Manaus/AM – A poluição por excesso de fumaça que castigou a capital da zona franca desde o último fim de semana foi bastante reduzida com as chuvas que caíram sobre a região nos últimos dias, mas a volta da fumaceira não está descartada, uma vez que as queimadas proliferam no Amazonas.
Confira, acima, os níveis de poluição em Manaus, em 14 de outubro de 2023
A fumaceira, desta vez, se antecipou em dois meses em comparação com aquela acontecida no ano passado, iniciada em outubro, e que se prolongou até novembro, com níveis que superaram a marca de 230 miligramas/metro cúbico (µg/m3) em algumas regiões de Manaus, conforme informações monitoradas pelo appSelva.
Avenida das Torres em dois momentos: à esquerda, poluída no dia 14, e à direita, na manhã desta quinta-feira, 15
Desta vez, pelo menos no dia 13 de agosto último, a maior quantidade de partículas poluentes se localizava em áreas de bairros como Parque 10 de Novembro e Flores, ultrapassando marca de 100 µg/m3 e caracterizando, tecnicamente, que a qualidade estava muito ruim, porém abaixo de 125 µg/m3, quando o status da qualidade do ar passa a péssimo. No entanto, desde domingo, toda a cidade foi tomada pela fumaça com alto nível de poluição.
Nesta quinta-feira, 15, no início da manhã, nenhuma região da capital amazonense superava a marca de 25 µg/m3, assim, a qualidade do ar estava caracterizada como boa na cidade.
Manaus/AM – O Polo Industrial de Manaus (PIM), cujo faturamento se mantém com tendência de crescimento, compartilha esta indicação com a mão de obra ali empregada, cujo contingente apresenta expansão desde o exercício de 2020. Entre aquele ano e junho de 2024, a média mensal da mão de obra passou de 94.756 postos para 118.796, o que implica em uma variação positiva de 25,37%
Nos anos intermediários, os números de vagas efetivas alocadas no polo industrial foram os seguintes: 2021, 105.972; 2022, 111.279 e 2023, 113.253.
Acima, média de vagas mantidas pelas dez principais geradoras de postos no PIM
Ainda em relação a junho de 2024, os registros da Suframa apontam que os dez setores que mais empregaram foram responsáveis por 105.181 postos de trabalho, os quais correspondem a 88,54% do total do contingente.
Um outro indicador positivo relacionado à mão de obra é o saldo na movimentação de vagas, que teve seu ápice entre os anos de 2020 e 2024, no exercício de 2021, com a geração de 7.405 novos postos de trabalho. Neste ano, até o mês de junho, o saldo é de 4.288 vagas, informam os Indicadores da Suframa.
É de se registrar, também, a expansão do número de empresas que se instalaram no PIM, passando de 445, no exercício de 2020, para as atuais 531 indústrias em operação.
Manaus/AM – De acordo com material divulgado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), nesta data, o Polo Industrial de Manaus (PIM) atingiu a marca dos R$ 97,13 bilhões de faturamento, no acumulado de janeiro a junho de 2024, o que reflete crescimento de 12,27%, comparado ao mesmo período do ano passado, em que pese as indefinições e até eventuais prejuízos que possam atingir o modelo com a reforma tributária em trâmite no Legislativo federal.
Quando convertido em dólares, o faturamento atinge a marca de US$ 18.94 bilhões, com crescimento de 10,58%, quando comparado às vendas de US$ 17.12 bilhões, à mesma época de 2023.
Se a reforma tributária pode atingir de forma negativa o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), tal percepção parece não ter chegado, ainda, aos investidores, os quais, conforme os números exibidos nos Indicadores do PIM, relativos ao mês de junho, mostram expansão de 3,77% no investimento produtivo, quando comparado aos valores de janeiro a junho de 2023 – US$ 9.86 bilhões – ante US$ 10.23 bilhões neste ano.
