Ciclovia sem uso e balsas perigosas

Tags

, , ,

IMG_4905-Porto-600

Em Manaus há locais com boa estrutura de equipamentos públicos que são pouco utilizados e outros, aonde a demanda por esses equipamentos é tão grande que deixa a população sem ter alternativas para satisfazer atividades de lazer ou de trabalho, e para não fugir de um problema histórico na cidade, envolve a logística e mobilidade.

Já no que se refere a alta demanda por equipamento público, não há exemplo mais emblemático, em Manaus, do que as balsas usadas no embarque e desembarque das pessoas que usam o transporte fluvial

A avenida Nathan Xavier, na Zona Norte, é o exemplo de uma estrutura cujo equipamento urbano ali inserido é pouco usado pela população de seu entorno. Projetada para ligar a Zona Norte à Zona Leste como alternativas às vias existente e sempre congestionadas pelo trânsito pesado, essa avenida inicia na avenida Governador José Lindoso (das Torres) e vai até o bairro Novo Aleixo.

A inovação por ali é que a avenida Nathan Xavier já foi construída com uma das três pistas sinalizada e destinada aos ciclistas, mas, ao que parece, estes não foram avisados, e a ciclovia, cerca de três quilômetros nos dois sentidos da via, por lá fica e vai sendo usada pelos veículos mesmo.

Chama mais a atenção o fato de que a avenida das Torres é sempre utilizada como palco para apresentação de shows, maratonas e demais atividades que envolvem a necessidade de espaços mais amplos, com isso, usuários que a utilizam como via de comunicação entre a Zona Norte e a Zona Sul, findam por perder agilidade quando eventos são realizados ali. Fato que se torna mais complicado na época do Carnaval.

É possível que a utilização da avenida Nathan Xavier para a realização desses eventos atenda de modo efetivo quem, hoje, recorre à avenida das Torres, com isso deixando livre para o tráfego a avenida Governador José Lindoso (Torres).

Já no que se refere a alta demanda por equipamento público, não há exemplo mais emblemático, em Manaus, do que as balsas usadas no embarque e desembarque das pessoas que usam o transporte fluvial como meio para sair ou chegar à capital do Amazonas e se veem obrigadas a se dirigir à Manaus Moderna para pegar um barco, ou ali são deixadas como ponto final da viagem de quem vem do interior.

O caso, ou caos, com perdão do trocadilho, se torna pior quando acontecem eventos como o Festival Folclórico de Parintins e os brincantes se aglomeram pela orla – orla, pois é, na falta de um nome mais apropriado para instalações tão precárias – com risco de cair n’água e se afogar, pela ausência de muretas de segurança ao longa da área onde ocorrem embarques e desembarques.

Se dar maior utilização ao espaço da avenida Nathan Xavier pode parecer ação prosaica, mas que impacta a vida de muita gente, dar instalações mais seguras para quem necessita usar as balsas localizadas atrás do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, como diria o “caboco”, já são outros quinhentos.

A dificuldade maior parece ser de quem é a responsabilidade pelas eventuais melhorias a ser construídas na área, além de ter que realocar, pelo menos durante a eventual construção de terminais fluviais dignos das pessoas que os frequentam, pequenos comerciantes e prestadores de serviços que ali trabalham, e não são poucos.

Enquanto isto não acontece, a vida, assim como o rio Negro, segue seu ritmo e a apatia por exigir melhorias ganha corpo entre quem ali exerce atividades remuneradas e os eventuais passageiros dos barcos que singram as estradas de água da Amazônia.

Boi não voa e a economia não decola

Tags

, , ,

caprichoso2017-IMG_4818

Embora seja notícia divulgada na quinta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é oportuno registrar o crescimento da taxa de desocupação entre os brasileiros no trimestre compreendido entre março a maio deste ano, apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-Contínua), que está em 13,3% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, que ficou em 13,2%.

Os agentes econômicos entrevistados pela pesquisa do BC ampliaram suas expectativas de inflação para os próximos 12 meses em três indicadores (IPCA, IGP-M, e IPC-Fipe) dos quatro índices levantados.

Isto significa que pelo menos 479 mil pessoas deixaram de trabalhar com carteira assinada entre os dois períodos. A situação fica mais dramática quando o comparativo da pesquisa do IBGE recai sobre o segundo trimestre de 2016. Por aí, cerca de 1,2 milhão de pessoas deixaram de ter emprego com carteira assinada.

