Ele contou para a vizinha que o marido a traía, adivinha com quem

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A morena era bem casada com um comerciante gente fina que tinha quase o dobro de sua idade: Ela tinha 19 e ele 37, mas se davam bem. Saiam muito e frequentavam, nos fins de semana, uma roda de samba lá pelo Morro da Liberdade, zona Sul.

O nó todo aconteceu depois que eles se mudaram para um condomínio de casas localizado no Parque Dez, ali pelos lados da Colônia Japonesa. Uma noite, ela vinha dirigindo sozinha e teve problema com o carro perto do centro de treinamento da Honda.

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Saiu do carro e, logo em seguida, outro carro parou e seu ocupante a ajudou a pôr seu carro em movimento. O motorista que a ajudou disse se chamar Leite, Ricardo Leite. Na rápida conversa que se seguiu, uma coincidência: eram vizinhos, moravam na mesma quadra do condomínio.
Foi o começo de um caso entre os dois, pois Nicinha, agradecida pela ajuda – de batismo era Nicimar – dera o número do celular a Ricardo.

Foi depois desse incidente que Jefferson, marido de Nicinha, deixou de ter a companhia da mulher nas rodas de samba das sextas, que ela começou a evitar.

Dois meses depois, Jefferson tinha sérias desconfianças de que estava sendo traído, afinal, quase quarentão, ainda dava bem no couro, mas a mulher, bem mais jovem, andava evitando não só a roda de samba, mas até a cama do casal andava menos quente naquele agosto manauense.

De observação em observação, um dia Jefferson pegou o celular de Nicinha e confirmou o que já sabia, com nome e tudo mais sobre o outro. Ele foi à luta. Sabendo quem era o rival, pensou, no primeiro momento, em contar tudo para a mulher de Ricardo, afinal ela era tão enganada quanto ele, Jefferson.

Pois é, pensou, pensou e findou contando… no fim ela preferiu nem dar bronca no tal Ricardo, para ela um grande sem-vergonha e investiu no vizinho quarentão para dar o troco, afinal, chumbo trocado não dói, dizem.

Se os dois foram felizes ao um shopping center, não se sabe, mas os motéis ganharam mais dois usuários assíduos.

 

Publicação no Portal do Holanda em 29/12/2015

Horizonte nebuloso

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Enquanto o clima esquenta em Brasília desde quando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o clima nas ruas parece ter arrefecido e a primeira grande manifestação ocorrida após o início da tramitação do impeachment ficou abaixo da expectativa dos organizadores no último domingo, dia 13.

De outro lado, o julgamento tende mais para o lado político que jurídico, e aí os fatores que pesam contra a presidente podem ser aferidos nas páginas de jornais

No entanto, se as ruas, que já foram dos caras-pintadas quando Color Mello periclitava no poder e de onde findou por ser derrubado via impeachment, mesmo após ter apresentado pedido de renúncia, já não mostram a ênfase dos primeiros movimentos a favor da saída de Dilma Rousseff do governo, as causas, motivos e fatos que podem justificá-la não param de crescer.

Assinado por juristas do primeiro time – Miguel Reale Júnior, Hélio Pereira Bicudo e Janaina Conceição Paschoal – o pedido se fundamenta no que a imprensa trata como “pedaladas fiscais” da presidente Dilma Roussef, onde a principal má prática administrativa é liquidar obrigações financeiras da União com a utilização de recursos de bancos estatais como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, assim como também do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS).

Se os defensores da presidente não veem nada de ilegal ou anormal nessa prática, que já vem acontecendo pelo menos desde 2013, os juristas, um dos quais foi fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), sabem muito o terreno onde pisam e, principalmente, que tipo de liga usar para construir alicerces sólidos em sua representação à Procuradoria Geral da República (PGR) com a finalidade de obter o impeachment presidencial.

