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Promessas de candidato e as lendas amazônicas

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, candidato, eleição 2016, Manaus, política, prefeitura, promessa

A campanha eleitoral onde políticos disputam a cadeira de prefeito de Manaus anda quente na cidade, nas redes sociais, além da TV e rádio, mas as propostas são escassas, repetitivas e, à primeira vista, na maioria dos casos, o candidato a prefeito “esquece” de um detalhe muito importante: explicar como vai fazer aquilo que está prometendo aos eleitores durante a campanha.

Se no campo das promessas os fatos se casam com as expectativas, isto é, não há praticamente nada de novo sob a luz dos refletores da TV ou nas ondas de rádio, o comportamento de alguns postulantes a ser o dirigente máximo da cidade também imita campanhas passadas, onde acusações sem comprovação são feitas em um jogo de cena para impressionar incautos e o eleitor desinformado.

Desse tipo de candidato, o mínimo que se pode dizer é que apela para a demagogia, que é, ao longo da história ocidental, a arte de conduzir o povo, mesmo utilizando de artifícios e subterfúgios para enganar o cidadão

No mesmo ritmo estão os candidatos que apresentam o atual prefeito de Manaus e seus antecessores, mais ou menos no “estilo Lula da Silva”, para quem nada foi feito e algo, se o foi, não presta, é danoso e não beneficia a população. É a lenga-lenga do “nunca antes neste país”, no caso, em Manaus.

Tais posturas de candidatos fazem lembrar lendas amazônicas como a do Matinta-Perera, também conhecido como Saci-Pererê, que à noite incomoda os vilarejos com seu assobio e não deixa ninguém dormir até que lhe deem ou prometam dar fumo, tabaco, já que a criatura é fumante inveterada. Qualquer semelhança com esta época pré-eleição de 2 de outubro não é coincidência.

Mas existem candidatos que preferem algo mais glamoroso – não é o caso que se viu na semana passada, quando a cara-de-pau levou um a carregar água em baldes na periferia da cidade, enquanto um outro foi “passear” de ônibus para demonstrar a precariedade do sistema de transporte coletivo urbano, da qual, aliás, ninguém duvida.

Desse tipo de candidato, o mínimo que se pode dizer é que apela para a demagogia, que é, ao longo da história ocidental, a arte de conduzir o povo, mesmo utilizando de artifícios e subterfúgios para enganar o cidadão, seja fazendo promessas inexequíveis ou deixando de cumprir as exequíveis, uma vez que pesa mais, para tais políticos, alcançar e permanecer no poder.

A estes a lenda mais apropriada para descrevê-los é do boto-cor-de-rosa, animal que, no período da lua cheia ou nas festas juninas, se transforma em um belo rapaz para atrair e seduzir donzelas. As que caem em sua lábia, diz a lenda, engravidam de um bebê… boto.

Vaidade e gente cheia de orgulho não falta nesta campanha, seja a vaidade de achar saber tudo ou o orgulho de pensar ser o único iluminado a ter capacidade para administrar Manaus e tornar o dia-a-dia dos manauaras menos estressante e com mais qualidade de vida. Mas o candidato com essas “qualificações” pode ser identificado com a lenda do Pirarucu, guerreiro vaidoso e orgulhoso, filho de um cacique, que oprimia seus irmãos na ausência do pai e foi atingido por um raio, por desígnio de Tupã, transformando-o no saboroso peixe amazônico.

No nível atual da campanha, os políticos mais confundem do que esclarecem (algo novo por aí?). Quando algum candidato diz, por exemplo, que vai oferecer aulas particulares de reforço aos alunos do município, enquanto outro prefere garantir a segurança da cidade e um terceiro, se eleito, se diz disposto a consultar o povo para saber onde investir o dinheiro público.

Por aí dá para sentir que não há, aparentemente, intenção de resolver os problemas urbanos, melhorar o que pode ser melhorado, mas apenas mostrar que é o melhor candidato. Como diz o ditado, falar é fácil, difícil é fazer.

Ao eleitor cabe a pior das tarefas: descobrir, entre oito candidatos, quem pode fazer gestão melhor que o atual prefeito, o qual, aliás, anda muito calado.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 13/09/2016

Varejo e indústria começam a reagir

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, crise, economia, emprego, indústria, Manaus, varejo, zona franca

Terminada a Olimpíada Rio 2016, quando o Brasil conseguiu, finalmente, obter a simpatia de atletas e até de dirigentes olímpicos, os quais, antes, estavam com o pé atrás sem acreditar na capacidade de o país realizar os jogos de forma segura, onde as críticas também abrangiam a área de saúde, dado o potencial de contrair o zika vírus e outras doenças tropicais, sem falar na poluição nas águas da baía da Guanabara.

