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Arquivos da Tag: Manaus

Chegam as chuvas e o verde volta à cidade

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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calor, chuva, Eduardo Ribeiro, Manaus, obras, prefeitura

Depois de dois meses de calor intenso em Manaus, as chuvas de novembro chegaram regando plantas e gentes. Não faltaram comemorações, pelo menos nas redes sociais, aonde internautas postaram fotos da chuva  que viam e das que nem conseguiam enxergar, além de até tomar banho da dita cuja.

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Os igarapés, que a vazante do rio Negro, ao atingir pouco menos de 16 m acima do nível do mar, deixou seus leitos à mostra, re velando também a nossa falta de cultura e zelo pela cidade com o rastro de resíduos e lixo que ali acumularam, produto do descarte irresponsável não só de quem mora à margem dos cursos d’água, assim como daqueles que não hesitam em jogar no meio da rua qualquer coisa já usada.

Só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70

A malha de igarapés da cidade, que continua a ser aterrada desde a época do governador Eduardo Ribeiro, se constitui em recipiente pas sivo de lixo, resíduos da indústria e tudo o mais que perde utilidade, sem que manauaras tomem para si a responsabilidade de evitar a poluição desses corpos de água.

No entanto, voltemos à chuva que, além de diminuir um pouco o calor manauense, torna verde, em tempo recorde, os canteiros de avenidas, praças e parques, além de outros logradouros públicos, ou nem tanto, como as várzeas de igarapés e do rio Negro. O capim, o mato, as ervas que aí rapidamente brotam alegram os olhos de quem transita nesses locais

A temporada de chuvas em Manaus, porém, tem lá seus desencantos quando interferem no andamento de obras públicas ou privadas, atrasando-as, paralisando-as ocasionalmente ou por tempo maior, dependendo do ritmo da chuva.

Na avenida Eduardo Ribeiro, que teve a parte onde o relógio municipal está instalado parcialmente interditada e as obras que deveriam ser efetivadas naquela região embargada s por órgão de preservação do patrimônio histórico, agora tem mais uma parte interditada para revitalização.

O projeto de revitalização e restauração quer trazer de volta o visual daquela avenida das décadas de 1920/30. É uma boa ideia, mas se conseguir tra zer pelo menos o que a Eduardo Ribeiro tinha nos idos de 1960 já dá para comemorar, pois não é pouca coisa ter calçadas largas à disposição do passante, recoberta por sombra de benjamins.

Evidente que não se quer voltar ao passado, mesmo que o DeLorean do filme de “Volta para o Futuro” estivesse disponível. Já pensou, com o trânsito atual ter aquele sinal de trânsito, primeiro semáforo instalado em Manaus, no Canto do Quintela, ali no cruzamento das avenidas 7 de Setembro com a Joaquim Nabuco. E quando digo no cruzamento é no meio da via, mesmo. Não vai dar.

A chuva também tornou mais visível o verde da avenida Djalma Batista. Na Djalma?! Alguém vai perguntar e respondo: ali mesmo. As mudas plantadas no canteiro central, já na gestão do atual pr efeito, estão com dois, três metros de altura. Não mais parecem mudas, mas árvores jovens e adultas, umas com mais outras com menos sombra, a arrefecer o calor manauense, marca registrada da cidade.

Assim, se as obras podem parar com as chuvas, o verde, as plantas nas vias públicas, parques ou quintais, agradecem à natureza a volta da estação chuvosa, quando o rio Negro fica mais bonito ainda. E aí, só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 17/11/2015

Sem leitor, livraria fecha

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, crise, economia, livraria Valer, livros, Manaus, negócio

Pesquisa sobre hábito de leitura de livros efetivada em 2011 pelo Ibope Inteligência sob encomenda do Instituto Pró-Livro (IPL), a terceira iniciativa do IPL e a segunda levada a campo pelo Ibope, dão indicações pouco alvissareiras acerca do universo de leitores no país, a “Pátria Educadora”.

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A constatação, infelizmente, era esperada, no entanto, é preocupante pelas consequências que a falta do hábito de leitura pode trazer ao indivíduo como pessoa, como cidadão e para o país, por não poder criar massa crítica com maior conteúdo entre sua população, como já aconselhava Monteiro Lobato ao afirmar: “Um país se faz com homens e livros.”

