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Arquivos da Tag: Brasil

Vai partir sem deixar saudades

30 terça-feira dez 2014

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, corrupção, escândalos, petistas, Petrobras, políticos, PT

O velhinho está quase morto e, em estado terminal, vai partir sem deixar saudade nenhuma na área econômica do Brasil, pois, quando chegou, já veio com o anúncio de que não trazia nada de bom nesse departamento. A seu favor, 2014 pode alegar que não tem culpa de nada de ruim que aconteceu com a economia do país.

Em lugar de dividendos polpudos, a safra foi de escândalos acerca de somas vultosas que saíram dos cofres da petroleira

É verdade. O ônus cabe aos administradores que trocaram a oportunidade fazer investimentos em infraestrutura pelo país afora para manter uma política de incentivo ao consumo como forma de, aparentemente, gerar emprego e dar a impressão de que o país está caminhando, crescendo. Uma hora, é evidente, a coisa desanda.

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A inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, se medida no acumulado de 12 meses, ultrapassou o teto previsto em lei, que é de 6,5%, e atingiu 6,56%. Mas o ministro – que já se sabe demitido – avisa que o governo tomou providências para que a inflação retorne ao centro das metas previstas como piso e teto. O único detalhe é que no segundo mandato de Dilma Rousseff quem assume é Joaquim Levy aquilo que o ministro Mantega promete pode, ou não, ser cumprido.

Solução criativa, no entanto, é a que o núcleo econômico do governo petista encontrou para outro furo e legislação não cumprida pelo governo acerca do superávit primário. Como a lei responsabiliza o administrador público que descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e, depois que a gastança governamental atingiu níveis estratosféricos, fugindo dos limites previstos nos textos legais, o jeito foi ir ao Congresso Nacional e mudar a legislação com muita criatividade, mudar o nome das coisas e o que era gasto virou poupança.

Na política, para ficar com um único tema nacional, a estatal que era símbolo do poder brasileiro na área de petróleo, gás, energia, enfim, teve seus papéis transformados em fumaça pela implicação de ingerências ‘políticas’ em sua gestão. Com isso, as ações da Petrobras, que um dia o próprio governo incentivou o trabalhador a pegar seu FGTS e aplicar nesses papéis, viraram um mico e não foram poucos os trabalhadores que entraram pelo cano vítima da gestão escandalosa da petroleira estatal.

Em lugar de dividendos polpudos, a safra foi de escândalos acerca de somas vultosas que saíram dos cofres da petroleira para regar as contas de políticos que abusam das más práticas quando administram bens públicos.

Aqui pelo Amazonas é de se registrar a vitória, se não surpreendente pelo menos inesperada, do governador José Melo sobre seu oponente e senador Eduardo Braga. Este, porém, pode até se gabar de não ter ganho a eleição no Amazonas: com a indicação para o Ministério das Minas e Energia, vai ter um orçamento pelo menos cinco meses maior que o do Amazonas sob sua batuta em 2015.

Se o velhinho parte triste e melancólico, o ano que chega, como sempre, vem cheio de esperanças e traz, em sua bagagem para a viagem de 365 dias, a expectativa de que a vida dos brasileiros seja melhor do que em 2014, em que pese a expectativa da manutenção de políticas que, já se viu, findam por levar o Brasil a não crescer e, pior, deixar de gerar empregos.

Feliz Ano Novo!

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 30/12/2014

‘Política é a arte da ladroagem’

18 terça-feira nov 2014

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, corrupção, empreiteiras, Petrobras, política, político, prisão de executivos, Tomás de Aquino

A corrupção é tão velha quanto os governos e nem Santo Tomás de Aquino deixou de estudá-la para tentar entender os mecanismos que levam as sociedades a enveredar pelo caminho da corrupção, embora os estudos daquele filósofo tenham como base não a corrupção como a vemos hoje, onde agentes públicos se prevalecem do cargo para obter vantagens financeiras como os escândalos recentes na Petrobras.

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A corrupção estudada por Aquino vê a degenerescência do Estado, do principado, a partir da opressão por um governo de minoria que, ao atingir seu limite, é confrontado pela maioria de oprimidos, que vai mudá-lo, mesmo que essa mudança possa ser apenas de governante, mas também pode ser a mudança de um sistema de governo ou até de forma de governo.

