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Arquivos de Categoria: Crônica

Chegam as chuvas e o verde volta à cidade

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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calor, chuva, Eduardo Ribeiro, Manaus, obras, prefeitura

Depois de dois meses de calor intenso em Manaus, as chuvas de novembro chegaram regando plantas e gentes. Não faltaram comemorações, pelo menos nas redes sociais, aonde internautas postaram fotos da chuva  que viam e das que nem conseguiam enxergar, além de até tomar banho da dita cuja.

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Os igarapés, que a vazante do rio Negro, ao atingir pouco menos de 16 m acima do nível do mar, deixou seus leitos à mostra, re velando também a nossa falta de cultura e zelo pela cidade com o rastro de resíduos e lixo que ali acumularam, produto do descarte irresponsável não só de quem mora à margem dos cursos d’água, assim como daqueles que não hesitam em jogar no meio da rua qualquer coisa já usada.

Só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70

A malha de igarapés da cidade, que continua a ser aterrada desde a época do governador Eduardo Ribeiro, se constitui em recipiente pas sivo de lixo, resíduos da indústria e tudo o mais que perde utilidade, sem que manauaras tomem para si a responsabilidade de evitar a poluição desses corpos de água.

No entanto, voltemos à chuva que, além de diminuir um pouco o calor manauense, torna verde, em tempo recorde, os canteiros de avenidas, praças e parques, além de outros logradouros públicos, ou nem tanto, como as várzeas de igarapés e do rio Negro. O capim, o mato, as ervas que aí rapidamente brotam alegram os olhos de quem transita nesses locais

A temporada de chuvas em Manaus, porém, tem lá seus desencantos quando interferem no andamento de obras públicas ou privadas, atrasando-as, paralisando-as ocasionalmente ou por tempo maior, dependendo do ritmo da chuva.

Na avenida Eduardo Ribeiro, que teve a parte onde o relógio municipal está instalado parcialmente interditada e as obras que deveriam ser efetivadas naquela região embargada s por órgão de preservação do patrimônio histórico, agora tem mais uma parte interditada para revitalização.

O projeto de revitalização e restauração quer trazer de volta o visual daquela avenida das décadas de 1920/30. É uma boa ideia, mas se conseguir tra zer pelo menos o que a Eduardo Ribeiro tinha nos idos de 1960 já dá para comemorar, pois não é pouca coisa ter calçadas largas à disposição do passante, recoberta por sombra de benjamins.

Evidente que não se quer voltar ao passado, mesmo que o DeLorean do filme de “Volta para o Futuro” estivesse disponível. Já pensou, com o trânsito atual ter aquele sinal de trânsito, primeiro semáforo instalado em Manaus, no Canto do Quintela, ali no cruzamento das avenidas 7 de Setembro com a Joaquim Nabuco. E quando digo no cruzamento é no meio da via, mesmo. Não vai dar.

A chuva também tornou mais visível o verde da avenida Djalma Batista. Na Djalma?! Alguém vai perguntar e respondo: ali mesmo. As mudas plantadas no canteiro central, já na gestão do atual pr efeito, estão com dois, três metros de altura. Não mais parecem mudas, mas árvores jovens e adultas, umas com mais outras com menos sombra, a arrefecer o calor manauense, marca registrada da cidade.

Assim, se as obras podem parar com as chuvas, o verde, as plantas nas vias públicas, parques ou quintais, agradecem à natureza a volta da estação chuvosa, quando o rio Negro fica mais bonito ainda. E aí, só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 17/11/2015

Manaus, cidade da fumaça

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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espaços público, fumaça, Manaus, poluição, saúde, transporte público

 

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Os 346 anos de Manaus, completados neste sábado 24 de outubro, vão ser comemorados sob, talvez, o mais forte e prolongado fumaceiro já visto na cidade, agravado, a todo momento, pela prática de queimar lixo e outros resíduos no próprio perímetro da cidade por seus moradores.

É evidente que a origem da fumaça que está sobre a cidade desde o dia 1º de outubro não se deve apenas a essa prática arcaica e prejudicial de seus habitantes, mas também a fatores climáticos cujas consequências para a região não foram, ainda, devidamente esclarecidas pelas autoridades vinculadas à área ambiental e meteorológicas. Enquanto isso, a população sofre as agruras de males ligados às vias respiratórias.

