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Aquisição de insumos aumenta e investimento cai na ZFM

04 terça-feira dez 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, insumos industrial, investimentos, Manaus, zona franca

insumos

Ao que parece, as medidas de contenção de gastos e reformatação da estrutura administrativa, anunciadas pelo presidente eleito e que devem ser aplicadas à administração pública federal, as quais incluem a fusão de ministérios e eliminação de alguns, fizeram, finalmente, a ficha cair para alguns setores da sociedade do Amazonas.
É possível que essa tardia conscientização da fragilidade do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), o qual, embora esteja assegurado pela Constituição Federal até o ano de 2073, não tem sido devidamente equipado, digamos assim, para enfrentar as turbulências advindas das novas tecnologias que estão chegando e tendem a se encorpar mais no futuro, principalmente na indústria, segmento que perde terreno pelo país afora quando aferida sua participação no produto interno bruto (PIB) do Brasil.
No entanto, a opção de fundir o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços à estrutura do novo Ministério da Economia, feita pelo equipe do governo que assume em 1º de janeiro de 2019, teve o condão de tirar da zona de conforto segmentos da sociedade amazonense que pareciam acreditar que a simples perenidade da ZFM até 2073 seria suficiente para manter a geração de riqueza e emprego por aqui.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que já teve grande papel como agência fomentadora do crescimento econômico tanto na Amazônia Ocidental, quanto em parte do Estado do Amapá, desde há muito perde força e poder de decisão, assim como recursos financeiros, mesmo aqueles gerados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM), sem que a classe política procure se integrar mais com as bancadas da região Norte e até do Nordeste, com o objetivo de defender o modelo.
É possível e desejável que essa puxada de tapete caracterizada pelo fim do ministério ao qual a Suframa está hierarquicamente subordinada até que a nova estrutura ministerial seja oficializada, também faça da integração das forças políticas, principalmente dos estados sob jurisdição da Suframa, um objetivo que venha favorecer as demandas, que não são poucas, das indústrias com operações em Manaus.
De outro lado, os Indicadores de Desempenho do PIM, relativos ao mês de setembro e divulgados na semana passada, em que pese a fraca performance no que diz respeito à absorção de mão de obra pelas indústrias incentivadas, há outros indicadores que confirmam o aquecimento da indústria local.
Um dos mais fortes é aquele que mede a aquisição de insumos pelas indústrias. Neste particular, a evolução histórica dessa atividade nos mostra uma evolução positiva e, mesmo comparando o desempenho de 2018 somente até o mês de setembro, sua performance é muito significativa ao atingir 60,8% do faturamento.
Nos últimos 5 anos, 2014 fechou com 49%, 2015 com 51,8%, 2016 teve desempenho de 41% e em 2017 a aquisição de insumos chegou a 46% em relação ao faturamento do PIM. Como se vê, a evolução fica próxima dos 15 pontos percentuais acima da aquisição de insumos efetivada no exercício de 2017.
No entanto, a insegurança jurídica que ronda o Polo Industrial de Manaus, mesmo com sinais de desempenho positivo da indústria local, tem o poder de inibir novos investimentos ou afugentar alguns que se julgava consolidados, neste último caso, um bom exemplo é o anúncio de que a Pepsi Cola está deixando o Amazonas.
Outro exemplo, este mais estrutural, é sinal emitido pelo indicador de investimentos do PIM. Por ali há uma baixa, na média, de 145 milhões de dólares neste ano, comparado a 2017, quando o exercício fechou com a média de 9.140 bilhões de dólares, enquanto até setembro de 2018, a média é de 8.995 bilhões.

Falta de troco agora tem solução digital

28 quarta-feira nov 2018

Posted by Eustáquio Libório in Notícia

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aplicativos, Feira do Polo Digital, Manaus, Tecnologia

1a Feira do Polo Digital de Manaus

Desde a terça-feira, 27, a cidade é a capital digital da Amazônia com a realização, no Studio 5 Centro de Convenções, zona Sul, da 1ª Feira do Polo Digital de Manaus, que abrange expositores de tecnologias e produtos digitais, incluindo empresas, institutos de pesquisas, universidades e instituições como a Superintendência da Zona da Zona Franca de Manaus (Suframa). Uma das tecnologias apresentadas é o aplicativo Trocados, que dá solução à falta de troco em Manaus.

A programação de palestras foi aberta pelo futuro ministro do governo Jair Bolsonaro, o astronauta Marcos Cesar Pontes, que, no fim da manhã do dia 27, abordou o tema ‘É possível!”, com as dependências do salão nobre do Studio 5 lotadas por expectadores bem antes de ter início a palestra, por volta de meio-dia.
Além do cardápio variado de palestras, os expositores presentes ao evento também não ficam a dever no que diz respeito às múltiplas abordagens de produtos e tecnologias exibidas aos visitantes.