De acordo com o IBGE, desde 2012, quando a taxa de desocupação no segundo trimestre do ano foi de 7,6%, é mantida a tendência de crescimento desse indicador, com uma ligeira redução apenas no exercício de 2014. O número de pessoas com carteira assinada no Brasil atinge 33,3 milhões.

As más notícias não param por aí, infelizmente. O relatório Focus, produzido semanalmente pelo Banco Central do Brasil (BC) também apurou dados negativos na pesquisa fechada na sexta-feira, 30 de junho.

Os agentes econômicos entrevistados pela pesquisa do BC ampliaram suas expectativas de inflação para os próximos 12 meses em três indicadores (IPCA, IGP-M, e IPC-Fipe) dos quatro índices levantados. No entanto, com o horizonte focado neste mês julho, o IPCA se mantém no mesmo nível das expectativas da semana anterior, enquanto os demais índices são vistos em queda.

De outro lado, o câmbio desperta expectativas de alta quando o horizonte é o ano de 2017 com ligeira variação, passando de R$ 3,32/dólar, para R$ 3,35/dólar na semana fechada na sexta-feira, 30. Para o exercício de 2018, a pesquisa Focus registra permanência de quatro semanas com o câmbio a R$ 3,40/dólar.

Mas se não há geração de empregos formais, como assinala a PNAD, e as expectativas para inflação e câmbio ainda não são as melhores, há outros fatores que podem demandar mais explicações para atual crise brasileira.

Na tarde de segunda-feira, 3, quando, por volta das 16h, foi divulgada a prisão do ex-ministro do governo Temer, Geddel Vieira Lima, a BMFBovespa operava em alta 0,37% e uma das ações com maior oscilação positiva era a da JBS ON, que subira, até aquele momento, 3,37%.

Esses dois fatos parecem indicar um descolamento da crise econômica, cujos agentes do setor privado têm procurado contornar, e a crise política, onde, a cada semana, mais fatos negativos trabalham contra a recuperação da economia, no que depender de inciativas do setor público, principalmente do governo federal, como as reformas da Previdência e trabalhistas, meio encalhadas no Congresso Nacional, enquanto o chefe do Executivo tem entre suas maiores preocupações a manutenção da cadeira presidencial.

Como está difícil tirar o Brasil do vermelho, a melhor coisa a se fazer, por enquanto, é festejar a vitória do boi Caprichoso, no festival de Parintins. Ali, o azul foi pura emoção, mas as apresentações do contrário também foram lindas e valorizaram a vitória do touro negro.

Poder concedente ou mediador?

Tags

, , ,

WP_20170626_010-WP-HP-380

Conforme aferido pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), nos 177 dias deste primeiro semestre de 2017, o transporte coletivo público teve 43 paralisações, incluída a desta segunda-feira, 26, quando 100% da frota não saiu das garagens no horário normal, deixando cerca de 800 mil usuários desse tipo de transporte sem condução para atender seus compromissos, seja de trabalho, educação, saúde ou lazer.

O caso presente se reveste de maior gravidade por se tratar de um movimento ilegal, efetivado à revelia do Tribunal Regional do Trabalho

Por esse balanço de paralisações oferecido pelo Sinetram, na média, o transporte coletivo público esteve paralisado a cada quatro dias, para atender o desejo de uma classe de trabalhadores e dirigentes sindicais que não respeitam seus usuários nem a lei e, a seu arbítrio, praticamente para a cidade e complica a vida dos habitantes de Manaus.

Pior do que o fato em si é a ausência de medidas, por parte do poder público, para coibir esse tipo de desserviço à cidade, já que as paralisações – legais ou ilegais – acontecem cada vez com maior frequência, apesar de majoração no preço da tarifa do serviço concedida pelo município, além dos subsídios oferecidos às empresas.

O caso presente se reveste de maior gravidade por se tratar de um movimento ilegal, efetivado à revelia do Tribunal Regional do Trabalho que, no domingo, 25, proibira qualquer movimento paredista por parte dos rodoviários de Manaus sob pena de sofrerem multa de R$ 100 mil por hora de paralisação.

