Quem mente, rouba

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Existe um ditado popular que aprendi muito cedo, ouvindo meus pais dizerem “quem mente, também rouba”. Dizer a verdade fazia parte, até uns anos atrás, do caráter das pessoas, criadas que eram sob a égide de que a honestidade fazia a integridade e esta só podia ser formada a partir do compromisso das pessoas com a verdade. Vai longe esse tempo, no qual também a palavra empenhada valia mais que dinheiro e honrá-la, mesmo com o próprio prejuízo, estava acima de qualquer coisa.

 Millôr Fernandes preferia dizer que ‘As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades’

Mas, voltando ao tema inicial, há também quem prefira dizer que “a mentira tem pernas curtas”, pois o mentiroso, além de ser imperativo ter grande criatividade, deve também ter memória prodigiosa, a fim de manter suas versões (imaginadas) do fato e não se contradizer. Millôr Fernandes preferia dizer que “As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades”.

Deve ser por aí, no entanto, nas terras abaixo da linha do equador “Santa Cruz, hoje Brasil”, há gente que simplesmente não tem nenhum compromisso com a verdade, mesmo aquela defendida por alguns, para os quais muitas são as verdades: a minha, a dele e a da vítima.

Nesse contexto, não é de admirar que as redes sociais tenham se transformado, desde a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, na plataforma mais usada por políticos com o objetivo de plantar suas verdades a fim de obter os favores e voto do eleitor, principalmente daquele que pouco se informa, e prefere, talvez por osmose, ficar com a verdade do político jovem e bonito ou do religioso carismático.

Em um país que mal saiu de um impeachment presidencial causado legalmente por uma filigrana orçamentário-contábil, as infames pedaladas fiscais, mas cujo conjunto da obra, inclusive a mentira durante a campanha eleitoral de 2014, usada pela candidata que se reelegeu, a continuação desse tipo de comportamento é um insulto ao cidadão.

Exemplo disso é o projeto legislativo que tramita no Congresso Nacional, sob o patrocínio, entre outros, do presidente do Senado Federal, visando anistiar procedimentos desonestos de políticos, assim como lhes oferecer proteção legal ao mesmo tempo em que agentes públicos, como procuradores e magistrados que os investiguem, sofram penalidades sob o pretexto de abuso de autoridade. O país do futuro virou o país da impunidade, da inversão de valores e da mentira.

Na semana passada, o ministro da Cultura, Marcelo Calero, resolveu se demitir da pasta por um motivo dos mais graves. Seu colega na Esplanada dos Ministérios, Geddel Vieira Lima, o teria pressionado a produzir relatório com parecer favorável aos interesses de Geddel acerca de um edifício em Salvador. Assediado, Calero se negou a atendê-lo e preferiu abandonar o ninho de cobras, digo, a pasta ministerial.

O caso, evidente, caiu no colo do presidente Michel Miguel Temer que, intimorato, preferiu dar abrigo a Geddel Vieira e aceitar a demissão de Calero sob a argumentação de que o pedido, o assédio, a busca por procedimento não republicano não se efetivara. Por esse viés vesgo, se um bandido ameaçar um cidadão não comete nenhum crime até que, por exemplo, o espanque.

Mas as mentiras, os jeitinhos, os truques e as dissimulações usadas por políticos e não apenas brasileiros, está aí Donald Trump para mostrar que lá é assim como aqui, são práticas universais e o Brasil deve se sobressair nesse item.

Ante tais fatos, não é de se estranhar que o “New Oxford American Dictionary” tenha eleito o termo “pós-verdade” (post-truth) como a palavra mais importante de 2016 e o verbete explica que o termo é “relativo a ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influenciadores na formação da opinião pública do que apelos à emoção ou à crença pessoal”.

É a nova versão daquele dito popular “meia verdade equivale a uma mentira inteira”, ou não?

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 22/11/2016

Cuidado, sua vida pode valer apenas 55 reais

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Manaus amanheceu, na segunda-feira, 14 de novembro, véspera de feriado e ponto facultativo no município e Governo do Estado, com boa parte da frota de ônibus que serve o transporte coletivo da cidade parada nas garagem. Desta vez, os trabalhadores não fizeram paralisação para reclamar reajuste salarial, pagamento de vantagens e benefícios ou qualquer outra reivindicação do gênero. O que eles pedem é bem mais simples: querem segurança para poder trabalhar.