No mais, é ano eleitoral, momento para definir quem vai governar Manaus nos próximos quatro anos e o eleito (ou reeleito) já começa o mandato com a missão de driblar a crise

No fim, foi tudo festa e o país conseguiu até mais medalhas do que em outros jogos olímpicos. Mas se a olimpíada aconteceu de forma satisfatória, o país ainda está mergulhado na crise político-econômica desencadeada pelo último governo petista, cujo desenlace deve acontecer a partir do próximo dia 25, quando tem início a sessão do Senado Federal que deve pôr fim ao impasse político que parou a economia brasileira há cerca de dois anos.

No entanto, há boas notícias, as quais, se não indicam o fim dos gráficos de cabeça-para-baixo na atividade econômica, pelo menos deixam transparecer que a economia começa a reagir.

No Polo Industrial de Manaus (PIM), por exemplo, o emprego, no comparativo entre maio e junho deste ano, já apresenta uma ligeira evolução positiva, enquanto o nível de aquisição de insumos no mês de junho foi o maior do primeiro semestre de 2016, sem falar na evolução positiva, mês a mês, desde janeiro de 2016, dos investimentos produtivos efetivados pela indústria da Zona Franca de Manaus (ZFM), de acordo com os Indicadores do PIM referentes a junho.

No comércio também já há números positivos, mesmo que a base de comparação seja entre os meses do primeiro semestre e não contemple, ainda, a evolução de 12 meses.

Conforme a Sondagem Conjuntural do Comércio Varejista de Manaus, divulgada na segunda-feira, 22, pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas (IFPEAM), o varejo apresenta algumas boas novas, a exemplo do emprego, onde a pesquisa da Fecomércio aponta crescimento de 0,19% na comparação entre maio e junho deste ano.

No mesmo compasso, a folha de pagamento do varejo teve evolução positiva de 0,13% entre maio e junho deste ano, enquanto o nível de estoque aumentou 1,10% no período.

Nessa conjuntura, a má notícia é a de que o faturamento dos varejistas caiu 0,55% entre maio e junho de 2016 e a evolução negativa na comparação entre junho de 2015 e o mesmo mês deste ano é de 3,16%. Entre os segmentos que tiveram recuperação detectada pela sondagem do IFPEAM, em junho, estão material de construção e o varejo de bens duráveis.

A travessia do período recessivo parece estar se iniciando e a resolução do imbróglio acerca do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff deve dar mais fôlego à iniciativa privada para tocar seus projetos e, quem sabe, talvez o governo federal comece, realmente, a trabalhar para aprovar medidas que impactam em toda a atividade econômica.

No mais, é ano eleitoral, momento para definir quem vai governar Manaus nos próximos quatro anos e o eleito (ou reeleito) já começa o mandato com a missão de driblar a crise e oferecer soluções para os muitos problemas da cidade. Falta de dinheiro não vai poder ser argumento impeditivo de realizações, afinal, se a receita do município caiu, os nove candidatos já o sabem, logo, devem oferecer soluções realistas dentro desse quadro.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 23/08/2016

Açaí para a atacante da seleção

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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açaí, Amazonas, futebol, jogos olímpicos, Manaus, olimpíada, Rio2016

A participação de Manaus na Rio 2016, ou seja, nos Jogos da XXXI Olimpíada da era moderna, deve dar bom resultado para os organizadores, para quem conseguiu se estabelecer comercialmente na Arena da Amazônia e deixar alguma saudade para os espectadores que foram ou irão, nesta terça-feira, à Arena da Amazônia, assistir aos jogos de futebol feminino da seleção brasileira contra a África do Sul, e da Colômbia, que deve enfrentar os atletas dos Estados Unidos.

Bom mesmo, porém, é ouvir a atacante da seleção brasileira, Beatriz, dizer que durante os dias que vai passar na cidade quer aproveitar todas as belezas que puder encontrar

Mas se os estabelecimentos comerciais da Arena da Amazônia podem comemorar, já que os seis jogos praticamente têm garantia de casa cheia, e o desta terça-feira, 9, entre Brasil x África do Sul deve lotar o estádio, o mesmo não se pode dizer em relação aos torcedores que prestigiam os jogos.