O sindicato dos rodoviários, cujos representantes não foram encontrados na manhã de segunda-feira, pouco ou nada está ligando para as determinações da Justiça, que em nosso país, é tardia e falha em punir aqueles que descumprem as leis.

Ora, se a Justiça do Trabalho não for similar ao Ibama, que autua infratores com valores altos, mas quase nunca vê a cor do dinheiro das multas aplicadas, o sindicato dos rodoviários deve recolher pelo menos R$ 700 mil aos cofres públicos, considerando o tempo no qual o sistema de transporte público deixou de operar em Manaus nesta segunda-feira.

Na briga entre os rodoviários e o Sinetram, o qual alega não ter pendências com os trabalhadores, quem se torna refém é a população que só soube da paralisação no momento em que foi tomar a condução, já que não houve aviso prévio sobre o movimento paredista. Parece que vivemos em uma terra sem lei, onde cada qual dá seu jeito para obter vantagens.

De outro lado, também há quem diga se tratar de movimentos conectados a ação política, considerando os laços que unem a família do presidente do sindicato dos rodoviários, Givancir Oliveira, e seu irmão vereador, Jaildo dos Rodoviários, a grupos políticos em disputa nas eleições. Independente de tal suposição, o povo continua a sofrer nas paradas de ônibus, ao sol ou sob a chuva, já que grande parte delas nem cobertura tem, ou o ponto de parada se resume a uma placa.

Também chama a atenção a forma como o município aborda o problema das paralisações de ônibus em Manaus, uma vez que, em nota, a prefeitura municipal condicionou ouvir os rodoviários após o retorno da categoria ao trabalho.

Na mesma nota, a Prefeitura Municipal de Manaus afirma sempre ter agido como mediadora entre as empresas e os trabalhadores, para evitar prejuízo à população, às empresas e mesmo aos rodoviários. Só tem um senão aí: o município é o poder concedente e, em razão das falhas nos serviços, já deveria há mais tempo, ter tomado medidas mais severas para resguardar o direito da população e não apenas dos rodoviários ou das empresas de transporte público, como se vê com frequência.

Recursos contingenciáveis

Tags

, , , , ,

Suframa460

Até para os mais otimistas, existe um ditado, como se dizia antigamente, que não pode ser ignorado: as coisas sempre podem piorar. É o caso do imbróglio envolvendo o presidente Michel Miguel Temer e a delação feita contra ele pelos proprietários da JBS. Desta vez, o que incendiou o fim de semana não foi uma nova delação, mas entrevista concedida à revista semanal Época, onde o presidente sofre mais uma acusação grave feita por Joesley Batista.

Temer colocou a bancada federal do Amazonas em uma saia justa ao vetar partes do texto que institui duas taxas para manter as atividades da Suframa

O empresário do grupo JBS acusa Michel Temer de ser chefe “da quadrilha mais perigosa do Brasil”. O presidente deu entrada em ação por calúnia, injúria e difamação contra Batista, na segunda-feira, 19, e embarcou rumo à Rússia e depois à Noruega em busca de investidores que tragam recursos para o Brasil.

Mas, se Temer, por esse lado, quer atrair investidores e trabalha para isso em sua viagem ao exterior, por outro lado colocou a bancada federal do Amazonas em uma saia justa ao vetar partes do texto que institui duas taxas para manter as atividades da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) em substituição à que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Assim, Temer, que na Noruega vai enfatizar o papel daquele país como participante do Fundo Amazônia, na contramão retira recursos da região ao deixar fora do texto legal das taxas da Suframa a obrigatoriedade de não contingenciar os valores arrecadados pela Suframa. Em outras palavras, o tesouro da administração federal ganha fonte de recursos nos Estados mais pobres do Brasil.

Ao deixar os recursos da Suframa sujeitos ao contingenciamento, o veto presidencial parece estar direcionado, também, para apenar parlamentares da bancada amazonense que tenham deixado de lhe dar apoio no Congresso Nacional, votando contra ou deixando de votar medidas consideradas importantes pelo Planalto.

Assim, como alertávamos em texto do dia 30 de maio, acerca da possibilidade de o presidente Temer não sancionar o texto legal com presteza, o presidente, mesmo o fazendo, mantém sob rédea curta as receitas da Suframa, que poderia agir como agência de desenvolvimento regional caso tenha os recursos necessários para este fim devidamente assegurados. Não é o que parece.