De outro lado, pesquisa mais recente, de 2015, efetivada pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro, considerando o ano de 2013, traz uma boa notícia: entre os brasileiros pesquisados, a leitura de livros como atividade cultural ocupa pelo menos 35% dos entrevistados, enquanto o cinema fica com 28% e shows musicais fazem a cabeça de 22%. O porém dessas constatações é que assistir TV não foi considerado como atividade cultural.

“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”

 

Outras atividades culturais como ir ao teatro tem 11% de preferência; exposições de arte 8% e espetáculos de dança ficam com 7%.

Voltando ao universo dos livros e à pesquisa do IPL, cerca de 50% da população brasileira, no ano em que foi feita a terceira pesquisa, constituíam o universo de leitores do país. Esse contingente pode parecer grande, é é. Mas, a má notícia é que, na segunda mostra, efetivada em 2007, o universo dos brasileiros que se declararam leitores era de 55%, conforme a pesquisa.

A velha discussão sobre o que impede o brasileiro de ler e, na maior parte das vezes atribuído ao alto preço dos livros, conforme a pesquisa, não se sustenta, pois esse fator – poder de compra – fica na 13ª posição entre as razões pelas quais o brasileiro deixa de pegar um livro para ler.

A primeira alegação para não ler é mesmo a falta de interesse pela leitura, declarada por 78% dos entrevistados, seguida de 50% informada por aqueles que dizem não ter tempo.

Em um mundo globalizado, com meios de comunicação que o tornaram uma aldeia global, como já predizia Marshall McLuhan lá pelos anos 1960, quando os maiores fenômenos de mídia eram a TV e o rádio, além, obviamente, da telefonia a unir as diversas partes do planeta, as mídias eletrônicas atuais são fortes concorrentes dos livros, como bem exemplifica a pesquisa do IPL.

Por ali, do universo de entrevistados, 85% preferem assistir TV quando têm tempo livre, enquanto outros 52% preferem ouvir música ou rádio. A opção de pegar um livro é a 7ª, com 28% de preferência.

Assim, não é de estranhar que a pesquisa da Fecomércio/RJ tenha flagrado o fato de que sete, entre dez brasileiros, não leram nenhum livro no ano anterior à pesquisa. Lamentável, mesmo quando se sabe que, nas palavras do padre Antonio Vieira “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.”

Apesar disso, Manaus perde uma de suas boas livrarias neste mês de novembro com o fechamento da Valer e, como registro, posso afirmar que vi, no último domingo, a Livraria Valer fazer sua promoção anual e encher a casa com leitores e compradores de livros. Infelizmente, ao que consta, pela última vez.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 10/11/2015

Manaus, cidade da fumaça

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Crônica

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espaços público, fumaça, Manaus, poluição, saúde, transporte público

 

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Os 346 anos de Manaus, completados neste sábado 24 de outubro, vão ser comemorados sob, talvez, o mais forte e prolongado fumaceiro já visto na cidade, agravado, a todo momento, pela prática de queimar lixo e outros resíduos no próprio perímetro da cidade por seus moradores.

É evidente que a origem da fumaça que está sobre a cidade desde o dia 1º de outubro não se deve apenas a essa prática arcaica e prejudicial de seus habitantes, mas também a fatores climáticos cujas consequências para a região não foram, ainda, devidamente esclarecidas pelas autoridades vinculadas à área ambiental e meteorológicas. Enquanto isso, a população sofre as agruras de males ligados às vias respiratórias.

No entanto, nem só de fumaça se ressente o povo manauara, hoje um contingente que supera os dois milhões de habitantes, mas também de um transporte público deficitário e sem qualidade, da falta de educação da maioria dos motoristas que dirigem pelas ruas da cidade, da ausência de equipamentos urbanos de lazer, além da expectativa de uma seca recorde do rio Negro.

Se não faltam problemas a serem enfrentados pelos gestores da cidade e pelos seus moradores, há que se falar também de iniciativas já implementadas e necessárias, como a linha azul, que privilegia o transporte coletivo público, dando maior velocidade aos ônibus que por aí transitam, mas que necessita ser ajustada, seja adaptando toda a frota, ou sua maior parte, para utilizar esses corredores, hoje restritos a pequena parte dos ônibus.