No entanto, alguns segmentos como o Mecânico, Produtos Alimentícios e, principalmente, o de Eletroeletrônicos, apresentam redução nos valores aplicados na ZFM. No subsetor Eletroeletrônicos, que em junho de 2023 registrava investimentos produtivos de US$ 3.018 bilhões, o montante ficou em US$ 3.002 bilhões em 2024, indicando baixa de 0,52%.
O indicador de expansão ou queda na produção do PIM, a aquisição de insumos, também é positivo e saiu de US$ 9.195 bilhões, em junho de 2023, para US$ 11.664 bilhões neste exercício, e mostra expansão próxima aos 27%, enquanto as exportações, que em 2023 foram de US$ 288 milhões, atingiram US$ 329 milhões neste ano, o que implica crescimento acima de 14%.
Se a guerra de Israel colocou o mês de outubro na história, aqui pelo Amazonas, acontecimentos climáticos também colocaram a vazante do rio Negro, assim como a fumaça que tomou conta de Manaus por quase dois meses, colocou a capital amazonense nos registros históricos.
Seca no rio Negro baixou nível a 12,70m
O rio Negro registrou, no ano de 2023, uma seca recorde que baixou ao nível de 12,70m, quota atingida no último dia 26 de outubro. O recorde anterior era de 13,63m, o qual ocorreu em outubro de 2010. Assim, a seca, não só em Manaus, mas praticamente em todo o Estado do Amazonas, em 2023, é fato marcante.
Maiores enchentes e vazantes
É importante registrar que as seis maiores cheias do rio Negro ocorreram já nos anos 2000, em pleno século XXI, enquanto as três maiores vazantes também aconteceram nesse período. Note-se que os níveis do Negro são monitorados desde 1902, conforme registros mantidos pelo Porto de Manaus.
Os problemas acarretados pela vazante do rio Negro, neste ano, levaram a situações que vão desde dificuldades na logística, tanto para abastecer Manaus de insumos e outros produtos para a indústria da zona franca, assim como mercadorias para o comércio local e no interior do Estado, onde 60 municípios ainda estão com dificuldades para obtenção de alimentos e até de água potável.
Outro fator que colocou a população de Manaus e de municípios da Região Metropolitana em situação de risco para a saúde foi a fumaça que atingiu a cidade desde meados do mês de setembro.
Poluição chega forte
A poluição por fumaça chegou a níveis graves, com algumas zonas urbanas da cidade tendo atingido 561 µg/m3 (micrograma por metro cúbico), o que caracteriza condições péssimas de poluição. Assim, crianças e idosos, principalmente, tiveram que tomar mais cuidados para evitar, ou pelo menos minimizar, danos à saúde, com ênfase ao aparelho respiratório.
Em que pese todos os transtornos ocasionados pela fumaça que ainda envolve Manaus, as autoridades não chegaram a um consenso acerca da origem deste tipo de poluição atmosférica. Se, por um lado, houve gente apontando queimadas na Região Metropolitana de Manaus (RMM) como responsáveis pela poluição, por outro, não faltou quem apontasse o dedo para o Estado do Pará, onde os focos de queimadas estão muito ativos.
No entanto, diz o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até ironicamente, diria eu, que, no período de agosto de 2022 a julho deste ano, o desmatamento na Amazônia Legal foi reduzido em 22,3%. Um jornal carioca informa, ainda, que a ministra Marina Silva – do Meio Ambiente -, na verdade mais do meio do que do ambiente, afirma que a “queda acelerou na gestão atual, com redução de 42% de janeiro a julho deste ano”.
A ministra não mente, acho, mas a população de Manaus não parece concordar, depois do sufoco, que ainda não terminou, ocasionado pela poluição originada por queimadas. Infelizmente não é a primeira e não será a última vez que viveremos, literalmente, este sufoco.
Manaus/AM – A poluição na cidade cresceu de três a quatro vezes em 24 horas, conforme leitura do site AppSelva, que faz a medição na Amazônia.
No início da manhã do dia 3 de novembro, conforme o appSelva, o número de partículas na atmosfera da zona sul manauara, a mais afetada, era de 197 miligramas/metro cúbico (µg/m3), 148 µg/m3 na zona leste, enquanto na zona oeste era de 74.7 µg/m3. Não havia leitura na zona norte.