Enquanto isso, os parlamentares da bancada do Amazonas nas duas casas do Congresso Nacional, devem, mais uma vez, reavaliar seu apoio ao governo de Michel Miguel Temer, de vez que acordos alinhavados com o governo Temer durante os debates sobre as taxas da Suframa não estão sendo honrados pelo chefe do Executivo.

Como dizíamos no início do texto, se para Michel Temer as coisas pioraram com o novo ataque desferido por Joesley Batista, no caso do Amazonas e dos demais Estados sob a jurisdição da Suframa, a situação se mantém como já ocorria antes da decisão do STF: A Suframa vai arrecadar os recursos, mas se poderá dispor deles para sua atividade-fim já é outro departamento, a ser decidido lá pelo Planalto.

Expectativas positivas, ainda

Tags

, , , , ,

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que geralmente corrige os preços de aluguéis, voltou a apresentar número negativo pela segunda vez consecutiva, no último mês de maio, quando ficou em -0,93%. No mês anterior, o IGP-M registrara queda nos preços de -1,1%. A última ocorrência de inflação negativa neste indicador aferido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) ocorrera em novembro de 2016.

Já a taxa básica de juros, Selic, em que pese o corte de um ponto percentual, passando de 11,25% para 10,25% ao ano, conforme decisão do Copom em 31 de maio, se mantém em 8,5%,

De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, publicada nesta segunda-feira, dia 5, a expectativa do mercado para indicadores de preço como IPCA, GP-DI e IPC-Fipe, também devem continuar a cair no exercício de 2017, enquanto esses mesmos agentes econômicos avaliam que, em 2018, com exceção do IPCA, os preços devem sofrer quedas na faixa dos 4,5%.  Em outras palavras, há pelo menos um mês, as expectativas do mercado em relação aos preços para 2018 foram estabilizadas nesse patamar.

Já a taxa básica de juros, Selic, em que pese o corte de um ponto percentual, passando de 11,25% para 10,25% ao ano, conforme decisão do Copom em 31 de maio, se mantém em 8,5%, tanto na expectativa para 2017 quanto para o próximo ano.

A julgar por esses indicadores e ainda pela visão dos agentes de mercado consultados pela pesquisa Focus no que diz respeito ao produto interno bruto (PIB) para 2017, o imbróglio político que envolve o presidente Michel Miguel Temer tem feito poucos estragos no mercado. A Focus registra crescimento do PIB em 0,5%, para este ano. Na semana anterior a expectativa era de 0,49%.

No Amazonas, a atividade do Polo Industrial de Manaus (PIM) continua a evoluir de forma positiva, conforme registram os Indicadores de Desempenho relativos ao primeiro trimestre deste ano. Por ali, o faturamento das indústrias com operações em Manaus teve expansão de 36% – em dólar -com faturamento de 5.98 bilhões medidos pela moeda norte-americana.

Mesmo ao se considerar que os ganhos no faturamento ainda não são refletidos na criação de postos de trabalho no PIM, outros fatores, porém, atestam a retomada da produção na indústria incentivada da Zona Franca de Manaus (ZFM), tais como a aquisição de insumos e o recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A aquisição de insumos por parte da indústria incentivada, que fechou 2016 na faixa de 41,67% do faturamento, passou, no primeiro trimestre deste ano para 49,59%. O recolhimento de ICMS passou de 0,98% do faturamento, no ano passado, para 1,08% entre janeiro e março de 2017. Mesmo com indicadores de crescimento positivos, há que pensar na existência de outros fatores a influir nessa evolução.

Cabe registrar, ainda, que no tocante à mão de obra empregada no Polo Industrial de Manaus houve geração de postos de trabalho entre o mês de março de 2016, com 83,6 mil postos e o mesmo mês deste ano, que fechou com 84,5 mil postos. Não dá para comemorar, mas demonstra algum aquecimento nas contratações da indústria.

Se um pouco de otimismo, assim como canja de galinha, não faz mal a ninguém, o setor produtivo tenta fazer a sua parte ao retomar a atividade econômica na produção de bens e serviços. Já do outro lado da moeda, na seara da política, não se pode dizer o mesmo em relação à administração federal que desfalca as atividades da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) ao substituir, por conveniência (?) política, a gestora da autarquia.