Há que se falar, também, de espaços públicos como parques e jardins, alguns recentemente implantados, outros já existentes desde há muito e agora sendo recuperados para uso do manauara e, assim, oferecendo maior qualidade de vida à população.

Por fim, como não se pode falar apenas dos problemas e das necessidades da Manaus de hoje, é fazer votos de que os administradores de Manaus, de hoje e daqueles que ainda o serão, tenham uma visão de futuro ao tomar decisões sobre o que é feito, construído, e às vezes, destruído na cidade, sem perder de vista a necessidade do povo que aqui mora. É dfícil? Sim, mas não impossível.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/10/2015

Desemprego e redução de salários no PIM

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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crise, desemprego, indústrai, Manaus, PIM, salário, suframa, zona franca

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Enquanto as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) reclamam das perdas de quase 30% no faturamento acumulado dos meses de janeiro a julho de 2015, pouco se fala de onde estão acontecendo os cortes, necessários, diga-se, a fim de manter a atividade econômica no PIM, como os desembolsos vinculados à mão de obra.

Comparativo entre o ano de 2011 e os desembolsos efetivados em 2015, conforme divulgado nos indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), relativos a julho, indicam que a média mensal com salários, encargos e benefícios (SEB) caiu de US$ 216,34 milhões em 2011, para US$ 150,78 milhões neste ano. Os cortes aí detonaram 30,30% dos desembolsos com recursos humanos.

No entanto, se a poda em salários, encargos e benefícios chegou àquele nível, o corte de pessoal ficou em nível bem menor, ao considerar 2011 e 2015, deixando o patamar de 110.683 postos de trabalho, sem considerar terceirizados e temporários, para 103.763, com redução no contingente de empregados no PIM equivalente a 6,25%

Por outro lado, se a média dos desembolsos por funcionários com salários, encargos e benefícios, em 2011, era de US$ 1,954.37, neste ano caiu para US$ 1,453.16, reduzindo em 25,64% os gastos das empresas neste item. Só entre 2014 e 2015, esses gastos foram enxugados em 16,50% ao passar de US$ 1,740.49 em 2014, para os US$ 1,453.16 atuais.

O arrocho, porém, não tempo determinado para acabar.

Publicação no Portal do Holanda em  13/10/2015

No ranking das inteligentes, Manaus está fora

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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cidade, inteligente, Manaus, planejamento, urabanismo

O uso da tecnologia para melhorar a qualidade de vida dos habitantes das cidades brasileiras está começando, mas são poucas aquelas que já detêm nível razoável e onde problemas do dia-a-dia contem com a intervenção dessa ferramenta para resolvê-los ou reduzir o impacto negativo desses gargalos na vida da cidade.

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Trabalho elaborado pela consultoria Urbam System, com a análise de 70 indicadores aplicados a 700 municípios brasileiros resultou no ranking das 50 cidades mais inteligentes do Brasil, mas nenhuma cidade da região Norte conseguiu ser classificada entre essas.

Pela indicadores , já dá para ver porque Manaus não conseguiu fazer parte da elite das cidades inteligentes do país

