Mariscos do asfalto

Tags

, , , ,

O triste da situação é o fato de o movimento paredista ilegal ter prejudicado os usuários do sistema que chegaram atrasados a seus compromissos

Dizem que na briga do mar com o rochedo quem leva a pior é o marisco, o qual, diga-se, nada tem a ver com luta entre os dois elementos da natureza. É isto, mais ou menos, o que ocorre em Manaus há bastante tempo, em relação às cada vez mais frequentes paralisações do transporte coletivo público da cidade, usado como instrumento de pressão pela classe dos rodoviários.

onibusparado-c350-170117

Nesta segunda-feira, 24, quem serviu de marisco foram os trabalhadores que moram na Zona Norte da cidade com a paralisação dos ônibus da empresa Líder, retidos na garagem por cerca de duas horas, no início da manhã, para pressionar a organização, dizem os rodoviários, a pagar horas extras e outros benefícios financeiros a seus funcionários.

O triste da situação é o fato de o movimento paredista ilegal ter prejudicado os usuários do sistema que chegaram atrasados a seus compromissos e ficaram no prejuízo, quer pelo desconto de horas de atraso ou mesmo por perderem o dia de trabalho.

Quanto à ineficácia desse tipo de paralisação para obter o cumprimento de obrigações trabalhistas está mais do que comprovado, pois se esses movimentos fizessem alguma diferença para as empresas, estas não seriam reincidentes e observariam as normas legais que devem cumprir.

Em outras palavras, se há, realmente, o cometimento de ilícito trabalhista por parte de algumas organizações concessionárias do transporte público, das duas uma: ou os órgãos fiscalizadores não exercem suas prerrogativas para coibir as más práticas que prejudicam os rodoviários ou os argumentos usados para realizar paralisações são falsos.

O mais estranho, porém, é o fato de aqueles que falam em nome dos profissionais rodoviários do transporte coletivo público urbano também não se entenderem, como bem exemplificam as falas do vereador Jaildo dos Rodoviários (PCdoB), em texto distribuído nesta segunda-feira. O vereador afirma que a paralisação se deu em protesto ao assédio moral, às suspensões e “as justas causas” (dispensas por?).

Por outro lado, o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Josildo Oliveira, que alega nada saber sobre a paralisação, afirma que o movimento dos trabalhadores nos ônibus da Líder pode ter ocorrido pelo não pagamento de horas extras e de jornada com acréscimo nos feriados.

Enquanto o sindicalista alega ignorância sobre o movimento e o vereador quer a fiscalização municipal às quatro da manhã na porta das garagens, cerca de 20 mil pessoas foram prejudicadas e devem estar preparadas para, na sexta-feira, 28, enfrentar outro movimento paredista dos rodoviários, os quais podem aderir à greve geral prevista para aquele dia em manifestação contra a reforma da Previdência.

À falta de providências por parte do poder público, e não só do município, assim como também do Ministério do Trabalho e Emprego, os mariscos do asfalto continuam a enfrentar o transporte em ônibus lotados, sujos, e que nem sempre cumprem os horários estabelecidos, além de, com frequência, deixarem seus usuários na rua por pane mecânica. Tem jeito? Parece que no curto prazo, não.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/04/2017

Abra sua conta, o serviço é grátis

Tags

, , , , ,

BcoDigital350x208-efec

Bancos existem, de modo geral, para intermediar operações financeiras, mas dependem da confiança do mercado para que suas atividades tenham sucesso e o estabelecimento bancário possa apresentar resultado positivo e remunerar acionistas. Isto é, também devem obter lucro de sua atividade.

No Brasil, seja o governo de esquerda ou de direita, do PT ou do PMDB, como hoje com Temer presidente, ou mesmo quando os militares governaram o país por mais de duas décadas, os bancos sempre se deram bem e faturaram alto, fato que não impediu escândalos envolvendo essas instituições financeiras com falências ou perda do controle para outros grupos.