Mas como tudo sempre pode piorar, já existe boa parte de indústrias incentivadas que buscam meios para contestar as taxas criadas para prover recursos àquela autarquia tão logo a lei seja sancionada. O motivo seria, principalmente, a manutenção do contingenciamento desses recursos pelo Governo Federal. É mais uma briga pelo modelo ZFM que o novo titular da autarquia vai ter que enfrentar.

Publicação no Jornal do Commercio em 06/06/2017

Coronel do Planalto

Tags

, , , , , , ,

Um dos motes mais usados pelos partidários da esquerda acerca do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff é tratar o atual presidente da República, Michel Miguel Temer, como se ele não tivesse legitimidade para substituir a ex-presidente na condução do País. Esquecem, os eleitores da petista, que os mesmos votos encaminhados à ex-presidente também sufragaram seu vice, levando-o a se tornar presidente, à parte a discussão acerca de qualquer teoria de conspiração.

É justamente aí que a calada noite começa a sussurrar em ouvidos pouco republicanos e mais atentos ao próprio umbigo que ao bem comum ou ao desenvolvimento da Amazônia

A troca de titular na cadeira presidencial, lá em Brasília, trouxe de volta, agora, mais um fator de insegurança para o sempre combatido – pelos que desconhecem sua importância para o Brasil – e jamais vencido, modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), que em passado recente, pelo descaso do Planalto com a planície, ficou quase um ano sem realizar reuniões do Conselho de Administração da Suframa (CAS), com danosas consequências daí advindas a impactar a indústria incentivada de Manaus.

Foi assim que, na calada da madrugada de quarta-feira, 24 de maio, a edição do Diário Oficial da União daquela data publicou a exoneração de Rebecca Garcia da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Na calada da noite, porque justamente no dia anterior, o Senado Federal aprovara o projeto de lei de conversão (PLV) nº 13/2017, a partir da medida provisória nº 757/2016, que criou a Taxa de Controle de Incentivos Fiscais (TCIF) e a Taxa de Serviços (TS), em substituição à Taxa de Serviços Administrativos (TSA) da Suframa, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As novas taxas, caso o presidente Temer sancione o texto legal, propiciarão à Suframa exercer seu papel de agência de desenvolvimento regional, dentro de sua área de atuação, com a arrecadação de cerca de R$ 200 milhões, por ano, destinados a esse fim, conforme o texto encaminhado pelo Senado para sanção presidencial.

É justamente aí que a calada noite começa a sussurrar em ouvidos pouco republicanos e mais atentos ao próprio umbigo que ao bem comum ou ao desenvolvimento da Amazônia, fazendo com que os mesmos motivos que levaram Michel Miguel Temer a exonerar a ex-superintendente, também o façam engavetar o texto legal, afinal, se uma indicação política tanto pode colocar quanto retirar o titular da Suframa, por que o mesmo artifício não será utilizado para “punir” aliados recalcitrantes?

Não é de hoje que o coronel do Planalto usa armas políticas para detonar aqueles que não seguem sua cartilha política, mesmo que com isso venha a atropelar gestões produtivas e comprometidas com o bom desempenho da parcela do serviço público sob suas responsabilidades, como bem exemplificam as numerosas substituições na equipe ministerial, a maioria sob suspeita de envolvimento com práticas nada recomendáveis.

Desta forma, se sem nenhuma justificativa Michel Miguel Temer exonerou a superintendente da Suframa, nada o impede de usar o poder da caneta presidencial para punir, não esse ou aquele político que pulou fora do barco prestes a naufragar, mas toda uma região e seus cidadãos que necessitam da ação de órgãos como a Suframa, simplesmente deixando de sancionar o texto que garante receita para o desenvolvimento de boa parte da Amazônia.

É tempo de união de forças e luta para evitar mais esse fator de desequilíbrio no já enfraquecido modelo de gestão dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus.

Caminho de volta

Tags

, , , , , ,

A quarta-feira, 17 de maio, ainda não terminou. Isso porque os acontecimentos deflagrados naquele dia devem se estender até amanhã, quarta-feira, 24, quando o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá se pronunciar acerca do pedido da defesa para suspender o inquérito contra o presidente Michel Miguel Temer.