A nota máxima que pode ser conseguida para entrar no ranking é de 63 pontos, mas a cidade mais inteligente do Brasil, o Rio de Janeiro, só conseguiu 29,99 pontos, isto é, menos de 50% do máximo possível.
Entre os indicadores analisados estão itens ligados à economia, educação, empreendedorismo, energia, governança, meio ambiente, mobilidade, planejamento urbano, saúde, segurança e tecnologia.
Pela amostra dos indicadores listados acima, já dá para ver porque Manaus não conseguiu fazer parte da elite das cidades inteligentes do país, com desempenho sofrível em energia, mobilidade urbana, educação e outros mais, como o serviço de internet, item principal para que um centro urbano possa se conectar ao mundo e usar essa tecnologia em diversas aplicações com o objetivo de atrair investimentos, melhorar a qualidade de vida da população e oferecer serviços públicos melhores.
A cidade do Rio de Janeiro, com cerca de 6,5 milhões de habitantes, dispõe de 1.000 câmeras espalhadas por suas ruas. Com esse equipamento, a cidade é monitorada e seus operadores têm a possibilidade de alertar a população para riscos de desabamento em épocas de chuvas, organizar o trânsito e até indicar onde é necessária a troca de uma prosaica lâmpada nas ruas da Cidade Maravilhosa.
Manaus tem menos de um terço da população do Rio de Janeiro e, apesar da existência de um centro integrado que utiliza tecnologia da informação de forma intensiva, ainda não conseguiu sair do estágio inicial na aplicação desse meio técnico e transformá-lo em serviço à sociedade, como bem prova a fumaça que, desde quinta-feira, tomou conta da capital.
De outro lado, a frota de veículos que trabalha na segurança pública, mesmo tendo meios tecnológicos e de comunicação para oferecer um combate à violência de maior envergadura, lá na ponta do enfrentamento à bandidagem os operadores simplesmente desligam as câmeras que poderiam oferecer suporte quanto à legalidade dos atos tanto aos policiais, quanto às pessoas que são abordadas ou presas nas operações.
Os especialistas no tema cidade inteligente já constataram que áreas assim classificadas atraem tanto investimentos quanto capital humano, dadas as condições de oferta de infraestrutura integrada com tecnologia, comunicação e sustentabilidade, ao dar atenção ao meio ambiente.
Embora em um percurso de 11 quilômetros entre a Cidade Nova, na zona Norte, até o bairro Japiim, na zona Sul, seja possível passar por cinco áreas de conservação, a cidade tem pouco verde em suas ruas, o que transparece de forma dramática como   temperaturas altas neste período do ano.
Se o próximo administrador de Manaus mantiver as iniciativas da gestão atual, é possível que no longo prazo Manaus se torne uma cidade inteligente, mesmo assim, vai levar um bom tempo.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 06/10/2015

Indicadores da indústria incentivada são negativos

07 quarta-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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crise, economia, Manaus, polo industrial, suframa

Os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), até  junho, apresentavam, na maior parte, números negativos à exceção da tabela que registra a evolução do dólar. Ali, em janeiro de 2015, a moeda norte-americana era cotada à razão de R$ 2,6442, enquanto no mês que fechou o primeiro semestre a cotação era de R$ 3,1117.

Quando o tema é a participação setorial no faturamento, os eletroeletrônicos continuam a liderar as vendas com 29,51%

Assim, a moeda brasileira foi depreciada em mais de 18% entre janeiro e junho de 2015, ou, se a perspectiva for pelo outro lado, o dólar se valorizou naquele percentual face ao real.
No tocante à produção do PIM, a crise econômica, política, e a consequente baixa na demanda, assim como a valorização do dólar, serviram para derrubar a importação de insumos pela indústria incentivada. Se em junho de 2014 já se registrara queda de 10,21%, com a importação de insumos no montante de US$ 6,27 bilhões, neste exercício as importações se limitaram a US$ 4,89 bilhões, despencando 21,96%.
Enquanto a importação de insumos está em queda, a compra, de modo geral, acompanha o ritmo, ou a falta de ritmo da produção. Com aquisições no valor de US$ 7,46 bilhões, a curva descendente acusou baixa de 23,25%, frente às compras de US$ 9,72 bilhões  em junho de 2014.
Embora as exportações do PIM não sejam o carro-forte de vendas, cabe fazer o registro da baixa no primeiro semestre de 2015, quando foram exportados US$ 290 milhões, com queda de 23,38%, a reforçar a baixa registrada em junho de 2014, de 6,81%, com vendas externas de US$ 379 milhões.
A ladeira das vendas, que em junho do ano passado apresentava um leve declive de 2,12%, com faturamento de US$ 17,98 bilhões, neste exercício teve a ajuda dos fatores enumerados nos primeiros parágrafos deste texto para, à semelhança de uma retroescavadeira, cavar um buraco de 29%, com vendas de US$ 12,79 bilhões no período.
Quando o tema é a participação setorial no faturamento, os eletroeletrônicos continuam a liderar as vendas com 29,51%, em seguida vem duas rodas, com 17,83%. Os bens de informática  ficam na terceira posição com 16,57% e, em quarta posição, o setor químico com 13,17%. Esses quatro setores são responsáveis pelo faturamento de US$ 9,86 bilhões, equivalentes a 77% dos US$ 12,79  bilhões faturados até junho de 2015.
Para quem acha que as más notícias terminaram, no entanto, talvez o pior seja o desempenho desses quatro setores de maior relevância entre as indústrias do PIM, uma vez que os quatro tiveram baixas de dois dígitos no seis meses do primeiro semestre de 2015.
Quem mais perdeu faturamento foram os eletroeletrônicos, com vendas de US$ 3,77 bilhões, face aos US$ 6,23 bilhões de 2014, o fosso aí equivale a perda de vendas de 40%, informam os indicadores da Suframa. Bens de informática faturaram US$ 2,12 bilhões, ante US$ 2,97 bilhões no primeiro semestre de 2014, com perdas de vendas equivalentes a 28,63%.
O segmento de duas rodas perdeu 21,17% do faturamento em seis meses, comparados ao mesmo período de 2014, com vendas de US$ 2,28 bilhões neste ano. Por fim, o setor químico faturou US$ 1,68 bilhão, com baixa de 18,63%, comparado aos US$ 2,07 bilhões no primeiro semestre de 2014.
Como se vê, a ladeira está em plena construção e não há, por enquanto, nenhuma evidência de que possa melhorar, principalmente quando se tem em vista as expectativas divulgadas em relação à inflação e outros indicadores que mostram pessimismo dos analistas quanto ao desempenho da economia.
Nesta segunda-feira, 28,  a Suframa divulgou os números relativos ao mês de julho, os quais, grosso modo, mantêm as mesmas tendências de baixa, de ladeira abaixo na indústria incentivada de Manaus.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 29/09/2015