No campo de aplicativos para telefones celulares, chama a atenção aquele desenvolvido para receber um artigo em falta na cidade: troco. Com o app Trocados, já disponível para a plataforma Android e também na web, no site www.trocados.com.br A utilização do app, grátis para o usuário, se dá através de sites parceiros que creditam pequenos valores, via Trocados, na conta individual do usuário pelo smartphone cadastrado.

De acordo com Silvestre, um dos responsáveis pelo estande da Trocados, o app já conta com parceiros que vão desde supermercados, drogarias, mercearias, entre outros, assim como informou que os créditos gerados já podem ser utilizados para fazer pagamentos a operadoras de telefonia, adquirir créditos para passagem de ônibus, via Passa Fácil, Uber, além de outras parcerias já firmadas. A Trocados é resultado do programa da Incubadora UniNorte Empreende e conta com o apoio da Fapeam.

Estas iniciativas passam também por aquelas voltadas para a economia circular, conhecida também como logística reversa, e que buscam proporcionar a reciclagem de materiais por meio da coleta remunerada de resíduos sólidos, como a proposta pela Residuum (www.residuum.com.br), que já atende empresas manauaras colocando em contato quem demanda o serviço com os eventuais prestadores de serviço.

Foto: Juliana Alice

Jornada fotográfica sob escolta

21 terça-feira ago 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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fotografia, Manaus, polícia, segurança pública

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PM acompanha fotógrafos no centro histórico de Manaus

Por volta de 2007, um grupo de fotógrafos profissionais, junto com amadores da fotografia, e também da cidade de Manaus, criou um movimento chamado a Escrita da Luz.  A ideia era juntar essas pessoas para fotografar sítios históricos e turísticos de Manaus com o objetivo de, a partir desse material, montar exposições fotográficas e divulgar a capital do Amazonas.

Em 2007, a taxa de mortes por homicídios, no AM, era de 21,1 por 100 mil habitantes. Desde aí, e até 2012, só cresceu

Naquela época, esse grupo saía às ruas sem nenhuma preocupação com a segurança.  Profissionais integrantes do grupo levavam seus equipamentos, alguns, como quem estava começando a fotografar, uma câmera básica, mas havia quem possuísse equipamentos melhores e com preços mais elevados, mesmo assim saíam para fotografar com esses equipamentos.

 Pouco mais de dez anos depois, no último domingo, dia 19 de agosto, outro grupo de fotógrafos resolveu fotografar o centro de Manaus como uma forma de comemorar a data dedicada ao Dia Mundial da Fotografia. A iniciativa de aproveitar o domingo ensolarado e quente teve início no Paço da Liberdade, onde o grupo se concentrou para fazer um percurso que terminou no Largo de São Sebastião, por volta das 11h.

A grande diferença entre as saídas de 2007 e a atual foi a preocupação com a segurança. Os organizadores da jornada fotográfica tomaram a iniciativa de buscar apoio e uma viatura da Polícia Militar acompanhou o grupo durante toda a manhã. O fato exemplifica o clima de medo e de insegurança que hoje impera na cidade e faz as pessoas pensarem mais de uma vez quando vão se expor nas ruas.

Em 2007, a taxa de mortes por homicídios, no Amazonas, era de 21,1 por 100 mil habitantes. Desde então, e até 2012, só cresceu. Em 2013 houve uma queda nessa taxa, que no ano anterior fora de 37,4 por 100 mil habitantes, e ficou em 31,3 por 100 mil habitantes. Essa baixa pode ser atribuída ao serviço de segurança comunitária inaugurado naquele ano, o Ronda no Bairro, que colocou a polícia mais próxima da comunidade.

Mas, como se sabe, tudo que é bom dura pouco, e as mudanças no governo que aconteceram em seguida devem ter contribuído para excluir a segurança das prioridades e o resultado é que, já em 2014, a taxa de homicídios subiu para 32 por 100 mil habitantes.  No ano seguinte, 2015, já voltara ao nível de 2012 e atingira 37,4 por 100 mil habitantes.

É possível que medidas tomadas em 2016 tenham feito essa taxa recuar um pouco naquele ano, para 36,3 homicídios por 100 mil habitantes. Este é o último número divulgado pelo Mapa da Violência, levantamento efetivado com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), embora o cidadão não consiga perceber se está mais seguro, hoje, do que há dois anos atrás.

A evolução, o crescimento do número de homicídios entre 2005 e 2015 foi de 101,7%, passando a 16,8% entre 2014 e 2015, enquanto no período de 2010 a 2015 ficou em 20,3%. Não é uma taxa que dê segurança a ninguém, pois continua a aumentar o número de homicídios do Amazonas, embora o Mapa indique que entre 2015 e 2016 a taxa teve redução (-2,9%).

A insegurança no Amazonas, no entanto, também se aplica a área da saúde, com doenças que se tinha como erradicadas e que voltaram a assolar o amazonense. A insegurança faz vítimas com a infraestrutura que não é melhorada e se não mata “na hora”, aumenta o preço dos produtos e leva os 314 mil desempregados do Amazonas ao desespero, outra insegurança catalogada por aqui.

