Manaus, na passagem do século 19 e início do século 20, tinha fama internacional e chegou a ser conhecida como “Paris dos Trópicos”, em que pese o rio Sena, que banha a capital francesa, estar mais próximo de ser um igarapé, pelos padrões amazônicos, quando comparado ao majestoso rio Negro.
A boa fama de então se devia aos recursos carreados para o Amazonas com a atividade – hoje, possivelmente execrada por aqueles que preferem manter a população na miséria – de exploração da hevea brasiliensis, que trouxe crescimento econômico para a região e, a partir daí, Manaus foi promovida, de “Porto de Lenha” ganhou apelido de capital europeia.
A extração de borracha criou um fluxo de migrantes, principalmente do Nordeste, que aqui viraram seringueiros, além de fazer a fortuna daqueles que se dedicavam àquela atividade.
Assim, a cidade que teve sua origem com a construção do forte de São José da Barra do Rio Negro, em 1669 – dizem os registros históricos, passou por uma expressiva fase de expansão econômica que levou o Amazonas a se enquadrar como um dos estados mais prósperos do Brasil, durante o “boom” da borracha.

Palacete Miranda Corrêa, na esquina, à esquerda, em frente ao Ideal Club (Foto: Internet)
Palacetes, como o Miranda Corrêa, situado nos altos da avenida Eduardo Ribeiro e que perdeu status de prédio histórico ao ser demolido para a construção do edifício Maximino Corrêa, passaram a ser erguidos na cidade. Em Adrianópolis ainda sobrevive o Castelinho “da Vila Municipal”, que originalmente era residência da família Auton Furtado.
Manaus, se tivesse os cuidados necessários, poderia ter lugares aprazíveis para a população se descontrair, apesar de nosso clima tropical que às vezes torna isso mais difícil. Na zona Sul há três largos: o da Matriz, o de São Sebastião e o Largo do Mestre Chico, criado no entorno de outro monumento arquitetônico: a Ponte Benjamin Constant, a Ponte de Ferro, na avenida 7 de Setembro. No entanto, este último está sob os cuidados da natureza, sem que serviços de conservação o mantenham preservado, perde a população, ganham os desocupados que já destruíram um centro de atendimento público desativado (?) nas proximidades.

Largo do Mestre Chico, em 2009
Cidade de contrastes, aqui existe um shopping – o Manauara – que mantém praça interna a partir da preservação, principalmente, de buritizeiros e outros espécimes vegetais nativos. Ainda sobre shoppings: No Sumaúma Park, o frequentador de sua praça de alimentação pode assistir ao pôr do sol, uma vez que está situado ao lado da reserva nativa da qual emprestou o nome.
Com pouca publicidade, a capital do estado tem um jardim botânico, localizado na zona Norte, o Museu da Amazônia, conhecido como Musa, com área de 5 milhões de metros quadrados. O passeio vale a pena para conhecer a exuberância da floresta amazônica com toda comodidade de estar em área urbana.
Em tempos de internet, já não temos mais cinemas como o Cine Guarany ou o Odeon, restam as ruínas do Éden, próximo ao Parque Jefferson Péres, outro local que também merece visita do manauara e de um eventual turista.
Se igarapés foram aterrados, e isto ocorre há mais de um século, para abrir espaço para ruas e avenidas, em alguns casos ao custo de destruir edificações históricas que poderiam ser tombadas, ainda estão de pé o Mercado Adolpho Lisboa, o prédio da Alfândega, assim como o Roadway, no entanto, o Palácio Rio Branco corre sérios riscos de invasão e de deterioração.