De outro lado, o julgamento tende mais para o lado político que jurídico, e aí os fatores que pesam contra a presidente podem ser aferidos nas páginas de jornais, revistas, informativos jornalísticos de TV, rádio e internet. Por essa via, não vai faltar motivo a justificar o impedimento de Dilma Vana Rousseff.

Um desses motivos está na queda do poder de compra dos brasileiros, decorrência justamente da má gestão da petista cujas gastos excessivos na administração pública jogaram a moeda para baixo com a escalada da inflação, a qual, nos últimos 12 meses, até novembro, atingiu a marca de dois dígitos: 10,48%, com o agravante de que o mês passado, com inflação de 1,01%, foi o pior desde quando Lula da Silva venceu a eleição em 2002.

O bolso, ou quem sabe, os cofres das empresas, é outro local onde a dor infligida pela gestão petista tem se mostrado singularmente sensível e aí pesam mais as indefinições que a crise no mais alto escalão da República trazem, inibindo novos investimentos, reduzindo a atividade econômica e por fim, detonando empregos.

Nesse quesito, aqui pelo Amazonas, até o mês de outubro, a foice do desemprego já extinguiu mais de 30 mil vagas, enquanto pelo Brasil afora, de acordo com dados do Caged referentes a outubro, no acumulado dos últimos 12 meses, o país fechou 1.381.992 vagas.

Não bastassem esses dados negativos na economia, a corrupção está presente e se apresenta a cada nova etapa da operação “Lava Jato”, que já passou da vigésima fase. Em setores fundamentais como saúde, educação e segurança, o país enfrenta a falta recursos para fazer investimentos ou mesmo custear gastos fixos como reposição de medicamentos.

As ruas podem não dar o tom de indisposição da população com o governo atual em números de cidadãos que comparecem às manifestação, mesmo assim não se pode prever que a presidente possa estar fora do risco de perder o mandato via impeachment, até pelo horizonte nebuloso pintado por analistas econômicos à luz da conjuntura brasileira.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 15/12/2015

Armadilhas para quem empreende em Manaus

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A Endeavor Brasil divulgou, na semana passada, a segunda edição do Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), desta vez com maior número de cidades pesquisadas que, na edição de 2014, listou e classificou 14 cidades, enquanto na edição de 2015, passaram a figurar 32 cidades. O estudo visa detectar cidades onde existem as melhores condições para o empreendedorismo se estabelecer. Manaus apareceu nas duas edições.

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Na edição de 2014, Manaus se classificou em 10ª lugar entre 14 cidades, na edição de 2015, a cidade está na 26ª posição, em companhia da capital do maranhão, São Luís, e à frente apenas de Cuiabá, Belém, Fortaleza, Maceió e Teresina. Na região Norte, apenas Manaus e Belém foram incluídas na pesquisa da Endeavor.

Financiamentos via venture capital ou private equity, informa a publicação da Endeavor, simplesmente não são opções com as quais empreendedores de Manaus possam contar