PIM tem panorâmica positiva

31 terça-feira jul 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, crescimento, faturamento, insumos, Manaus, zona franca

Após quatro meses sem divulgar os dados de desempenho das indústrias incentivadas, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) publicou os Indicadores do Polo Industrial de Manaus (PIM). O documento acumula os números relativos aos quatro meses até abril de 2018. Em março, a Suframa divulgara os dados referentes ao mês de janeiro deste ano e, desde lá, só agora os atualizou. De modo geral, pode-se afirmar que o PIM está se recuperando, apesar do baixo impacto na contratação de pessoal.

O comparativo do desempenho entre o acumulado até abril de 2018 com o mesmo período do ano passado revela dados positivos nos principais indicadores conectados á indústria incentivada de Manaus, como bem confirma a aquisição de insumos, a qual passou de 3.62 bilhões de dólares em 2017, para 4.74 bilhões de dólares neste ano, registrando expansão superior a 30%. Esse fato oferece a percepção de aquecimento na atividade industrial.

 A média dos investimentos produtivos no PIM, em 2017, foi de 9.02 bilhões de dólares, enquanto em 2018, conforme os Indicadores de abril, chegou a 9.44 bilhões de dólares, superando a marca dos 4%, até abril

As importações do PIM cresceram de 2.24 bilhões de dólares, nos quatro primeiros meses do ano passado, para 3.12 bilhões de dólares neste ano, com crescimento de 39%. As exportações também obtiveram expansão de dois dígitos, ultrapassando a casa dos 20% no período sob análise, quando atingiu 168 milhões de dólares, em face dos 139 milhões de dólares no mesmo período do exercício anterior.

Indicador mais visado, a expansão do faturamento no primeiro quadrimestre deste ano está, também, na casa dos dois dígitos e passou de 7.91 bilhões de dólares, para 9.13 bilhões de dólares, marcando crescimento superior a 15%, aferido pela moeda norte-americana.

No que diz respeito ao desempenho dos investimentos produtivos efetivados pelas organizações com operações fabris no Polo Industrial de Manaus, embora esse indicador esteja na casa de apenas um dígito, sua performance é positiva. A média, em 2017, foi de 9.02 bilhões de dólares, enquanto em 2018, conforme os Indicadores de abril, chegou a 9.44 bilhões de dólares, superando a marca dos 4%, até abril.

Ainda sobre os investimentos no PIM, o setor de eletroeletrônicos mantém a dianteira com média de 2.67 bilhões de dólares, em 2018, ante 2.53 bilhões de dólares no ano anterior, apresentando expansão superior a 5%. O segmento seguinte é o de termoplástico, cujas alocações passaram de 1.50 bilhão de dólares, em 2017, para a média de 1.60 bilhão de dólares neste ano, registrando expansão superior a 6%

Os investimentos no segmento de duas rodas, terceiro maior do PIM, caíram de 1.59 bilhão de dólares, em 2017, para 1.54 bilhão de dólares neste exercício, registrando baixa de 3,15%. Mesmo assim, o setor está entre aqueles que ampliaram a produção de bens, ao montar mais de 350 mil unidades, até abril deste ano, e faturar 306 milhões de dólares, contra os 269 milhões de dólares no mesmo período de 2017. A expansão das vendas chegou a quase 14%.

Em 2018, também houve expansão dos dispêndios das indústrias com salários, encargos e benefícios (SEB). Assim, da média mensal de 135.79 milhões de dólares em 2017, as organizações chegaram 136.39 milhões de dólares, conforme os dados de abril. Esse volume teve incremento de 0,44% na comparação com o ano anterior.

A média de colaboradores com vínculo formal no polo industrial passou de 78.900, em 2017, para 79.505 neste ano, com expansão 0,77%. No entanto, a média dos dispêndios com SEB teve uma ligeira baixa de 0,32%, ao passar de 1,721.10 dólares, no ano passado, para 1,715.55 dólares, neste exercício.

A recuperação do PIM está em andamento, mas a conjuntura política consegue atrapalhar a atividade da economia, também dependente de fatores externos, como a guerra comercial movida pelos Estados Unidos contra parceiros e aliados. Deve sobrar para as bandas daqui, também.

Violência e a caça aos aliens

19 terça-feira jun 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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assalto, homicídio, Manaus, violência

aliens-pixelQuatro indicadores sobre a eficiência da segurança pública, relativos ao município de Manaus, consultados on line no site da secretaria estadual do Amazonas registram que crimes como homicídios, estupros e latrocínios estão em queda. O quarto indicador também é negativo, mas nesse caso, deveria ser positivo, pois é referente ao número armas apreendidas. Estas estatísticas, porém, não conseguem levar à população maior sensação de segurança, seja nas ruas de Manaus ou mesmo nas residências, como indicam fatos acontecidos de quinta-feira, 14, até o último domingo, 17.

