Manaus/AM – A poluição por excesso de fumaça que castigou a capital da zona franca desde o último fim de semana foi bastante reduzida com as chuvas que caíram sobre a região nos últimos dias, mas a volta da fumaceira não está descartada, uma vez que as queimadas proliferam no Amazonas.
Confira, acima, os níveis de poluição em Manaus, em 14 de outubro de 2023
A fumaceira, desta vez, se antecipou em dois meses em comparação com aquela acontecida no ano passado, iniciada em outubro, e que se prolongou até novembro, com níveis que superaram a marca de 230 miligramas/metro cúbico (µg/m3) em algumas regiões de Manaus, conforme informações monitoradas pelo appSelva.
Avenida das Torres em dois momentos: à esquerda, poluída no dia 14, e à direita, na manhã desta quinta-feira, 15
Desta vez, pelo menos no dia 13 de agosto último, a maior quantidade de partículas poluentes se localizava em áreas de bairros como Parque 10 de Novembro e Flores, ultrapassando marca de 100 µg/m3 e caracterizando, tecnicamente, que a qualidade estava muito ruim, porém abaixo de 125 µg/m3, quando o status da qualidade do ar passa a péssimo. No entanto, desde domingo, toda a cidade foi tomada pela fumaça com alto nível de poluição.
Nesta quinta-feira, 15, no início da manhã, nenhuma região da capital amazonense superava a marca de 25 µg/m3, assim, a qualidade do ar estava caracterizada como boa na cidade.
Se a guerra de Israel colocou o mês de outubro na história, aqui pelo Amazonas, acontecimentos climáticos também colocaram a vazante do rio Negro, assim como a fumaça que tomou conta de Manaus por quase dois meses, colocou a capital amazonense nos registros históricos.
Seca no rio Negro baixou nível a 12,70m
O rio Negro registrou, no ano de 2023, uma seca recorde que baixou ao nível de 12,70m, quota atingida no último dia 26 de outubro. O recorde anterior era de 13,63m, o qual ocorreu em outubro de 2010. Assim, a seca, não só em Manaus, mas praticamente em todo o Estado do Amazonas, em 2023, é fato marcante.
Maiores enchentes e vazantes
É importante registrar que as seis maiores cheias do rio Negro ocorreram já nos anos 2000, em pleno século XXI, enquanto as três maiores vazantes também aconteceram nesse período. Note-se que os níveis do Negro são monitorados desde 1902, conforme registros mantidos pelo Porto de Manaus.
Os problemas acarretados pela vazante do rio Negro, neste ano, levaram a situações que vão desde dificuldades na logística, tanto para abastecer Manaus de insumos e outros produtos para a indústria da zona franca, assim como mercadorias para o comércio local e no interior do Estado, onde 60 municípios ainda estão com dificuldades para obtenção de alimentos e até de água potável.
Outro fator que colocou a população de Manaus e de municípios da Região Metropolitana em situação de risco para a saúde foi a fumaça que atingiu a cidade desde meados do mês de setembro.
Poluição chega forte
A poluição por fumaça chegou a níveis graves, com algumas zonas urbanas da cidade tendo atingido 561 µg/m3 (micrograma por metro cúbico), o que caracteriza condições péssimas de poluição. Assim, crianças e idosos, principalmente, tiveram que tomar mais cuidados para evitar, ou pelo menos minimizar, danos à saúde, com ênfase ao aparelho respiratório.
Em que pese todos os transtornos ocasionados pela fumaça que ainda envolve Manaus, as autoridades não chegaram a um consenso acerca da origem deste tipo de poluição atmosférica. Se, por um lado, houve gente apontando queimadas na Região Metropolitana de Manaus (RMM) como responsáveis pela poluição, por outro, não faltou quem apontasse o dedo para o Estado do Pará, onde os focos de queimadas estão muito ativos.
No entanto, diz o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até ironicamente, diria eu, que, no período de agosto de 2022 a julho deste ano, o desmatamento na Amazônia Legal foi reduzido em 22,3%. Um jornal carioca informa, ainda, que a ministra Marina Silva – do Meio Ambiente -, na verdade mais do meio do que do ambiente, afirma que a “queda acelerou na gestão atual, com redução de 42% de janeiro a julho deste ano”.
A ministra não mente, acho, mas a população de Manaus não parece concordar, depois do sufoco, que ainda não terminou, ocasionado pela poluição originada por queimadas. Infelizmente não é a primeira e não será a última vez que viveremos, literalmente, este sufoco.
Manaus/AM – A poluição na cidade cresceu de três a quatro vezes em 24 horas, conforme leitura do site AppSelva, que faz a medição na Amazônia.
No início da manhã do dia 3 de novembro, conforme o appSelva, o número de partículas na atmosfera da zona sul manauara, a mais afetada, era de 197 miligramas/metro cúbico (µg/m3), 148 µg/m3 na zona leste, enquanto na zona oeste era de 74.7 µg/m3. Não havia leitura na zona norte.
Na zona Norte, a fumaça encobre toda a área e reduz a visibilidade
Neste sábado, dia 4, a zona sul apresenta como maior nível 589 µg/m3. Na zona oeste, o maior nível é de 289.8 µg/m3, na zona leste vai a 561 µg/m3. Não há leitura na zona norte.
A boa notícia é que esses níveis, por volta das 8h, começaram a cair e na zona sul fica em 361 µg/m3, na leste, em 225µg/m3, mas na zona oeste subiu para 325 µg/m3, e a zona norte está sem leitura.
Pelo menos desde 28 de setembro Manaus tem ficado exposta à poluição pela fumaça, que se agrava com o passar dos dias, como em 11 de outubro, quando o maior nível no fim da tarde foi de 177 µg/m3, registrado na Cidade Nova.