Por ser a primeira oportunidade de o Judiciário tomar decisão a respeito da crise política cujo alvo principal é o mandato do presidente Temer, esse fato tem potencial de reverter expectativas quanto ao mandato presidencial, embora se diga que, quando tal mandato passa a ser questionado nas ruas, o desfecho para perdê-lo é só uma questão de tempo.

O pior é que, por parte dos envolvidos pelas investigações da operação Lava Jato, o que se ouve são os discursos costumeiros sobre sua inocência, independente do partido ou ideologia por eles representados, enquanto o país sangra e perde oportunidade de oferecer vida digna a seus cidadãos, que pagam a conta e sofrem com os desmandos dos governantes em qualquer das três esferas.

Mas voltando à quarta-feira passada e às falas presidenciais sobre a delação contra Temer, algumas coisas chamam a atenção, como o fato de o presidente ter ouvido do delator que este estaria pagando propina a juiz e procurador sem que tenha tomado providência, abrindo brecha para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrar com pedido de impeachment.

Em outra declaração, o presidente Temer afirma que os controladores da JBS teriam especulado contra a moeda nacional, ao adquirir pelo menos um bilhão de dólares, além de, ainda de acordo com o presidente, terem vendido ações de suas empresas. Não deu outra, a Bolsa caiu e o dólar subiu.

Na tarde de segunda-feira, 22, ainda em queda, a Bolsa apresentava perdas de 1,55%, e o papel da JBS, ali negociado, tinham perdido mais de 20% de seu valor. Ao que parece, o delator continua a fazer dinheiro, mesmo com os impactos negativos da delação contra suas empresas.

O presidente Temer, apesar de ter feito essas acusações contra os irmãos Batista, não tomou nenhuma providência –  até onde se sabe – para punir os especuladores.

Pior mesmo são os partidos da oposição que veem na crise uma oportunidade de retorno ao poder ao pregarem a convocação de eleições diretas, quando a Constituição Federal prevê que, caso ocorra a perda do mandato de Temer, seu sucessor deve ser eleito, de forma indireta, pelo Congresso Nacional. A oposição, que implica com fato de o vice-presidente de Dilma Rousseff ter assumido o poder ao chamá-lo de golpista, prega, na maior cara-de-pau, um golpe contra a Constituição da República.

Assim, enquanto cada um cuida de tirar o seu da reta, o país perde oportunidade de crescer, gerar renda e emprego e, quem sabe, pode até afundar mais do que a economia já afundou. Nesse particular, há uma boa notícia, uma vez que os agentes econômicos consultados pela pesquisa semanal Focus, do Banco Central, pouco mudaram suas expectativas. Ainda bem.

Nota: O STF decidiu que só julgará o pedido de Temer após perícia no gravador.

Correnteza da recessão ficou para trás

Tags

, , , , ,

A economia, de maneira geral, dá sinais de recuperação e embora analistas vejam ainda com cautela esses ganhos, o brasileiro já começa a respirar um certo ar de confiança no futuro imediato, alicerçado, talvez, em informações como as publicadas na pesquisa Focus desta segunda-feira, 15, onde a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, no comparativo com semana anterior, se apresenta em queda para três dos quatro indicadores (IPC, IGP-M e IPC-Fipe), a exceção é o IGP-DI, da Fundação Getulio Vargas, que subiu.

Amazonas liderou o crescimento da atividade industrial, informa o IBGE, ao expandir a produção em 5,7%, enquanto em São Paulo caiu 1,7% e o recorde negativo ficou com o Estado de Santa Catarina, com -4%

A dar maior segurança para o processo de retomada da economia, além das medidas já tomadas pelo governo federal, assim como aquelas em andamento por necessitarem de aprovação do Congresso Nacional, existem ainda outros indicadores apontando para um segundo semestre menos problemático.

Tanto é assim que as expectativas da taxa Selic, a partir da qual dependem as demais taxas de juros praticadas no mercado, demonstram estar em um mesmo patamar, tanto para o exercício de 2017, quanto para o ano de 2018, estacionadas em 8,5% ao ano.

O mesmo pode-se dizer da taxa de câmbio. Se na semana passada a pesquisa efetivada pelo Banco Central do Brasil (BC) indicou ligeira alta, passando de R$ 3,23 para R$ 3,25, em relação ao presente exercício, para 2018 a expectativa do mercado é de queda, saindo de R$ 3,40 para R$ R$ 3,36.

