Durante pedalada, Dilma vira salvadora de ciclista

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A presidente Dilma Rousseff fez uma boa ação nesta quarta-feira, durante sua pedalada matinal. Ao ver um ciclista ferido, que momentos antes atropelara um cachorro, ela resolveu esperar pelo socorro do Samu ao lado do ciclista. Muito legal.

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A presidente está de visual mais enxuto, magra e, quem sabe, até mais elegante com sua silhueta mais esbelta. Ponto para a presidente que, de repente, viu no esporte a maneira de baixar o estresse, ao mesmo tempo em que malha o corpo.

O Brasil, que ela administra, poderia, também, estar com a silhueta mais afilada, caso a presidente tivesse assumido a postura proativa de ouvir economistas e mesmos alguns, poucos, diga-se, assessores que tiveram a ousadia de lhe mostrar o buraco para o qual o Brasil estava sendo empurrado com a política econômica que privilegiou o consumo e o gasto público sem freio.

O ciclista ferido que ela encontrou na rua nesta quarta-feira, lá atrás, poderia ter sido o Brasil, ferido também por pedaladas que, dizem os técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), foram aplicadas para mostrar um balanço azul quando o buraco já era bem maior que R$ 30 bilhões.

O país já teve um presidente-atleta que não aguentou o rojão dos caras-pintadas e foi apeado do poder lá pelos anos 1990. Também foi vítima de uma tal CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira -, que de tão provisória, durou 10 anos e só acabou quando o Congresso Nacional assim resolveu.

Criticadíssima pelo então candidato a ser presidente da República, Lula da Silva, agora o mesmo expediente de buscar no bolso do contribuinte a grana para pagar o rombo do populismo lulo-petista está sendo aplicado pela presidente Dilma, embora seus ministros avisem que, dessa vez, só vai durar 4 anos. Mas a mordida, alega outro ministro do governo petista, é pequena, bem miudinha, a população, que segundo esse tal ministro, está preparada para pagar o tributo, nem vai sentir, afirma.

O que ninguém na equipe econômica ou qualquer outra do governo Dilma diz é que essa mordidinha é um tributo em cascata, que se acumula ao longo da cadeia de produção ou de serviço e vai onerar todos os consumidores, já que as empresas têm mecanismos para repassar a tal mordidinha para os preços de seus produtos ou serviços.

Enquanto a população amarga os juros que devem estar entre os mais altos do mundo, vê seu poder de compra cair sob o embalo da inflação que se encaminha para os dois dígitos, a presidente rouba a cena para aparecer como a salvadora… do ciclista.

Pobre Brasil e brasileiros.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 16/09/2015

Mato queimado com demãos de cal

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Quase acredito no discurso da presidente Dilma Rousseff lá no interior do Ceará, em Caucaia, para ser mais exato. O local parece ter sido escolhido a dedo pela assessoria presidencial, a qual, agora já se sabe, também parece querer ver a presidente de costas.

O município cearense onde a presidente resolveu se pronunciar à nação e avisar que o país vai vencer a crise “sem um nadinha de ódio e de amargura” tem 1.227 quilômetros quadrados e nasceu, oficialmente, em 1759. Dilma Rousseff ganhou aplausos por lá: foi inaugurar um conjunto habitacional para o município da região metropolitana de Fortaleza que tem cerca de 350 mil habitantes.

Vivemos tempos nos quais o respeito fugiu não se sabe para onde e, aquele gesto de antigamente, do filho pedindo a bênção do pai ou da mãe se perdeu também

Mas, voltando à assessoria que parece querer ver Dilma fora do Planalto e sem nenhuma reserva contra o município cearense, vejamos a palavra Caucaia. Será que houve um desejo implícito para que a presidente caia fora do Palácio do Planalto? Além disso, tem a sílaba inicial do nome: cau, logo vira cal. Quer dizer, cai fora e passa uma demão de cal nisso tudo? Pois é, com tanta coisa ruim nesse governo, teriam que ser várias demãos de cal…Porém, Caucaia, em língua indígena, quer dizer mato queimado, ou simplesmente, queimado. Faz sentido.

Por outro lado, para quem acha que exagero ao dizer que a assessoria presidencial não quer saber da presidente, basta assistir o vídeo da cerimônia no Palácio do Planalto, na quinta-feira, 27, quando, após ser anunciada pelo cerimonial da casa, Dilma Rousseff foi barrada por um dos integrantes da equipe que organizava o evento. Ninguém teve cerimônia com a “presidenta”: foi barrada em sua casa e nem era “aquela” festa.