Os bancos iniciaram a informatização de seus controles e rotinas muito cedo, tão logo apareceu tecnologia apropriado no Brasil

Os escândalos, com as maracutaias que minaram a operação de bancos estaduais, fizeram esse tipo de “banco de desenvolvimento”, como os finados bancos do Estado do Amazonas e Banerj, para ficar só com dois exemplos, sair do mercado, assim como outros bancos privados dos quais pouco ou quase nada se ouve falar, exemplo: Banco Nacional do Norte, Econômico, Real e Sulbrasileiro.

Os bancos iniciaram a informatização de seus controles e rotinas muito cedo, tão logo apareceu tecnologia apropriado no Brasil e, lembro que o primeiro caixa eletrônico – do Bradesco, quando este ainda tinha como razão social Banco Brasileiro de Desconto S/A – era um quiosque blindado, amarelo, com cerca de 1,5 m de altura, por 2 m de comprimento e mais ou menos 1,5 m de largura, instalado com uma luz vermelha, piscante 24 horas, instalado na praça Adalberto Vale, próximo ao Hotel Amazonas, também naquela praça, no centro de Manaus.

Desde lá, os bancos tomaram a dianteira no sentido de reduzir custos e, consequentemente, ampliar lucros. Para variar, perceberam que o ônus da mão de obra poderia ser reduzido com o uso da informática. Além disso, as instalações físicas, que nos anos oitenta eram amplas, também poderiam ser menores, baixando os custos dos bancos mais ainda.

A solução – para os bancos – foi montar caixas eletrônicos em suas agências e disseminá-los em pontos estratégicos, criando locais de autoatendimento, ou melhor, locais onde o cliente vira funcionário sem remuneração e executa tarefas que um dia já foram privilégio – ou ganha-pão – dos bancários.

Mas, lá por meados da década de 1990, o Brasil começou a ser servido pela internet. Foi o momento em que os bancos deram o pulo do gato: os computadores pessoais entraram no cotidiano de todo mundo e os bancos estimularam clientes a movimentar suas contas por vias digitais, enquanto o cliente ganhava comodidade, os bancos baixavam custos reduzindo seu pessoal.

Com a base de clientes operando virtualmente, a popularização dos smartphones melhorou a vida dos clientes e ainda mais a dos bancos que aproveitaram para lançar contas digitais – só operadas pela internet e caixas eletrônicos – bancos grandes nem cobravam taxas por esse tipo de serviço, abriam a conta gratuitamente e, como diz o “caboco”, já estava de bom tamanho.

Agora, com a base de clientes abrangendo cerca de 70% da população acima de 15 anos, segundo o Banco Central, os bancos tradicionais estão fazendo o movimento contrário e começando a cobrar taxas para movimentar contas digitais. Esse fato abre oportunidade para bancos virtuais entrarem no negócio de banco virtual com serviço, até agora, grátis.

Como um pacote básico no Bradesco ou Banco do Brasil não fica abaixo dos R$ 30 por mês, quem optar pelos bancos virtuais entra ganhando, afinal, o futuro não aponta escapatória, serviços financeiros estarão na internet.

Indústria 4.0 sem ambiente no Brasil

Tags

, , , ,

robo-350x265

O Brasil, que, de acordo com Fernando Henrique Cardoso, perdeu o bonde da história com o retrocesso causado pelos governos petistas nos últimos anos, também não está preparado para mais um salto de qualidade no setor industrial com a adoção de tecnologias de ponta já disponíveis em ambientes do primeiro mundo, onde a Indústria 4.0 está em implantação e dominando mercados.

Esse contingente que desconhece o status das aplicações de tecnologias digitais em seu ramo de negócios é bem maior entre as pequenas empresas: 57%

Em levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em abril de 2016 fica clara a ausência das condições necessárias para que a indústria nacional possa usufruir dos novos paradigmas desenvolvidos para a cadeia produtiva no conceito de Indústria 4.0, incluindo nichos de novos negócios. Em outras palavras, a guinada para baixo na economia nacional, se não inviabilizou a entrada dessas tecnologias, no mínimo, jogou-as para um futuro mais distante.