Os agentes econômicos consultados pela pesquisa do BC também melhoraram a percepção acerca do crescimento do produto interno bruto (PIB) para o corrente exercício, e a estimativa de crescimento registrada na primeira semana do mês de maio, de 0,47%, subiu para 0,50%. Pode até não ser ainda motivo para comemoração, porém é uma boa marca, ao se considerar que a expectativa de crescimento do PIB para o exercício de 2018 estacionou, há um mês, em 2,5%.

A expansão da atividade industrial na perspectiva daqueles agentes econômicos, além de sua maior importância para o Amazonas, ao se considerar o peso dessa atividade no PIB do Estado, embora registre queda de 1,49%, na primeira semana de maio, para 1,25%, na segunda, no exercício de 2018, as expectativas passaram de 2,28%, há cerca de um mês, para 2,50% na segunda semana de maio.

A par desses indicadores, os números aferidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa sobre a produção industrial relativa ao mês de março deste ano, quando a média do Brasil ficou em -1,8%, com oito dos 14 locais pesquisados apresentando queda no ritmo na produção.

Mesmo assim, o Amazonas liderou o crescimento da atividade industrial, informa o IBGE, ao expandir a produção em 5,7%, enquanto em São Paulo caiu 1,7% e o recorde negativo ficou com o Estado de Santa Catarina, com -4% no terceiro mês de 2017. No entanto, o Amazonas ainda amarga perdas na produção de -5,2% no acumulado de 12 meses.

Assim, pode-se dizer que o banzeiro está menos forte e a correnteza da recessão está ficando para trás, com o porto da retomada já bem à vista.

 

Mariscos do asfalto

Tags

, , , ,

O triste da situação é o fato de o movimento paredista ilegal ter prejudicado os usuários do sistema que chegaram atrasados a seus compromissos

Dizem que na briga do mar com o rochedo quem leva a pior é o marisco, o qual, diga-se, nada tem a ver com luta entre os dois elementos da natureza. É isto, mais ou menos, o que ocorre em Manaus há bastante tempo, em relação às cada vez mais frequentes paralisações do transporte coletivo público da cidade, usado como instrumento de pressão pela classe dos rodoviários.

onibusparado-c350-170117

Nesta segunda-feira, 24, quem serviu de marisco foram os trabalhadores que moram na Zona Norte da cidade com a paralisação dos ônibus da empresa Líder, retidos na garagem por cerca de duas horas, no início da manhã, para pressionar a organização, dizem os rodoviários, a pagar horas extras e outros benefícios financeiros a seus funcionários.

O triste da situação é o fato de o movimento paredista ilegal ter prejudicado os usuários do sistema que chegaram atrasados a seus compromissos e ficaram no prejuízo, quer pelo desconto de horas de atraso ou mesmo por perderem o dia de trabalho.

Quanto à ineficácia desse tipo de paralisação para obter o cumprimento de obrigações trabalhistas está mais do que comprovado, pois se esses movimentos fizessem alguma diferença para as empresas, estas não seriam reincidentes e observariam as normas legais que devem cumprir.

Em outras palavras, se há, realmente, o cometimento de ilícito trabalhista por parte de algumas organizações concessionárias do transporte público, das duas uma: ou os órgãos fiscalizadores não exercem suas prerrogativas para coibir as más práticas que prejudicam os rodoviários ou os argumentos usados para realizar paralisações são falsos.

O mais estranho, porém, é o fato de aqueles que falam em nome dos profissionais rodoviários do transporte coletivo público urbano também não se entenderem, como bem exemplificam as falas do vereador Jaildo dos Rodoviários (PCdoB), em texto distribuído nesta segunda-feira. O vereador afirma que a paralisação se deu em protesto ao assédio moral, às suspensões e “as justas causas” (dispensas por?).

Por outro lado, o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Josildo Oliveira, que alega nada saber sobre a paralisação, afirma que o movimento dos trabalhadores nos ônibus da Líder pode ter ocorrido pelo não pagamento de horas extras e de jornada com acréscimo nos feriados.

Enquanto o sindicalista alega ignorância sobre o movimento e o vereador quer a fiscalização municipal às quatro da manhã na porta das garagens, cerca de 20 mil pessoas foram prejudicadas e devem estar preparadas para, na sexta-feira, 28, enfrentar outro movimento paredista dos rodoviários, os quais podem aderir à greve geral prevista para aquele dia em manifestação contra a reforma da Previdência.