 

Protestos e toadas de bumbá na Djalma Batista

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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corrupção, Dilma Rousseff, escândalo, govermo, Manaus, manifestação, PT, toada

Motivos para protestar foi o que não faltou aos manifestantes que foram à ruas de Manaus demonstrar a sua inconformidade com os rumos do país nos últimos tempos em função da má gestão do governo petista, com os consequentes prejuízos à população que enfrenta a má qualidade dos serviços públicos agravada por fatores como desemprego.

O brasileiro sabe ser possível ao povo que elege um político, também destituí-lo

No entanto, se a maior parte dos manifestantes estava antenada com os erros cometidos pelo governo de Dilma Rousseff e outros que já vêm de seu antecessor, como a opção por aquilo que os petistas denominaram de nova matriz econômica, deixando de lado o tripé básico para ampliar os gastos públicos, a intervenção do Estado na economia, além de deixar correr frouxa a inflação.
Outras medidas também concorreram para pôr o país na situação de crise econômica como o controle de preços e até mesmo a utilização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como sócio na criação de grande grupos empresariais. Isto sem falar na endêmica corrupção, agora institucionalizada, e na crise política.
Em que pesem essas medidas como motivos para os manifestantes mostrarem seu desagrado com o governo, o que pegou mesmo, pelo menos em Manaus, foi o apelo anticorrupção e o peso da inflação no bolso dos brasileiros.
De outro lado, gente que já foi apoio e sustentação do PT e do lulismo caiu em si e mudou de lado ao ver o descalabro na administração e o reflexo disso na sua renda, no seu bolso, como é o caso de funcionários públicos que se armaram de faixas e cartazes para reivindicar, além do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o reajuste de seus salários, corroídos pela inflação, cuja defasagem, dizem, está próximo dos 30%.
Se há motivos legítimos para descontentamento com o governo, existes também aquelas reivindicações que podem ser classificadas, no mínimo, como sem propósito. É o caso, por exemplo, de quem quer a volta dos militares por achar que não haveria políticos capazes de colocar o país nos eixos, novamente. Ora, homens, independente da profissão, são falhos pela própria natureza e nada garante que um militar, como já aconteceu no  passado, esteja isento de cometer erros.
A democracia, o voto, as eleições e a harmonia entre – embora às vezes a desarmonia momentânea possa ocorrer – os poderes é que garantem o funcionamento das instituições, e nesse aspecto o país tem caminhado firme nas últimas décadas. Logo, ter a pretensão de pôr o país sob a tutela militar é um equívoco.
Os manifestantes da avenida Djalma Batista acrescentaram tempero no protesto ao montar letras que exprimiam sua insatisfação, ao mesmo tempo que cultivaram uma característica muito amazonense ao cantar essas reivindicações no ritmo contagiante das toadas dos bumbás de Parintins. E aí, a avenida, toda em verde e amarelo, esqueceu a rivalidade “bovina” para mostrar a unidade contra o descalabro na administração pública.
Não passou despercebida, também, a vontade de tirar o crime organizado, e muito bem organizado, que infesta o país e, entre outros males, conseguiu detonar a maior empresa brasileira, a Petrobras, cujas ações despencaram em mais de dois terços, obviamente com a ajuda, neste caso específico, da conjuntura internacional a jogar o preço do petróleo para o chão.
Por fim, cabe lembrar que a suposta ligação do ex-presidente Lula com ilegalidades junto a empreiteiras investigadas pelo juiz Sérgio Moro, na operação Lava-Jato, acabou por dar um toque novo às manifestações, uma vez que até então o ex-presidente não fora alvo desse tipo de conexão indecente.
Aos que julgam que o número de pessoas nas ruas é que conta, fica o lembrete que o próprio ex-presidente Lula fez, à época do impeachment de Fernando Color, ao dizer que o brasileiro sabe ser possível ao povo que elege um político, também destituí-lo. Tudo, obviamente, conforme as leis e em conformidade com a democracia.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 18/08/2015