Vivemos tempos nos quais o respeito fugiu não se sabe para onde e, aquele gesto de antigamente, do filho pedindo a bênção do pai ou da mãe se perdeu também. A presidente, bem ou mal, é a presidente do Brasil, e nem assim ficou isenta de ser barrada por um auxiliar. Como diria seu mentor e conselheiro, Luiz Inácio Lula da Silva, “nunca antes na história deste país…” E, nesse caso, não seria o desconhecimento da história do país.

Ao contrário do que pensa a escritora Lya Luft, para quem o país se repete e os fatos criam uma sensação de déjà vu, de terem sido vistos em outra ocasião, o Brasil não se repete, não tanto. Por exemplo, até a semana passada, era pouco provável que o ex-presidente Lula da Silva, supostamente garoto-propaganda de uma das empreiteiras mais enroladas na operação Lava-Jato, fosse constrangido a depor.

Mas, pelo que informa a revista semanal do grupo empresarial Globo, o ex-presidente pode estar, em alguma instância, envolvido em tráfico de influência internacional. E aí, de novo, o refrão criado pelo próprio, tem toda razão de ser utilizado, uma vez que “nunca antes na história deste país” tal fato aconteceu.

No entanto, retomando pronunciamentos presidenciais feitos na semana passada, se a escritora Lya Luft se engana quanto à sensação de déjà vu, a presidente se entregou ao dizer que, durante a campanha eleitoral de 2014 não havia como saber que a crise seria tão forte no Brasil.

Fica no ar questão das mais complexas: por que a presidente não sabia? Afinal, pelo menos uma fonte antecipou tudo que está acontecendo no país.  Relatório da empresa Empiricus, intitulado “O Fim do Brasil” e assinado por Felipe Miranda, dava conta da situação e mostrava perspectivas pessimistas sobre a economia brasileira.Afinal, Aécio Neves cantou a pedra durante toda a campanha eleitoral e foi demonizado pela presidente.

A questão complexa que fica pendente é: Para que serve a Agência Brasileira de Inteligência (Abin)?

Pelo que diz a presidente, que não mente, nunca, jamais mentiu, a tal agência deve ser mais um órgão devidamente aparelhado por camaradas.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 01/09/2015

Delinquência institucionalizada

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A cada etapa da operação Lava-Jato, mais sujeira é descoberta sob os tapetes daquela que já foi a mais importante empresa do país, mas que, ao ser aparelhada para outros fins que não o de seus objetivos sociais, perdeu valor de mercado, competitividade, além dos bilhões de dólares que foram parar em bolsos de políticos e empresários de caráter, no mínimo, duvidoso.
Dessa vez a sujeira vem a público a partir de procedimentos do Tribunal de Contas da União (TCU) que descobriu ser sistêmica a prática de sobrepreços na Petrobras a partir de 2007, quando o TCU começou a monitorar contratos daquela companhia.

Se a delinquência está (ou esteve) institucionalizada na Petrobras, é preocupante. Porém, existem outras situações sobre as quais pouco ou nada se fala sobre a gestão