No entanto, nem só de fumaça se ressente o povo manauara, hoje um contingente que supera os dois milhões de habitantes, mas também de um transporte público deficitário e sem qualidade, da falta de educação da maioria dos motoristas que dirigem pelas ruas da cidade, da ausência de equipamentos urbanos de lazer, além da expectativa de uma seca recorde do rio Negro.

Se não faltam problemas a serem enfrentados pelos gestores da cidade e pelos seus moradores, há que se falar também de iniciativas já implementadas e necessárias, como a linha azul, que privilegia o transporte coletivo público, dando maior velocidade aos ônibus que por aí transitam, mas que necessita ser ajustada, seja adaptando toda a frota, ou sua maior parte, para utilizar esses corredores, hoje restritos a pequena parte dos ônibus.

Há que se falar, também, de espaços públicos como parques e jardins, alguns recentemente implantados, outros já existentes desde há muito e agora sendo recuperados para uso do manauara e, assim, oferecendo maior qualidade de vida à população.

Por fim, como não se pode falar apenas dos problemas e das necessidades da Manaus de hoje, é fazer votos de que os administradores de Manaus, de hoje e daqueles que ainda o serão, tenham uma visão de futuro ao tomar decisões sobre o que é feito, construído, e às vezes, destruído na cidade, sem perder de vista a necessidade do povo que aqui mora. É dfícil? Sim, mas não impossível.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/10/2015

Foi jantar e as balas da sobremesa o mataram

26 terça-feira maio 2015

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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balas, lanche, tiros

Morena, cerca de 1,70 m de altura, seios fartos e pernas bem delineadas, de rosto agradável e simpática com as pessoas, aos 17 anos Maria conheceu Pedro Américo, de 18, lá no bairro Alvorada e começaram a namorar.

Aos sábados, Américo sempre a levava para um lanche, à noite, na avenida Desembargador João Machado. Mas Américo já havia percebido que quase todas as vezes, quando ia buscar Maria para sair, tinha um engraçadinho, conhecido como Homi Cida, que tirava sarro com ele e Maria dizia para não ligar pra isso, manter a cabeça fria, cuidar dela etc e tal.

Américo tirava por menos, mas sabia que sua garota era bonita e despertava o desejo de outros jovens como ele. O que Américo e Maria não sabiam, era que Cida estava planejando aprontar algo mais séria contra o casal.

O dia 10 de janeiro de 2015 teve uma noite iluminada pela lua cheia e Américo aproveitou para levar Maria ao lanche que costumavam frequentar. Pediram a comida, trocaram olhares, até que o lanche chegou, junto com um saboroso suco de cupuaçu, pra ele, e de laranja pra ela, que, de cupuaçu, só gostava das balas.

Enquanto comiam, os dois planejaram ir para um forró ali por perto, pois casa de forró não falta no Alvorada, e aproveitar a noite de sábado para dançar e se divertirem.

Ao fim do lanche, Américo foi pagar o consumo e quando voltou do caixa e se aproximou de Maria, viu Cida se chegar, mas não levou malícia, apenas pensou: “Lá vem esse chato encher o saco de novo!”

Se enganou redondamente. Cida, dessa vez, resolvera presentear o casal com balas e fazer jus ao seu apelido, até então. Se aproximou, sacou de uma arma e disparou três vezes contra Américo. Um quarto disparo acertou Maria e Homi Cida saiu correndo para uma moto que o aguardava e fugiu.

Quando o Samu chegou só pôde dar assistência a Maria, pois Américo estava morto com três balas no corpo. Maria foi levada ao pronto-socorro e verificou-se que ela fora atingida de raspão, não corria risco de morrer.

Enquanto isso, Homi Cida e seu piloto de moto voltaram ao local para ver se a vítima, Américo, estava mesmo morta. Estava.

Mais tarde, a polícia ficou sabendo pelo irmão de Américo, João Antonio, que Cida era apaixonado por Maria e queria o caminho livre para ficar com a garota.

Maria, que gosta de balas de cupuaçu, quase morre alvejada por outro tipo de bala, e seu namorado perdeu a vida porque nessa terra tem gente que mata pensando que algum tipo de amor pode justificar tal maldade, que, infelizmente, acontece todo dia.