Se depender de más notícias, mensageiro morre

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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brasília, economia, inflação, Manaus, PIM, política, zona franca

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No Planalto e imediações, a conjuntura política continua desfavorável para a presidente, apesar de suas viagens internacionais e das tentativas de lavar as mãos sobre os casos de corrupção que aparecem a cada delação premiada que os procuradores e o juiz federal Sérgio Moro ouvem.

Se a política tem trazido dissabores para a presidente Dilma Rousseff, pior ainda é a economia, onde o acúmulo de pisadas na bola ocorrido no primeiro mandato da petista abriu a represa de notícias ruins para a população com desemprego, inflação próxima dos dois dígitos e os juros, mais altos que voo em altitude de cruzeiro, só fazem a festa dos banqueiros, para variar.

Para a indústria de Manaus, as más notícias também desembarcam nas páginas do anuário Melhores e Maiores 2015, da revista Exame

Quanto às boas notícias, só tem a que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira, 10, de que a produção industrial no Brasil deu um soluço em maio e cresceu incríveis 0,6%. O mensageiro, no entanto, corre o risco de morrer, pois junto à boa nova entregou outras nem tanto.

No comparativo entre maio de 2014/15, informa o IBGE, a produção industrial caiu 8,8%, enquanto no acumulado de janeiro a maio, a baixa foi de 6,9% e, em 12 meses, a queda foi um pouco menor: 5,3%.

Enquanto no Planalto a presidente diz que não cai, mas precisa ser ajudada, na planície o que se tem são os processos remanescentes da campanha eleitoral de 2014, da coligação do atual ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, contra o governador José Melo, que entram na pauta do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas.

A economia por aqui acompanha a conjuntura nacional e o Distrito Industrial continua em baixa como atestam os números do IBGE sobre a produção da indústria local, responsável por 37,3% do produto interno bruto (PIB).

Conforme aquele instituto, em maio a produção da ZFM cresceu 2,6%, mas os outros três comparativos são todos negativos. Entre maio de 2014 e mesmo mês deste ano, a produção da indústria incentivada caiu 13,7%. No acumulado entre janeiro e maio de 2015, a atividade do setor despencou 17,3%. Já o acumulado de 12 meses é menos ruim: queda de 13%.

A consequência da baixa na produção da Zona Franca de Manaus repercutiu em perda de arrecadação do ICMS no Estado do Amazonas. Se no primeiro trimestre a estimativa era de perder cerca de R$ 237 milhões em receitas, junho, conforme números da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) consolidou perdas de R$ 251 milhões. Ao governador restou empunhar o instrumento do alfaiate e emplacar mais uma série de cortes definidos no sábado, dia 4 de julho.