O caso mais marcante, até agora, é o da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, em parte do contrato de R$ 3,8 bilhões. As irregularidades encontradas pelo TCU o levaram a recomendar, ao Congresso Nacional, que suspendesse a obra em 2010.
No entanto, o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva mandou continuar a construção da refinaria.
Naquele ano de 2010, até 31 de março, o ministro das Minas e Energia, ao qual a Petrobras está subordinada, era o senador Edison Lobão. Na mesma data, Lobão entregou o cargo a Márcio Zimmermann, que o devolveu a Lobão em 2011.
De acordo com informações do jornal paulista Folha de S.Paulo, o TCU teria encontrado irregularidades em 185 itens, de 190 analisados, nas notas fiscais emitidas pelo consórcio que constroi a Abreu Lima, onde uma das integrantes é a Camargo Corrêa.
Ali os problemas encontrados estão nos valores pagos e naqueles apresentados no documento fiscal, onde os preços são menores que aqueles pagos às empreiteiras. Como é o caso de uma tubulação pela qual a Petrobras pagou R$ 24,3 mil e que foi comprada por R$ 4,3 mil.
Há casos, citados pelo jornal paulista, em que o item adquirido por R$ 9.684, um compressor a diesel, o documento fiscal aponta despesa de apenas R$ 70 com o equipamento.
São flagrantes desse naipe que levaram à conclusão, pelo TCU, de que a prática de sobrepreço na Petrobras era pagar o dobro, embora existam casos onde o superfaturamento subiu a mais de 13.000%.
Não é de estranhar, então, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso Mello, tenha qualificado a corrupção na Petrobras como “delinquência institucional”, tamanho o descalabro contra o bolso do contribuinte.
Se a delinquência está (ou esteve) institucionalizada na Petrobras, é preocupante. Porém, existem outras situações sobre as quais pouco ou nada se fala sobre a gestão, como é o caso do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), cuja remuneração, para o trabalhador, o deixa com rendimentos inferiores à poupança, mas a aplicação dos recursos no mercado não tem nenhuma transparência.
Enquanto isso, ao trabalhador que perde seu emprego é colocado em dificuldade para acessar o auxílio-desemprego, mesmo ao se considerar o crescimento na poda dos postos de trabalho que está acontecendo no Brasil, em que a crise econômica desestimula investidores a aplicar recursos no país e a baixa no consumo derruba as vendas, levando as empresas a conter gastos e demitir.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 25/08/2015

Protestos e toadas de bumbá na Djalma Batista

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Motivos para protestar foi o que não faltou aos manifestantes que foram à ruas de Manaus demonstrar a sua inconformidade com os rumos do país nos últimos tempos em função da má gestão do governo petista, com os consequentes prejuízos à população que enfrenta a má qualidade dos serviços públicos agravada por fatores como desemprego.

O brasileiro sabe ser possível ao povo que elege um político, também destituí-lo

No entanto, se a maior parte dos manifestantes estava antenada com os erros cometidos pelo governo de Dilma Rousseff e outros que já vêm de seu antecessor, como a opção por aquilo que os petistas denominaram de nova matriz econômica, deixando de lado o tripé básico para ampliar os gastos públicos, a intervenção do Estado na economia, além de deixar correr frouxa a inflação.
Outras medidas também concorreram para pôr o país na situação de crise econômica como o controle de preços e até mesmo a utilização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como sócio na criação de grande grupos empresariais. Isto sem falar na endêmica corrupção, agora institucionalizada, e na crise política.
Em que pesem essas medidas como motivos para os manifestantes mostrarem seu desagrado com o governo, o que pegou mesmo, pelo menos em Manaus, foi o apelo anticorrupção e o peso da inflação no bolso dos brasileiros.
De outro lado, gente que já foi apoio e sustentação do PT e do lulismo caiu em si e mudou de lado ao ver o descalabro na administração e o reflexo disso na sua renda, no seu bolso, como é o caso de funcionários públicos que se armaram de faixas e cartazes para reivindicar, além do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o reajuste de seus salários, corroídos pela inflação, cuja defasagem, dizem, está próximo dos 30%.
Se há motivos legítimos para descontentamento com o governo, existes também aquelas reivindicações que podem ser classificadas, no mínimo, como sem propósito. É o caso, por exemplo, de quem quer a volta dos militares por achar que não haveria políticos capazes de colocar o país nos eixos, novamente. Ora, homens, independente da profissão, são falhos pela própria natureza e nada garante que um militar, como já aconteceu no  passado, esteja isento de cometer erros.
A democracia, o voto, as eleições e a harmonia entre – embora às vezes a desarmonia momentânea possa ocorrer – os poderes é que garantem o funcionamento das instituições, e nesse aspecto o país tem caminhado firme nas últimas décadas. Logo, ter a pretensão de pôr o país sob a tutela militar é um equívoco.
Os manifestantes da avenida Djalma Batista acrescentaram tempero no protesto ao montar letras que exprimiam sua insatisfação, ao mesmo tempo que cultivaram uma característica muito amazonense ao cantar essas reivindicações no ritmo contagiante das toadas dos bumbás de Parintins. E aí, a avenida, toda em verde e amarelo, esqueceu a rivalidade “bovina” para mostrar a unidade contra o descalabro na administração pública.
Não passou despercebida, também, a vontade de tirar o crime organizado, e muito bem organizado, que infesta o país e, entre outros males, conseguiu detonar a maior empresa brasileira, a Petrobras, cujas ações despencaram em mais de dois terços, obviamente com a ajuda, neste caso específico, da conjuntura internacional a jogar o preço do petróleo para o chão.
Por fim, cabe lembrar que a suposta ligação do ex-presidente Lula com ilegalidades junto a empreiteiras investigadas pelo juiz Sérgio Moro, na operação Lava-Jato, acabou por dar um toque novo às manifestações, uma vez que até então o ex-presidente não fora alvo desse tipo de conexão indecente.
Aos que julgam que o número de pessoas nas ruas é que conta, fica o lembrete que o próprio ex-presidente Lula fez, à época do impeachment de Fernando Color, ao dizer que o brasileiro sabe ser possível ao povo que elege um político, também destituí-lo. Tudo, obviamente, conforme as leis e em conformidade com a democracia.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 18/08/2015