Na zona Norte, a fumaça encobre toda a área e reduz a visibilidade
Neste sábado, dia 4, a zona sul apresenta como maior nível 589 µg/m3. Na zona oeste, o maior nível é de 289.8 µg/m3, na zona leste vai a 561 µg/m3. Não há leitura na zona norte.
A boa notícia é que esses níveis, por volta das 8h, começaram a cair e na zona sul fica em 361 µg/m3, na leste, em 225µg/m3, mas na zona oeste subiu para 325 µg/m3, e a zona norte está sem leitura.
Pelo menos desde 28 de setembro Manaus tem ficado exposta à poluição pela fumaça, que se agrava com o passar dos dias, como em 11 de outubro, quando o maior nível no fim da tarde foi de 177 µg/m3, registrado na Cidade Nova.
A ausência de chuva tem concorrido para ampliar a poluição, uma vez que tem sido muita escassa a precipitação nos últimos dois meses.
A segunda-feira, dia 8, pareceu trazer notícias contraditórias no front da economia, a começar pelas expectativas divulgadas pela pesquisa semanal Focus, do Banco Central. Por ali fica-se sabendo que o mercado mantém expectativa de que a situação pode piorar ao mostrar a evolução do produto interno bruto (PIB). Conforme a Focus, a expectativa dos agentes do mercado piorou de uma semana para outra, quando o período em debate é o ano de 2020, assim, se na semana anterior se previa uma contração do PIB de 6,25%, na nova pesquisa essa previsão está bem pior: para o mercado o desempenho da economia não deve ficar naquele patamar, mas cair para 6,48% No cenário apresentado para o exercício de 2021, as expectativas se mantêm em crescimento do PIB em 3,5%. Menos ruim, ao que parece. Mas se a pesquisa Focus mantém o viés de piora no desempenho da economia brasileira, outros fatores podem estar influenciando a performance – por exemplo – da Bolsa de Valores e do dólar. Nesta segunda-feira, por volta das 15h50, de Brasília, a Bolsa operava em alta de 2,57%, enquanto o Ibovespa estava no patamar dos 97 mil pontos. De outro lado, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 4,88, o que indicava queda de 2,12%. As duas situações podem ter sido influenciadas pela performance das Bolsas de Valores no exterior. Se a economia brasileira caminha para outro ano perdido, aqui pela planície fatos novos animaram empresários e deixaram de fora quem se dizia – e diz – amigo do presidente da República. A notícia do desligamento do titular da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), ocorrida na semana passada, não é bem como insinuou o ex-titular, Alfredo Menezes, o qual alegou que sairia “a pedido”. Aliás, é isso que informa o Diário Oficial da União ao publicar a exoneração de Menezes. Muitas aspas aí. No entanto, o fato é que ele foi desligado pelo governo federal e, até agora, a outra insinuação não se confirmou: não há nada de concreto sobre a ida de Menezes para a Secretaria da Amazônia, para a qual, como se sabe, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, já se candidatou a ser conselheiro. Pelos lados da Suframa resta saber quem, realmente, vai substituir Menezes, pois ainda não foi oficializada a nomeação de nenhum general, como se comentava na semana passada. A decisão de relaxar o isolamento social em Manaus, tomada pelo governador Wilson Lima, não teve boa recepção no meio acadêmico do Amazonas e um de seus principais argumentos para fazer o relaxamento também foi rebatido por convidados à audiência pública promovida pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Josué Neto, nesta segunda-feira. O evento virtual reuniu pelo menos sete cientistas, que representavam entidades como a Ufam, Fiocruz, Hemoam, FVS, Inpa, entre outras. Nas expectativas dos cientistas, o argumento de que caiu o número de mortos pela covid-19 não justifica relaxar as restrições de isolamento social em Manaus. Pelo contrário, há, entre eles, a expectativa que esse fato vai abreviar, já para o próximo mês, julho, uma segunda onda ainda mais grave do que a primeira e, pior, com 57% dos casos agora situados no interior do Amazonas, que não tem equipamento de saúde agora existentes em Manaus, a previsão é de mais sete mil mortos na segunda onda.