Tem hora na qual reflexão sobre a pena de morte para determinados crimes, como esse tipo de barbaridade, viria bem a propósito no Brasil

Tudo porque, em Manaus, a vida das pessoas de bem, do contribuinte, do cidadão que trabalha, paga seus impostos deixou de ter valor faz tempo, pelo menos no que diz respeito ao aparato de segurança pública que pouco se vê nas ruas, embora com frequência a imprensa seja convidada para ouvir boas notícias como aquelas que dizem ter havido redução no índice de homicídios na capital.

Pode até ser, já que fazer um boletim de ocorrência, documento que alimenta as estatísticas de segurança (ou insegurança) pública, às vezes requer dose cavalar de paciência nas delegacias – que já foram distritos integrados – e nem sempre a vítima se dá ao trabalho de ir até uma dessas unidades para fazer o registro, por saber, de antemão, que nada vai acontecer, principalmente em casos de roubos e assaltos sem vítima fatal.

Mas voltando à ausência de ônibus na segunda-feira, deve-se registrar que os funcionários da empresa onde trabalhava o motorista Feitosa Amorim, assassinado por dois bandidos durante assalto na noite de domingo, momento no qual a cobradora do mesmo veículo foi ferida a facadas, resolveram protestar pedindo segurança para que possam fazer seu trabalho.

É realmente uma situação complicada a falta de segurança na cidade e não somente no que diz respeito aos trabalhadores e usuários do transporte coletivo. De acordo com o supervisor de tráfego da empresa onde as vítimas trabalhavam, seus veículos sofrem, em média, cinco a seis assaltos por dia. Não é pouca coisa e, dependendo da violência empregada pelos bandidos, há trabalhadores que preferem mudar de profissão tamanho é o trauma psicológico causado por esse tipo violência.

O casal de trabalhadores e os bandidos – que escaparam da morte nas mãos da população revoltada, salvos pela polícia – foram encaminhados a um pronto-socorro da zona Leste onde o motorista morreu.

Pois é, tem hora que uma reflexão sobre a pena de morte para determinados crimes, como esse tipo de barbaridade, viria bem a propósito: o produto do latrocínio foi de R$ 55, é quanto vale, para a bandidagem que toma conta de Manaus, a vida de uma pessoa.

Enquanto isso, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas informou, no último dia 10 de outubro, sobre a redução de 34% nos homicídios em Manaus, entre janeiro e setembro deste ano em relação ao mesmo período de 2015. Por outro lado, o Sinetram registrou que, desde janeiro deste ano, as dez empresas que fazem o transporte coletivo na cidade já sofreram 2.767 assaltos, contra 2.203 no mesmo período de 2015, com média de dez ocorrências por dia e prejuízo superior a R$ 800 mil.

É possível que haja essa redução, no entanto, os números do Mapa da Violência mostram que, no Amazonas, entre os anos de 2013, quando foram cometidos 692 assassinatos só com a utilização de arma de fogo, e 2014 – com 756 mortes da mesma natureza – houve crescimento dos homicídios. Como os bandidos não escolhem armas, como foi o caso do motorista de ônibus, “há mais mortes do que possa supor nossa vã filosofia”.

Por fim, é bom que pense em fazer mudanças drásticas no Estatuto do Desarmamento. A lei, de 2003, desarmou os cidadãos e esqueceu que a bandidagem não compra armas em lojas, aliás, o número de armas de uso exclusivo de forças de segurança que aparecem em atentados contra a vida dos brasileiros é outro escândalo. Falta uma operação similar à Lava Jato nesse setor.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 15/11/2016

Promessas e desafios na Prefeitura de Manaus

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A reeleição do tucano Artur Neto à Prefeitura de Manaus dá indicações de que o manauara prefere administradores com experiência para gerir os destinos da cidade que, desde a década de 1970, cresce de maneira desordenada, ou melhor, incha, até pela forma como o solo é ocupado no município, por meio de invasões.

Já ao candidato derrotado só nos resta agradecer sua participação na campanha por tê-la tornado, na reta final, muito divertida

Mesmo áreas planejadas findam por ser invadidas e quem fica no prejuízo são os adquirentes, que perdem a propriedade, como aconteceu, por exemplo, com quem tinha terreno no loteamento Rio Piorini, no bairro Novo Israel, zona Norte.

Se em uma área loteada os problemas de infraestrutura são agravados pelas invasões que acontecem na cidade, nos locais tomados pelas invasões onde havia floresta a situação é bem pior, pois aí nem traçado de ruas existe e os moradores passam a exigir da prefeitura que ofereça tanto a infraestrutura quanto os equipamentos urbanos necessários.