De acordo com o estudo da CNI – Sondagem Especial Indústria 4.0 – menos da metade das indústrias consultadas – 48% – utiliza pelo menos uma das dez tecnologias digitais consideradas essenciais pela pesquisa para ampliar a digitalização no país.

A par dessa constatação, o trabalho também considera que o foco na produtividade dado pelas organizações industriais brasileiras é positivo, ao mesmo tempo, diz o estudo, é insuficiente pois “limita o desenvolvimento da cadeia produtiva”. Tal situação, mesmo natural, deveria ser substituída, conforme o trabalho da CNI, por maior esforço na digitalização por parte da indústria nacional.

No momento em que reconhece a barreira imposta pelo alto custo de implantação das novas tecnologias, conforme alega boa parte da indústria brasileira, a CNI prega maior acesso à informação e à identificação de parceiros para reduzir a incerteza e mudar a cultura no ambiente das organizações, assim como baixar o custo com a implantação por etapas dos conceitos e tecnologias voltados para a Indústria 4.0.

É sintomática a advertência feita no estudo da CNI, ao registrar que “as empresas que não adotarem as tecnologias digitais terão muita dificuldade de se manter competitivas e, consequentemente, no mercado”. O recado é claro: não há saída para obter competitividade e mercado sem se inserir, ou ampliar substancialmente, a utilização de tecnologias digitais.

No âmbito mais geral, Scitovsky assegura ser tarefa da economia estudar a organização econômica, avaliar sua eficiência e equidade e sugerir meios e processos pelos quais as reais imperfeições possam ser diminuídas ou eliminadas. Logo, o momento de inflexão já está em andamento.

Voltando à Sondagem da CNI, pode-se dizer que o mapa ali rascunhado não é animador ao registrar, por exemplo, que no universo de organizações consultadas, 43% não conseguiram identificar, em uma lista de 10 opções, as tecnologias digitais com potencial para ampliar sua competitividade.

Esse contingente que desconhece o status das aplicações de tecnologias digitais em seu ramo de negócios é bem maior entre as pequenas empresas: 57%.  Já no universo das grandes organizações, o contingente das que desconhecem aquelas 10 tecnologias cai para 32%. Portanto, mesmo aí, onde está a elite da indústria nacional, cerca de um terço ignora o impacto da digitalização no seu negócio.

Se o diagnóstico obtido pela pesquisa da CNI for transportado para o Amazonas, onde os segmentos de eletroeletrônicos e bens de informática são responsáveis por 46% do faturamento da indústria incentivada da Zona Franca de Manaus (ZFM), além de garantir mais de 37% da mão de obra – exceto terceirizada e temporária – a ausência de conhecimento sobre as novas tecnologias e sua aplicação pode ser mais um motivo de preocupação.

 

Publicação na edição de janeiro/2017, da revista PIM Amazônia

Programa de manauara

Tags

, , , , , ,

N/M Leticia Sofia

No último domingo, dia 2 de abril, a previsão da meteorologia era de tempo nublado com chuva e choveu mesmo. Mas, quem mora em Manaus, pouco está ligando para o tempo e isso já vem desde há muito, afinal, o manauara ainda não aderiu à prática da violência em massa que leva torcidas organizadas a se enfrentarem em estádios ocasionando até mortes, mesmo que um dos astros do MMA internacional, José Aldo, tenha surgido lá pelo bairro Alvorada.

Se Manaus perdeu seus igarapés, parece que a Rede Globo está dando uma mãozinha para tornar as praias nas imediações mais populares

A capital do Amazonas, que lá nos primórdios era recortada por igarapés apropriados para banho e até consumo humano, já os perdeu para os aterramentos feitos com a finalidade de dar lugar a novas vias e aqueles cursos d’água remanescentes no perímetro da cidade estão poluídos e somente em época de enchente grande aparecem moleques com vocação para herói com coragem suficiente – ou desinformados dos riscos – para se entregar a um mergulho.