Publicação no Portal do Holanda 17/04/2015

Estuprou, roubou celular, mas a selfie o entregou

26 terça-feira maio 2015

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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chuva, coroa enxuta, libido, selfie

Janeiro é um mês de muita chuva em Manaus e aquela segunda sexta-feira de 2015, dia 9, choveu forte desde a tarde na cidade, mas Alex Granito, que preferia ser chamado de Lindão, estava sem grana, liso, sem nenhum no bolso e queria tomar umas geladas à noite com os amigos, que já o haviam convidado.

Descendo a avenida 7 de Setembro, deu uma olhada para o residencial Prosamim e resolveu dar uma volta por lá, apesar da chuva, agora fina, que caia no fim da tarde, quase noite.

Descia para o conjunto pela rua Leonardo Malcher, quando viu uma mulher, com cerca de 60 anos, caminhando à sua frente com uma sombrinha. A mulher, apesar da idade aparente, despertou a libido de Alex, o Lindão, quando ele percebeu o caminhar ondulante da senhora. Não contou conversa: seguiu-a até sua casa, um apartamento ali mesmo no Prosamim e, quando ela ia entrando no apê, Alex, de 22 anos, sacou uma faca e, ameaçando-a, entrou no apartamento junto com dona Priscila Formosa, onde a estuprou ameaçando-a com a arma e, depois do ato, lhe roubou o smartphone, fugindo em seguida.

A mulher reuniu as forças e foi registrar queixa na polícia, onde deu as coordenadas de seu celular que tinha recursos para, tão logo uma foto fosse feita, ser enviada para o e-mail de dona Priscila Formosa.

Com essas informações, a polícia só teve que rastrear o celular de dona Priscila e identificar o bandido que começou a fazer selfies adoidado, se achando Lindão, o cara, mesmo.

O caboco passou a noite de sexta e a manhã de sábado com o celular de dona Priscila, até que a polícia, já com sua foto disponível, feita por ele mesmo, determinou que Lindão estava lá no Educandos.

Não deu outra, determinadas as coordenadas de localização oferecidas pelo GPS, os policiais foram em busca do Lindão que violentava suas vítimas e ainda lhes roubava o telefone.

Alex, foi preso quando tentava vender o telefone de dona Priscila Formosa, que conseguiu o telefone de volta, mas demorou a se recuperar da violência sofrida. O importante para ela foi ter um aparelho configurado para lhe ser útil, o que ela não sabia era que também servia para pegar bandidos.

Publicação no Portal do Holanda 28/03/2015

Vaso vira arma e mata… um par de chifres

26 terça-feira maio 2015

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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arma, assassinato, fora de série, vaso

os-dois-oilNaquele 19 de fevereiro de 2015, dois dias depois do Carnaval, os jornais de Manaus noticiavam dois assassinatos os quais, ao contrário dos que acontecem nos Estados Unidos, que são em série, por aqui eles são fora de série.

Se o motivo e causa de um dos assassinatos são contumazes, reincidentes, isto é, briga por causa de mulher, o mesmo não se pode dizer das “armas” usadas pelos assassinos para acabar com a vida humana. Tudo por causa de um par de chifres recém-plantados.

Chifre, já foi dito há muito tempo, é coisa que alguém bota na cabeça de outro, o qual, além de ter que usar tão infame adorno que nasceu lá pelo tempo dos gregos, é o último a saber do enfeite.

Sobre traição e chifres pode-se dizer que em algumas cidades da Grécia antiga, conforme Artemidoro, havia leis para punir o marido traído: ele era obrigado a andar pelas ruas usando um chapéu com chifres.

Os gregos, se pode inferir, já eram cornos há muito tempo e, ao contrário dos latinos por aqui, puniam o corno, mas levavam na galhofa. Afinal, se foi traído, a culpa é dele.

Feitos tão necessários esclarecimentos vamos aos fatos. A notícia de jornal contava o assassinato de um homem, na segunda-feira de Carnaval, em um bairro da zona Oeste de Manaus. A vítima, James Cornualha, chegou a um bloco de carnaval com uma mulher, Dulcineia, a Cobiçada, e ficou enciumado quando viu Don Juan batendo o maior papo com a bela, que alguns dizem nem era  tanto assim.