Na gestão de Artur Neto esse quadro de invasões até que melhorou com as medidas adotadas para remover invasores antes que o problema se tornasse mais grave com a ocupação definitiva da terra.

Ao prefeito que se reelegeu no último domingo de outubro fica, entre os vários desafios a serem enfrentados, este em particular, de impor diretivas e fazer obedecer àquelas já existente com a finalidade melhorar, no sentido urbanístico, a ocupação do solo em Manaus, principalmente nos bairros mais novos, como aqueles localizados nas zonas Norte e Leste.

Outra onça brava a ser encarada pelo prefeito tucano é a questão da qualidade do transporte coletivo, uma reivindicação praticamente unânime do manauara que utiliza o sistema público de transporte coletivo. Neste particular, além do investimento bilionário a ser efetivado pelo município sob a gestão do vice-prefeito Marcos Rotta, para implantar o BRT de forma a servir todas as zonas administrativas de Manaus, há ainda o problema do trânsito caótico, nos horários de pico.

Melhorar a qualidade do trânsito manauense é necessidade e deve ser prioridade já, sob pena de Manaus, em pouco tempo, ver paralisado o fluxo de veículos em suas vias quando, em alguma de suas principais avenidas, ocorra um acidente mais grave parando trânsito não só no local e via onde este aconteceu, assim como em outras cujo fluxo é por ela coletado.

O tempo que o manauara perde no trânsito, hoje, deve ser motivo de estudos com o objetivo de conhecer os principais obstáculos que o emperram, embora uma boa parcela desses obstáculos seja criada por condutores que simplesmente não respeitam as leis do trânsito: são os apressados e espertos que nunca usam a seta, transitam costurando em velocidade acima da permitida, além de infringirem outras normas sem sofrer punição.

Esse tipo de motorista só se educa quando a penalidade o faz levar a mão ao bolso para pagar multas. Campanhas educativas não surtem efeito quando o problema é de personalidade e o sujeito “se acha” por aprontar essas barbaridades pelas ruas de Manaus.

Ao prefeito que se reelegeu cabe trazer mais qualidade de vida aos munícipes e cumprir as promessas de campanha, que não foram poucas. Já ao candidato derrotado só nos resta agradecer sua participação na campanha por tê-la tornado, na reta final, muito divertida, pelo menos nas redes sociais. Afinal “tem dinheiro, dá pra fazer”, certo Artur Neto?

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 1º/11/2016

Gastar como se não houvesse amanhã

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É possível que para boa parte da população o título acima seja o melhor dos mundos; gastar hoje o que for possível e pendurar, para o futuro, tudo que possa ser financiado, mesmo que a renda de quem assim pensa seja limitada, como aliás desde há muito é sabido pelos economistas: as necessidades são infinitas, apesar de os recursos serem limitados.

A festa patrocinada pela gestão petista com o suor de todos brasileiros acabou

Equilibrar as duas variáveis – necessidades ilimitadas e recursos finitos – é o segredo para se dar bem, seja administrando um orçamento pessoal, uma casa, empresa ou mesmo todo um país. A máxima econômica, como se sabe, não foi seguida pelo governo petista e o resultado é que o Brasil conseguiu, em cerca de dois anos, perder conquistas pelas quais a sociedade muito lutou.

No entanto, se os governantes petistas deixaram de lado as boas práticas de gestão, culminando com a volta da inflação, juros altos, inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, desemprego, produção em baixa e todas as péssimas consequências de uma economia que parou de crescer há cerca de dois anos, ainda restam aqueles para os quais não interessa de onde vem o dinheiro, desde que o governo continue a gastar.

É o caso dos manifestantes esquerdistas no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, no último dia 10, quando foi aprovada, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 241, documento que cria teto para gastos públicos, limitando-o à reposição da inflação do ano anterior.

Em cartazes assinados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e Central Única dos Trabalhadores (CUT), esses manifestantes diziam, durante a sessão da Câmara dos Deputados, que a 241 é a PEC Morte. O gancho para tal afirmação seria a redução nos recursos destinados à saúde e à educação. Considerando a situação na qual se encontram essas duas áreas, poderia até ser verdade esta alegação.

No entanto, o que se vê é bem outra coisa, já que ambas têm verbas garantidas na legislação e a PEC 241 não impede, até onde é sabido, que o governo eleja suas áreas prioritárias e para lá canalize os recursos necessários.

De outro lado, chamar o texto de “PEC da Morte” pode até ser uma boa ideia, desde que os procedimentos ali previstos, aprovados em dois turnos na Câmara Federal e no Senado e transformados em norma constitucional exterminem o desequilíbrio entre receita e despesa que, além das mazelas já aqui listadas, levou o país a aumentar sua dívida pública ao patamar de 72% do produto interno bruto (PIB).