Os fatores estimados, chamados de pilares pela publicação, são sete e buscaram avaliar a situação, nesses locais, do seguinte: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura de empreendedor.
A melhor avaliação de Manaus, na edição de 2015, foi no pilar mercado, vindo em seguido a cultura. A liderança do ranking ficou com São Paulo e a melhor cidade avaliada em 2014, Florianópolis, na edição atual se posicionou como 2ª colocada.
Em Manaus, de acordo com o estudo, 77% das pessoas entrevistadas afirmaram que o empreendedor ocupa posição respeitada e reconhecida. A constatação leva à classificação da cidade no ranking da Endeavor sobre cultura empreendedora, onde Manaus fica em 6º lugar.
Já o fator mercado, onde a capital baré  ocupa a segunda posição, é reconhecido pelo potencial de clientes que podem ser atingidos pelas empresas, mas também considera os negócios com o governo, o B2Gov, assim como o B2B, dadas as condições da economia manauense com contingente de cerca de 500 grandes empresas instaladas em seu polo de indústrias incentivadas.
No entanto, nem tudo são flores no ranking da Endeavor, assim, os problemas que atrasam o crescimento econômico de maneira geral em Manaus, vão aparecer na pesquisa voltada para identificar oportunidades de negócios para empreendedores, como é o caso da infraestrutura e da dificuldade em obter mão de obra qualificada. Nesse quesito – capital humano – Manaus figura na lanterna do ranking, em 32º lugar.
No item infraestrutura, além das distâncias que separam Manaus dos demais centros consumidores, existem outras agravantes. A capital do Amazonas, informa o estudo, está a 121 mil quilômetros (soma das distâncias) dos outros municípios, enquanto Belém tem um somatório bem melhor, de 81 mil quilômetros. Nas demais cidades pesquisadas a média é inferior a 50 mil quilômetros.
Tão grave quanto os problemas decorrentes da falta de mão de obra e da infraestrutura precária em Manaus é a dificuldade para ter acesso a capital. Conforme a Endeavor, os bancos aplicam em Manaus, quando se compara a São Paulo, cerca de 10 vezes menos, em relação ao PIB, do que na capital paulista.
Financiamentos via venture capital ou private equity, informa a publicação da Endeavor, simplesmente não são opções com as quais empreendedores de Manaus possam contar.
O estudo, assim como o ranking ICE, pode ser ferramenta de peso para definir políticas públicas que tornem a vida de empreendedores e suas empresas mais produtivas, pois também prospecta dados sobre o custo dos tributos e da burocracia que minam a lucratividade e, às vezes, levam empreendimentos a encerrar atividades.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 08/12/2015

 

Maior PIB do Norte, Amazonas extermina mais de 30 mil vagas

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O último estudo das Contas Regionais, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na sexta-feira, 20, e que analisa dados regionais do período de 2010 a 2013, traz boas notícias para o Estado Amazonas que ali aparece como terceira unidade da federação que mais cresceu no período.

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Conforme o Contas Regionais, apenas o Amapá, cujo produto interno bruto (PIB) cresceu 18,3%, e o Mato Grosso, com expansão na geração de riquezas em 21,9%, no ano de 2013, ficaram à frente do Amazonas em relação ao desempenho do PIB, que aqui cresceu 17,3% no período.

A maior renda per capita da região Norte fica com o Amazonas, que, de acordo com o estudo do IBGE, em 2013 foi de R$ 21.873,65

No geral, a média do Brasil foi de 9,1% e o estudo do IBGE elenca, além dos três Estados já citados, mais 15 entes federativos que tiveram desempenho acima dessa média em relação ao PIB de 2013.

Os Estados de Minas Gerais, que têm participação de 9,2% no PIB brasileiro, Rio de Janeiro, com 11,8% e São Paulo com 32,1%, concentram 53,1% da riqueza nacional medida pelo estudo do IBGE, onde o Amazonas aparece com participação de 1,6%, mas aqueles Estados tiveram desempenho abaixo da média nacional.

Com PIB de R$ 292,34 bilhões em 2013, a geração de riqueza na região Norte se expandiu 3% e a renda per capita ficou situada em R$ 17.213,30. Dos sete Estados localizados no Norte, apenas três tiveram desempenho abaixo dessa média: Acre, Pará e Tocantins.

No caso do Pará, detentor do maior PIB da região, no montante de R$ 120,95 bilhões, é o 6º colocado, entre os sete Estados, na renda per capita que é de R$ 15.176,18. Nesse item, o Pará só fica atrás do Estado do Acre, onde a renda per capita é de R$ 14.733,50.

A maior renda per capita da região Norte fica com o Amazonas, que, de acordo com o estudo do IBGE, em 2013 foi de R$ 21.873,65. O segundo colocado é o Estado de Roraima, no montante de R$ 18.495,80. No entanto, a média brasileira da renda per capita é de R$ 26.445,72, logo, todos os sete Estados da região Norte têm desempenho abaixo desse valor. O PIB do Brasil, conforme o IBGE, é de R$ 5,32 trilhões.