Na noite de quinta-feira um passageiro armado reagiu ao assalto efetivado por pelo menos dois bandidos contra um ônibus que circulava na avenida Max Teixeira, zona Norte da cidade. O enfrentamento culminou com a morte do motorista do coletivo e o ferimento, na cabeça, de um dos assaltantes, o qual, mesmo sem respeitar os direitos humanos dos cidadãos, nem contribuir para geração de riqueza ou para a previdência, está sendo tratado como se fosse o cidadão mais importante e não o lixo que é.

No mesmo assalto, a população, que já não aguenta mais ver pessoas de bem serem mortas pelos bandidos todos os dias, tentou, em vão, evitar a remoção, pelo Samu, do bandido ferido. É possível que este mesmo sentimento de insegurança e de impunidade aos criminosos tenha levado o passageiro a reagir ao assalto. É a barbárie chegando? Talvez não, pode ser a omissão das autoridades levando as pessoas a tentar fazer justiça contra a bandidagem.

Outro fato acontecido na semana passada ilustra a insegurança na cidade. Foi o caso do homem que assassinou cruelmente o casal proprietário de uma floricultura. O assassino estava em seu terceiro dia no emprego. Roubou R$ 700 e mais três telefones, o preço de duas vidas humanas. Os casos de atentados fatais à vida humana já atingiram, de janeiro a junho deste ano, cerca de 420 vítimas.

Mesmo assim, as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública só têm registros públicos disponíveis até abril e é por ali que se obtém a informação de que, no período de janeiro a abril foram praticados 76 estupros, 262 homicídios e 17 latrocínios. Em 2017 os números foram 88 estupros, 313 homicídios e 25 latrocínios nesses quatro meses. O número que destoa é o da apreensão de armas, que em 2017 foi de 368 contra 356 no mesmo período deste ano.

No caso dos assaltos ao transporte coletivo, a informação divulgada pela mídia é de que essas ocorrências já atingiram mais de 1400 neste ano, com a média de 7 ocorrências/dia. É como se toda a frota que roda diariamente por Manaus já tivesse sido vítima de assalto.

No último domingo, pouco antes de iniciar o jogo do Brasil contra a Suíça, dez homens invadiram uma casa no bairro Cidade de Deus, zona Norte, e atiraram contra três pessoas. Para a polícia, parece ser uma briga entre gangs do narcotráfico, já que o local é considerado “zona vermelha”. O problema é que tais ocorrências não se limitam a tiroteios entre traficantes e, na maior parte das ocorrências, a vítima é o cidadão comum.

Ante tais fatos é de se perguntar em que estão sendo aplicados os recursos superiores a 10% do orçamento de segurança pública do Amazonas para o exercício de 2018, na faixa dos R$ 15,46 bilhões. As prisões têm, como sempre tiveram, carências crônicas e não recuperam quem ali é internado, a maior parte da frota de segurança até foi renovada, mas é comum se ver câmera e refletor desses veículos voltados para o céu, em busca de aliens, ou para o chão, caçando vermes, talvez.

Infelizmente, a ausência de um serviço mais efetivo na segurança pública dá oportunidade para que a população, cansada da insegurança e de viver sob temor de ser assaltada a qualquer momento e em qualquer lugar, comece a apelar, também, para a violência e tentar acabar com a bandidagem com o linchamento de quem é flagrado, embora esse caminho não leve à solução do problema.

Omissão e irresponsabilidade

05 terça-feira jun 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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ônibus, confornto, greve, Manaus, revolta, rodoviários

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A população de Manaus parece que se cansou de sofrer pagando passagens em ônibus velhos que não atendem a contento seus usuários e, nesta segunda-feira, quando o movimento paredista dos rodoviários completava uma semana em greve, usuários do transporte público coletivo urbano apelaram para a violência e depredaram, incendiaram e não faltou infiltrados, disfarçados de passageiros, que saquearam os coletivos danificados.

O prefeito, que tem falado muito sobre resolver a situação, pouco faz de concreto em favor de um transporte público mais digno para Manaus

A senha para iniciar a depredação, além da insatisfação acumulada em uma semana de péssimo serviços dos coletivos, por que normalmente já é ruim, foi o abandono de passageiros que já tinham pago a passagem e foram expulsos dos veículos no terminal 4, zona Leste, sem opções de chegar a seus destinos.

O movimento ilegal dos rodoviários, que volta e meia e por qualquer motivo paralisam o transporte público na cidade, já vinha sendo objeto de punição por parte da justiça que especificou altas multas para sindicatos e motoristas que parassem seus veículos, essas penalidades não tiveram o poder de reduzir o ímpeto do movimento. Pois, conforme informaram as empresas, estas teriam colocado cerca de 850 ônibus nas ruas de Manaus no início da manhã.