A política é a arte da ladroagem e o político é, acima de tudo, um falso

No entanto, pensadores como Hans F. Sennholz não se intimidam em colocar a própria política como a raiz da corrupção em sua forma atual. Para Sennholz, “a grande arte da política está em conseguir, simultaneamente, aplausos dos favorecidos e apoio dos que estão sendo roubados”. Para esse autor, a “política é a arte da ladroagem” e o “político é, acima de tudo, um falso”.

No caso do Brasil, tais conceitos podem ser perfeitamente lidos como corretos à ressalva das raríssimas exceções que, por existirem, têm o papel fundamental de confirmar a regra.

Não é à toa que as prisões efetivadas na última sexta-feira, quando executivos de empresas como OAS, UTC, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa, Galvão Engenharia, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Mendes Júnior colocaram os mercados em sinal de alerta, não só aqui, mas também no exterior, já que, pelo porte dessas empresas, seus negócios também estão em outros países.

No entanto, se a sexta-feira, mesmo sem ser dia 13, colocou em polvorosa escritórios e dependências das grandes empreiteiras, no sábado é de se fazer o registro de nome que, por suas atitudes, entraram para história do Brasil ao negar habeas corpus a favor dos executivos presos, entre eles presidentes e diretores das companhias. Esse nome, ao lado do juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, que decretou as prisões, é o da desembargadora do Rio Grande do Sul, Maria de Fátima de Freitas Labarrère.

O clima de terra arrasada visto na sexta-feira, porém, deve se agravar a se concretizarem as previsões de analistas, tanto políticos quanto econômicos, os quais têm como certo que a seguir devem ser apontados os parlamentares envolvidos nas maracutaias que, por enquanto, são investigadas na Petrobras.

É neste segmento, dos políticos, que a coisa pode pegar mais pesado, pois as estimativas dão conta de que não são apenas 25 os envolvidos nos esquemas danosos aos cofres da estatal e ao bolso do contribuinte. Tem gente dizendo que pelo menos 10% dos parlamentares do Congresso Nacional podem ter sido favorecidos com as benesses cavadas dentro dos cofres da Petrobras.

O discurso, correto, da presidente Dilma Rousseff, no momento, de que tudo será investigado, é uma fresta para que se veja, em alguma medida e mesmo que seja uma pequena parte das práticas políticas serem passadas a limpo com mais esse escândalo que envolve, principalmente PT, PMDB e PP, mas que vai respingar em outros partidos.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 18/11/2014

Em 2015, Brasil vai estagnar

12 quarta-feira nov 2014

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, contas públicas, economia, estagflação, inflação, previsão

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É no mínimo pessimista a visão que o economista Felipe Miranda, formado pela Faculdade de Economia da USP e sócio da Empiricus Research, tem sobre o que aguarda a economia brasileira e o 2º mandato da presidente Dilma Roussef no próximo ano.

O desempenho de estatais como Petrobras e Eletrobras, para ficar em dois exemplos mais conhecidos do público, são criticados de forma dura

Em vídeo distribuído via rede social, o economista usa termos pesados para demonstrar que seus diagnósticos acerca de uma catástrofe econômica que se avizinha. Ele demonstra, com a ajuda de indicadores econômicos, as causas do que está por vir e a opção por uma mudança nos rumos da política econômica do país, tomada há cerca de 5 anos, quando se optou por um Estado assistencialista e que incentivou o consumismo.

Ex-integrante da equipe Sales de Derivativos do Deutsche Bank e ex-analista da Monitor Clipper Partners, além de ex-professor da FGV-SP, não faltam credenciais ao analista econômico para fazer as previsões que distribuiu via internet. Miranda chega a alertar, no início do vídeo, que o panorama traçado por ele se embasa em fundamentos técnicos e, assim, não vai agradar à esquerda, à direita e nem aos petistas.

Uma de suas observações mais pesadas é quando se refere à presidente Dilma Rousseff. Segundo Miranda, indagada sobre por que o Brasil cresceu tão pouco durante o primeiro mandato, Dilma teria respondido simplesmente que “Não sabia”.

Em média, o crescimento do produto interno bruto (PIB) entre 2009 e 2013 foi de 1,5%, sem contabilizar aí as receitas de concessões e os rendimentos de dividendos. Mas, a má notícia, conforme o economista da Empiricus, é que neste exercício, não vai ultrapassar 1%.