Se na região, o Amazonas está razoavelmente bem situado, logo se vê que falta muito para que o Estado atinja o nível da média brasileira em termos de renda per capita, o que não está muito fácil na atual conjuntura de recessão, fato corroborado pelos números divulgados, também na sexta-feira, 20, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Os números do Caged dão conta de que, nos últimos 12 meses fechado em outubro de 2015, o número de empregos eliminados no Amazonas atinge a cifra de 30.490. É quase um terço da mão de obra do Polo Industrial de Manaus (PIM). Só no período de janeiro a outubro deste ano, 24.974 postos foram eliminados, uma queda de  5,32%.

Os dados apurados pelo Caged no mês de outubro informam que a poda de vagas continua a acontecer. Naquele mês foram cortados 3.769 postos de trabalho, dos quais 2.147 no setor da indústria de transformação, o equivalente a 54% do total de vagas exterminadas no referido mês.

Para se ter uma ideia do tamanho do extermínio de postos de trabalho no Amazonas neste ano, basta saber que, em outubro de 2014, ainda conforme o Caged, a eliminação de vagas foi de 862 postos de trabalho.

Além da indústria, os outros setores mais afetados pelas consequências da crise que o país atravessa no momento foram a construção civil – perdeu 721 postos de trabalho – e serviços, com extermínio de 588 postos em outubro de 2015.

Como se vê, o fluxo de más notícias está longe de terminar, inclusive com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de declarar ilegal a taxa de serviços administrativos cobrados pela Suframa. Se estava ruim, a tendência é piorar.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/11/2015

 

Chegam as chuvas e o verde volta à cidade

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Depois de dois meses de calor intenso em Manaus, as chuvas de novembro chegaram regando plantas e gentes. Não faltaram comemorações, pelo menos nas redes sociais, aonde internautas postaram fotos da chuva  que viam e das que nem conseguiam enxergar, além de até tomar banho da dita cuja.

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Os igarapés, que a vazante do rio Negro, ao atingir pouco menos de 16 m acima do nível do mar, deixou seus leitos à mostra, re velando também a nossa falta de cultura e zelo pela cidade com o rastro de resíduos e lixo que ali acumularam, produto do descarte irresponsável não só de quem mora à margem dos cursos d’água, assim como daqueles que não hesitam em jogar no meio da rua qualquer coisa já usada.

Só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70

A malha de igarapés da cidade, que continua a ser aterrada desde a época do governador Eduardo Ribeiro, se constitui em recipiente pas sivo de lixo, resíduos da indústria e tudo o mais que perde utilidade, sem que manauaras tomem para si a responsabilidade de evitar a poluição desses corpos de água.

No entanto, voltemos à chuva que, além de diminuir um pouco o calor manauense, torna verde, em tempo recorde, os canteiros de avenidas, praças e parques, além de outros logradouros públicos, ou nem tanto, como as várzeas de igarapés e do rio Negro. O capim, o mato, as ervas que aí rapidamente brotam alegram os olhos de quem transita nesses locais

A temporada de chuvas em Manaus, porém, tem lá seus desencantos quando interferem no andamento de obras públicas ou privadas, atrasando-as, paralisando-as ocasionalmente ou por tempo maior, dependendo do ritmo da chuva.

Na avenida Eduardo Ribeiro, que teve a parte onde o relógio municipal está instalado parcialmente interditada e as obras que deveriam ser efetivadas naquela região embargada s por órgão de preservação do patrimônio histórico, agora tem mais uma parte interditada para revitalização.

O projeto de revitalização e restauração quer trazer de volta o visual daquela avenida das décadas de 1920/30. É uma boa ideia, mas se conseguir tra zer pelo menos o que a Eduardo Ribeiro tinha nos idos de 1960 já dá para comemorar, pois não é pouca coisa ter calçadas largas à disposição do passante, recoberta por sombra de benjamins.