Quando o impensável acontece, coisas que antes nos pareciam improváveis de ser realidade se mostram até mais possíveis que o impensável da pandemia de covid-19 que assola o mundo, chegou ao Brasil, ao Amazonas para mudar costumes, relacionamentos e até a maneira como as pessoas se cumprimentam ao se encontrar.
Lembro que, na madrugada do dia primeiro de janeiro de 2020, o primeiro programa de TV que assisti era a entrevista de uma pessoa que dizia terraplanista, por defender a ideia obsoleta que a erra não é esférica, e sim plana. Se naquela madrugada alguém me dissesse que dois ou três meses depois, em todo o Brasil, as pessoas iriam andar de máscara nas ruas e as baladas praticamente acabariam n as cidades brasileiras, eu diria que a pessoa era louca.
Quando o impensável acontece, situações extremas às quais não se atribuiria a uma determinada pessoa, como é o caso, por exemplo, do Auxílio de Emergência implementado às pressas pelo governo Jair Bolsonaro, que se diz liberal e é avesso à assistência aos menos favorecidos por parte do governo: milhões de brasileiros estão recebendo, ou ainda tentando receber, parcelas do Auxílio Emergencial de R$ 600.
Com o setor de serviços paralisado desde a segunda semana de março, a indústria tendo seguido a mesma rota ao parar boa parte de suas atividades pelo Brasil afora, não é de se estranhar que economistas façam prognósticos pessimistas, para dizer o mínimo.
Tanto é assim que a pesquisa semanal Focus, do Banco Central, indicou que o produto interno brasileiro (PIB), cujo desempenho positivo previsto era por volta dos 2%, para o exercício de 2020, vem caindo já há umas três semanas, e nesta segunda-feira a expectativa era de 4,11% negativo.
Com esse número negativo, já dá para se ter uma ideia do que também vai acontecer aqui na Zona Franca de Manaus. A cidade está em estágio de espera para adotar o lockdown, o que é medida a ser decretada pelo governo do Estado, e é ainda mais estranho que ainda não tenha acontecido em face da expansão da covid-19 na cidade, agravada pela falta de comprometimento de boa parte da população em fazer o isolamento social.
Vai já para dois meses que se iniciou a adoção das medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias de Manaus e do Amazonas, obedecendo diretivas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir ao mínimo o contágio pelo coronavírus (covid-19), mas até o momento não se conseguiu frear a subida do número de casos e as mortes dela decorrentes na cidade e por quase todo o interior do Amazonas só aumentam.
Se a covid-19 é uma doença que atinge as pessoas, outra doença, desta vez social, continua a grassar na administração pública brasileira: a corrupção. Com a decretação de estado de calamidade, estado de emergência nas cidades e estados brasileiros, abriu-se a porta para maus governantes, maus gestores aproveitassem a oportunidade para praticar atos ilícitos e se apropriar do dinheiro público.
A corrupção, como alguém já disse antes, é mortal. No caso da atual pandemia, ela é mais do que criminosa, a corrupção neste caso é uma assassina por levar à morte milhares de pessoas que não conseguem ter a assistência médica do Estado deveria prover.
Dizem os críticos que a crise persiste pelo País afora, em que pese algumas estatísticas indicando o contrário, embora, diga-se, não se possa afirmar, de maneira ampla, que a economia vá mesmo empinar em vez de ser um outro voo da galinha, como já vimos nos dois últimos anos.
Se lá pelo Planalto a queda do desemprego, mesmo que pequena, já é contabilizada como melhoria originada pelas políticas econômicas do atual governo, por outro lado, a oposição, que torce pelo “quanto pior, melhor”, se nega a reconhecer, por exemplo, que a queda pela metade do déficit previsto nas contas do Governo Federal para 2019, é um fato digno de ser celebrado.