Dez motivos para protestar dia 16 de agosto 

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No próximo domingo, dia 16 de agosto, brasileiros, pobres ou ricos, de todas as raças, idade e credos vão, mais uma vez, às ruas protestar contra o desgoverno da presidente Dilma Rousseff, no particular, e, no geral, contra a permanência do PT dirigindo o destino do Brasil. 

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A velha tática de negar a realidade usada desde sempre pelo ex-presidente Lula da Silva e seus simpatizantes caiu por terra e até petistas de raiz já não conseguem deixar de ver o que o governo – ou desgoverno – atual deixou de fazer para o país estar em situação calamitosa, quando a política e a economia enfrentam uma crise agravada por corrupção no alto escalão do governo. 

Se a inflação reduz a quantidade de comida que um pai de família pode levar para sua casa, a taxa de juros concorre para complicar mais ainda a vida dos brasileiro

Motivos para ir às ruas é que não faltam aos brasileiros e brasileiras, acuados por uma inflação que, até julho de 2015, já atingiu 6,83% e se aproxima, no acumulado de 12 meses, dos dois dígitos, pois o IPCA, nesse período, é de 9,56%. 

Se a inflação reduz a quantidade de comida que um pai de família pode levar para sua casa, a taxa de juros concorre para complicar mais ainda a vida dos brasileiros. Com a Selic, a taxa básica de juros, em 14,15% a.a., quem quiser fazer um empréstimo bancário não vai conseguir pagar menos do que 56% a.a. na Caixa Econômica Federal, enquanto no Banco do Brasil não fica por menos de 71,58%, no Itaú Unibanco são 86,33% e o Bradesco está cobrando “módicos” 100,88 % a.a. Isso só para falar dos maiores bancos. 

Quer mais alguns motivos para ir protestar no dia 16? É só pensar no preço dos combustíveis, que faz as pessoas diminuírem o uso de seus carros, ou da energia que agora, no desgoverno do PT, também aumenta retroativamente por aqui, com a implantação das tais bandeiras, mesmo que o sistema de Manaus não esteja ligado completamente ao sistema nacional. 

Mas a gestão atual fez pior quando empresários, investidores e analistas perderam a confiança no governo. Resultado: as torneiras dos investimentos praticamente secaram, o país está às vésperas de perder o grau de investimento, enquanto, na hora de cortar gastos, a tesoura elegeu cortes prioritários na saúde, que já anda capenga pelo país todo, e na educação, onde o país fica nas posições finais de qualquer ranking internacional. 

Outra razão para ir às ruas no dia 16 de agosto é lembrar do estelionato eleitoral, quando a então candidata demonizou o postulante da oposição que pregava a necessidade de fazer ajuste na economia, conter gastos públicos, manter metas do superávit primário. Nada disso seria feito,pregou a então candidata, mas entre as medidas tomadas pelo governo dos trabalhadores foi justamente dificultar a obtenção de benefícios como auxílio-desemprego e aposentadoria. 

Por falar em desemprego, o país já perdeu mais de 600 mil postos de trabalho neste ano, enquanto as filas para tentar obter o tal auxílio-desempregocrescem, sem falar no período de carência que o governo petista aumentou para 12 meses. 

O crescimento do país, cuja meta inicial era de 2%, foi caindo, chegou a 0,8% e, agora, a previsão é de uma recessão de 2%. Quer dizer, a meta foi mantida, só que no vermelho. Mas para uma presidente que propõe meta aberta, vale qualquer coisa. 