No mais, a população prefere a praia perene da Ponta Negra, ou aquelas um pouco mais distantes, como Açutuba, Tupé e praia da Lua, para falar nas mais próximas e com acesso por carro ou barco.

Se Manaus perdeu seus igarapés, parece que a Rede Globo está dando uma mãozinha para tornar as praias nas imediações mais populares e empresários com visão começam a faturar em cima do lazer do amazonense oferecendo, a preços populares, viagens de barco para algumas essas praias.

O barco aqui, não se trata das já célebres lanchas “a jato”, popularizadas pela velocidade encurtando o percurso das distâncias amazônicas na navegação e unindo municípios ribeirinhos pelo Amazonas afora. No caso, trata-se de barco grande e no qual o passageiro – ou o turista, conceda-se o título a quem usa esse transporte – usufrui de conforto que lhe assegura fotografar durante toda a viagem sem ser incomodado pelo banzeiro que faz tremer as fotos.

Exemplo dessa opção de turismo com curta duração, é o barco Letícia Sofia, que sai aos domingos às 8h da manhã do porto da Manaus Moderna – proximidades da balsa Amarela – com destino à praia do Tupé, e volta no fim da tarde. Com capacidade para cerca de mil passageiros e preços de até R$ 30 por pessoa, o que não falta é gente interessada em fazer o passeio, mesmo com chuva como ocorreu no último domingo.

É possível que a nova novela da Globo – Força do Querer – até tenha dado uma força, ao se considerar a “descoberta de Manaus” que os atores globais fizeram em suas incursões por Manaus e Belém, com direito a visita de Fiuk a tribo indígena localizada próxima a Manaus. Independente da Globo, porém, o amazonense gosta mesmo é de água, pois até banho chuva é popular por aqui.

Meteorologia à parte, a empresa proprietária do barco deve estar faturando uma boa grana e com lucro apreciável, afinal, a viagem não é longa e, em tempo de crise, preços populares com algum conforto pode ser a solução para quem quer detonar o estresse sem gastar muito ou entrar no financiamento do cartão de crédito.

“Acabou a luz”

Tags

, , , ,

poste

Como diria o parintinense Chico da Silva, “É preciso muito amor…”, no caso, por Manaus, que, com seus mais de dois milhões habitantes, distribui, às vezes equitativamente, mazelas urbanas para todos. Mas nem sempre.

Se as reiteradas paralisações do serviço de transporte público urbano, como a da última segunda-feira, 27, ocasionou prejuízo para cerca de 20 mil trabalhadores que perderam a hora e chegaram atrasados em seus trabalhos em função do “protesto” de outros trabalhadores – os rodoviários – que optaram por atrasar o serviço em uma hora para reivindicar, dizem, direito trabalhista, outras situações prejudicam toda a cidade e até municípios da região metropolitana.

É preciso muito amor para morar em Manaus nessas condições. Isto, sem falar na violência que caminha ao lado do cidadão

O caso do transporte coletivo é situação velha, onde duas classes – empregados e patrões – aparentemente pouco estão ligando para o serviço que deveriam prestar à população, embora tanto o governo municipal quanto o estadual – este até há pouco tempo – transferem receita para as empresas concessionária sem exigir o mínimo necessário de retorno, seja em colocar os ônibus nas ruas diariamente ou melhorar as condições dos veículos, volta e meia parados nas ruas por uma prosaica pane mecânica. Desleixo, ausência de manutenção ou falta de fiscalização? Vai ver que os três fatores aí se aglutinam em desserviço à comunidade, enquanto o preço da tarifa vai às alturas.

É preciso muito amor para morar em Manaus nessas condições. Isto, sem falar na violência que caminha ao lado do cidadão, seja pelas vias, dentro dos ônibus ou até em sua própria casa, “asilo inviolável”, assegura a Constituição Federal, regra jamais conhecida por meliantes, ladrões e assassinos que a invadem, roubam, assaltam, estupram sem que pouco ou quase nada seja feito para garantir a segurança do cidadão que paga impostos.