Essa frota de 844 carros corresponderia a pouco mais de 56% da frota operante cadastrada pela Superintendência Municipal de Transporte Urbano (SMTU), que totaliza 1.507 veículos. O problema é que os coletivos saíram da garagem e pararam nos corredores viários ou terminais, deixando os usuários sem transporte.

A questão é antiga e do conhecimento das autoridades, assim como da administração das empresas e sindicato dos rodoviários. Enquanto estes alegam lutar por um reajuste de salário e manutenção de algumas conquistas, a população virou refém da irresponsabilidade dos sindicalistas e até de vereador ligado ao movimento e filiado ao PCdoB, que diz apoiar a causa e, por tabela, a baderna na qual se transformou a cidade, e principalmente a zona Leste na última segunda-feira, dia 4.

O prefeito, que tem falado muito sobre resolver a situação, pouco faz de concreto em favor de um transporte público mais digno para Manaus, sendo assim, conivente com a situação que levou usuários a depredar veículos.

Manaus, com certeza, não é a quarta capital em população no Brasil, no entanto tem a quarta tarifa mais cara do país, e, se for montado um ranking para avaliar e classificar o serviço de transporte coletivo, bem como o estado da frota, se não tomar nota zero vai ficar bem próxima disso, assim como as autoridades que não usam suas prerrogativas e autoridade para solucionar de vez o problema.

Pior do que a omissão das autoridades é presenciar, como ocorreu na manhã de ontem, na zona Leste, profissionais do transporte coletivo em choque, com medo de retomar seu trabalho em função da violência desencadeada pelos usuários e outros aproveitadores e provocadores. Aliás, não se deve descartar a possibilidade de um viés político na violência contra os veículos, pois não faltaram partidários do “quanto pior, melhor” para suas pretensões escusas, de vez que teve gente gritando “Fora Arthur”, mas também “Fora Temer”, assim como aqueles que disseram que a culpa disso tudo foi tirar a presidenta do Planalto. Me engana, que eu gosto.

Quem saiu ganhando foram os moto-taxistas e o pessoal do transporte alternativo, estes autorizados a alongar seus itinerários até o Centro. Mas como nem tudo é perfeito, resta saber se vão receber o produto de seu trabalho, de vez que as cooperativas vivem a reclamar do atraso nos repasses que devem ser efetivados pelo Sinetram.

Na briga do mar com o rochedo, a vítima é sempre o caranguejo, mas por aqui a população substituiu o caranguejo.

Opções erradas

29 terça-feira maio 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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caminhoneiros, crise, diesel, greve, Manaus, petróleo, política

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Um efeito sombra, se pode ser chamado assim, se abateu sobre Manaus na noite de quinta-feira e levou ao quase pânico proprietários de veículos durante toda a sexta-feira, 25 de maio, com boatos sobre quebra de estoque de combustíveis, principalmente de gasolina e etanol em toda a cidade. O resultado, alimentado pela mídia local, foi uma corrida aos postos de gasolina que culminou com cerca de 70% desses estabelecimentos distribuidores de combustíveis fechados, por volta das 14h, em virtude de estarem com seus reservatórios vazios.

O movimento paredista e de bloqueio de rodovias pelo país afora desencadeado pelos caminhoneiros chegou a Manaus pela via ilegal, assim como o próprio movimento, de bloquear o acesso à refinaria Isaac Sabbá ao longo da sexta-feira e, com isso, impedir a livre distribuição e venda de combustível na capital do Amazonas.

O movimento ilegal dos caminhoneiros foi organizado, conforme seus participantes, pelo aplicativo WhatsApp e esta iniciativa – de usar o aplicativo – deu origem a boatos que “bombaram” nas redes sociais e nos grupos do próprio aplicativo, por mais absurdos que fossem, como o foi a própria corrida aos postos pela cidade.

O que explica aquela corrida aos postos se no sábado, pela manhã, a maioria desses distribuidores estava comercializando combustíveis normalmente? A força da mídia, seja ela nas redes sociais ou nos meios tradicionais como rádio, TVs e jornais, além da própria internet em seus sites noticiosos. Como já registravam os estudiosas da sociologia da comunicação e das mídias, essas práticas seriam as “profecias comunicacionais” que ganharam maior impacto no final do século 20, com a internet e mesmo com setores econômicos que utilizam as novas tecnologias.

Sudeste, Sul e demais regiões brasileiras, assim como parte da região Norte conectada por rodovias, estão até esta segunda-feira, 28, enfrentando dificuldades dada a dependência do país, que tem nas rodovias mais de 60% do modal de circulação de cargas. O perfil de Manaus diverge da maioria das cidades brasileiras por ter uma refinaria instalada. Além disso, a entrada e saída de mercadorias para abastecimento ou distribuição do que aqui é produzido, depende de uma logística diferenciada que tem nos rios uma boa parte das rotas de escoamento, mesmo com o pouco caso das autoridades em relação às hidrovias.