Para se ter ideia do chumbo grosso que pode vir mais à frente, caso medidas como essas não forem tomadas, já em 2018 a dívida pública do Brasil alcançaria o nível de 82% do PIB e, em 2024, chegaria a 100%. É pouco?

Hoje, a Previdência Social tem déficit equivalente a 8%, embora os trabalhadores do setor privado, ao se aposentarem, não usufruam das benesses concedidas aos trabalhadores da administração pública. Logo, mudar as regras atuais é necessário sob pena de, em poucos anos, a ampliação do número de beneficiários e a redução dos que contribuem para Previdência torná-la inviável.

A festa patrocinada pela gestão petista com o suor de todos brasileiros acabou, resta agora, à semelhança do que foi feito para dominar a inflação nos anos 1990, impor normas duras a fim de trazer a disciplina fiscal de volta.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 18 e 19/10/2016

Produção cai, mas emprego melhora na zona franca

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Os números relativos ao mês de agosto deste ano referentes à produção industrial do Brasil compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que abrangem 14 regiões, ainda trazem más notícias para a maioria desses locais, uma vez que somente três apresentaram resultados positivos no mês de referência.

No geral, a estatística do IBGE revela que apenas os Estados da Bahia (+10,4%) e Pará (+1,2%), além da região Nordeste (+0,8%) apresentaram ganhos de produção no comparativo entre agosto de 2016 e o mês de julho anterior. Assim, o gráfico com esses desempenhos continua de ponta-cabeça, à exceção dos três já mencionados.

 

A média da produção industrial do país aferida em agosto ficou em -3,8%. No caso do Amazonas (-5,7%), apenas os Estados do Paraná (-8,0%) e Espírito Santo (-6,4%) apresentaram desempenho pior, assegurando o terceiro lugar entre as perdas na produção industrial.

Embora não sirva de consolo, é importante registrar que a locomotiva industrial brasileira, o Estado de São Paulo, ficou à frente do Amazonas com queda menor. Seu desempenho, em agosto, foi de -5,4%.

No entanto, se na produção industrial aferida pelo IBGE o saldo, para o Amazonas é desempenho negativo por três meses seguidos, de outro lado, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) tem boas notícias tanto para investidores quanto para trabalhadores, algo ainda bem difícil de se achar pelo país afora.

No que diz respeito aos investidores, os números relativos às aplicações efetivadas pelas organizações do Polo Industrial de Manaus (PIM) nos oito meses encerrados em agosto atingiram média mensal superior, aferida em dólares, à média obtida no exercício de 2015.

Se no ano passado, de acordo com os Indicadores de Desempenho do PIM, a média dos investimentos produtivos chegaram, no fim do ano, ao montante de US$ 8.077 bilhões de dólares, no período de janeiro a agosto deste ano já atingiram a média mensal de 8.134 bilhões, ou cerca de US$ 57 milhões acima da média do ano anterior.

É evidente que nem todos os segmentos com atuação no polo de indústrias incentivadas de Manaus estão ampliando seus investimentos, fato explicado pela (ainda) baixa demanda pelos produtos ali fabricados, porém, pelo menos nove setores estão com investimentos mais significativos neste ano, entre os quais duas rodas, termoplásticos, bebidas e químico.

Segmentos que puxam o faturamento do PIM, como eletroeletrônicos, incluído aí bens de informática, continuam com média de investimento inferior à obtida no exercício de 2015.

Por fim cabe registrar a sequência de dois meses seguidos nos quais as indústrias da Zona Franca de Manaus apresentaram número de admissões superior ao de demissões, fato que resultou, em agosto, na criação de cerca de 3 mil novos postos de trabalho.

Trabalhar para manter esse desempenho e obter do governo as condições necessárias para sair do fundo do poço é a opção tanto do setor privado quanto do público para tirar o país da crise.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 11/10/2016

Eleição: último round fica para véspera do Dia das Bruxas

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O domingo de eleição trouxe poucas surpresas, pelo menos no que diz respeito ao resultado para o cargo de prefeito de Manaus, quando o tucano Arthur Neto se posicionou à frente de Marcelo Ramos (PR) com mais de 100 mil votos. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo em relação à poluição da cidade, pois nas diversas zonas eleitorais espalhadas por Manaus a sujeira era a mesma. O pior, além da sujeira dos candidatos ou de seus cabos eleitorais, foi ver pessoas buscando, nesses santinhos jogados pelas ruas, opções de candidato para votar.