Evidente que não se quer voltar ao passado, mesmo que o DeLorean do filme de “Volta para o Futuro” estivesse disponível. Já pensou, com o trânsito atual ter aquele sinal de trânsito, primeiro semáforo instalado em Manaus, no Canto do Quintela, ali no cruzamento das avenidas 7 de Setembro com a Joaquim Nabuco. E quando digo no cruzamento é no meio da via, mesmo. Não vai dar.

A chuva também tornou mais visível o verde da avenida Djalma Batista. Na Djalma?! Alguém vai perguntar e respondo: ali mesmo. As mudas plantadas no canteiro central, já na gestão do atual pr efeito, estão com dois, três metros de altura. Não mais parecem mudas, mas árvores jovens e adultas, umas com mais outras com menos sombra, a arrefecer o calor manauense, marca registrada da cidade.

Assim, se as obras podem parar com as chuvas, o verde, as plantas nas vias públicas, parques ou quintais, agradecem à natureza a volta da estação chuvosa, quando o rio Negro fica mais bonito ainda. E aí, só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 17/11/2015

Sem leitor, livraria fecha

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Pesquisa sobre hábito de leitura de livros efetivada em 2011 pelo Ibope Inteligência sob encomenda do Instituto Pró-Livro (IPL), a terceira iniciativa do IPL e a segunda levada a campo pelo Ibope, dão indicações pouco alvissareiras acerca do universo de leitores no país, a “Pátria Educadora”.

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A constatação, infelizmente, era esperada, no entanto, é preocupante pelas consequências que a falta do hábito de leitura pode trazer ao indivíduo como pessoa, como cidadão e para o país, por não poder criar massa crítica com maior conteúdo entre sua população, como já aconselhava Monteiro Lobato ao afirmar: “Um país se faz com homens e livros.”

De outro lado, pesquisa mais recente, de 2015, efetivada pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro, considerando o ano de 2013, traz uma boa notícia: entre os brasileiros pesquisados, a leitura de livros como atividade cultural ocupa pelo menos 35% dos entrevistados, enquanto o cinema fica com 28% e shows musicais fazem a cabeça de 22%. O porém dessas constatações é que assistir TV não foi considerado como atividade cultural.

“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”

 

Outras atividades culturais como ir ao teatro tem 11% de preferência; exposições de arte 8% e espetáculos de dança ficam com 7%.

Voltando ao universo dos livros e à pesquisa do IPL, cerca de 50% da população brasileira, no ano em que foi feita a terceira pesquisa, constituíam o universo de leitores do país. Esse contingente pode parecer grande, é é. Mas, a má notícia é que, na segunda mostra, efetivada em 2007, o universo dos brasileiros que se declararam leitores era de 55%, conforme a pesquisa.

A velha discussão sobre o que impede o brasileiro de ler e, na maior parte das vezes atribuído ao alto preço dos livros, conforme a pesquisa, não se sustenta, pois esse fator – poder de compra – fica na 13ª posição entre as razões pelas quais o brasileiro deixa de pegar um livro para ler.

A primeira alegação para não ler é mesmo a falta de interesse pela leitura, declarada por 78% dos entrevistados, seguida de 50% informada por aqueles que dizem não ter tempo.

Em um mundo globalizado, com meios de comunicação que o tornaram uma aldeia global, como já predizia Marshall McLuhan lá pelos anos 1960, quando os maiores fenômenos de mídia eram a TV e o rádio, além, obviamente, da telefonia a unir as diversas partes do planeta, as mídias eletrônicas atuais são fortes concorrentes dos livros, como bem exemplifica a pesquisa do IPL.

Por ali, do universo de entrevistados, 85% preferem assistir TV quando têm tempo livre, enquanto outros 52% preferem ouvir música ou rádio. A opção de pegar um livro é a 7ª, com 28% de preferência.