No caso do câmbio, que Miranda previa chegar ao fim de dezembro de 2014 acima de R$ 2,45, a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 10, indicou que os agentes econômicos consultados pelo Banco Central já alteraram suas previsões elevando para R$ 2,50 a cotação da moeda norte-americana no fim do ano.

O desempenho de estatais como Petrobras e Eletrobras, para ficar em dois exemplos mais conhecidos do público, são criticados de forma dura. Conforme o analista da Empiricus, a Petrobras como empresa foi destruída, pois o valor de suas ações só caiu durante os governos petistas.

A origem de todos males que já acontecem no Brasil e de outros que devem ocorrer o futuro próximo estão justamente em 2008, a partir da crise internacional e das medidas tomadas pelas autoridades brasileiras.

Quando, há 5 anos, houve a mudança da política econômica, o país ficou direcionado a assistir a deterioração das contas públicas, escassez do investimento público, além do represamento de preços dos combustíveis e da energia como forma de controle de preços para mascarar a inflação.

Medidas sem sustentação a longo prazo têm data certa para levar o Brasil a um futuro de sacrifícios que, no cenário de Felipe Miranda, vai impactar os orçamentos das famílias com escassez de crédito decorrente da necessidade de financiar a dívida pública, o que vai elevar os juros, como já está acontecendo com o novo valor da Selic.

Só para finalizar, o relatório em vídeo de Felipe Miranda se intitula exatamente “O Fim do Brasil” e pode ser baixado do Youtube ou da página da Empiricus.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 11/11/2014

Dilma, o retorno em missão espinhosa

28 terça-feira out 2014

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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2014, Amazonas, Bovespa, Brasil, dólar, Dilma Rousseff, economia, eleições, governabilidade, governador, José Melo, PT, reforma política

A reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) neste domingo, 26, pode ser considerada como um marco nas eleições brasileiras após a redemocratização nos anos 1980, inclusive pela vitória apertadíssima obtida nas urnas. Pela votação da petista, em confronto com a do tucano Aécio Neves, fica claro que metade dos brasileiros não quer mais o PT no comando do país.

As dificuldades da presidente Dilma, no entanto, não se resumem ao front político, onde ela também prometeu uma reforma urgente, mas também ao front econômico, e neste, como se disse no início, os efeitos já surgiram no dia seguinte à sua reeleição.

Dos 105,54 milhões de votos válidos computados pela Justiça Eleitoral no pleito do dia 26, a presidente Dilma Rousseff abocanhou 54,50 milhões, enquanto Aécio Neves obteve 51,04 milhões de votos. Em termos relativos são 51,64% para a presidente reeleita e 48,36% para o candidato tucano que sai fortalecido para sua atuação como senador da República e líder da metade dos brasileiros.

São esses números que dão suporte à afirmação inicial sobre o ineditismo da eleição de 2014, que também enveredou por caminhos sujos e pegajosos não somente em nível presidencial, mas também aqui pelo Amazonas, onde não foi raridade a preparação arapucas para enlaçar eleitores que não se acautelassem ao escolher o candidato para o governo estadual.

Se do lado da presidente Dilma Rousseff a reeleição tem efeitos imediatos, como por exemplo a queda de uma bolsa que os mais pobres pouco sabem sobre o que é e como opera, a Bolsa de Valores de São Paulo (BMFBovespa) que abriu a segunda-feira operando em baixa e, ao meio-dia já desabara mais de 6%.

Se a reeleição de Dilma garantiu, como tanto ela quanto Aécio Neves prometeram, a manutenção e melhorias no programa Bolsa Família, pode-se afirmar, em contrapartida, que no caso mercado de moedas, o câmbio do dólar também sofreu influência do resultado da eleição com a moeda norte-americana sendo cotada, nesta segunda-feira, quase 4% mais cara do que o fechamento da última sexta-feira.

A par do mal desempenho do partido da presidente reeleita, o PT, nas eleições deste ano, quando o Partido dos Trabalhadores encolheu 20,45% ao perder 18 deputados que não mais terão assento na Câmara Federal em 2015, resta à presidente fazer, de verdade, o que já anunciou que está disposta a fazer: estender a mão para a conciliação no Congresso Nacional e com o país.

Nessa rota, não serão poucas as pedras que seu marqueteiro-mor colocou no meio do caminho com a operação do marketing de guerrilha política que tirou partidos da influência do governo durante a campanha do vale tudo para manter Dilma Rousseff no comando do país. Se o resultado foi atingido, o preço a pagar vai ser bem mais alto para conseguir a governabilidade.