Fica para o dia 30 de outubro, Dia de Todos os Santos e véspera do Dia das Bruxas, o round final pela Prefeitura de Manaus. Bons presságios?

Para os não petistas, a boa notícia é o fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi implodido na Câmara Municipal de Manaus (CMM): só conseguiu eleger um vereador, velho conhecido do movimento sindical ligado à construção, o Sassá da Construção Civil, além disso, nenhum dos vereadores que têm assento na CMM (Bibiano Garcia, Waldemir José e Rosi Matos) conseguiu se reeleger, apesar do desempenho do candidato petista à Prefeitura de Manaus, deputado José Ricardo, ter sido bom, considerando a situação do partido pelo Brasil afora.

Pelo lado do gênero, a participação das mulheres na CMM também foi por água abaixo, com perdas no número de mulheres, que caiu 43%, passando de sete nesta legislatura, para quatro vereadoras a partir de 2018: Therezinha Ruiz, Professora Jaqueline, Glória Carrate e Joana D’ Arc. Apenas esta última estreia na CMM.

Do lado do PSDB, que reelegeu dois vereadores, Plínio Valério e Elias Emanuel, também houve perda de representante, pois Ednailson Rozenha não conseguiu se reeleger e dos três assentos tucanos, o partido de Arthur Neto só manteve dois. O ex-tucano Mário Frota também não se reelegeu.

Entre aqueles que embarcaram no N/M Guaramiranga, o barco que nunca chegou a seu destino, e fazem companhia a Mário Frota (PHS) estão os três petistas, Fabrício Lima (SDD), Pastora Luciana e Socorro Sampaio, ambas do PP. Assim, o quadro de vereadores da CMM foi renovado em cerca de 50%.

O maior destaque nesta eleição municipal é possível que tenha sido o desempenho do candidato João Luiz (PRB), eleito com 13.978 votos e que, sem ter completado o Ensino Fundamental, é carioca e vive em Manaus onde é pastor da Igreja Universal, à qual o resultado nas urnas, com sua eleição, deve ser creditado.

Também ligado a uma igreja evangélica, o vereador Reizo Castelo Branco (PTB) conseguiu 10.402 votos no domingo, bem abaixo de seu desempenho na eleição anterior, quando obtivera mais de 17 mil votos.

O desempenho das três candidaturas mais expressivas à Prefeitura de Manaus, excluindo Arthur e Marcelo, somam mais de 342 mil votos e é esse espólio que está em jogo, o qual, somado aos outros quatro candidatos derrotados, totaliza  cerca de 414 mil votos. O prefeito Arthur Neto e seu oponente, Marcelo Ramos, têm pouco tempo para convencer eleitores que não lhe deram voto no primeiro turno, a votar em suas propostas.

Fica para o dia 30 de outubro, Dia de Todos os Santos e véspera do Dia das Bruxas, o round final pela Prefeitura de Manaus. Bons presságios?

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 04/10/2016

Baixa no desemprego e indícios de retomada

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Os pessimistas podem até dizer que a economia ainda está em crise, que ainda existem muitas pendências a serem resolvidas e até mesmo que a crise política ainda continua a andar, nem que seja por inércia, como bem indicam as novas prisões efetivadas na 35ª fase da Lava-Jato que prendeu, na segunda-feira- 26, o ex-ministro da Fazenda no governo de Lula, e da Casa Civil, na gestão de Dilma Rousseff, Antonio Palocci, mesmo assim cabe registrar que, no campo econômico, já há luz para iluminar o túnel.

Pesquisas que aferem o nível de confiança de consumidores e investidores também começam a detectar alguma melhoria nessas áreas

A boa notícia é dada pelos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pelo menos no caso do Estado do Amazonas. Pelo Brasil afora, desde agosto de 2015, o gráfico que representa os empregos formais, com carteira assinada, continua no vermelho, isto é, o número de demissões ainda é superior ao de admissões.

No comparativo de julho deste ano com o mês de agosto, cresceu o número de postos de trabalho extintos no país. Em julho foram 91.032 postos exterminados, e em agosto esse número foi ampliado para 94.724. Mesmo assim, pode-se dizer que, no geral, o fundo do poço no desemprego foi no mês de dezembro de 2015. Naquele mês, até Papai Noel parece que perdeu sua vaga no país, pois foram extintos 596.208 postos de trabalho.