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A insatisfação de quem comparece aos jogos começa quando há necessidade de adquirir comida ou bebida no estádio. O serviço é demorado, os produtos são caros, além das filas quilométricas para conseguir comprar alguma coisa por lá.

Porém se os jogos da Rio 2016 trouxeram alguns transtornos para a cidade, como os tais pontos facultativos nos dias de realização dos eventos, ou o desvio do trânsito nas imediações da Arena da Amazônia, além de contratempo e burocracia para quem mora nas imediações, por outro lado, dá prazer ouvir visitantes reconhecerem as belezas da cidade e do Amazonas, mesmo que, em determinado momento, jornalistas da Rede Globo tenham transferido o município de Parintins para o estado vizinho, o Pará, como aconteceu na edição do Fantástico, do último domingo.

Aliás, por falar em Parintins, não é possível deixar de registrar a atuação dos artesãos e artistas parintinenses na abertura da Rio 2016, ocorrida na sexta-feira, dia 5. Até onde a memória lembra, talvez a abertura dos jogos olímpicos de Moscou, em 1980, ainda quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) existia, possa rivalizar com o trabalho feito no Brasil, com destaque para a pavulagem – no melhor sentido – dos artistas da ilha Tupinambarana.

Bom mesmo, porém, é ouvir, como registrou um matutino local, a atacante da seleção brasileira, Beatriz, dizer que durante os dias que vai passar na cidade quer aproveitar todas as belezas que puder encontrar, sem esquecer de tomar o saboroso “vinho” de açaí. Pois é, “vinho” é como jovens com mais de seis décadas de vida chamavam ao suco de açaí.

Vinho ou suco, garanto que Beatriz e companhia vão se surpreender ao provarem um açaí puro, apenas com açúcar e farinha de tapioca. Afinal, esse negócio de pôr amendoim, castanha e até leite condensado no açaí não é coisa de quem conhece e sabe como tomá-lo.

Como tudo é festa, o melhor é esquecer os transtornos causados pelos jogos e aproveitá-los. Afinal, não é todo dia que uma olimpíada vai aterrissar por aqui, principalmente quando o manauara vai ter oportunidade de ver e torcer pelas meninas da seleção, que já garantiram vaga na fase seguinte e, ao contrário do triste espetáculo da seleção masculina, as moças só têm dado alegria aos brasileiros.

Dá-lhes Marta, Beatriz e, possivelmente, Cristiane!

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 9/08/2016

Infraestrutura para negócios no Distrito Industrial

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, Dimicro, economia, indústria, Manaus, microempresa, zona franca

Em tempos de crise, notícias boas sempre são bem-vindas, principalmente quando oferecem instrumentos para melhorar o ambiente de negócios, a assepsia na administração pública e também dar mais qualidade de vida para a população, isso tudo sem aumentar impostos.

Iniciativa que andou parada por cerca dez anos, o Micro Distrito Industrial (Dimicro) foi inaugurado pela Prefeitura de Manaus, na última sexta-feira, dia 1º de julho. A estrutura, destinada a abrigar indústrias de micro e pequeno portes que faturem até R$ 2,4 milhões, vai dispor de 48 galpões em instalações situadas no ramal do Brasileirinho, na zona Leste de Manaus.

No entanto, ainda está em fase de triagem as empresas que deverão se instalar no Dimicro. Para aquelas que conseguirem área no local, destinado apenas a indústrias, as vantagens começam com a proximidade das indústrias estabelecidas no Distrito Industrial e que gozam de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, mas também oferece oportunidade de liberar espaços ocupados por essas pequenas indústrias em áreas residenciais da cidade.

Com toda a infraestrutura que o Dimicro vai disponibilizar às micro e pequenas indústrias, o início é que pode ser meio difícil, de vez que fazer a mudança para o local vai impor gastos em um momento em que o faturamento não é dos melhores para grandes ou pequenos negócios.

Nesse aspecto, porém, a boa notícia é que analistas econômicos já veem, se não indícios de recuperação da economia, pelo menos os indicadores por eles monitorados já demonstram que o fundo do poço já foi atingido ou está bem próximo. Em outras palavras, a retomada pode estar bem ali na virada de 2016 para 2017.

Já a Lei de Responsabilidade das Estatais, sancionada na semana passada pelo presidente interino Michel Miguel Temer, se por um lado vai dificultar a entrega dessas organizações para quem não está devidamente habilitado, inclusive com experiência na área onde deva atuar, por outro, deixa brechas que facilitam as indicações de apadrinhados.