O irmão de Don Juan, Don Marco, afirma que Cornualha estava com arma de fogo e a teria sacado quando viu Juan conversando com Dulcineia. Briga apartada, Cornualha foi comprar cerveja e os dois irmãos o seguiram, o pegaram e espancaram com um pedaço de pau. Como se não bastasse, Don Marco atirou um vaso de plantas na cabeça de Cornualha.

Sobre Dulcineia, pouco se conhece, pois nem a polícia sabia quem era, mas Cornualha, além de ter os brios destruídos, teve sua plantação de chifres assassinada, assim como ele próprio, por uma “arma” que deveria justamente abrigar e proteger as plantas: um vaso.

Por fim, e já que estamos falando de tanta sofrência, cabe informar ao leitor alguns tipos de corno mais sofridos, digo, mais conhecidos: o ioiô, é o corno que vai e volta. Corno frio, é aquele que leva chifre e não esquenta, corno manso é o que evita confusão com o ‘sócio’ e, por fim, o corno churrasco. Esse põe a mão no fogo pela fidelidade da mulher. Ah, coitado!

Pois é, coitado vem de coito, logo…

Publicação no Portal do Holanda em 22/03/2015

Se for namorar, não beba

19 quinta-feira mar 2015

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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amasso, bebida, carro, namorar

Os dois bebiam e, às sextas-feiras, era sagrada a rodada de amigos para tomar umas geladas, bater um papo e, obviamente, namorar, como o fazem os jovens e aqueles nem tanto.

Namorar é coisa séria e a seriedade pode ser avaliada pelas consequências que podem resultar desse tipo de relacionamento. Há algumas décadas, o namoro quase sempre terminava no altar, a menos que um dos dois encontrasse outro par, então começava tudo do zero.

Mas namoro exige um começo e isto pode acontecer nos locais e situações mais improváveis, embora, por regra, os ambientes onde mais acontecem sejam as escolas e o local de trabalho, o que não elimina as festas e entre elas, a mais brasileira de todas: o Carnaval.

O Carnaval se sobressai por dois motivos quando se trata de namoro. O primeiro é que, como geralmente acontece em fevereiro e a festa é muito, ou permissiva até demais, é o marco inicial para o mês que tem o maior número de nascimentos no Brasil: novembro.

A segunda e não menos grave consequência das festas carnavalescas é o que acontece depois que todo mundo tomou “todas”, mesmo deixando de lado a violência de alguns, que finda por estragar a festa.

Assim, se beber, não namore. Se namorar e tiver bebido durante o Carnaval, não dirija e, neste caso, além do perigo de provocar acidentes têm outras implicações mais graves como aquele casal que foi para o sambódromo desfilar pela escola de coração e, pra variar, tomaram todas antes e depois desfile.

Assim, como tinham ido no carro dele, o namorado foi deixar a moça em casa, não tão longe, ali no bairro São Geraldo, zona Centro-Sul de Manaus.

Minutos depois de saírem do sambódromo estavam na rua onde ficava a casa da jovem e se iniciaram as despedidas com os beijos e amassos de praxe e ainda mais quentes, pois, lembremo-nos, ambos tinham tomado algumas geladas para animar a festa.

O carro do rapaz, em início de carreira, era um básico e, assim, não tinha ar condicionado, motivo pelo qual os vidros das portas estavam meio abertos. Quando a sessão de carinho esfriou, os dois findaram por cochilar.

Acordaram com ela dizendo: “Ai amor, faz mais, tá tão gostoso!”  E ele, sobressaltado: “Mas não fiz nada…” um tropel e um homem saiu correndo do lado do passageiro.

Pois é, de bêbado, não tem dono, mesmo.

Publicação no Portal do Holanda em 19/03/2015

Este domingo não é dia de feira

16 segunda-feira mar 2015

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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corrupção, Dilma Rousseff, impeachment, Manaus, protesto

00feira-blogHoje é sábado e amanhã vai ser domingo, mas não será um domingo qualquer, daqueles que você junta a família e vai para a feira da avenida Eduardo Ribeiro comer tapioca de banana frita com tucumã e comprar alguma peça de artesanato ou, simplesmente, bater perna andando de um lado para outro observando o que está à venda.

A feira de artesanato já se expandiu faz tempo e, agora, além das peças que lhe emprestam o nome, também podem ser compradas confecções e acessórios nem sempre, ou quase nunca, produzidos artesanalmente. Além de se ter expandido, a feira também oferece alimento para o espírito nas duas ou três barracas que abrigam sebos com livros usados à venda.