De acordo com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), a participação no escoamento de cargas pelas rodovias, no Brasil, atinge o volume de 65%; as ferrovias respondem por 15% e a cabotagem, em conjunto com as hidrovias, respondem por 16% do fluxo de cargas no país, cabendo ao transporte aéreo um residual de 0,2%. Dutovias respondem por 4%.

A opção pelas rodovias no país vem lá de meados do século XX, nos tempos de JK, com aquela política de fazer “50 anos em 5”. De lá para cá pouco se investiu em ferrovias e os números atuais continuam a fomentar essa preferência maléfica do país pelas rodovias, a quais receberam R$ 1,9 bilhão em investimentos – e nem por isso têm boa qualidade –, enquanto as ferrovias tiveram R$ 120 milhões.

Se o movimento dos caminhoneiros começou com a bandeira da reivindicação no corte no preço do óleo diesel, o que pode até ser entendido, pois a própria população sofre com a alta exacerbada no preço da gasolina também, se abre aí uma outra modalidade de debate que envolve a natureza da Petrobras como estatal, fato que, devido a seu monopólio na maioria das operações vinculadas à exploração de petróleo, tira a possibilidade de concorrência neste mercado, enquanto os varejistas, e por esse substantivo entenda-se os postos, são acusados da prática de cartel e não só em Manaus. Isto sem falar da enorme carga tributária incidente sobre os combustíveis, onde os grandes favorecidos são os estados, via arrecadação do Imposto so bre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Por fim cabe um registro acerca da malha aérea nacional, quando se sabe que Brasília concentra pelo menos 40% das conexões dos voos no país. Quer dizer, se o pessoal ligado a navegação aérea em Brasília resolver seguir a rota dos caminhoneiros, além da anunciada greve de petroleiros a partir de quarta-feira, dia 30, não vai faltar nada para o Brasil parar.

Candidatos “desbravadores” em Manaus

15 terça-feira maio 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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campanha, DEM, Flavio Rocha, Manaus, Manuela D'Ávila, político, PRB, Rodrigo maia

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Até a semana passada, pelo menos sete pré-candidatos à Presidência da República às eleições de outubro deste ano visitaram Manaus e alguns até conseguiram arrebanhar boa quantidade de interlocutores entre a sociedade local para apresentar suas propostas e ganhar o eleitorado já a partir de agora, mesmo que a campanha propriamente dita ainda não esteja a toda força.

Neste ano, porém, o calendário eleitoral parece já ter nascido letra morta e as condições para fazer cumpri-lo, conforme as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se concretizam e o resultado é que até político presidiário se candidata à Presidência da República, enquanto seus simpatizantes fazem trocadilho com sua condição a fim de, nessa era pós-verdade cheia de mentiras e fake news, enganar o eleitor incauto, tratando como presidiário político.

Na mesma linha do vale-tudo, Manaus foi palco de uma prática inaugurada, ao que parece, lá pela terra natal do deputado federal Alfredo Nascimento (PR): a de fazer protesto a favor de presidiários que cumprem pena longe de seu pedaço. Se a moda pega, vai faltar tornozeleiras eletrônicas, além de cadeias para esses apologistas do crime.

Mas voltemos aos pré-candidatos que visitam o Amazonas em busca de capital eleitoral (esclarecendo: votos e não outra coisa). É interessante a reação de quem vem à Amazônia e se encanta com a floresta a ponto de inventar (ou seria “criar”?) narrativa transmutando pessoas em heróis, como o fez a pré-candidata do PCdoB que, ao se  despedir e agradecer à sua correligionária e senadora pelo Amazonas que a trouxe a Manaus, afirmou que a senadora “desbravou o Amazonas”. Como diria o caboco de antigamente: “Olha já!” e os de hoje simplesmente complementam com um sonoro “é mermo!”

Se pré-candidatos vêm vender seu peixe por aqui, os políticos com cargo no Congresso Nacional parecem estar sentindo o problema que o cidadão comum já sente há algumas eleições: a falta de opções de candidatos comprometidos com mudanças – e por isso agregadores de votos – mas que sejam flexíveis em troca de apoio político, como se pôde observar nas recentes visitas de Rodrigo Maia (DEM) e Flavio Rocha (PRB).

Não só um ou dois políticos locais estiveram em eventos dos dois candidatos, e não me refiro ao prefeito de Manaus, mas até a político do PRB, com assento na Câmara Federal, que mostrou a cara para prestigiar evento do candidato rival, no caso, o candidato do DEM, Rodrigo Maia.  Vai por aí a grande capacidade de diálogo e entendimento do político ou é aquela célebre situação de acender uma vela a Deus e outra ao capeta?

