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Amazonas, falta de insumos, fumaça, logística, Manaus, poluição, zona franca
Se a guerra de Israel colocou o mês de outubro na história, aqui pelo Amazonas, acontecimentos climáticos também colocaram a vazante do rio Negro, assim como a fumaça que tomou conta de Manaus por quase dois meses, colocou a capital amazonense nos registros históricos.

O rio Negro registrou, no ano de 2023, uma seca recorde que baixou ao nível de 12,70m, quota atingida no último dia 26 de outubro. O recorde anterior era de 13,63m, o qual ocorreu em outubro de 2010. Assim, a seca, não só em Manaus, mas praticamente em todo o Estado do Amazonas, em 2023, é fato marcante.
Maiores enchentes e vazantes

É importante registrar que as seis maiores cheias do rio Negro ocorreram já nos anos 2000, em pleno século XXI, enquanto as três maiores vazantes também aconteceram nesse período. Note-se que os níveis do Negro são monitorados desde 1902, conforme registros mantidos pelo Porto de Manaus.
Os problemas acarretados pela vazante do rio Negro, neste ano, levaram a situações que vão desde dificuldades na logística, tanto para abastecer Manaus de insumos e outros produtos para a indústria da zona franca, assim como mercadorias para o comércio local e no interior do Estado, onde 60 municípios ainda estão com dificuldades para obtenção de alimentos e até de água potável.
Outro fator que colocou a população de Manaus e de municípios da Região Metropolitana em situação de risco para a saúde foi a fumaça que atingiu a cidade desde meados do mês de setembro.
Poluição chega forte
A poluição por fumaça chegou a níveis graves, com algumas zonas urbanas da cidade tendo atingido 561 µg/m3 (micrograma por metro cúbico), o que caracteriza condições péssimas de poluição. Assim, crianças e idosos, principalmente, tiveram que tomar mais cuidados para evitar, ou pelo menos minimizar, danos à saúde, com ênfase ao aparelho respiratório.
Em que pese todos os transtornos ocasionados pela fumaça que ainda envolve Manaus, as autoridades não chegaram a um consenso acerca da origem deste tipo de poluição atmosférica. Se, por um lado, houve gente apontando queimadas na Região Metropolitana de Manaus (RMM) como responsáveis pela poluição, por outro, não faltou quem apontasse o dedo para o Estado do Pará, onde os focos de queimadas estão muito ativos.
No entanto, diz o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até ironicamente, diria eu, que, no período de agosto de 2022 a julho deste ano, o desmatamento na Amazônia Legal foi reduzido em 22,3%. Um jornal carioca informa, ainda, que a ministra Marina Silva – do Meio Ambiente -, na verdade mais do meio do que do ambiente, afirma que a “queda acelerou na gestão atual, com redução de 42% de janeiro a julho deste ano”.
A ministra não mente, acho, mas a população de Manaus não parece concordar, depois do sufoco, que ainda não terminou, ocasionado pela poluição originada por queimadas. Infelizmente não é a primeira e não será a última vez que viveremos, literalmente, este sufoco.