No rol dos problemas que acometem o manauara de forma, digamos, mais democrática, tem um que vem desde quando a iluminação passou a ser elétrica. Anunciada a contratação do serviço em 1893 pelo governador Eduardo Ribeiro, o diretor de Obras Pública, Armênio Figueiredo, via que em breve acabaria o vexame da iluminação por meio do óleo de nafta.

Em 1895, o mesmo governador anunciava que a iluminação pública utilizaria arcos voltaicos e a particular usaria lâmpadas incandescentes. Ao que tudo indica, já ali havia problema com a energia elétrica em Manaus, uma vez que as incandescentes são sucessoras das lâmpadas com arco voltaico.

Mas até a chegada da energia elétrica por aqui é polêmica. Enquanto Mário Ypiranga Monteiro assegura que a cidade foi a primeira no país a ter luz voltaica, o escritor Mavignier de Castro registra que Manaus foi a segunda cidade do Brasil a ter energia elétrica.

No fim do século XIX – 1898 – a cidade não dispunha de energia elétrica em bairros como Cachoeira Grande, Cachoeirinha e Mocó. A região central fora privilegiada.

Hoje, depois dos bilhões de reais para custear um gasoduto que deveria mudar a matriz energética do Amazonas e aliviar a demanda pela energia gerada em Balbina, além de outros bilhões para conectar Manaus ao Sistema Interligado Nacional (SIN), Manaus e cidades da região metropolitana continuam a enfrentar a falta de energia, como aconteceu pelo menos três vezes na semana passada.

Prejuízos ao comércio, indústria, ao trabalhador, parecem não importar à autoridade (in)competente e muito menos aos agentes públicos incumbidos de fiscalizar o serviço. Enquanto isso, o personagem conhecido como contribuinte sofre, sofre e paga a fatura.

Desafios à frente

Tags

, , , , , ,

congresso-nacional300x180

Garantir recursos para dar conta do desenvolvimento regional na área de atuação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) é o objetivo da MP 757/2016, que está em avaliação por uma comissão mista do Congresso Nacional e, nesta terça-feira, 21, tem sua primeira audiência pública programada para acontecer em Brasília, com a presença de representantes da indústria e comércio do Amazonas, assim como da própria Suframa.

Apresentar um relatório que não descaracterize os termos da medida provisória até o dia 29 de maio é apenas um dos desafios que os parlamentares têm pela frente, mesmo ao se considerar que a comissão mista tem quatro parlamentares do Amazonas envolvidos nessa fase dos debates, capitaneados por uma deputada de Roraima. É possível, assim, que os debates e audiências públicas – quatro no total –  no âmbito da comissão mista, seja a parte menos complicada para assegurar o texto legal que garante recursos para a Suframa.

A batalha mais feroz, no entanto, deve ocorrer quando o texto aprovado na comissão mista for a votação

Com estimativas que vão de 60% a 70% dos recursos obtidos com a Taxa de Serviços Administrativos (TSA), até ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o contingenciamento dos recursos pagos pela indústria incentivada da Zona Franca de Manaus (ZFM), desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, passando pela dupla Lula & Dilma, é um fator a impedir desempenho mais agressivo da autarquia federal para promover crescimento e desenvolvimento econômico em sua área de atuação.

A batalha mais feroz, no entanto, deve ocorrer quando o texto aprovado na comissão mista for a votação e é aí que entra, ou deverá entrar em ação, o poder de articulação dos parlamentares da região, além dos governadores dos cinco Estados alcançados por áreas de exceção geridas pela Suframa.

Envolver parlamentares de regiões como o Centro-Oeste e mesmo do Nordeste vai ter peso essencial para transformar a MP em lei. O problema são as representações maiores, de Estados mais ricos como Minas Gerais e São Paulo, só para dar dois exemplos, que têm sérias resistências à manutenção de um polo de indústrias incentivadas no Norte do país.

Os argumentos que fundamentaram a criação da Zona Franca de Manaus, lá se vão 50 anos, infelizmente, ainda são válidos e devem ser usados. Manaus, que já foi conectada ao restante do Brasil via BR-319, não tem mais essa condição há muito tempo, fato que aumenta sobremaneira o preço final dos produtos aqui fabricados, mesmo por empresas que são referência fabril em suas áreas de atuação.