As dificuldades da presidente Dilma, no entanto, não se resumem ao front político, onde ela também prometeu uma reforma urgente, mas também ao front econômico, e neste, como se disse no início, os efeitos já surgiram no dia seguinte à sua reeleição.

Nos próximos quatro anos as medidas que impactam inflação, cuja meta pelo teto de 6,5% não tem como ser cumprida neste exercício, terão que ser efetivadas, mexendo em preços administrados como o dos combustíveis, entre outros. Essas medidas, como se sabe, não serão nada populares e devem corroer parte do capital político da presidente. Além disso, há não se pode esquecer da infraestrutura do país que necessita de atenção urgente.

Enquanto isso, no Amazonas, o governador José Melo (Pros) tem mais quatro anos para se consolidar como administrador público eleito pelo voto direto de 869.992 amazonenses que acreditaram em suas propostas.

Publicação no Jornal do Commercio, ed. 28/10/2014

FHC, Lula e o fator previdenciário

25 sexta-feira jul 2014

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazônia, aposentadoria, Brasil, estatal, Fator previdenciário, INSS, previdência privada

País de contrastes, o Brasil surpreende quem o visita pela exuberância de sua natureza, diversificada em cada região e, em algumas, como a Amazônia, consegue aglutinar em seu espaço geofísico, a floresta, os campos, a planície e o planalto. Aquela no Amazonas, por exemplo, este, em Roraima.

Os contrastes são também notados em seu povo, no meio do qual poucos podem dizer pertencer a apenas uma raça, já que da miscigenação do branco, do índio e do negro se originou o brasileiro.

Porém esses matizes contrastantes estão presentes tanto na sociedade brasileira quanto na própria economia e, por fim, na política, que rege a vida em sociedade ao impor normas de convivência traduzidas em direitos e deveres.

Um desses exemplos do contraste na economia e na sociedade, e, evidentemente, com um viés político, é o caso do fator previdenciário instituído em 1999 pela lei nº 9.876, na administração de Fernando Henrique Cardoso, como paliativo, que virou solução definitiva, ao enorme déficit da Previdência Social.

Esse déficit, à época, derivava em grande parte das muitas vantagens oferecidas ao funcionalismo público, inclusive com a criação de fundos como o da Petrobras e Banco do Brasil, entre outros, onde o funcionário entrava com R$ 1 e a instituição empregadora pagava R$ 2, obviamente que com a grana do contribuinte.

Na previdência, onde o funcionário público ao se aposentar leva seu salário integral, a coisa era ainda pior do ponto de vista atuarial, já que as contribuições dos servidores públicos não cobriam os custos dos benefícios que eram pagos quando iam para a inatividade.

É nesse panorama de fim de século que FHC saca sua calculadora e consegue aprovar o tal fator previdenciário com o objetivo de estancar aposentadorias, no setor privado, de pessoas ainda jovens. No setor público pouco foi feito à época, embora, desde então, tenha havido evolução, até pela exigência do custeio das aposentadorias em fundos próprios dos entes federativos.

Quanto ao fator previdenciário, seu cálculo considera duas situações: a aposentadoria por tempo de serviço e aquela por idade. Neste caso, o uso do fator é opcional. O que complica mais a vida do trabalhador que pensa em se aposentar e ter o benefício como garantia e aumentar sua renda, pois geralmente continua a trabalhar, é quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica uma nova tábua de mortalidade.

Nesse caso, como aconteceu recentemente, a expectativa de vida do brasileiro é maior, há repercussão no cálculo da aposentadoria, como informa Anna Toledo, do Conjur, a exemplificar cálculo com essa tabela. Por ali, um homem com 55 anos e 35 de contribuição, deveria trabalhar mais 153 dias para manter o mesmo valor do benefício, enquanto um outro de 60 anos e 35 de contribuição teria que trabalhar mais 173 dias para ter o mesmo benefício, pela nova tábua.

 É assim que, apesar dos mais de dez anos de governo de um partido que se diz dos trabalhadores, o cálculo desse fator continua a ser injusto não só com os ditos, assim como também com os idosos, com o trabalhador que busca o benefício da aposentadoria para terminar seus dias com uma renda, fruto de toda sua vida de trabalho.