Assim, não é de estranhar que a pesquisa da Fecomércio/RJ tenha flagrado o fato de que sete, entre dez brasileiros, não leram nenhum livro no ano anterior à pesquisa. Lamentável, mesmo quando se sabe que, nas palavras do padre Antonio Vieira “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.”

Apesar disso, Manaus perde uma de suas boas livrarias neste mês de novembro com o fechamento da Valer e, como registro, posso afirmar que vi, no último domingo, a Livraria Valer fazer sua promoção anual e encher a casa com leitores e compradores de livros. Infelizmente, ao que consta, pela última vez.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 10/11/2015

Uma titular para problemas da Suframa

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A ex-deputada Rebecca Garcia viajou, na segunda-feira, 26, para Brasília, onde deve cumprir compromissos já agendados antes de sair sua nomeação para a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Mesmo assim, a ex-deputada deve fazer contatos com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), ao qual a Suframa está vinculada.

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É possível que os dois mandatos de Rebecca Martins Garcia como deputada federal lhe abram algumas portas não só no Mdic, assim como em outras instâncias para as quais possa encaminhar as numerosas demandas que seu novo cargo lhe vai dar.

Com a nomeação de titular da Suframa publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 26, Rebecca já alinhavou pelo menos três prioridades para sua gestão à frente da agência de desenvolvimento regional, nenhuma delas, no entanto, é coisa nova, pelo contrário, são situações que prejudicam investidores do Polo Industrial de Manaus há muitos anos sem que se tenha solução.

O primeiro problema é a questão da remuneração dos servidores da Suframa, cozinhado em banho-maria desde a gestão de Lula e vetado pela presidente Dilma Rousseff na última tentativa de equalizar a questão salarial dentro do próprio Mdic, onde o quadro da Suframa é o de menor remuneração.

A outra situação a exigir atenção prioritária é o desengavetamento dos processos produtivos básicos (PPBs), cuja responsabilidade de aprovar fica em Brasília e pouco pode ser feito, na própria Suframa, para agilizar aqueles já encaminhados e sem resposta pelos ministérios que os aprovam e homologam.

A nova superintendente também já se dispôs buscar os meios para recuperar a infraestrutura do Distrito Industrial de Manaus, com ênfase, é de se esperar,  na recuperação das vias de circulação daquela região da cidade. Os buracos – e mondrongos -, como ela mesma já reconheceu, fazem até vergonha quando se leva um investidor para visitar o Distrito Industrial. Isso, sem falar da ausência de ligação rodoviária com os centros consumidores, apesar de a BR-319 estar sendo usada de forma precária no transporte de passageiros há cerca de três semanas.

O que não vai faltar à titular da Suframa são problemas e talvez aquele que vai fazê-la suar mais para resolver seja a liberação da Taxa de Serviços Administrativos (TSA), recursos captados das indústrias incentivadas do PIM, mas cuja aplicação não acontece na região, uma vez que o governo federal utiliza o contingenciamento destes recursos para gerar superávit primário, apesar de as contas daquela esfera governamental estarem furadas em muitos bilhões já há bastante tempo. Conforme observadores, haveria pelo menos R$ 1 bilhão contingenciado sem que a autarquia possa usar essa verba.

Se a crise, produto da má gestão federal, detonou a economia do país, uma outra ponta a ser atacada é a manutenção do emprego nas indústrias incentivadas, as quais, em decorrência da recessão, têm demitido de acordo com suas necessidades específicas, isto é, a preocupação social com o trabalhador é mínima nessa conjuntura.

Se os empregos estão sendo podados nas bancadas das indústrias de Manaus, uma das causas pode ser a busca por produtividade com o acirramento da inflação no país, acompanhado da valorização do dólar a levar o investidor a buscar formas de ganhar produtividade com a aquisição de insumos no exterior, o que vai impactar diretamente na indústria de componentes instalada no PIM.