Por fim cabe lembrar que a presidente, mesmo dizendo que ninguém lhe vai tirar a legitimidade conferida pelas urnas, ela mesma a perdeu quando mentiu durante a campanha e fez tudo ao contrário do que prometera.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 11/08/2015

Redes sociais perdem credibilidade

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Em meados de 2014, o Instituto Máquina da Pesquisa realizou a 4ª edição do estudo “Impacto das Mídias”, divulgado após as manifestações populares que aconteceram naquele ano, organizadas por meio das redes sociais. O estudo é voltado para aferir que tipos de mídia e veículos de informações são acessados com mais frequência por executivos de grandes empresas com o objetivo de obter informações que melhor os situem para a tomada de decisão.

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Conforme a metodologia utilizada na pesquisa, foram ouvidos 226 executivos de 137 empresas do país, as quais são responsáveis por R$ 433 bilhões em faturamento. Do universo de pessoas ouvidas, 96% acessam as redes sociais. A rede social mais acessada é o Facebook que detém 87% dos acessos feitos pelos executivos ouvidos.

A maioria dos entrevistados pelo Instituto Máquina da Pesquisa, 51%, veem a notícia como o gênero informativo mais confiável e 61% consideram que o nível da imprensa melhorou ou se manteve inalterado desde 2011, ano da pesquisa anterior e período a partir do qual as redes sociais se consolidaram no Brasil.

Conforme o estudo, apesar de se informarem pela internet, acompanhando as notícias veiculadas pela web, 49% asseguram que não abrem mão de ler jornais e revistas no formato tradicional, isto é, impressos.

A sondagem dos executivos, no entanto, também quis saber as expectativas, em 2014, sobre o ano de 2015 e os entrevistados, infelizmente, não se enganaram. Pelo menos 57% acreditavam, à época, que a economia iria piorar depois dos jogos da Copa do Mundo e das eleições. Não deu outra.

Quando indagados acerca do maior problema que o país enfrenta e que impede ou reduz o ímpeto de crescimento, a atávica corrupção brasileira foi citada por nada menos que 70% dos entrevistados e o Mensalão, assim como as 15 fases, até agora, da operação Lava-Jato estão aí para corroborar essa percepção.

Para aqueles que consideram as redes sociais meios superpoderosos para disseminar informações, no entanto, os resultados garimpados pelo estudo “Impacto das Mídias” põe um chega pra lá nesse tipo de expectativa, pelo menos entre executivos de grandes empresas a partir do nível de gerência/supervisão.

Se, por um lado, entre os tomadores de decisão, o uso de redes sociais está disseminado com a utilização diária por 61%, enquanto apenas 4% afirmaram não utilizá-las nunca, de outro, não dá para deixar de lado a constatação de que veículos impressos perdem terreno a cada estudo divulgado. Neste caso, o uso diário de jornais impressos para consumir informação é feito por 42%, enquanto 5% afirmaram nunca utilizá-los. Porém, a versão digital dos jornais é vista, diariamente, por 46% dos entrevistados.

Onde veículos impressos como jornais e revistas estão bem é na credibilidade. Se na 3ª edição da pesquisa, em 2011, 18,6% dos executivos viam as redes sociais com credibilidade, esse número caiu quase dois terços e agora apenas 7% ainda mantêm esse ponto de vista, enquanto os jornais impressos, na contramão na baixa da tiragem, passaram de 75,9%, que indicavam esse meio como confiável em 2011, para 81% na última pesquisa.

Como se vê, embora os impressos enfrentem dificuldades, não vai ser, por enquanto, as redes sociais que vão extingui-los. Mesmo assim, é oportuno lembrar do tema do 20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, sobre os impressos: “Ou você muda. Ou mudam você”, e também da advertência do presidente do evento, Roberto Duailibi, para quem o crescimento dos meios digitais é incontrolável, assim como a queda dos meios impressos.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 28/07/2015

Promessas de sempre e o desemprego atual

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Depois de 56 dias de greve, o Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa) decidiu pôr fim ao movimento paredista sem que, até onde se sabe, tenham obtido qualquer ganho. No entanto o movimento perdeu força depois que técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), amparados por medida judicial, fizeram o serviço de liberação de quase mil unidades de carga que estavam à espera de ser desembaraçadas.

Se do lado dos servidores da Suframa o que restou foram as promessas de sempre, desta vez sob o artifício de que os sindicalistas deram um voto de confiança aos parlamentares dos cinco Estados afetados pela greve – Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima– do lado do Estado, da indústria e da própria cidade de Manaus não foram poucos, nem pequenos, os prejuízos causados pela paralisação.