Mas como eu estava dizendo, neste domingo, 15 de março, a Feira de Artesanato da Eduardo Ribeiro não vai funcionar e o comércio que abre suas portas aos domingos foi advertido, pela Câmara dos Dirigentes Lojistas – CDL Manaus, a cerrarem as portas. No lugar da feira, o chefe de polícia, digo, o secretário de Segurança Pública do Estado já destacou cerca de mil policiais para garantir a segurança na área central de Manaus e também recomendou aos empresários que não abram suas lojas.

Diz o secretário de Segurança Pública que são medidas preventivas para evitar possíveis confrontos e danos ao patrimônio público ou privado no centro de Manaus, durante a manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, causa do fechamento da feira neste domingo. É uma boa causa e os feirantes, ao que se sabe, nem protestaram.

O interessante em todo essa mobilização que envolve a segurança pública para um evento cívico, no qual seus organizadores já montaram estratégias para garantir que não haja violência, é constatar que, na sexta-feira, 13, houve uma manifestação de petistas, que findou por se confrontar com outra, também no centro de Manaus, e não se soube de todo esse aparato para segurar a barra de gente mais violenta, com histórico de invadir a propriedade alheia e bens públicos, mesmo assim tudo terminou em paz.

Quanto ao evento de domingo, das duas uma, como diria minha velha e falecida mãe: ou os atos de sexta-feira não conseguiram impressionar os homens da inteligência do governo estadual, que preferiram mandar para o local contingente bem menor, ou o ato contra a corrupção está sendo avaliado com potencial de arregimentar uma multidão de insatisfeitos com governo petista e as estórias 171 da presidente Dilma Rousseff.

Publicação no Portal do Holanda em 14/03/2015

Falsa baiana e o bloco do Bocal Queimado

24 terça-feira fev 2015

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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Amazonas, baiana, carnaval, floresta, insulto, Manaus, meio do nada, preconceito

(Ou: É, rica dá costas para Manaus)

Depois do caso do tucumã, quando funcionários de fast food local foram insultados em março de 2014, durante o Carnaval  deste ano surgiu uma tal baiana em busca de fama nas redes sociais e resolveu falar mal de Manaus e de seu povo, mas pincipalmente, mostrar seu preconceito  contra o índio e a floresta.

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A moça, que se diz baiana, se auto-apiedou por morar no “meio do nada” , na floresta, em uma cidade que ela diz odiar: Manaus.

Em sua  conta, no Facebook, a baiana destilou preconceito, ódio e, sobretudo, desprezo pela cidade onde ela vive, de onde tira seu sustento vendendo cosméticos em uma lojinha no bairro Armando Mendes, zona Leste.

Baiana que entra na roda e só fica parada/ Não canta, não samba, não bole nem nada/ Não sabe deixar a mocidade louca…

A situação da tal baiana, exposta por ela mesma, era de tristeza e pesar por morar em Manaus e não poder brincar o Carnaval no litoral cantado por Jorge Amado em tantas de suas obras literárias. Vai ver que a moça não foi nem ao sambódromo ver o desfile das escolas de samba locais, não conseguiu ver a banda da Bica e nem a do Galo de Manaus, não  sabe onde é o bar do Armando, o Jangadeiro nem o Caldeira.

Como para a moça da Bahia, terra de Castro Alves, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, entre tantos outros, Manaus não tem nada, com certeza ela jamais ouviu falar de Moacir Andrade, Aldisio Filgueira ou de Samuel Benchimol, nem mesmo de Milton Hauton.

Se o Carnaval de Manaus é um porre para a moça, que está mais para a falsa baiana da música de Geraldo Pereira, cantada por Roberta Sá: “Baiana que entra na roda e só fica parada/ Não canta, não samba, não bole nem nada/ Não sabe deixar a mocidade louca…”, imagine o que ela deve pensar sobre os espetáculos tão populares quanto o Carnaval e que, até onde se sabe, é muito bem feito aqui no Amazonas.

Exemplo disso seria a Festival Folclórico de Parintins. Ali, a mão-de-obra artística desde há muito vem sendo exportada para outras regiões do Brasil, como atestou, no Carnaval do Rio de Janeiro deste ano, quando a águia portelense teve que fechar as asas para sair do sambódromo construído por Leonel Brizola, quando governador daquele Estado, lá pelos anos 1980.