No decorrer de 2016, os números registrados pelo Caged indicam que o mês de março foi onde aconteceram o maior número de demissões, deixando um saldo negativo de 118.776 vagas extintas no país. Mesmo assim, pode-se afirmar que os desligamentos começam a perder força, embora não seja ainda uma tendência confirmada.

No entanto, como o fator trabalho geralmente é último a reagir quando o ciclo econômico volta à curva ascendente, é de se esperar que o túnel, assim como as instalações fabris, lojas, oficinas e outros locais de trabalho, voltem a se iluminar no primeiro semestre de 2017. Para isso não faltam outros indícios como, por exemplo, as estimativas de queda da inflação.

No caso dos investimentos, o desempenho da BMFBovespa, neste exercício, pode ser um bom indicador de que os investidores voltaram a ter confiança no país, inclusive os do exterior. Entre janeiro e setembro deste ano, as operações da Bolsa saíram de 46 mil pontos para 58 mil, nível no qual está operando.

De outro lado, pesquisas que aferem o nível de confiança de consumidores e investidores também começam a detectar alguma melhoria nessas áreas. Mais confiança no futuro reduz o medo de perder o emprego, enquanto no caso dos investidores aumenta sua disposição de aplicar recursos no setor produtivo.

Por fim tem a valorização do real, que parece espelhar a acomodação de preços no mercado internacional, reduzindo custos de importação de insumos para o setor produtivo. Como o país mantém uma das mais altas taxas de juros e nos Estados Unidos e zona do euro os juros se aproximam do zero, nada impede que haja uma retomada de investimentos do exterior aportando por aqui muito breve.

Mas, voltando ao Amazonas e ao Caged, o Estado conseguiu, em agosto, reverter os saldos negativos que ampliavam, mês a mês, o número de desempregados. Em julho foram podados 672 postos de trabalho por aqui, enquanto em agosto, o saldo positivo resultou na criação de 983 novas vagas.

Pode parecer pouco, mas se formos olhar em retrospectiva, já é um bom avanço e sinal de retomada pela frente.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 27 e 28/09/2016

Recuperação à vista, mas cuidado

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As análises econômicas relativas ao fechamento do primeiro semestre de 2016 começam a mostrar mudanças nas expectativas dos agentes econômicos à vista dos números que têm sido divulgados, tanto pelo governo, quanto por entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e que dão indicações de melhorias no desempenho da atividade econômica, mesmo que de forma incipiente e ainda sem que essas mudanças possam ser consideradas como tendências a se consolidar a partir do segundo semestre.

Mais relevante ainda é que esse desempenho do mês de junho, agregado aos dos outros três meses anteriores, consolida ganhos positivos da ordem de 3,5% na produção industrial pelo país afora

É importante registrar, por exemplo, que a pesquisa sobre a produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao mês de junho, já dá alguma destas pistas. Pelo estudo do IBGE, a produção industrial teve expansão de 1,1% na comparação com o desempenho do mês anterior, obviamente que não é um crescimento dos mais expressivos, mas quando se tem em mente que esta expansão é a quarta consecutiva contabilizada pelo instituto, o fato se torna relevante por implicar que a manutenção do crescimento, mesmo em pequena escala, pode se tornar tendência e deixar para trás o ambiente recessivo que o país tem vivido até agora.

Mais relevante ainda é que esse desempenho do mês de junho, agregado aos dos outros três meses anteriores, consolida ganhos positivos da ordem de 3,5% na produção industrial pelo país afora, embora não se possa deixar de lado que, mesmo assim, com esses resultados positivos nos últimos meses, a comparação com o mesmo período de 2015 registra perdas de produção de 6%. Como os ganhos ainda não deram para contrabalançar as perdas registradas na produção industrial, de acordo com o IBGE, o 2º trimestre de 2016 fechou com saldo negativo de 6,7%, enquanto o acumulado no primeiro semestre deste ano foi de -9,1%, ambos no comparativo com igual período de 2015.

Porém, se os números relativos ao desempenho do setor privado começam a dar sinais de recuperação e, neste caso, a indústria, o mesmo não pode ser dito em relação às medidas necessárias ao desengessamento da economia envolvendo o setor público. Por ali, ao contrário dos discursos de boa vontade no sentido de implementar mecanismos que deem maior transparência e controle aos gastos do governo, o que se vê é a contemporização do governo interino com o aumento dos dispêndios, principalmente aqueles voltados para o custeio do funcionalismo.