Com um universo de cerca de 2 mil cargos de chefia e assessoramento, as estatais brasileiras têm 223.171 funções gratificadas, das quais mais de 211 mil estão nas dez maiores estatais do país. Em outras palavras, 95% desse “filé” estão localizados em companhias como Itaipu Binacional, Eletrobras, Petrobras, Correios, Banco do Brasil, CEF e por aí vai.

Com todo esse contingente para indicar, a nova lei deixou brecha para que os padrinhos políticos mantenham suas indicações, desde que o apadrinhado preencha os requisitos da lei. Menos ruim, já que o ideal está longe de ser alcançado.

Como se vê, nem os donos de pequenas indústrias que trabalham em Manaus vão resolver seus problemas quando obtiverem instalações no Dimicro, apesar de poderem melhorar sua operação nas novas instalações, e muito menos o Brasil vai conseguir, assim, tão rápido, mudar hábitos como apadrinhamento político, de um momento para outro, mas, pelo menos, já existe um começo, uma semente com potencial para mudar essas práticas.

Texto produzido em 04/07/2016

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 12 e 13/07/2016

Qualidade de vida para Manaus olímpica

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, esporte, jogos olímpicos, Manaus, Rio2016, tocha

Manaus viveu um dia atípico no último domingo, 19, com a passagem da tocha dos Jogos Olímpicos pela cidade, momento que motivou não só atletas, futuros e ex-atletas a saírem às ruas para receber o fogo simbólico dos jogos que são herança cultural do povo grego para a humanidade.

A chama olímpica que se deslocou até a zona Leste, onde o show foi comandado pelo “príncipe do brega” Nunes Filho, mostrou que Manaus pode ter outra face naquela área, onde, em dias normais, a ausência de respeito pela legislação que disciplina a ocupação dos espaços públicos é ignorada.

Zona administrativa das mais populosas de Manaus, a zona Leste é também dona de comércio varejista movimentado, assim como contempla em seus espaços aqueles que prestam serviços à comunidade, mas o trânsito na região pode ser perigoso pela falta de conscientização quanto aos espaços reservados a pedestres e ocupados pela atividade comercial de quem se estabeleceu por ali.

A presença, no domingo, de agentes públicos para dar apoio à passagem da chama olímpica, conseguiu mudar a paisagem de vias como a Autaz Mirim, devidamente disciplinada por agentes de trânsito, e transformar o visual daquela avenida.

É de se observar que o trabalho feito no centro histórico de Manaus pela atual administração municipal, restaurando passeios públicos e calçadas e devolvendo-os aos pedestres para que circulem com segurança, pode ser efetivado em regiões como a zona Leste, trazendo mais qualidade de vida para quem mora na área e, quem sabe, até mais retorno para os negócios ali instalados.

A festa da tocha Olímpica, que atravessou a cidade indo até a ponte Rio Negro e depois se dirigindo à zona Oeste, onde o show foi na Ponta Negra, também fala da capacidade do amazonense e do manauara de mostrar amor por sua terra e por seus valores, ao frequentar um espaço cujas melhorias começaram na administração de Amazonino Mendes e tiveram continuidade com o atual prefeito Arthur Neto.

Cuidar de uma metrópole do tamanho de Manaus, porém, não é tarefa para amadores, dado o tamanho dos problemas enfrentados pela cidade, os quais, como não podem ser resolvidos de uma só tacada, principalmente nos tempos de crise pelos quais o país passa, devem ser trabalhados aqueles realmente prioritários e com retorno para a população.

Manaus, porém, não parece intimidar aqueles que se julgam capazes de administrá-la e resolver a miríade de problemas com os quais ela se defronta. Tanto é assim que já se apresentam como postulantes à cadeira de prefeito cerca de uma dezena de candidatos, cujos partidos vêm desde a esquerda do PCdoB à reeleição do tucano Arthur Neto.

Ao contar com tamanha disposição dos candidatos para administrar a cidade, resta a seus moradores escolher, em outubro, aquele que estiver melhor preparado para enfrentar os desafios que Manaus impõe e, quem sabe, torná-la uma campeã olímpica em qualidade de vida.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 21 e 24/06/2016

Dificuldades que travam crescimento

17 sábado dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, BR-319, economia, Manaus, PIM, produtos eletreletrônicos, rodovia, ZFM

Em Humaitá/AM há uma placa afixada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) dizendo que serão reconstruídos 142,6 quilômetros da rodovia BR-319, na comunidade Realidade, naquele município do Estado do Amazonas. A placa informa que a obra seria iniciada em 8 de agosto de 2013 e que as obras, ao custo de R$ 9,79 milhões, deveriam ser concluídas e entregues exatamente naquela mesma data, dois anos depois, em 2015.