Vendedora de cosméticos trabalha com a vaidade das pessoas, e essa do Armando Mendes, deve ter perdido a freguesia depois de seu “desabafo” via redes sociais. Assim, quem brinca em uma ciranda em Manaus, não vai passar por lá para comprar produtos que lhe emprestem mais beleza. Quanto às cirandas de Manacapuru, talvez seja demais esperar que a comerciante de cosméticos tenha se dado ao trabalho de ir ver.

Mas, como dizem nas redes sociais, a zoeira não acaba e a vendedora de cosméticos, que deu as costas para Manaus, teve que se desculpar pela mesma via por onde ofendeu boa parte da gente desta terra, que a todos acolhe com um sorriso nos lábios e muito calor humano.

Mesmo após seu pedido desculpas, no entanto, a coisa ficou preta lá pelo bairro Armando Mendes, quando, na terça-feira de Carnaval, dia 17, a moçada do bloco do Bocal Queimado foi confundida com uma turma de vândalos. Para livrar o comércio de cosméticos, o marido da tal baiana chamou a polícia que foi dar proteção às instalações comerciais, mas nada pôde fazer contra os xingamentos do bloco cujo nome, para bom entendedor, já diz muita coisa.

O manauense e o manauara, por mais receptivos que sejam, não toleram ofensas à sua terra, só falta agora canalizar essas forças também para exigir das autoridades e servidores públicos mais e melhores serviços para a cidade.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/02/2015

Certezas e expectativas políticas frustradas

07 terça-feira out 2014

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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2º turno, Amazonas, candidato, eleição, governo, Manaus, pesquisa, urna

Terminado o primeiro tempo da peleja eleitoral é de se registrar que as certezas de alguns candidatos se transformaram expectativas frustradas como no caso do cargo presidencial, onde Aécio Neves (PSDB) conseguiu tirar Marina Silva da disputa e baixar a bola da presidente Dilma Rousseff (PT) que, obviamente, preferia, uma vitória no primeiro turno a enfrentar o tucano no segundo, como vai acontecer.

No caso da Presidência da República, vai ficar difícil transferir os mais de 22 milhões de votos que Marina Silva (PSB) obteve em função do perfil desses eleitores que têm posições formadas e preferem, eles mesmos, direcionar seu voto em vez de seguir eventual orientação para votar em quaisquer dos dois candidatos que se enfrentam no 2º turno.

Outra expectativa frustrada foi a do candidato ao governo do Amazonas, senador Eduardo Braga (PMDB) que, de acordo com as pesquisas de institutos de renome nacional, vinha liderando e bem à frente do candidato à reeleição, José Melo (Pros). Enquanto Braga deixou sua candidata a vice em Manaus e foi atrás de votos no interior, José Melo correu atrás nos dois fronts e o resultado foi um empate que, para Braga, deve soar como derrota até pelos ataques que desferiu contra o governador a fim de desqualificá-lo.

O segundo turno, aqui pelo Amazonas, vai ter como um dos protagonistas o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) que conseguiu a bagatela de 11% dos votos e, se não se elegeu, concorreu firmemente, com sua candidatura, para que a disputa pelo governo estadual aportasse no segundo turno, no próximo dia 26 de outubro. Fica aqui a mesma observação acerca do perfil dos eleitores de Marina Silva quanto à dificuldade de transferir votos.

Há um detalhe que chama a atenção no caso da apuração dos votos. Se começou célere, o final se transformou em bicho preguiça, que o animal me perdoe a comparação, tanto foi o tempo necessário para finalizar a contagem de votos no Amazonas.

Mas na crônica de qualquer eleição no Brasil cabe a nota destoante da estratégia antiga, dos tempos dos coronéis de barranco, mas que faz a alegria das gráficas, de, na véspera, madrugada da eleição, fazer um derrame de cédulas de votação nas ruas das cidades por todo o país. Manaus não foi exceção e, possivelmente, nenhum candidato deixou de fazê-lo, se teve os meios para tal.