A manutenção da floresta é outro argumento que não traz novidade, mas mostrar a importância da Zona Franca de Manaus como fonte de recursos tributários que fazem do Amazonas um exportador líquido receitas para a União, e mesmo assim os recursos da Suframa sofrem contingenciamento, indicar o preço que o brasileiro pagaria pelos produtos “Made in ZFM”, se manufaturados em outras regiões sem incentivo – ou contrapartida, como bem qualificou a superintendente da Suframa, Rebecca Garcia -, podem ter peso no momento aprovar o texto legal que vai suceder a MP 757/2016.

E, neste caso, não adianta ficar na torcida. O momento é de articulação, esforço e união em torno de um objetivo comum que favorece grande parte da Amazônia.

STF garante 5 anos para cobrar FGTS

Tags

, , , ,

O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou no último dia 16 que o trabalhador tem cinco anos para cobrar na Justiça os valores não depositados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Antes da decisão, o prazo para entrar com ação era 30 anos. A Corte reiterou entendimento firmado em 2014 durante o julgamento de um caso semelhante.

Os ministros entenderam que o prazo para o trabalhador reclamar as parcelas não recebidas deve ser igual ao dos demais direitos trabalhistas, que é cinco anos. No entanto, a decisão só poderá ser aplicada em novos casos sobre o assunto.

O plenário acompanhou voto do relator, ministro Gilmar Mendes, proferido em 2014. Segundo o ministro, a Lei 8.036/1990, que regulamentou o FGTS e garantiu o prazo prescricional de 30 anos é inconstitucional por violar o Artigo 7º da Constituição Federal. De acordo com o texto, os créditos resultantes das relações de trabalho têm prazo prescricional de cinco anos.

Fonte: EBC/Agência Brasil

A economia vai bem, já a política

Tags

, , ,

inflacao

Na semana passada, foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), assim como pela Fundação Getulio Vargas (FGV), indicadores importantes que dão a medida de como está se comportando a economia neste exercício. De outro lado, como a economia não pode estar desconectada da política, decisões no âmbito do Judiciário colocam incertezas que têm o potencial de atingir a rota da economia.

A economia é cíclica e os indicadores de inflação atualizados na semana passada pelo IBGE, relativos a fevereiro, indicam queda nos preços

Assim, se o desempenho da economia deixa entrever a existência de um túnel à frente, a luz para iluminá-lo e mostrar onde finalmente vai acabar a recessão que assola o país depende de outra variante, a política, e esta, com os desdobramentos da operação Lava-Jato e a abertura de cerca de 80 processos, inclusive contra gente que tem foro privilegiado, tende a deixar o túnel no escuro e oferecer perigo à trajetória da economia.

Analistas políticos como a consultoria Eurásia estimam em 20% o risco de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possa vir a cassar a chapa Dilma-Temer, com as sérias consequências que isso pode acarretar ao país. Essa, no entanto, seria a má notícia, pois, conforme esses analistas, são de 80% as chances de que Temer mantenha seu governo de travessia até 2018 e o TSE dê outra decisão ao imbróglio construído nas eleições de 2014.

No front econômico, a má notícia da semana foi a confirmação do encolhimento da criação de riqueza em 2016, uma vez que o IBGE aferiu queda de 3,6% no produto interno bruto (PIB) naquele exercício, fato que levou a recessão brasileira a acumular, entre 2015 e 2016, baixa de 7,2% no PIB. É o que, apropriadamente, se pode chamar de “herança maldita”.

Porém, como se sabe, a economia é cíclica, e os indicadores de inflação atualizados na semana passada pelo IBGE, relativos a fevereiro, indicam queda nos preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu de 0,38%, aferido em janeiro, para 0,33% em fevereiro. Com isso, o acumulado no ano é de 0,71%, informa o IBGE. Melhor ainda é o acumulado de 12 meses, que fechou fevereiro em 4,76%, bem perto da meta fixada pelo governo de 4,5%. Nos 12 meses fechados em janeiro deste ano, o acumulado era de 5,35%.