É ilustrativo recordar, por exemplo, que em abril de 2008, projeto do senador Paulo Paim (PT/RS) derrubou o tal fator previdenciário no Senado Federal, mas continua a tramitar na Câmara dos Deputados até hoje. Enquanto o projeto de lei de conversão nº 2/10 extinguiu o famigerado usurpador da grana do trabalhador em 2010, mas esse dispositivo foi vetado pelo ídolo dos simpatizantes do PT, o ex-presidente Lula. Com isso, os contrastes passam também a ser do próprio Lula.

Em outras palavras, quando a coisa é para valer no bolso do trabalhador não tem PT nem Lula, e muito menos FHC que o livre das garfadas para equilibrar as contas que outros gastam e consomem.

Publicação no Jornal do Commercio, ed. 11/02/2014

Inflação e crescimento do PIB em 2014

16 quinta-feira jan 2014

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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2014, Amazonas, Brasil, conjuntura, Datafolha, economia, inflação, IPCA, Manaus, pesquisa, preço, zona franca

Eustáquio Libório

As expectativas para a economia brasileira para este ano se mantêm na linha do pessimismo com tendência de até piorar em virtude das eleições presidenciais, o que não deixa de ser um foco de preocupação para quem está no poder. Dois fatores principais despontam nessa conjuntura: a inflação que cresce e ataca justamente um segmento onde os brasileiros podem retirar o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, uma vez que no setor de alimentos a corrosão inflacionária está próxima de 8%.

Com crescimento médio do produto interno bruto (PIB) em 2% entre 2011 e 2013, nada indica que neste ano o Brasil possa extrapolar esse patamar, mesmo com alguma ajuda da Copa do Mundo, que deve trazer pelo menos 100 mil turistas a mais ao país, e o boom esperado pela indústria no setor de eletroeletrônicos, também em função dos jogos da Fifa no país, a partir de 12 de junho.

Além disso, pesquisa divulgada pelo Datafolha dá conta de que em novembro de 2013 as expectativas da população em relação à inflação e ao desemprego são as piores desde 2009.

No mês de novembro daquele ano, 43% dos brasileiros acreditavam que o desemprego iria crescer no ano seguinte, em 2010 essa expectativa baixou para 28% e no ano seguinte foi de 32%, chegando, em agosto de 2013, a 39%, para atingir, em novembro de 2013, parcela de 43% dos que pensam que vão ficar desempregados em 2014.

Os números captados pelo Datafolha quanto à inflação apresentam curva similar em relação ao ano seguinte. Em novembro de 2009, 36% dos brasileiros acreditavam que a inflação seria maior no ano seguinte, em 2010 a taxa caiu para 33% e no ano seguinte subiu para 51%, enquanto em agosto de 2013, 53% pensavam que a inflação vai ser maior em 2014, passando, em novembro, para 59% o contingente de brasileiros que veem mais inflação neste exercício.

Se a conjuntura econômica brasileira vai por esse caminho, no Amazonas as lideranças industriais, setor que puxa a economia local, têm visão um pouco melhor com estimativa de crescimento do PIB entre 3% a 5%, embora essa perspectiva esteja relacionada à chegada de grandes indústrias com projetos já aprovados na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e no Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), como é o caso da Digibras/Lenovo, com forte atuação no campo da informática, e da japonesa Daikin, que tem a ambiciosa meta de ser a líder no segmento de condicionadores de ar em cinco anos.

Mesmo sem a intenção de ser advogado do diabo, é salutar o registro de que uma das maiores esperanças de crescimento econômico no longo prazo, no entanto, não conseguiu decolar até agora. Na terceira tentativa de criação de um polo da indústria naval em Manaus, como vem acontecendo desde 1994, as notícias nesse setor não são animadoras, apesar do interesse que indústrias de outros países já demonstraram em instalar plantas no Amazonas.

Os impedimentos estão nas exigências ambientais e na deficitária infraestrutura logística que sempre foi o calcanhar de Aquiles para o crescimento do Amazonas.

Para finalizar, não se pode deixar de lado as outras duas limitações que estão colocando a Zona Franca de Manaus contra a parede: o prorrogação do modelo, prometido desde 2011 pela presidente Dilma Rousseff, e a nova alíquota do ICMS interestadual, que vai dar trabalho no Congresso Nacional neste ano.

(*) É jornalista

E-mail: liborio.eus@uol.com.br
Publicado no Jornal do Commercio , ed. de 07/01/2014

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