Infelizmente, apesar de prevista como infração na legislação brasileira, são muito poucos os casos dos quais se toma conhecimento de que os (i)responsáveis serão apenados com multas ou outros instrumentos para desmotivar essa, literalmente, prática suja. No entanto, cabe registrar que não foram poucos os eleitores que, sem ter candidatos, fazem uso dessa cooptação onde o nome dos candidatos é encontrado no meio da rua.

Com a poderosa ajuda do bico tucano do prefeito Artur Neto, não foi somente o governador José Melo que viu seus votos crescerem em Manaus, mas também o deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB) que, alavancado pelo maior eleitor de Manaus, o prefeito, teve mais de 250 mil votos para se eleger deputado federal, coroando com a ironia de, a partir de sua votação, a coligação puxar o deputado Átila Lins que quase fica de fora.

O segundo tempo está a caminho, daqui a 19 dias, quando as urnas falarão, de novo.

Caminhada na Ponta Negra e as onças sentadas

09 terça-feira set 2014

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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cigs, desfile militar, dia da independência, estacionamento, marinha do brasil, onça, paraquedas, Ponta Negra

PNegra-7-setembro

Redesenhada e com atributos para ser o mais bonito cartão postal de Manaus, a Ponta Negra ganhou, no último fim de semana, mais um espetáculo público para fazer parte de seu calendário de eventos com a realização, ali, do desfile militar em comemoração ao Dia da Independência.

A adaptação do local para o desfile militar não contou com a montagem de arquibancadas. Em seu lugar foram montadas barracas de campanha para livrar o espectador do sol e, principalmente, evitar que o público infantil se expusesse ao excesso de raios solares.

A inovação maior, no entanto, parece ter sido a ausência das cordas ou grades de isolamento que, normalmente, separam a pista de desfile do público

Mesmo assim, a garotada procurou lugares estratégicos para curtir o desfile militar e fez o que o era comum para crianças de gerações dos anos 1970: subiu nas árvores da avenida Coronel Teixeira de onde tiveram visão privilegiada do desfile militar de 7 de Setembro.

O pretexto para mudar o evento para a Ponta Negra, pois até 2013 era realizado no sambódromo, foi de que ali seria possível fazer a apresentação das embarcações da Marinha do Brasil, além de favorecer o espetáculo com aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

A inovação maior, no entanto, parece ter sido a ausência das cordas ou grades de isolamento que, normalmente, separam a pista de desfile do público. No caso da Ponta Negra, o público foi um show à parte ao não invadir a área do desfile e manter um espírito alegre e propenso a aplaudir quem desfilava, inclusive a guarnição de países estrangeiros que participaram da parada militar.

O espetáculo aéreo, com salto de paraquedistas e passagem de aeronaves da FAB, realizado antes do início do desfile, chamou a atenção de adultos e crianças, uma vez que os paraquedistas fizeram a aterragem em plena pista da avenida Coronel Teixeira, próximo ao palanque das autoridades, o que os colocava, a cada salto, ao lado dos espectadores.

A parte do desfile que talvez tenha tido menos espectadores pode ter sido a das embarcações da Marinha do Brasil que fizeram passagem em frente à Ponta Negra no sentido do Tropical Hotel para o centro de Manaus, ao mesmo tempo em que os aviões e helicópteros da FAB realizavam sobrevoos ao largo do rio Negro, na mesmo área.

Entre as atrações mais esperadas, as onças do Centro de Instrução e Guerra na Selva (Cigs) estiveram presentes ao desfile militar, mas, talvez pelo calor do mormaço matinal, preferiram se manter bem sentadinhas durante quase todo o desfile, se levantando poucas vezes quando o flash de algum fotógrafo as tirava de seu “descanso” a bordo das viaturas militares. O espírito de celebridade parece que baixou nos belos felinos do Cigs.

Por fim, cabe registrar, como fator negativo mas que nem por isso levou alguém a desistir de ver o desfile, o fato de que a área de estacionamento prevista pelos planejadores da logística não deu conta da demanda de veículos para a área da Ponta Negra. Quem chegou até as 7h30 ainda pôde usar o estacionamento do Alphaville, quem passou desse horário sofreu para arrumar uma vaga e as pistas da avenida do Turismo foram tomadas até o cemitério Tarumã.

Na pior das hipóteses, quem deixou seu carro tão longe ganhou uma bela caminhada até a Ponta Negra, o que não faz mal a ninguém e só deixa os músculos das pernas um pouco doloridos.

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