Por falar em Rodrigo Maia é bom registrar o que parece ser uma posição muito favorável ao Amazonas ao concordar com a pavimentação da rodovia BR-319, que um dia ligou o Amazonas ao restante do país. Ao contrário de outra pré-candidata – ou nem tanto? – Marina Silva (Rede) que quando ministra do Meio Ambiente fez um esforço tão grande para preservar a Amazônia que manteve a BR-319 intransitável, embora, lá pelo seu estado natal, o Acre, se tenha rodovias ligando-o inclusive à Bolívia e as perdas de floresta sejam bem mais visíveis.

Rodrigo Maia, porém, ao contrário de Flavio Rocha que buscou para suas empresas a zona franca do Paraguai, prefere que se façam investimentos na Zona Franca de Manaus (ZFM) com o objetivo de modernizá-la e também de ampliá-la. Se por ampliar se entender avalizar projetos que estendam benefícios fiscais onde eles podem fazer a diferença, nada contra, agora se for para aumentar subsídios com recursos do contribuinte para ampliar também a desigualdade entre as regiões brasileiras, como projetos em trâmite no Congresso Nacional propõem, aí é melhor reavaliar as propostas de Maia.

Mas enquanto Flavio Rocha se preocupa em proteger indígenas, os quais, conforme o candidato, estão sendo expulsos de suas terras, Maia prefere fazer um alerta ao Brasil: Se as reformas necessárias não forem implementadas, daqui uns dias os investimentos públicos priorizarão a educação ou a saúde, não mais as duas.

Bem, do jeito que ambas estão, parece que não se investe em nenhuma já faz um bom tempo.

Mistificações energéticas no Amazonas

02 quarta-feira maio 2018

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Eletrobras, energia, gás, Manaus, privatização

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No que diz respeito a energia, o Amazonas, e Manaus em particular, já viveram tempos muito bons e outros de pura mistificação sem que a capital do Estado e a população do enorme interior amazônico seja atendida com serviço de qualidade quando se fala de energia, seja elétrica, a cargo da Eletrobras e subsidiárias, e mesmo a partir do gás, combustível que já foi, em meados da primeira década deste século, o canto da sereia do qual se aproveitaram não poucos políticos para fazer seu marketing de enganação. Manaus foi uma das capitais pioneiras no uso da eletricidade no país, incluindo os bondes elétricos.

Não vai longe, ali por 2004, durante o primeiro governo petista sob a batuta daquele do qual me recuso a dizer o nome, quando se apregoava que o gasoduto Coari-Manaus seria a solução para o sistema termoelétrico de geração de energia para Manaus, com a utilização de um combustível limpo, mais barato e que só dependia do gasoduto para chegar aqui.

Orçado inicialmente em R$ 2,4 bilhões, o gasoduto atingiu a cifra de R$ 4,5 bilhões para cobrir os pouco mais de 660 quilômetros que separam a base Urucu-Coari de Manaus. Em operação desde 2009, de acordo com a Petrobras, o gasoduto abastece, com 5,5 milhões de metros cúbicos diários de gás, as geradoras Manauara, Tambaqui, Jaraqui, Aparecida, Mauá, Cristiano Rocha e Ponta Negra, gerando 760 MW. Agora, consulte o usuário para aferir a satisfação com o serviço de distribuição, a cargo da Eletrobrás.

A chegada do gasoduto a Manaus, mesmo com despesas quase dobradas necessárias para pô-lo em funcionamento e permitir a utilização do gás pelas geradoras na capital, do ponto de vista do consumidor pouca coisa mudou, seja pela falta de qualidade do serviço ou pelas tarifas praticadas, que têm subido sem nenhuma contrapartida de melhoria.

Mas aí veio outra promessa: ligar Manaus ao Sistema Interligado Nacional (SIN), a partir de Tucuruí/PA, e resolver, de uma vez, os problemas no fornecimento de energia para a capital. O Linhão de Tucuruí, como ficou conhecida essa conexão, tem cerca de 1.800 quilômetros de extensão, interligado por 3.600 torres, algumas das quais são tão altas quanto a Torre Eiffel, em Paris, como aquelas necessárias para levar os cabos de uma margem a outra do rio Amazonas. O linhão também incluiu a construção de sete subestações, do zero, embora o sistema opere com oito subestações. O custo da proeza, iniciada em 2010, foi de módicos R$ 3 bilhões

Quase oito bilhões de reais em infraestrutura para trazer energia de qualidade a Manaus e a população quase não nota nenhuma diferença entre o antes e o depois, dada a frequência dos apagões a complicar e até inviabilizar a vida dos manauaras. Lembremo-nos dos hospitais.

A situação recorda um pouco as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros, quando a telefonia era estatal e para adquirir uma linha telefônica, o cidadão tinha que virar investidor e fazer uma compra casada de linha e de ações da tal Telebrás, já o serviço era muito ruim, e caro.