Não se pode dizer que o escoamento dos produtos “Made in ZFM” tenha um percurso agradável ao sair das fábricas do Distrito Industrial e iniciar a jornada até os grandes centros consumidores

Até o mês de outubro do ano passado, quando parlamentares do Amazonas e de Rondônia, entre eles os senadores Acir Gurgacz e Vanessa Grazziotin, fizeram visita àquela região, a placa permanecia olimpicamente instalada e com perfeita legibilidade. Quer dizer, se a manutenção da BR-319 não foi feita, conforme anunciava a placa, esta, no entanto, estava devidamente conservada e em bom estado.

Esse fato tem estreita conexão com a audiência pública a ser realizada na próxima quarta-feira, 30, na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal e que deve tratar – de novo – do projeto de reconstrução da BR-319, assim como o modelo de gestão e o processo de licenciamento ambiental, travado desde a época em a ex-senadora Marina Silva respondia pelo Ministério do Meio Ambiente, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

A Zona Franca de Manaus (ZFM), que em 2017 vai completar meio século de existência como um modelo de desenvolvimento que obteve êxito não apenas sob o ponto de vista econômico, ao transformar Manaus em uma metrópole ao longo deste período, assim como também sob a perspectiva ambiental, uma vez que a indústria incentivada instalada na cidade pouco impacto teve sob o meio ambiente, em comparação a outras atividades econômicas.

No entanto, se por aqui os incentivos fiscais conseguiram fixar organizações de várias partes do planeta e assegurar emprego e renda para cerca de 100 mil pessoas, diretamente, não se pode dizer que o escoamento dos produtos “Made in ZFM” tenham um percurso agradável ao sair das fábricas do Distrito Industrial e iniciar a jornada até os grandes centros consumidores do país.

A ausência de meios de transporte para fazer o escoamento dos produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM) se faz sentir desde há muito e o imbróglio sobre a reconstrução da rodovia BR-319, especificamente os 200 quilômetros medianos entre Manaus e Porto Velho, faz toda a diferença ao barrar tanto a saída de produtos de Manaus, quanto a vinda, por via terrestre, de insumos para as empresas do Distrito Industrial.

Ao Amazonas não coube, ainda, a conexão rodoviária que o ligue ao resto do Brasil, enquanto, por outro lado, o balizamento de rios como Madeira, continua enfrentando sérias dificuldades para ser efetivado, ampliando, desta forma, os riscos à navegação de cargas e pessoas.

Se o transporte enfrenta tais dificuldades, a energia elétrica ainda dá sustos apesar de Manaus estar – dizem – conectada ao Sistema Interligado Nacional via linhão de Tucuruí, enquanto a utilização do gás proveniente de Coari ainda acontece de forma muito restrita.

Como se vê, além da crise econômica que trava o crescimento do país e do Amazonas, à ZFM restam muitos outros percalços, antigos, diga-se, que restringem o melhor desempenho de quem aqui se instala e produz.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 29/03/2016

Nova roupagem para ideias velhas

14 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, CAS, economia, Manaus, suframa, Zona Franca de Manaus

A primeira reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), ocorrida na sexta-feira, 26, teve a análise dos 27 projetos industriais que constavam da pauta, com investimentos de US$ 377 milhões e promessa de gerar mais de 1.300 postos de trabalho, ofuscada por um remake que nada tem de original, apesar de já ter sido, por duas vezes, implementado como solução alternativa à Zona Franca de Manaus.

Amazonino Mendes, em seu primeiro mandato, (1987/1990) prometeu uma motosserra para cada agricultor do interior do Amazonas

Antes de se falar no tal remake, é bom ter em mente o perfil dos setores que compõem o produto interno bruto (PIB), tanto do país quanto do Amazonas. No caso do Brasil, a agropecuária responde, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por 5,3% da riqueza gerada, enquanto no Amazonas a geração é de 7,5%. A indústria responde por 24,9% da riqueza do Brasil e, no Amazonas, fica bem acima ao gerar 37%.

No entanto, é no setor de serviços que as posições se invertem, pois a riqueza gerada no país por esse segmento é 69,8% do PIB, e, no Amazonas atinge 55,5%, conforme dados de 2013.

Voltando à reunião do CAS, pode-se afirmar que os investimentos, tão raros em época de crise, assim como a criação de postos de trabalho, perderam o brilho para um remake que foi tentado no século 20 e, de novo, já neste século, por ex-governadores que estão aí para contar a história.

