessoas na preservação. “O patrimônio só permanece verdadeiramente vivo quando é ocupado, reconhecido e valorizado pelas pessoas”, disse.
Também estiveram presentes o prefeito de Manaus, Renato Júnior, a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, e o diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença.