Só para lembrar, não podem ser esquecidos fatores que impactam na atividade da Suframa como a necessidade de um concurso para adequar o quadro funcional às demandas, as alternativas tecnológicas que poderiam ser abertas à região por meio do Centro de Biotecnologia da Amazônia e o CT-PIM, entre outros.

Por fim, cabe perguntar à nova superintendente se o Distrito Agropecuário da Suframa vai ter alguma atenção ou se será dada outra solução àquela iniciativa que sempre foi o patinho feio na área de atuação da autarquia.

No mais, é desejar sucesso à nova titular da Suframa.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 27/10/2015

Manaus, cidade da fumaça

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Os 346 anos de Manaus, completados neste sábado 24 de outubro, vão ser comemorados sob, talvez, o mais forte e prolongado fumaceiro já visto na cidade, agravado, a todo momento, pela prática de queimar lixo e outros resíduos no próprio perímetro da cidade por seus moradores.

É evidente que a origem da fumaça que está sobre a cidade desde o dia 1º de outubro não se deve apenas a essa prática arcaica e prejudicial de seus habitantes, mas também a fatores climáticos cujas consequências para a região não foram, ainda, devidamente esclarecidas pelas autoridades vinculadas à área ambiental e meteorológicas. Enquanto isso, a população sofre as agruras de males ligados às vias respiratórias.

No entanto, nem só de fumaça se ressente o povo manauara, hoje um contingente que supera os dois milhões de habitantes, mas também de um transporte público deficitário e sem qualidade, da falta de educação da maioria dos motoristas que dirigem pelas ruas da cidade, da ausência de equipamentos urbanos de lazer, além da expectativa de uma seca recorde do rio Negro.

Se não faltam problemas a serem enfrentados pelos gestores da cidade e pelos seus moradores, há que se falar também de iniciativas já implementadas e necessárias, como a linha azul, que privilegia o transporte coletivo público, dando maior velocidade aos ônibus que por aí transitam, mas que necessita ser ajustada, seja adaptando toda a frota, ou sua maior parte, para utilizar esses corredores, hoje restritos a pequena parte dos ônibus.

Há que se falar, também, de espaços públicos como parques e jardins, alguns recentemente implantados, outros já existentes desde há muito e agora sendo recuperados para uso do manauara e, assim, oferecendo maior qualidade de vida à população.

Por fim, como não se pode falar apenas dos problemas e das necessidades da Manaus de hoje, é fazer votos de que os administradores de Manaus, de hoje e daqueles que ainda o serão, tenham uma visão de futuro ao tomar decisões sobre o que é feito, construído, e às vezes, destruído na cidade, sem perder de vista a necessidade do povo que aqui mora. É dfícil? Sim, mas não impossível.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/10/2015

Desemprego e redução de salários no PIM

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Enquanto as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) reclamam das perdas de quase 30% no faturamento acumulado dos meses de janeiro a julho de 2015, pouco se fala de onde estão acontecendo os cortes, necessários, diga-se, a fim de manter a atividade econômica no PIM, como os desembolsos vinculados à mão de obra.

Comparativo entre o ano de 2011 e os desembolsos efetivados em 2015, conforme divulgado nos indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), relativos a julho, indicam que a média mensal com salários, encargos e benefícios (SEB) caiu de US$ 216,34 milhões em 2011, para US$ 150,78 milhões neste ano. Os cortes aí detonaram 30,30% dos desembolsos com recursos humanos.

No entanto, se a poda em salários, encargos e benefícios chegou àquele nível, o corte de pessoal ficou em nível bem menor, ao considerar 2011 e 2015, deixando o patamar de 110.683 postos de trabalho, sem considerar terceirizados e temporários, para 103.763, com redução no contingente de empregados no PIM equivalente a 6,25%

Por outro lado, se a média dos desembolsos por funcionários com salários, encargos e benefícios, em 2011, era de US$ 1,954.37, neste ano caiu para US$ 1,453.16, reduzindo em 25,64% os gastos das empresas neste item. Só entre 2014 e 2015, esses gastos foram enxugados em 16,50% ao passar de US$ 1,740.49 em 2014, para os US$ 1,453.16 atuais.