Amazonino Mendes, em seu primeiro mandato, (1987/1990) prometeu uma motosserra para cada agricultor do interior do Amazonas, e chegou a distribuir cerca de 2.000 desses equipamentos, mas as críticas contra o que seria um atentado ambiental, o levaram a deixar as motosserras de lado.

No segundo mandato (1995-1998), o Negão bolou a ideia do terceiro ciclo. Nessa perspectiva, os tempos da borracha, no século 19, seriam o primeiro ciclo e a Zona Franca de Manaus, de 1967 até então, seria o segundo ciclo. Em outras palavras, Amazonino tentava uma via alternativa para a sempre combatida indústria incentivada de Manaus. É emblemático, para quem viu a imagem, o estádio Vivaldo Lima, hoje Arena da Amazônia, cercado de implementos agrícolas a serem entregues a agricultores em período próximo a uma eleição.

Aluno aplicado das estratégias e táticas políticas do Negão, o atual ministro das Minas e Energia, senador Eduardo Braga, quando assumiu o governo do Amazonas também foi por esse lado e reinventou o terceiro ciclo, então batizado de Zona Franca Verde, com resultados bem pouco visíveis e apenas localizados, a maior parte no sul do Amazonas.

É esse o remake que roubou a cena na 272ª reunião do CAS, do qual, pode-se dizer aproveitando a metáfora, que não foi sucesso de bilheteria em nenhuma das duas versões, mas, pelo menos a maioria dos políticos que compareceram à sede da Suframa na última sexta-feira de fevereiro o celebraram.

Desta vez, a roupagem com a qual ele foi travestido passa pelas áreas de livre comércio nos quatro Estados da Amazônia Ocidental, assim como do Amapá e a ideia é incrementar a produção de bens finais com a utilização de produtos regionais com incentivos fiscais.

O momento talvez sirva, como asseverou o senador Omar Aziz durante o evento, para refletir sobre a ausência da infraestrutura necessária, como portos e rodovias, por exemplo, para servir à produção da Zona Franca de Manaus. A se manter essa política, ou sua falta, lá se vai mais um ciclo pelo ralo da história, já que opções como o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) continuam fora das prioridades governamentais.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 1º e 6/03/2016

ZFM: perda de faturamento e alternativas para sair da crise

14 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, exportação, faturamento, Manaus, mão de obra, queda, Zona Franca de Manaus

Três segmentos do Polo Industrial de Manaus (PIM) são responsáveis por mais de 60% do faturamento da indústria incentivada, os eletroeletrônicos, bens de informática, que na maioria dos fatores analisados pelos Indicadores de Desempenho da Suframa são incluídos em eletroeletrônicos, e duas rodas. Isto significa dizer que, dos US$ 23,85 bilhões que o polo de Manaus faturou em 2015, cerca de US$ 14 bilhões se originaram da venda de produtos desses três setores.

Assim, a baixa no faturamento desses segmentos é mais do que preocupante, quando se sabe que duas rodas, que já não vinha bem desde 2012, perdeu cerca de 32% das vendas entre 2014 e 2015.
O segmento de eletroeletrônicos perdeu mais de 40% do faturamento no mesmo período. A queda só não foi maior porque bens de informática entraram como fator de compensação nessa estatística.

Outro indicador com desempenho negativo e que deve ser levado em consideração são os investimentos, apresentados nos indicadores como média mensal e que estavam, nos últimos anos, na faixa de US$ 10 bilhões. O registro para 2014 era de US$ 10,52 bilhões e caiu para US$ 7,85 bilhões, equivalente a uma variação negativa superior a 25%.

De outro lado, a relação entre os principais custos da indústria incentivada, que em 2014 chegava a 56,78%, passou para 61,56% no exercício seguinte. É evidente que pesa nesta análise a valorização do câmbio, a qual, em relação à moeda norte-americana, chegou a pouco menos de 43%.

Os fatores computados nessa estatística abrangem salários, encargos e benefícios, ICMS recolhido e aquisição de insumos.

Obviamente que a baixa na produção das vendas do polo de indústrias de Manaus impactou na importação de insumos, saindo do patamar de US$ 11,57 bilhões em 2014 para US$ 8,24 bilhões no ano passado. Uma queda de 28,75% nesse período.