Na capital do Amazonas, onde o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa existir produto interno bruto (PIB) de R$ 73,20 bilhões, a resistência contra os incentivos garantidos pela Constituição Federal à Zona Franca de Manaus (ZFM) se mantêm na ordem do dia, como o mais recente caso bem ilustra.
Desta vez foi a economista Zeina Latif, que já esteve por aqui e, inclusive, participou de evento na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). Executiva da XP investimentos, pode-se afirmar que Zeina é uma formadora de opinião qualificada até pelo alto nicho onde suas opiniões são veiculadas.
Desta vez disse que os incentivos da ZFM são uma ‘distorção’. O texto, publicado no jornal O Estado São Paulo, do dia 29 de dezembro último, analisa a situação tributário no Brasil, onde se paga muito imposto sem que exista o retorno em serviços públicos ao cidadão. No caso da economista da XP, lhe falta informação, como por exemplo, o estudo da Fundação Getulio Vargas onde os impactos da ZFM são registrados.
No entanto, uma outra distorção que parece ser mais grave é o tempo de resposta, quando existe, das autoridades do Amazonas, incluindo os parlamentares de todos os três níveis. Por esse ângulo, apesar de se dizerem sempre de prontidão para eventuais ataques ao modelo, a resposta veio de poucos e com atraso.
Assim, considerando que neste ano deve ser aprovada a reforma tributária no Congresso Nacional, a ausência de sintonia das autoridades com a mídia em relação à Zona Franca de Manaus é mais um obstáculo a ser enfrentado, em que pese as posições estratégicas ocupadas por parlamentares do Amazonas no Congresso.
Mesmo assim, ao que parece, a ZFM está caminhando para frente como pode indicar a publicidade de duas páginas veiculada na revista Veja do último fim de semana. A peça publicitária promove a realização da fesPIM, neste ano. No entanto, a publicidade apenas informa a realização do evento, sem maiores informações sobre quando e onde vai acontecer.
Deve ser estratégia de marketing, a qual, por outro lado, dificulta o planejamento das empresas que irão participar do evento, e que envolve custos.
Se o Polo Industrial de Manaus (PIM) já trata de se promover pelo Brasil, no Amazonas a crise na saúde persiste e as declarações do governador Wilson Lima tentam mostrar seu empenho em melhorar o atendimento nessa área.
Como as finanças do Estado já estão em melhor situação, conforme o governo propala aos quatro ventos, com arrecadação maior e orçamento superior a R$ 18 bilhões neste ano, é esperar – e cobrar – para que tais melhorias cheguem ao amazonense o mais cedo possível, afinal, se a saúde está na UTI, imagine o povo.
Mas tudo é Ano Novo, ainda, e as expectativas para variar, são, como devem ser, otimistas tanto nas instâncias governamentais como no setor privado, com análises que, grosso modo, passam a ideia de que, desta vez, a economia vai crescer.
Um fator importante para que isto venha a acontecer, ou se mantenha, é, por exemplo, fazer uma reforma tributária que nivele o Brasil a países com perfil menos burocrático na área fiscal, já que, como se sabe, esta reforma em andamento não vem para reduzir a carga tributária. Se pelo menos reduzir os custos de se recolher tributos no Brasil já é um bom começo.
Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na quinta-feira, 14, na publicação Contas Nacionais, o Amazonas está entre os cinco estados que tiveram maior crescimento do produto interno bruto (PIB). Indústria cresceu 7,5% em 2017.
A variação positiva e acima da média do Brasil, se refere ao ano de 2017 em relação ao ano anterior, 2016. Conforme o ranking, o Amazonas ocupa a 5ª posição, com variação de 5,2% no volume de riquezas geradas no período, cujo valor atinge a cifra de R$ 93,20 bilhões.
A atividade industrial, alavancada pela Zona Franca de Manaus (ZFM), cresceu 7,5% no Amazonas. No período analisado, é o segundo maior crescimento entre os estados, ficando atrás, no País, apenas de Rondônia, onde a expansão desta atividade foi de 8,1%.