 

O Amazonas perdeu na arrecadação e a indústria calcula em cerca de US$ 5 bilhões as perdas em função da greve dos servidores da Suframa, cujo movimento sofreu impacto da ação do governo estadual no momento em que fiscais da Sefazforam mobilizados para liberar carretas, contêineres, entre outros, a fim de não paralisar ainda mais a atividade econômica no Amazonas.

 

Outra consequência que a greve trouxe foi a desatualização dos dados, normalmente informados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus, com a divulgação mensal dos indicadores industriais. A última edição publicada se refere ao mês de março de 2015.

Em ano de crise, recessão, desemprego e queda nos salários, a informação ganha maior valor, pois é de importância crucial para nortear o planejamento de entidades públicas e do setor privado. Desatualizados os dados, o que é ruim, como o desempenho da atividade econômica abaixo do esperado e com estimativas de analistas avaliando que o produto interno bruto (PIB) deste ano deve ser negativo em mais de 1,5%, as expectativas só pioram.

 

Se a Suframa, por força da greve, deixou de atualizar os indicadores, nem por isso as más notícias deixam de chegar por outras vias, como é o caso do Cagedreferente ao mês de junho, divulgado na sexta-feira, e que mostra o crescimento das perdas dos postos de trabalho pelo país afora.

 

No Amazonas, a contabilidade do extermínio de vagas, assim como o destino da Suframa, preocupam mais do que o normal. Em 12 meses, conforme informações do Caged, foram detonadas 17.412 vagas. Deste total, as maiores perdas aconteceram em 2015, quando 16.951 foram ceifadas no primeiro semestre, das quais 3.859 aconteceram no mês de junho. Os números, se trabalhados pela média, dá como medida um corte mensal de 2.825 vagas.

 

Agora, infelizmente, vêm as péssimas notícias, já que as anteriores eram as más. Assim, como parte do ajuste fiscal ainda está por ser aprovado no Congresso Nacional, a expectativa da inflação continua a indicar demora em baixar o nívelatual, além da conjuntura política tornar o ambiente de negócios complicado para investidores, só se pode dizer, por enquanto, que o túnel deve ser escavado a fim de que a luz, quem sabe no fim de 2016, possa ser avistada.

Se depender de más notícias, mensageiro morre

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No Planalto e imediações, a conjuntura política continua desfavorável para a presidente, apesar de suas viagens internacionais e das tentativas de lavar as mãos sobre os casos de corrupção que aparecem a cada delação premiada que os procuradores e o juiz federal Sérgio Moro ouvem.

Se a política tem trazido dissabores para a presidente Dilma Rousseff, pior ainda é a economia, onde o acúmulo de pisadas na bola ocorrido no primeiro mandato da petista abriu a represa de notícias ruins para a população com desemprego, inflação próxima dos dois dígitos e os juros, mais altos que voo em altitude de cruzeiro, só fazem a festa dos banqueiros, para variar.

Para a indústria de Manaus, as más notícias também desembarcam nas páginas do anuário Melhores e Maiores 2015, da revista Exame

Quanto às boas notícias, só tem a que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira, 10, de que a produção industrial no Brasil deu um soluço em maio e cresceu incríveis 0,6%. O mensageiro, no entanto, corre o risco de morrer, pois junto à boa nova entregou outras nem tanto.

No comparativo entre maio de 2014/15, informa o IBGE, a produção industrial caiu 8,8%, enquanto no acumulado de janeiro a maio, a baixa foi de 6,9% e, em 12 meses, a queda foi um pouco menor: 5,3%.

Enquanto no Planalto a presidente diz que não cai, mas precisa ser ajudada, na planície o que se tem são os processos remanescentes da campanha eleitoral de 2014, da coligação do atual ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, contra o governador José Melo, que entram na pauta do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas.

A economia por aqui acompanha a conjuntura nacional e o Distrito Industrial continua em baixa como atestam os números do IBGE sobre a produção da indústria local, responsável por 37,3% do produto interno bruto (PIB).

Conforme aquele instituto, em maio a produção da ZFM cresceu 2,6%, mas os outros três comparativos são todos negativos. Entre maio de 2014 e mesmo mês deste ano, a produção da indústria incentivada caiu 13,7%. No acumulado entre janeiro e maio de 2015, a atividade do setor despencou 17,3%. Já o acumulado de 12 meses é menos ruim: queda de 13%.