Dados do Ministério da Fazenda informam que, no período de 2012 a 2015, os gastos do governo federal com os quadros de servidores tiveram aumento de 36%, enquanto as demais despesas da administração pública cresceram, no mesmo período de quatro anos, mais 32%. O mais relevante nisto tudo é que, onde os recursos deveriam ter aportado em maior volume, por gerar a estrutura necessária ao crescimento econômico, isto não aconteceu. Assim, no que diz respeito aos investimentos da alçada do governo, os recursos decresceram 7% naqueles quatro anos.

Mas se o governo não faz sua parte, também existe aquela parcela de empresas que procuram o “jeitinho brasileiro” com a finalidade de reduzir seus custos, como atrasar o recolhimento de tributos e depois negociar o pagamento, obviamente com um bom desconto a favor de seus caixas e perdas de arrecadação aos cofres públicos que, com programas como o de recuperação fiscal, parcelamento especial e excepcional, além do Programa de Recuperação Fiscal da Crise, desde os anos 2000, deram um substancial acréscimo na arrecadação, mas, em contrapartida, incentivam o mau pagador e apenam quem paga seus compromissos com o fisco em dia.

A não ser que o governo mude realmente de postura, após a definição do impeachment de Dilma Rousseff, a recuperação vai ficar mais longe, mesmo estando quase à vista, como indicam os números da conjuntura econômica.

Publicado na edição de julho/2016 da revista PIM Amazônia

 

Soluções novas para problemas antigos

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Em meados dos anos 1994, quando publicou “Manáos-do-Amazonas”, Samuel Benchimol já chamava a atenção para os novos (velhos) problemas que administradores públicos de Manaus e do Estado do Amazonas deveriam enfrentar e cujas raízes, dizia o estudioso, decorreram da mudança de paradigmas entre os modos de produção e divisão do trabalho ocorridos até então, quando a Zona Franca de Manaus (ZFM), ao oferecer oportunidades de trabalho e benefícios, se tornou polo de atração do homem do interior, não só do Amazonas, assim como dos demais Estados e não apenas da Amazônia.

Os percalços que a indústria incentivada enfrenta, no entanto, vão desde a ausência de logística para trazer matéria-prima ao Polo Industrial de Manaus, até a saída dos produtos finais

Na visão de Benchimol, e lá se vão mais de 20 anos, as “cidades-capitais” como Manaus, Belém/PA e São Luiz/MA eram centros urbanos que tinham “sua própria identidade de cultura, tradições e valores”. Mas, reconhecia, aquele mundo urbano deixou de existir, tragado por cidades alienadas, independentes, que romperam com os laços que as ligavam às cidades do interior e a cultura rural, transformando-se, como Manaus, em cidade-Estado devido aos avanços da globalização que “passou a refletir interesses forâneos”.

Abandonado, o interior se estagnou desde há muito e a capital do Amazonas continua a não conseguir dar solução aos velhos problemas de saneamento, invasões, infraestrutura, entre outros, mantendo um passivo social de tamanho considerável com sua população menos favorecida.

As constatações de Benchimol, no entanto, continuam a ser motivo de preocupação não só de administradores públicos como prefeitos de Manaus e governadores do Amazonas. Aí se incluem, entre outros tantos agentes públicos como a superintendente da Zona Franca de Manaus, Rebecca Garcia, e o comandante militar da Amazônia, general Antonio Miotto. Os dois, em perspectivas peculiares às instituições que administram, deram mostras de suas inquietações quanto à conjuntura vivida pela região e também acerca do futuro da Amazônia, no 3º Congresso Internacional do Centro Celso Furtado, realizado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e encerrado na última sexta-feira, dia 16.

Pelo lado militar, o general Miotto afirmou que o Brasil, e por tabela a Amazônia, pode ter perdas de patrimônio, soberania e respeito internacional em decorrência de ter negligenciado investimentos em ciência, tecnologia e inovação, assim como na industrialização nacional de defesa. O titular do Comando Militar da Amazônia (CMA), deixou muito clara sua visão acerca do que falta ser feito em sua área de autuação, quando especificou que defesa também é criar estratégias de desenvolvimento regional.

A realidade do que acontece – ou não acontece – no Amazonas pode ser ilustrada por um fato corriqueiro em Manaus, infelizmente, apesar de a cidade estar conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de produção e distribuição de energia: durante toda a manhã, os debatedores do congresso tiveram que fazer suas intervenções sem nenhum recurso midiático e sob um calor beirando os 30ºC, no campus da Ufam, porque faltou energia.