À falta de providências por parte do poder público, e não só do município, assim como também do Ministério do Trabalho e Emprego, os mariscos do asfalto continuam a enfrentar o transporte em ônibus lotados, sujos, e que nem sempre cumprem os horários estabelecidos, além de, com frequência, deixarem seus usuários na rua por pane mecânica. Tem jeito? Parece que no curto prazo, não.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/04/2017

Abra sua conta, o serviço é grátis

Tags

, , , , ,

BcoDigital350x208-efec

Bancos existem, de modo geral, para intermediar operações financeiras, mas dependem da confiança do mercado para que suas atividades tenham sucesso e o estabelecimento bancário possa apresentar resultado positivo e remunerar acionistas. Isto é, também devem obter lucro de sua atividade.

No Brasil, seja o governo de esquerda ou de direita, do PT ou do PMDB, como hoje com Temer presidente, ou mesmo quando os militares governaram o país por mais de duas décadas, os bancos sempre se deram bem e faturaram alto, fato que não impediu escândalos envolvendo essas instituições financeiras com falências ou perda do controle para outros grupos.

Os bancos iniciaram a informatização de seus controles e rotinas muito cedo, tão logo apareceu tecnologia apropriado no Brasil

Os escândalos, com as maracutaias que minaram a operação de bancos estaduais, fizeram esse tipo de “banco de desenvolvimento”, como os finados bancos do Estado do Amazonas e Banerj, para ficar só com dois exemplos, sair do mercado, assim como outros bancos privados dos quais pouco ou quase nada se ouve falar, exemplo: Banco Nacional do Norte, Econômico, Real e Sulbrasileiro.

Os bancos iniciaram a informatização de seus controles e rotinas muito cedo, tão logo apareceu tecnologia apropriado no Brasil e, lembro que o primeiro caixa eletrônico – do Bradesco, quando este ainda tinha como razão social Banco Brasileiro de Desconto S/A – era um quiosque blindado, amarelo, com cerca de 1,5 m de altura, por 2 m de comprimento e mais ou menos 1,5 m de largura, instalado com uma luz vermelha, piscante 24 horas, instalado na praça Adalberto Vale, próximo ao Hotel Amazonas, também naquela praça, no centro de Manaus.

Desde lá, os bancos tomaram a dianteira no sentido de reduzir custos e, consequentemente, ampliar lucros. Para variar, perceberam que o ônus da mão de obra poderia ser reduzido com o uso da informática. Além disso, as instalações físicas, que nos anos oitenta eram amplas, também poderiam ser menores, baixando os custos dos bancos mais ainda.

A solução – para os bancos – foi montar caixas eletrônicos em suas agências e disseminá-los em pontos estratégicos, criando locais de autoatendimento, ou melhor, locais onde o cliente vira funcionário sem remuneração e executa tarefas que um dia já foram privilégio – ou ganha-pão – dos bancários.

Mas, lá por meados da década de 1990, o Brasil começou a ser servido pela internet. Foi o momento em que os bancos deram o pulo do gato: os computadores pessoais entraram no cotidiano de todo mundo e os bancos estimularam clientes a movimentar suas contas por vias digitais, enquanto o cliente ganhava comodidade, os bancos baixavam custos reduzindo seu pessoal.

Com a base de clientes operando virtualmente, a popularização dos smartphones melhorou a vida dos clientes e ainda mais a dos bancos que aproveitaram para lançar contas digitais – só operadas pela internet e caixas eletrônicos – bancos grandes nem cobravam taxas por esse tipo de serviço, abriam a conta gratuitamente e, como diz o “caboco”, já estava de bom tamanho.

Agora, com a base de clientes abrangendo cerca de 70% da população acima de 15 anos, segundo o Banco Central, os bancos tradicionais estão fazendo o movimento contrário e começando a cobrar taxas para movimentar contas digitais. Esse fato abre oportunidade para bancos virtuais entrarem no negócio de banco virtual com serviço, até agora, grátis.

Como um pacote básico no Bradesco ou Banco do Brasil não fica abaixo dos R$ 30 por mês, quem optar pelos bancos virtuais entra ganhando, afinal, o futuro não aponta escapatória, serviços financeiros estarão na internet.