No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o IBGE apurou baixa mais significativa, pois o índice caiu de 0,42%, em janeiro, para 0,24% em fevereiro, com acumulado de 0,66% em 2017. Em 12 meses, o acumulado caiu de 5,44% em janeiro, para 4,69% em fevereiro.

A mesma rota de baixa também foi detectada pelo Índice Geral de Preços –  Disponibilidade Interna (IGP-DI), da FGV. Nesse caso, a queda foi de 0,43%, em janeiro, para 0,06% em fevereiro, com acumulado de 0,50% em 2017 e de 5,26% nos 12 meses fechados em fevereiro.

Em Manaus, os Indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), referentes a dezembro/2016, dão conta de que pelo menos 12, dos 23 setores listados no documento, ampliaram investimentos no exercício de 2016, embora no balanço da média de investimentos realizados no ano passado, os valores investidos foram US$ 180 milhões inferiores aos de 2015. Mas, também na semana passada, a BIC da Amazônia ampliou suas instalações no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Pode ser que ainda dê para começar a lançar fogos de artifício em comemoração à trajetória da economia, mas, como dizem os economistas, ceteres paribus, é possível que a luz possa chegar e o túnel da recessão dê lugar ao crescimento em futuro não tão longínquo.

Zona franca do Brasil

Tags

, , , ,

BR-319

A sessão especial promovida pelo Senado Federal em homenagem aos 50 anos da Zona Franca de Manaus (ZFM), nesta segunda-feira, 6, foi além do clima comemorativo ao modelo que tirou Manaus de um marasmo de quase meio século. Não faltaram oradores para renovar e reivindicar velhos pleitos que deixam o modelo menos competitivo, apesar de seu já provado fôlego para se reestruturar e renovar ao longo desse meio século de sobrevivência.

Dar à Suframa mais poder decisório acerca da aprovação dos PPBs, liberar os recursos que são gerados aqui com taxas cobradas pela autarquia, evitando o contingenciamento, são reivindicações que também já passaram muitos carnavais

A superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, reiterou a importância do modelo para combater as desigualdades socioeconômicas na Amazônia em relação a outras regiões do país, mas também registrou que os recursos entendidos como renúncia fiscal, antes de serem incentivo, representam a contrapartida às dificuldades inerentes à região, com o objetivo de trazer crescimento e desenvolvimento econômico.

A diversificação da indústria instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM), assim como sua interiorização aos municípios abrangidos pela Suframa – localizados no Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, além do Amazonas – por meio do Zona Franca Verde, também foram citadas por Rebecca Garcia.

Mas se o senador Eduardo Braga, que propôs a sessão em homenagem ao jubileu de ouro da Zona Franca de Manaus, vê a criação do processo produtivo básico (PPB) como garantia de que as maquiladoras não têm como aportar no PIM e se beneficiar de incentivos fiscais, não deixa de ser pertinente a crítica sobre a demora para aprovar os PPBs, mesmo com todo o empenho que a Suframa tem demonstrado junto aos ministérios responsáveis.

Dar à Suframa mais poder decisório acerca da aprovação dos PPBs, liberar os recursos que são gerados aqui com taxas cobradas pela autarquia, evitando o contingenciamento, são reivindicações que também já passaram muitos carnavais sem que nada mude e o Amazonas continua a manter sua posição de “exportador” líquido de recursos para União, neste último caso.

Ao mesmo tempo em que o ministro Marcos Pereira, titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) é reconhecido como parceiro da Zona Franca de Manaus, em outras esferas do governo federal não parece haver um olhar estratégico para o modelo e para a Amazônia.

A ausência desse olhar estratégico pode ser exemplificada, de forma simples e reiterada, com a permanência da BR-319 desativada, onde seus corajosos usuários enfrentam poeira, na estação seca, e são impedidos de trafegar em época de chuvas. O asfaltamento da BR-319, reivindicação praticamente unânime entre os nove oradores que tiveram a palavra na homenagem à ZFM, significa redução de custos para a indústria incentivada de Manaus.