No entanto, há quem queira e lute para manter a Eletrobrás sob o guarda-chuva do dinheiro do contribuinte, do usuário, que não tem um serviço adequado e ainda vai ter que cobrir rombos, distribuídos democraticamente entre todos os brasileiros, como aqueles R$ 130 bilhões, investidos no sistema Eletrobrás desde o início dos governos petistas, em 2003. O problema todo é que a estatal, por fatores conhecidos, teve seu valor de mercado reduzido de 57 bilhões de reais para 27 bilhões de reais, com o faturamento encolhendo de 41 bilhões de reais para 32 bilhões de reais. Não vou nem falar dos resultados negativos que se acumulam desde 2012.

É muito dinheiro indo pelo ralo, só porque alguns querem manter a energia sob o comando do governo, mesmo que a incompetência leve a empresa para o buraco.

Peteleco era poderoso e não sabia

24 terça-feira abr 2018

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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Amazonas, criança, Manaus, Oscarino, Peteleco, ventríloquo

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Quem foi criança antes que as emissoras de televisão chegassem ao Amazonas tinha diversão e entretenimento bem diferente do que hoje se tem e, mesmo depois da TV aportar em Manaus, por muito tempo ainda perduraram formas de entretenimento que deixavam de lado o lazer eletrônico para favorecer o lado mais social ao vivo, digamos assim, tanto para as crianças quanto para os jovens e adultos.

Não se tinha, até os anos 2000, acredito, a preocupação de que um dia um telefone, evidente que não me refiro àquele telefone que só servia para falar e ouvir, poderia criar dependência e, ao invés de ser um meio de comunicação pura e simplesmente, pudesse, como hoje, agregar rede social, TV, rádio – alguém ainda ouve? – jogos, bancos, livros, música, filmes e muito mais, até se tornar um dispositivo que vicia seu usuário, fato já reconhecido pelos estudiosos da área.

Mas voltemos lá para o tempo no qual os Beatles chegaram às paradas e, para conseguir um long play (LP), como se dizia na época, só importando a um custo muito alto, daí o sucesso das versões daquelas músicas do quarteto inglês na voz de Renato e seus Blue Caps e outros. Mas o tempo, nos anos 1960, era de bossa nova, de shows em circos que faziam a alegria da petizada – alguém ainda usa essa expressão? – com malabaristas, equilibristas, animais africanos ou nem tanto e até bonecos, sejam marionetes ou aqueles acompanhados de seu ventríloquo.

Pois é, ventríloquo tem origem no latim venter loqui, ou barriga falante, prática que vem desde a antiguidade quando era usada pelos oráculos com a finalidade de demonstrar aos crentes que o oráculo falava com os deuses. Na Idade Média, o mesmo recurso servia aos bruxos e bruxas para “manter contato” com os espíritos e impressionar seu público.

Se hoje essa técnica só é usada no entretenimento, em outros tempos foi fonte de muito poder e é aí que entra na história o “poderoso” Peteleco e seu tutor/pai/ventríloquo Oscarino Farias Varjão, que partiu na semana passada deixando saudades a seus admiradores, que vão desde jovens na casa dos cinquenta/sessenta anos de idade e outros bem mais moços.

No tempo em que a informação fidedigna chegava de forma mais rápida pelo telégrafo e era disseminada pelas emissoras de rádio e jornais impressos, ali pelo final da década de 60, Manaus tinha pelo menos dez cinemas e a moçada se divertia, aos domingos, nas sessões duplas apresentadas a partir do meio-dia, principalmente nos bairros como Educandos – cine Vitória -, Cachoeirinha, com o Ypiranga, e os do centro: Guarany, Polytheama, Odeon e Avenida, assim como o Palace, lá no boulevard.

Dias de semana eram reservados para escola e trabalho e as noites para mais estudo e namorar, que ninguém é de ferro, já os santos da Igreja Católica possivelmente tinham mais devotos do que hoje por um motivo bem prosaico: as festas do dia de cada santo eram precedidas por arraiais, com quermesse, comidas e bebidas e, de vez em quando, por um show, ao vivo, com Peteleco, o boneco negro de Oscarino era atração que garantia público em qualquer festa.

Em certo momento, ainda nos anos 1960, quando surgiu no mercado o guaraná Baré, o locutor Clodoaldo Guerra, da rádio Baré, talvez uma das mais ouvidas então, fez fama ao apresentar um show itinerante, a bordo de um caminhão que premiava os “cantores” e algumas vezes teve no Peteleco uma das atrações com a famosa resposta dada a perguntas impertinentes: “Tu é leso, é?” E assim era o mundo sem os eletrônicos de hoje.

Livros para Lula

Como o assunto é leve e feitas as despedidas de Oscarino, aguardando que Peteleco continue a se apresentar em Manaus, quero avisar que estou pensando em fazer uma doação ao comandante petista que, lá atrás afirmou ter chegado à Presidência da República sem precisar estudar e agora, como presidiário, diz que livro, para ele, só serve para usar em exercício físico de levantamento de pesos, pois bem, tenho uma Barsa com uns 25 volumes disponível para ele se exercitar, mas não pago o frete.

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