Para a indústria de Manaus, as más notícias também desembarcam nas páginas do anuário Melhores e Maiores 2015, da revista Exame, que compara o desempenho das empresas em 2013 e 2014. O Amazonas, que em edições anteriores já emplacou número próximo de 20 empresas entre as 500 maiores, nesta edição só conseguiu incluir dez e apenas a Samsung ficou entre as 20 maiores, ocupando a 19ª posição, com recuo de duas, pois em 2014 era 17ª maior.

Das dez listadas em Melhores e Maiores, cinco subiram posições, quatro perderam posições com desempenho pior em 2014 e uma, a Digibras, entrou no ranking em 384º lugar.

Por fim, cabe registrar que se 2015 está ruim, nada indica que 2016 traga melhores notícias, até pelo prazo, nada curto, que os ajustes a serem feitos na economia vão demandar.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 14/07/2015

Habilitação para ciclista e pregação em ônibus

16 quarta-feira mar 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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bicicleta, bike, ciclista, ciclovia, Manaus, trânsito

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A metrópole na qual Manaus se transformou tem todos os problemas que as grandes cidades atraem em decorrência de seu crescimento e, por que não dizer, desenvolvimento. Se este não foi suficiente para inibir mazelas durante o processo de expansão da cidade, agora é a vez dos cerca de dois milhões de habitantes pagarem o preço, enquanto as autoridades correm – correm? – atrás das soluções necessárias que, quando forem implantadas, chegarão com algum atraso.

Afirmar que autoridades buscam soluções, no entanto, nem sempre espelha a realidade dos fatos, embora, a favor de quem está investido de algum cargo público em quaisquer dos três poderes, possa se dizer ainda existir aqueles para quem o serviço público é maneira de se realizar como pessoa e, assim, contribuir para dar soluções aos inúmeros imbróglios que complicam a vida urbana.

O outro lado da moeda é a iniciativa de uma vereadora que, se pedalou em alguma magrela pelas ruas da cidade, já esqueceu como é difícil transitar entre veículos de quatro roda

Mesmo assim, há casos nos quais a solução proposta vai na contramão das tendências modernas e até do bom senso. Se contadas de forma literária, têm situações que podem virar lendas urbanas, na melhor das hipóteses. Na pior, se transformarão em pesadelos.

Enquanto na maior parte do mundo, tanto em países ricos como pobres, existe hoje algum tipo de incentivo para as pessoas buscarem vida mais saudável por meio de atividades físicas e, entre essas, pedalar uma magrela, além de fazer bem para saúde, tem outros benefícios.

É o caso de quem pedala para chegar ao seu trabalho. Em Manaus está em expansão o número de pessoas que vão e voltam do trabalho de bike, além da legião daqueles que usam bicicletas para o lazer.

Se por um lado, a prefeitura tenta oferecer algumas alternativas em forma de espaço para ciclistas, elas são insuficientes para o tamanho da cidade, além de, em alguns casos, estar localizada fora dos eixos principais de circulação de pessoas, como a ciclovia instalada nas pistas da avenida Nathan Albuquerque, na zona Norte e quase não utilizada.

O outro lado da moeda é a iniciativa de uma vereadora que, se pedalou em alguma magrela pelas ruas da cidade, já esqueceu como é difícil transitar entre veículos de quatro rodas e atormentado pelas motocicletas que pouco ou nenhum respeito têm pelos ciclistas e pedestres.

A ideia da vereadora, com projeto e tudo em tramitação na Câmara Municipal de Manaus (CMM), é que os ciclistas sejam obrigados a fazer curso de habilitação para pedalar pela cidade. Se depender do Detran/AM, a ideia não prospera.

Outra proposta, de um vereador suplente, egresso do sindicalismo do setor de transporte coletivo. Ele quer porque quer que as magrelas passem a circular somente à noite, após as 19h30. Veja bem: 19h30, nem um minuto antes.

As contradições que a cidade e sua população têm de encarar, no entanto, não param por aí. Ainda na CMM, outra vereadora – suplente – tem proposta que nem merece esse nome, pois é um retrocesso: a parlamentar, que é religiosa, quer liberar a pregação em terminais e dentro dos ônibus. As igrejas, ao que parece, não comportam mais o número de pregadores, pois achar fiel está meio difícil.