Ao se considerar que cerca de 95% da produção do Polo Industrial de Manaus são destinados ao mercado interno, não fica difícil vislumbrar os ganhos a serem obtidos, tanto pela indústria quanto pelo usuário final dos produtos “made in ZFM”, com a pavimentação da BR-319.

Por fim, cabe registrar aqui a expressão usada por um dos participantes da homenagem para qualificar a ZFM:  “A Zona Franca não é de Manaus, mas do Brasil”. Pura verdade, infelizmente, o desconhecimento sobre os benefícios trazidos pelo modelo para todo o país ainda é muito grande.

Visite Manaus Cidade Sorriso

Crônica quase carnavalesca

Tags

, , , ,

carnaval350

Com os indicadores de tendência, em sua maior parte, dando sinais positivos sobre a economia brasileira, a despeito dos imbróglios que acontecem no Planalto, como o convite para ser ministro da Justiça feito pelo presidente Michel Miguel ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso.

O nó é que Velloso alegou “questão ética” para não aceitar o convite ao Ministério da Justiça, por ter, em sua banca advocatícia, cerca de 50 clientes com os quais mantém contratos de exclusividade. Assim, Michel Miguel Temer vai ter que encarar mais esse fator para indicar ministeriáveis, pois advogados com escritório montado, caso aceitem, darão certificado de desprezo à ética, conforme a cartilha do ex-ministro do STF.

No fim de semana passado aconteceram alguns fatos que só o clima carnavalesco pode explicar, se é que explica

Se não chega a ser um enredo carnavalesco, a atitude de Carlos Velloso dá o que pensar, mas como o Carnaval está a apenas uma semana, e a cidade já respira o clima sob o comando de rei Momo desde a semana passada, melhor dar um tempo para as pautas políticas e de economia e falar de temas mais amenos, embora nem tanto.

Por exemplo, no fim de semana passado aconteceram alguns fatos que só o clima carnavalesco pode explicar, se é que explica.

Um pintor de oficina mecânica, de 24 anos de idade, resolveu que não ia passar o fim semana, com sábado magro de Carnaval e pelo menos três bandas bombando pela cidade, a pé. Aí convidou a namorada, que convidou duas “zamigas” para curtirem as bandas pela cidade.

Devidamente motorizado, o pintor saiu por aí, em ritmo de marchinhas de Carnaval, até que a gasolina do carro acabou e ele teve que parar em um posto para abastecer. Encheu o tanque, mas na hora de pagar não tinha como, estava mais liso do que quiabo, as moças, já bem alegres, também não puderam ajudar nesse quesito sem importância. Foi quando o frentista chamou a polícia.

A namorada do pintor, “bem mais alegre” que as outras, resolveu desacatar os policiais no distrito onde tiveram que dar explicações. É que o carro ocupado pelo quarteto de lisos era uma viatura policial descaracterizada que, afirmou o pintor, estava em manutenção na oficina onde ele trabalhava. Pois é, depois desta, dificilmente vai continuar por lá.

Mas é Carnaval e um outro folião resolveu se divertir de maneira nada convencional. Cumprindo pena em regime domiciliar usando como adereço de fantasia uma tornozeleira eletrônica, foi para as ruas tentar roubar nas bandas carnavalesca. Se deu mal: foi preso em ação.

A temperatura, no meio da tarde de domingo, em Manaus, era de 28ºC, com sensação térmica de 32ºC e daí deve ter baixado, mas lá na banda do Boulevard, o clima ficou muito quente quando um folião se descuidou e incendiou-se no fogo de um carro que vendia alimento nas proximidades. Foi socorrido e não teve ferimentos graves. Pra ver, no Carnaval, todo cuidado é pouco com o que se bebe, come ou até por onde a gente se encosta para relaxar.

Bom Carnaval!

Publicação no Jornal do Commercio de 21/02/2017