Enquanto a média de crescimento do País ficou em 3,1%, 18 unidades federativas apresentaram crescimento acima deste valor, entre as quais quatro acima da média do Amazonas: Mato Grosso; 12,1%; Piauí, 7,7%; Rondônia, 5,4% e Maranhão, 5,3%.
Outros nove estados tiveram queda em seus respectivos PIBs, com o Estado do Rio de Janeiro tendo a maior queda: -1,3% entre 2016 e 2017.
Se a semana passada teve boas notícias, é possível que nesta os fatos a ocorrer sejam mais promissores do que aqueles ocorridos na semana anterior, como a “revelação” de que não existe plano Dubai para substituir os incentivos fiscais administrados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Como diria o “caboco”, o plano Dubai foi apenas uma visagem que veio assombrar aqueles empreendimentos que dependem dos incentivos fiscais na Amazônia, e que, hoje, não têm alternativa econômica para sobreviver sem eles, apesar dos mais de 50 anos em vigência e com data marcada para terminar, como aconteceu desde a instituição da ZFM.
Se o plano Dubai se esfumou pelos ares, do lado empreendedor, a Zona Franca teve um grato anúncio de novos investimentos aportando no Polo Industrial de Manaus (PIM), embora não seja, necessariamente, uma novidade. Trata-se do anúncio de que a Gradiente deve retomar operações em Manaus no prazo de 60 dias. Quer dizer, no início de setembro, a empresa deve estar funcionando.
Uma das indústrias pioneiras no segmento de eletroeletrônicos do PIM, lá pelos anos 1970/80, a Gradiente lançou produtos inovadores, como os videogames Atari e até o Nintendo, este, depois de algumas escaramuças com a indústria japonesa que o produzia no exterior.
Dúvidas acerca da volta da Gradiente, no entanto, existem, uma vez que são reiterados os anúncios de sua volta desde 2011, quando aconteceu pela primeira vez, sem que a companhia tenha voltado a operar em Manaus.
Sob a denominação de Companhia Brasileira de Tecnologia Digital e comandada por membro da família Staub, os investimentos anunciados são de R$ 5 milhões com geração de 360 postos de trabalho, entre diretos e indiretos.
Esses números, como se vê, nada refletem a megaindústria que operou no PIM até 2007, quando entrou em recuperação judicial, e chegara a ser uma das maiores empregadoras da Zona Franca de Manaus.
Esta semana também inicia com boas notícias, como as declarações do secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Paulo Alvim, acerca das medidas que o governo federal deve tomar para satisfazer as exigências da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre incentivos fiscais.
A saída encontrada pelo governo federal passa pela edição de uma medida provisória que deve enquadrar a produção de bens de informática aos parâmetros preconizados pela OMC. A dúvida, entretanto, e que ainda deve ser esclarecida, é como isso será feito, já que o secretário Alvim garante que os subsídios até agora direcionados para o segmento serão mantidos, sem prejudicar quem já está em atividade.
A melhor parte, no entanto, é a garantia, prestada pelo secretário, de que as indústrias do segmento de informática em operação na Zona Franca de Manaus não serão afetadas, pois, conforme explicou, os incentivos à ZFM não foram objeto de contestação por parte da OMC.
Mas como nem só de boas notícias se faz o jornalismo, aliás, como se diz no meio “má notícia é que é boa notícia”, isto é, vende, temos também a registrar a iniciativa do governo estadual de buscar recuperar dívidas de contribuintes inscritas como ativas na contabilidade da administração do Estado.
O volume da dívida ativa – que a Procuradoria Geral do Estado tenta recuperar – é cerca da metade do orçamento do Estado do Amazonas para 2019 e atinge R$ 7,2 bilhões. Desse total, a maior parte, R$ 5,2 bilhões, está vinculada aos segmentos industrial, energético, petrolífero e até hoteleiro.
Como se vê, a crise, apesar de melhorias pontuais até na oferta de emprego no mercado amazonense, dos projetos aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), que somam mais de R$ 850 milhões, no mês passado, as dificuldades continuam a rondar a economia, não só da ZFM, mas de todo o País.