Por fim, cabe registrar a luta do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Amazonas (CAU) para obter o direito de integrar o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU).  O CAU deveria ter sido convidado desde sempre, no entanto, está brigando para ir onde sua competência é necessária.

As contradições da metrópole só aumentam até pela contribuição daqueles que deveriam fazer justamente o contrário: tentar reduzi-las.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 09/06/2016

 

Congestionamentos, estresse e morte no trânsito 

16 quarta-feira mar 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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acidente, congestionamento, Manaus, mortes, motociclista, trânsito

O número de veículos em Manaus é grande e aumenta, conforme o Detran/AM, à média de 5 mil novos veículos por mês. Assim, se em março de 2014 o órgão de trânsito informava a existência de 685 mil veículos circulando pela cidade, deve ter fechado o aquele ano com pelo menos 730 mil veículos constituindo a frota de Manaus.

Desses 730 mil, cerca de 25% são motocicletas, o equivalente a 182 mil motos rodando pelas vias da cidade, muitas das quais se envolvem em acidentes e findam por compor estatísticas tristes como os 508 que morreram vítimas desses acidentes no ano de 2011, de acordo com o Mapa da Violência.

Em 2011, pedestres compunham 27,3% das mortes ocorridas no trânsito, pessoas transportadas em automóveis eram 28,7% e os motociclistas lideravam as mortes com participação de 33,9%

Além das mortes no trânsito, que em 2013 mataram cerca de 45 mil pessoas no Brasil, o excessivo número de veículos nas ruas de Manaus, também concorre para aumentar o nível de estresse nas ruas e na vida das pessoas, de maneira geral, afinal, quem não dirige é vítima preferencial dos acidentes com mortes: o pedestre.

Ainda de acordo com a estatísticas do Mapa da Violência, em 2011, pedestres compunham 27,3% das mortes ocorridas no trânsito, pessoas transportadas em automóveis eram 28,7% e os motociclistas lideravam as mortes com participação de 33,9%.

Mas, voltando a Manaus, o outro problema que a cidade não consegue resolver, apesar dos viadutos, passagens de nível, complexos viários, retornos e outras supostas soluções para tráfego de veículos, é reduzir os congestionamentos que se formam por todas as zonas administrativas nos horários de rush e, em determinadas regiões, se estendem por quase todo o dia.

Da forma como a cidade está atualmente, um engarrafamento até em via coletora, caso se estenda por tempo razoável, é capaz de praticamente parar a cidade ou tornar o trânsito tão lento que conseguirá atrasar a chegada das pessoas a seus destinos em tempo superior a uma hora.

Exemplos desse tipo de congestionamento aconteceram no dia 22 de abril, quando duas situações comprometeram a circulação de veículos principalmente nas zonas Sul e Leste, mas com repercussão em boa parte da cidade. Naquele dia, duas ocorrências pararam as vias próximas ao Complexo Viário Gilberto Mestrinho, no Aleixo, quando perseguição policial terminou em troca de tiros e acidente de trânsito, além de um outro veículo que incendiou na entrada da avenida das Torres, pelo acesso da avenida Efigênio Sales.

Menos de um mês depois, uma carreta transportando cabos de cobre caiu na passagem de nível da avenida Umberto Calderaro – que já foi Paraíba – com a avenida Efigênio Sales, parando trânsito naquela via. O pior é que a avenida Paraíba só foi liberada depois das 20h e, durante todo esse período, quem dirige em Manaus penou, mas quem não dirige e anda de coletivo sofreu do mesmo jeito ou até mais.

É tempo de se pensar o trânsito de forma a obter soluções definitivas que não as já usadas e que se sabe, são paliativas, como destacar agentes de trânsito para rotatórias ineficientes ou instalar semáforos debaixo de viadutos.

Se o trânsito é caótico, as mortes por acidente são trágicas, mas as soluções não aparecem.

Por fim, cabe registrar o fato de que o número de veículos está tão grande em Manaus, ou as ruas são insuficientes, que tem shopping onde, em horário de muita frequência, segurança é transformado em agente de trânsito, com apito e tudo, em suas dependências. Infelizmente, não dá para rir, é mais para chorar.

 

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 02/06/2015

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