No geral, a baixa na demanda pelos produtos made in ZFM levou as indústrias de Manaus a reduzir a compra de insumos que, em 2013, estava em US$ 19,61 bilhões, tendo caído para US$ 18,36 bilhões no ano seguinte, baixa de 6,38%. Mas o pior aconteceu em 2015, quando o dispêndio com insumos se restringiu a US$ 12,81 bilhões, baixa de 30% no período.

Assim, o faturamento medido em dólar, no geral, caiu de US$ 37,12 bilhões em 2014, para US$ 23,85 bilhões no ano passado, o equivalente a 35,75%.

Embora existam agentes econômicos apontando a exportação como saída para a crise no Polo Industrial de Manaus, a se julgar pelo desempenho dos últimos três anos, é melhor juntar outros caminhos de crescimento econômico a essa alternativa.

O PIM vem perdendo vendas externas nos últimos três anos, caindo de US$ 862 milhões, em 2013, para US$ 718 milhões no ano seguinte, mas, em 2015, as exportações foram de US$ 614 milhões.

É evidente que o desempenho nas vendas repercutiu na mão de obra, tanto na redução de verbas salariais assim como encargos e benefícios. Pelos indicadores do PIM, a mão de obra caiu de 113,93 mil postos de trabalho, em 2014, para fechar 2015 com 98,20 mil pessoas empregadas.

É o momento de se implementar alternativas desde há muito sugeridas para o Amazonas, como o turismo ou o polo petroquímico, assim como a exploração mineral, além de resguardar o Amazonas daquelas iniciativas legais, via Congresso Nacional, que prejudicam o modelo zona franca.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 23/02/2016

Com crise, Amazonas perde terreno

13 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, crise, economia, faturamento, indústria, Manaus, produção, zona franca

O Estado do Amazonas, até 2013, detinha participação de 1,6% dos 5,32 trilhões de produto interno bruto (PIB) produzido no Brasil até aquele ano, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o instituto, Manaus se destaca no cenário dos municípios brasileiros e se classifica como o 6º PIB, ficando atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.

Manaus detém 1,2% do PIB do país e esta participação se dá, sobretudo, em razão de atividades econômicas como construção civil e setores da indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, metalurgia, equipamentos de informática, eletrônicos e óticos fabricados com incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Em 2013, Manaus criou um volume de riqueza de R$ 64,02 bilhões. Tal fato reitera sua posição de 6º município brasileiro em relação ao PIB, assim como a coloca na mesma posição entre as capitais, informa o IBGE na publicação “PIB dos Municípios 2013”, divulgada no dia 18 de dezembro de 2015.

Esses dados demonstram a situação privilegiada, tanto no Brasil quanto na região Norte, que Manaus e o Estado do Amazonas vinham obtendo a partir do modelo Zona Franca de Manaus

Se entre 2010 e 2013, o Brasil conseguiu passar da média de R$ 20.371,64 do PIB per capita para R$ 26.445,72, equivalente a uma expansão de 23%, o Amazonas, ao passar de R$ 17.490,23 para R$ 21.873,65 cresceu 20% no mesmo intervalo.

No levantamento entre as regiões brasileiras, o Nordeste é a menos aquinhoada na avaliação do PIB per capita. Ali, esse indicador é de R$ 12.954,80, enquanto na região Sudeste, a mais rica,  é de R$ 34.789,79. Por esse indicador, a região Sudeste tem um PIB per capita que equivale a quase três vezes à do Nordeste e a duas à da região Norte. Quanto ao Amazonas, a relação é 1,6 maior.

Dos sete Estados que compõem região Norte, de acordo com o IBGE, o Amazonas é o que tem o maior PIB per capita, seguido de Roraima, R$ 18.495,80, mesmo ao se considerar que aquele Estado tem o menor PIB da região: R$ 9,03 bilhões em 2013.

O Estado do Pará, com PIB de R$ 121 bilhões, é o mais rico da região, mas a distribuição per capita o deixa em 6º lugar, com R$ 15.176,18 por habitante, só perdendo, nesse quesito para o Acre, onde o indicador atinge R$ 14.733,50, mas o PIB do Estado equivale a menos de 10% da riqueza gerada no Pará.

A favor do Amazonas, que tem o segundo PIB do Norte, R$ 83,30 bilhões, está o fato de ter o maior PIB  per capita, acima do valor regional que é de R$ 17.213,30.

Entre 2010 e 2013, o crescimento do PIB em 17,3% situa o Amazonas como o terceiro que mais cresceu no período, ficando atrás apenas de Mato Grosso, com expansão de 21,9%, e Amapá, com 18,3%. A média do Brasil foi de 9,1% naquele período.