A ausência de chuva tem concorrido para ampliar a poluição, uma vez que tem sido muita escassa a precipitação nos últimos dois meses.
O domingo de eleição trouxe poucas surpresas, pelo menos no que diz respeito ao resultado para o cargo de prefeito de Manaus, quando o tucano Arthur Neto se posicionou à frente de Marcelo Ramos (PR) com mais de 100 mil votos. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo em relação à poluição da cidade, pois nas diversas zonas eleitorais espalhadas por Manaus a sujeira era a mesma. O pior, além da sujeira dos candidatos ou de seus cabos eleitorais, foi ver pessoas buscando, nesses santinhos jogados pelas ruas, opções de candidato para votar.
Fica para o dia 30 de outubro, Dia de Todos os Santos e véspera do Dia das Bruxas, o round final pela Prefeitura de Manaus. Bons presságios?
Para os não petistas, a boa notícia é o fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi implodido na Câmara Municipal de Manaus (CMM): só conseguiu eleger um vereador, velho conhecido do movimento sindical ligado à construção, o Sassá da Construção Civil, além disso, nenhum dos vereadores que têm assento na CMM (Bibiano Garcia, Waldemir José e Rosi Matos) conseguiu se reeleger, apesar do desempenho do candidato petista à Prefeitura de Manaus, deputado José Ricardo, ter sido bom, considerando a situação do partido pelo Brasil afora.
Pelo lado do gênero, a participação das mulheres na CMM também foi por água abaixo, com perdas no número de mulheres, que caiu 43%, passando de sete nesta legislatura, para quatro vereadoras a partir de 2018: Therezinha Ruiz, Professora Jaqueline, Glória Carrate e Joana D’ Arc. Apenas esta última estreia na CMM.
Do lado do PSDB, que reelegeu dois vereadores, Plínio Valério e Elias Emanuel, também houve perda de representante, pois Ednailson Rozenha não conseguiu se reeleger e dos três assentos tucanos, o partido de Arthur Neto só manteve dois. O ex-tucano Mário Frota também não se reelegeu.
Entre aqueles que embarcaram no N/M Guaramiranga, o barco que nunca chegou a seu destino, e fazem companhia a Mário Frota (PHS) estão os três petistas, Fabrício Lima (SDD), Pastora Luciana e Socorro Sampaio, ambas do PP. Assim, o quadro de vereadores da CMM foi renovado em cerca de 50%.
O maior destaque nesta eleição municipal é possível que tenha sido o desempenho do candidato João Luiz (PRB), eleito com 13.978 votos e que, sem ter completado o Ensino Fundamental, é carioca e vive em Manaus onde é pastor da Igreja Universal, à qual o resultado nas urnas, com sua eleição, deve ser creditado.
Também ligado a uma igreja evangélica, o vereador Reizo Castelo Branco (PTB) conseguiu 10.402 votos no domingo, bem abaixo de seu desempenho na eleição anterior, quando obtivera mais de 17 mil votos.
O desempenho das três candidaturas mais expressivas à Prefeitura de Manaus, excluindo Arthur e Marcelo, somam mais de 342 mil votos e é esse espólio que está em jogo, o qual, somado aos outros quatro candidatos derrotados, totaliza cerca de 414 mil votos. O prefeito Arthur Neto e seu oponente, Marcelo Ramos, têm pouco tempo para convencer eleitores que não lhe deram voto no primeiro turno, a votar em suas propostas.
Fica para o dia 30 de outubro, Dia de Todos os Santos e véspera do Dia das Bruxas, o round final pela Prefeitura de Manaus. Bons presságios?
Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 04/10/2016
Os 346 anos de Manaus, completados neste sábado 24 de outubro, vão ser comemorados sob, talvez, o mais forte e prolongado fumaceiro já visto na cidade, agravado, a todo momento, pela prática de queimar lixo e outros resíduos no próprio perímetro da cidade por seus moradores.
É evidente que a origem da fumaça que está sobre a cidade desde o dia 1º de outubro não se deve apenas a essa prática arcaica e prejudicial de seus habitantes, mas também a fatores climáticos cujas consequências para a região não foram, ainda, devidamente esclarecidas pelas autoridades vinculadas à área ambiental e meteorológicas. Enquanto isso, a população sofre as agruras de males ligados às vias respiratórias.
No entanto, nem só de fumaça se ressente o povo manauara, hoje um contingente que supera os dois milhões de habitantes, mas também de um transporte público deficitário e sem qualidade, da falta de educação da maioria dos motoristas que dirigem pelas ruas da cidade, da ausência de equipamentos urbanos de lazer, além da expectativa de uma seca recorde do rio Negro.
Se não faltam problemas a serem enfrentados pelos gestores da cidade e pelos seus moradores, há que se falar também de iniciativas já implementadas e necessárias, como a linha azul, que privilegia o transporte coletivo público, dando maior velocidade aos ônibus que por aí transitam, mas que necessita ser ajustada, seja adaptando toda a frota, ou sua maior parte, para utilizar esses corredores, hoje restritos a pequena parte dos ônibus.
Há que se falar, também, de espaços públicos como parques e jardins, alguns recentemente implantados, outros já existentes desde há muito e agora sendo recuperados para uso do manauara e, assim, oferecendo maior qualidade de vida à população.
Por fim, como não se pode falar apenas dos problemas e das necessidades da Manaus de hoje, é fazer votos de que os administradores de Manaus, de hoje e daqueles que ainda o serão, tenham uma visão de futuro ao tomar decisões sobre o que é feito, construído, e às vezes, destruído na cidade, sem perder de vista a necessidade do povo que aqui mora. É dfícil? Sim, mas não impossível.
Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/10/2015