O arrocho, porém, não tempo determinado para acabar.

Publicação no Portal do Holanda em  13/10/2015

No ranking das inteligentes, Manaus está fora

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O uso da tecnologia para melhorar a qualidade de vida dos habitantes das cidades brasileiras está começando, mas são poucas aquelas que já detêm nível razoável e onde problemas do dia-a-dia contem com a intervenção dessa ferramenta para resolvê-los ou reduzir o impacto negativo desses gargalos na vida da cidade.

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Trabalho elaborado pela consultoria Urbam System, com a análise de 70 indicadores aplicados a 700 municípios brasileiros resultou no ranking das 50 cidades mais inteligentes do Brasil, mas nenhuma cidade da região Norte conseguiu ser classificada entre essas.

Pela indicadores , já dá para ver porque Manaus não conseguiu fazer parte da elite das cidades inteligentes do país

A nota máxima que pode ser conseguida para entrar no ranking é de 63 pontos, mas a cidade mais inteligente do Brasil, o Rio de Janeiro, só conseguiu 29,99 pontos, isto é, menos de 50% do máximo possível.
Entre os indicadores analisados estão itens ligados à economia, educação, empreendedorismo, energia, governança, meio ambiente, mobilidade, planejamento urbano, saúde, segurança e tecnologia.
Pela amostra dos indicadores listados acima, já dá para ver porque Manaus não conseguiu fazer parte da elite das cidades inteligentes do país, com desempenho sofrível em energia, mobilidade urbana, educação e outros mais, como o serviço de internet, item principal para que um centro urbano possa se conectar ao mundo e usar essa tecnologia em diversas aplicações com o objetivo de atrair investimentos, melhorar a qualidade de vida da população e oferecer serviços públicos melhores.
A cidade do Rio de Janeiro, com cerca de 6,5 milhões de habitantes, dispõe de 1.000 câmeras espalhadas por suas ruas. Com esse equipamento, a cidade é monitorada e seus operadores têm a possibilidade de alertar a população para riscos de desabamento em épocas de chuvas, organizar o trânsito e até indicar onde é necessária a troca de uma prosaica lâmpada nas ruas da Cidade Maravilhosa.
Manaus tem menos de um terço da população do Rio de Janeiro e, apesar da existência de um centro integrado que utiliza tecnologia da informação de forma intensiva, ainda não conseguiu sair do estágio inicial na aplicação desse meio técnico e transformá-lo em serviço à sociedade, como bem prova a fumaça que, desde quinta-feira, tomou conta da capital.
De outro lado, a frota de veículos que trabalha na segurança pública, mesmo tendo meios tecnológicos e de comunicação para oferecer um combate à violência de maior envergadura, lá na ponta do enfrentamento à bandidagem os operadores simplesmente desligam as câmeras que poderiam oferecer suporte quanto à legalidade dos atos tanto aos policiais, quanto às pessoas que são abordadas ou presas nas operações.
Os especialistas no tema cidade inteligente já constataram que áreas assim classificadas atraem tanto investimentos quanto capital humano, dadas as condições de oferta de infraestrutura integrada com tecnologia, comunicação e sustentabilidade, ao dar atenção ao meio ambiente.
Embora em um percurso de 11 quilômetros entre a Cidade Nova, na zona Norte, até o bairro Japiim, na zona Sul, seja possível passar por cinco áreas de conservação, a cidade tem pouco verde em suas ruas, o que transparece de forma dramática como   temperaturas altas neste período do ano.
Se o próximo administrador de Manaus mantiver as iniciativas da gestão atual, é possível que no longo prazo Manaus se torne uma cidade inteligente, mesmo assim, vai levar um bom tempo.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 06/10/2015