Esses dados demonstram a situação privilegiada, tanto no Brasil quanto na região Norte, que Manaus e o Estado do Amazonas vinham obtendo a partir do modelo Zona Franca de Manaus, mas que, agora, tendem a ir por água abaixo em função das dificuldades conjunturais, algumas, como a crise política que resvala para a economia, assim como outras que já vêm de período mais longo, como a queda nas vendas do setor de duas rodas.

A queda do consumo interno também se abate sobre o Polo Industrial de Manaus quando se sabe que os principais produtos do setor eletroeletrônico também perdem vendas. Esse fatos, aliados a alta da inflação de 8,7% em 2015, a queda no faturamento do PIM, até outubro de 2015 já superior a 30%, se medido em dólares, não deixam margem para expectativas otimistas nos próximos dois anos, pelo menos.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 12/01/2016

Armadilhas para quem empreende em Manaus

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, cidade empreendedora, economia, empreendedorismo, Endeavor, ICE, Manaus

A Endeavor Brasil divulgou, na semana passada, a segunda edição do Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), desta vez com maior número de cidades pesquisadas que, na edição de 2014, listou e classificou 14 cidades, enquanto na edição de 2015, passaram a figurar 32 cidades. O estudo visa detectar cidades onde existem as melhores condições para o empreendedorismo se estabelecer. Manaus apareceu nas duas edições.

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Na edição de 2014, Manaus se classificou em 10ª lugar entre 14 cidades, na edição de 2015, a cidade está na 26ª posição, em companhia da capital do maranhão, São Luís, e à frente apenas de Cuiabá, Belém, Fortaleza, Maceió e Teresina. Na região Norte, apenas Manaus e Belém foram incluídas na pesquisa da Endeavor.

Financiamentos via venture capital ou private equity, informa a publicação da Endeavor, simplesmente não são opções com as quais empreendedores de Manaus possam contar

Os fatores estimados, chamados de pilares pela publicação, são sete e buscaram avaliar a situação, nesses locais, do seguinte: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura de empreendedor.
A melhor avaliação de Manaus, na edição de 2015, foi no pilar mercado, vindo em seguido a cultura. A liderança do ranking ficou com São Paulo e a melhor cidade avaliada em 2014, Florianópolis, na edição atual se posicionou como 2ª colocada.
Em Manaus, de acordo com o estudo, 77% das pessoas entrevistadas afirmaram que o empreendedor ocupa posição respeitada e reconhecida. A constatação leva à classificação da cidade no ranking da Endeavor sobre cultura empreendedora, onde Manaus fica em 6º lugar.
Já o fator mercado, onde a capital baré  ocupa a segunda posição, é reconhecido pelo potencial de clientes que podem ser atingidos pelas empresas, mas também considera os negócios com o governo, o B2Gov, assim como o B2B, dadas as condições da economia manauense com contingente de cerca de 500 grandes empresas instaladas em seu polo de indústrias incentivadas.
No entanto, nem tudo são flores no ranking da Endeavor, assim, os problemas que atrasam o crescimento econômico de maneira geral em Manaus, vão aparecer na pesquisa voltada para identificar oportunidades de negócios para empreendedores, como é o caso da infraestrutura e da dificuldade em obter mão de obra qualificada. Nesse quesito – capital humano – Manaus figura na lanterna do ranking, em 32º lugar.
No item infraestrutura, além das distâncias que separam Manaus dos demais centros consumidores, existem outras agravantes. A capital do Amazonas, informa o estudo, está a 121 mil quilômetros (soma das distâncias) dos outros municípios, enquanto Belém tem um somatório bem melhor, de 81 mil quilômetros. Nas demais cidades pesquisadas a média é inferior a 50 mil quilômetros.
Tão grave quanto os problemas decorrentes da falta de mão de obra e da infraestrutura precária em Manaus é a dificuldade para ter acesso a capital. Conforme a Endeavor, os bancos aplicam em Manaus, quando se compara a São Paulo, cerca de 10 vezes menos, em relação ao PIB, do que na capital paulista.
Financiamentos via venture capital ou private equity, informa a publicação da Endeavor, simplesmente não são opções com as quais empreendedores de Manaus possam contar.
O estudo, assim como o ranking ICE, pode ser ferramenta de peso para definir políticas públicas que tornem a vida de empreendedores e suas empresas mais produtivas, pois também prospecta dados sobre o custo dos tributos e da burocracia que minam a lucratividade e, às vezes, levam empreendimentos a encerrar atividades.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 08/12/2015

 

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