Pelo lado da Suframa que, como afirmou a superintendente Rebecca Garcia, chegou a construir ponte em sua área de jurisdição – “no tempo das vacas gordas” – há necessidade de aprimorar a vocação local para o aproveitamento das matérias-primas regionais e, assim, colocar a Zona Franca de Manaus no mapa internacional.

Os percalços que a indústria incentivada enfrenta, no entanto, vão desde a ausência de logística para trazer matéria-prima ao Polo Industrial de Manaus, até a saída dos produtos finais, com agravantes como o “passeio” que motocicletas fabricadas aqui fazem a São Paulo, pela ausência de centro de distribuição em Manaus, o que possibilitaria, caso existisse, vendê-las ao consumidor manauara por um custo menor.

Os problemas da região, como se vê, não são novos, mas a perda de força das instituições, seja política ou na gestão de seus recursos, acaba por deixá-las sem poder cumprir com o essencial, que seria o desenvolvimento regional.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 20 e 21/09/2016

Otimismo & companhia limitada

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A desconstrução do país pelo último governo petista deixou um rastro de quase 12 milhões desempregados, o setor industrial está com grande parte de sua capacidade instalada ociosa, assim como Estados e municípios continuam sem recursos para garantir algum bem-estar à população, mas o desenlace finalmente aconteceu no último dia 31 de agosto, que marcou o fim da gestão do partido que tinha no 13 seu número de registro na Justiça Eleitoral.

Quanto a novos investimentos a serem feitos no país, o indicador Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) detectou, após 30 meses de taxas negativas, a evolução positiva de 0,4%

O impasse que paralisou o Brasil afugentou investidores nacionais e estrangeiros, detonou o grau de investimento conquistado a duras penas durante a administração Lula e, finalmente, terminou com o impeachment de Dilma Rousseff na última quarta-feira de agosto, que também vai passar para história como o dia em que o país teve três presidentes em 24 horas: a presidente destituída, o interino que assumiu e logo em seguida embarcou para a China e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que assumiu o cargo na ausência de Michel Miguel Temer.

As boas notícias começam em agosto, que apesar da fama de mau agouro que o acompanha, até que não esteve tão ruim. Para começar pode-se registrar números da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) que informaram crescimento de 23% na produção de motocicletas em relação ao mês de julho. A parte ruim é que, em julho, houve concessão de férias coletivas no segmento.

Mesmo assim, a própria Abraciclo registrou, no decorrer de 2016, o expressivo crescimento de 9% na exportação de veículos de duas rodas. Até agosto, o volume de vendas ao exterior beirava as 40 mil unidades. Com esforços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), incluindo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a tendência é ampliar ainda mais a comercialização de motocicletas no mercado externo.

Quanto aos preços, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou, no oitavo mês de 2016, ligeira queda na apuração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quando esse indicador da inflação foi de 0,44%. Em julho, o IPCA chegou a 0,52%. Enquanto o acumulado do ano é de 5,42%, mas em 12 meses a inflação medida pelo IBGE está muito acima do teto das metas perseguidas pelo Banco Central, pois atinge a marca de 8,97%.

Do ponto de vista de novos investimentos a serem feitos no país, o indicador Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) detectou, após 30 meses de taxas negativas, a evolução positiva de 0,4% no segundo trimestre de 2016, na comparação com o período encerrado em março.

Baixa na inflação, expansão nos investimentos. Embora não se possa dizer que já sejam uma tendência consolidada, indicam a disposição dos investidores de aplicar recursos na economia real. Essa expectativa também é endossada pela permanência da taxa Selic no mesmo patamar de 14,25% a.a., embora os analistas vejam como muito grande a possibilidade de que a taxa básica de juros venha a cair no futuro próximo.

No entanto, nem só de boas notícias vive o mercado. A greve deflagrada pelos auditores fiscais da Receita Federal, que querem aumentos salariais, deixa mais de 3 mil contêineres estacionados nos portos da capital do Amazonas, enquanto o Polo Industrial de Manaus (PIM) pode parar, caso os auditores da Receita Federal continuem seu movimento.

O paradoxo do movimento paredista dos fiscais da Receita Federal é que seus porta-vozes alegam que estão apenas fazendo verificações rigorosas para poder liberar as mercadorias. Fica a dúvida: normalmente as vistorias são superficiais, então?

Mas, entre greves mal explicadas e expectativas positivas, pelo menos o país parece começar a andar novamente e, por aqui, a aprovação pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), de pauta com 34 projetos industriais estimados em R$ 3,2 bilhões, no dia 1º de setembro, dá o tom do otimismo que começa a voltar ao mercado.

Publicado na edição de agosto/2016 da revista PIM Amazônia