A consequência da baixa na produção da Zona Franca de Manaus repercutiu em perda de arrecadação do ICMS no Estado do Amazonas. Se no primeiro trimestre a estimativa era de perder cerca de R$ 237 milhões em receitas, junho, conforme números da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) consolidou perdas de R$ 251 milhões. Ao governador restou empunhar o instrumento do alfaiate e emplacar mais uma série de cortes definidos no sábado, dia 4 de julho.

Para a indústria de Manaus, as más notícias também desembarcam nas páginas do anuário Melhores e Maiores 2015, da revista Exame, que compara o desempenho das empresas em 2013 e 2014. O Amazonas, que em edições anteriores já emplacou número próximo de 20 empresas entre as 500 maiores, nesta edição só conseguiu incluir dez e apenas a Samsung ficou entre as 20 maiores, ocupando a 19ª posição, com recuo de duas, pois em 2014 era 17ª maior.

Das dez listadas em Melhores e Maiores, cinco subiram posições, quatro perderam posições com desempenho pior em 2014 e uma, a Digibras, entrou no ranking em 384º lugar.

Por fim, cabe registrar que se 2015 está ruim, nada indica que 2016 traga melhores notícias, até pelo prazo, nada curto, que os ajustes a serem feitos na economia vão demandar.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 14/07/2015

Peso do volume morto

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O fim de semana, que  está sendo considerado por muitas pessoas também o fim dos dias para o Partido dos Trabalhadores (PT) e suas lideranças principais, como o ex-presidente Lula da Silva e a atual inquilina do Planalto, Dilma Rousseff, começou com a prisão, na sexta-feira, 19, de dois executivos das maiores empreiteiras do Brasil, Andrade Gutierrez e Odebrecht.

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Quem duvida da seriedade dos fatos que aconteceram na sexta-feira, com a 14ª fase da operação Lava-Jato, pode fazer um paralelo com o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, onde o Ibovespa, principal índice, fechou em queda de 0,90% aos 53.749 pontos. O impacto da prisão, em termos de Bolsa de Valores, foi que o papel da Brasken, controladora da Odebrecht, caiu mais de 10% no pregão de sexta-feira.

Para variar, Lula da Silva usou outra de suas metáforas ao tentar explicar a conjuntura política ao dizer que ele e Dilma Rousseff estão no volume morto

Mas o governo de Dilma Rousseff também se defrontou com a inusitada decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de dar prazo de 30 dias para que a prestação de contas do exercício de 2014 apresente explicações sobre 13 – número absolutamente petista – ações, conhecidas como ‘pedaladas fiscais’, que maquiaram os resultados apresentados no documento.

De outro lado, enquanto um dos empreiteiros ligados à Odebrecht ameaça abrir o bico e detonar a república do PT ao dizer que, se falar vai atingir o ex-presidente e também Dilma Rousseff, o próprio Lula comentou que, agora, os próximos alvos dos investigadores da operação Lava-Jato seriam ele e a presidente.

Às más notícias que encerraram a semana da presidente Dilma Rousseff e seu governo, resta acrescentar o resultado da Pesquisa DataFolha onde o oposicionista Aécio Neves (PSBD) tem 35% da preferência do eleitorado e, caso eleição fosse agora, poderia se eleger. Enquanto o tucano comemora a posição favorável,  Dilma Rousseff amarga rejeição de 65% dos entrevistados que classificam seu segundo mandato como ruim ou péssimo.

Pior do que esse índice de rejeição, dizem os analistas, só o atingido pela administração ex-presidente Collor de Mello, às vésperas de ser despejado do Planalto, que atingiu 68%.
Para variar, Lula da Silva usou outra de suas metáforas ao tentar explicar a conjuntura política ao dizer que ele e Dilma Rousseff estão no volume morto.

Se a metáfora pode ter fácil entendimento para quem convive com o noticiário sobre a seca que aflige São Paulo há algum tempo, para outros cabe esclarecer que volume morto é uma reserva técnica – de água – localizada abaixo do nível das comportas e, no caso de São Paulo, nunca havia sido usada até o estado crítico da estiagem de 2014 naquela cidade.

No caso de Lula, que em outras condições usou essa figura de linguagem para comparar o Brasil a uma churrascaria e criticar seus opositores que exigiam o cumprimento de promessas de campanha e de outros compromissos assumidos pelo então presidente, não parece que ele possa ser classificado como uma reserva técnica para solucionar a crise na qual, a cada dia, mais se envolve o novo mandato de Dilma Rousseff, cuja maior realização parece ser ter conseguido, em menos de seis meses, ter a popularidade abaixo dos níveis das comportas de Cantareira.

Até o momento em que este artigo foi escrito, o fim dos dias da república do PT, anunciado pelo patriarca dos Odebrecht, não se concretizara, mas a investigação da Lava-Jato, assim como a estiagem paulista, é longa e persistente, a indicar que com água ou petróleo, o Brasil pode estar mudando ao punir aqueles que sempre se consideraram não só acima de suspeitas, assim como da própria lei, como bem ilustra o título dado à 14ª fase da operação Lava-Jato:  Erga Omnes, ou “vale para todos”.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 23/06/2015

Cavalo de Troia na aposentadoria

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A renda do trabalhador está sempre sob controle de outro agente que não é ele. Quando busca emprego, a determinação vem da empresa e até os mais bem preparados, às vezes, perdem o emprego, mesmo que temporariamente, e ficam sem renda.

 

APOSENTADORIA-

A busca de emprego é mais dramática à medida que a idade do trabalhador avança. Mesmo com a experiência acumulada ao longo de uma vida de trabalho, a tendência e ter menos oportunidades de emprego, com o agravante de ter a remuneração em queda.

Se o horizonte é desfrutar de uma aposentadoria, não será o benefício pago pela Previdência que vai oferecer essa condição ao trabalhador, o qual, desde o governo de Fernando Collor, que em novembro de 1991 criou o fator previdenciário, vê o valor do benefício ser reduzido se não tiver tempo de contribuição e idade especificados nos textos legais.

Vai ver que a ideia é pôr todo mundo para trabalhar mais, a fim de alimentar os malfeitos que surgem a cada operação da Polícia Federal em busca de gatunos

À época da implantação do fator previdenciário, quem mais gritou contra foi o Partido dos Trabalhadores (PT), cujos integrantes também se insurgiram quando, em 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso deu outra mexida no tal fator, evidentemente para desencorajar aposentadorias de quem ainda poderia continuar no batente, contribuindo para uma possível aposentadoria, quem sabe um ano antes de morrer.

Mas aí o PT vira governo, e ao completar o 13º ano de gestão – esse número é o próprio PT – resolve “melhorar” a vida dos trabalhadores ao propor mexida no cálculo do valor das aposentadorias com o objetivo de equilibrar a grana da Previdência, mas a briga política entre o governo e a base de apoio no Congresso Nacional findou por criar uma alternativa mais onerosa aos cofres públicos e dar um pouco alívio a quem vai se aposentar.

Porém, como se sabe, não existe almoço gráti, e aí quem quiser e tiver as condições de usufruir dessa brecha legal deve fazer o pedido de aposentadoria até dezembro de 2016. A partir daí, a combinação de idade mais tempo de serviço, que hoje deve somar 85 para as mulheres e 95 para os homens, passa a ser progressiva a cada ano até atingir 90 e 100, em 2022.

Trocando em miúdos, o trabalhador vai ter que trabalhar mais cinco anos, a partir de 2022, para conseguir obter, quem sabe, uma aposentadoria maior, surgida dos cálculos inacessíveis ao comum dos mortais.

Agora, quanto ao que é feito na administração dos bilionários recursos do INSS, que a cada mês arrecada mais de R$ 24 bilhões, pouco se sabe, embora os dados sobre esses recursos sejam escassos quanto às aplicações financeiras feitas com eles. Para se ter uma ideia, no site do INSS, os dados consolidados mais recentes que se consegue datam de 2013. Se tem algum mais recente, não está muito à vista.

No entanto, há que se registrar um fato sobre a gestão do Partido dos Trabalhadores com essa medida que amplia em mais cinco anos o tempo de serviço do trabalhador. Afinal, o partido é do trabalhador, vai ver que a ideia é pôr todo mundo para trabalhar mais, a fim de alimentar os malfeitos que surgem a cada operação da Polícia Federal em busca de gatunos que transitam, ou se escondem, sob o negro manto do petróleo de uma certa estatal brasileira.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 30/06/2015