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Arquivos Mensais: dezembro 2016

Baixa no desemprego e indícios de retomada

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, BMF Bovespa, confiança, crise, economia, emprego, investimentos

Os pessimistas podem até dizer que a economia ainda está em crise, que ainda existem muitas pendências a serem resolvidas e até mesmo que a crise política ainda continua a andar, nem que seja por inércia, como bem indicam as novas prisões efetivadas na 35ª fase da Lava-Jato que prendeu, na segunda-feira- 26, o ex-ministro da Fazenda no governo de Lula, e da Casa Civil, na gestão de Dilma Rousseff, Antonio Palocci, mesmo assim cabe registrar que, no campo econômico, já há luz para iluminar o túnel.

Pesquisas que aferem o nível de confiança de consumidores e investidores também começam a detectar alguma melhoria nessas áreas

A boa notícia é dada pelos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pelo menos no caso do Estado do Amazonas. Pelo Brasil afora, desde agosto de 2015, o gráfico que representa os empregos formais, com carteira assinada, continua no vermelho, isto é, o número de demissões ainda é superior ao de admissões.

No comparativo de julho deste ano com o mês de agosto, cresceu o número de postos de trabalho extintos no país. Em julho foram 91.032 postos exterminados, e em agosto esse número foi ampliado para 94.724. Mesmo assim, pode-se dizer que, no geral, o fundo do poço no desemprego foi no mês de dezembro de 2015. Naquele mês, até Papai Noel parece que perdeu sua vaga no país, pois foram extintos 596.208 postos de trabalho.

No decorrer de 2016, os números registrados pelo Caged indicam que o mês de março foi onde aconteceram o maior número de demissões, deixando um saldo negativo de 118.776 vagas extintas no país. Mesmo assim, pode-se afirmar que os desligamentos começam a perder força, embora não seja ainda uma tendência confirmada.

No entanto, como o fator trabalho geralmente é último a reagir quando o ciclo econômico volta à curva ascendente, é de se esperar que o túnel, assim como as instalações fabris, lojas, oficinas e outros locais de trabalho, voltem a se iluminar no primeiro semestre de 2017. Para isso não faltam outros indícios como, por exemplo, as estimativas de queda da inflação.

No caso dos investimentos, o desempenho da BMFBovespa, neste exercício, pode ser um bom indicador de que os investidores voltaram a ter confiança no país, inclusive os do exterior. Entre janeiro e setembro deste ano, as operações da Bolsa saíram de 46 mil pontos para 58 mil, nível no qual está operando.

De outro lado, pesquisas que aferem o nível de confiança de consumidores e investidores também começam a detectar alguma melhoria nessas áreas. Mais confiança no futuro reduz o medo de perder o emprego, enquanto no caso dos investidores aumenta sua disposição de aplicar recursos no setor produtivo.

Por fim tem a valorização do real, que parece espelhar a acomodação de preços no mercado internacional, reduzindo custos de importação de insumos para o setor produtivo. Como o país mantém uma das mais altas taxas de juros e nos Estados Unidos e zona do euro os juros se aproximam do zero, nada impede que haja uma retomada de investimentos do exterior aportando por aqui muito breve.

Mas, voltando ao Amazonas e ao Caged, o Estado conseguiu, em agosto, reverter os saldos negativos que ampliavam, mês a mês, o número de desempregados. Em julho foram podados 672 postos de trabalho por aqui, enquanto em agosto, o saldo positivo resultou na criação de 983 novas vagas.

Pode parecer pouco, mas se formos olhar em retrospectiva, já é um bom avanço e sinal de retomada pela frente.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 27 e 28/09/2016

Recuperação à vista, mas cuidado

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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Brasil, CNI, desempenho, economia, gastos do governo, IBGE, indústria

As análises econômicas relativas ao fechamento do primeiro semestre de 2016 começam a mostrar mudanças nas expectativas dos agentes econômicos à vista dos números que têm sido divulgados, tanto pelo governo, quanto por entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e que dão indicações de melhorias no desempenho da atividade econômica, mesmo que de forma incipiente e ainda sem que essas mudanças possam ser consideradas como tendências a se consolidar a partir do segundo semestre.

Mais relevante ainda é que esse desempenho do mês de junho, agregado aos dos outros três meses anteriores, consolida ganhos positivos da ordem de 3,5% na produção industrial pelo país afora

É importante registrar, por exemplo, que a pesquisa sobre a produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao mês de junho, já dá alguma destas pistas. Pelo estudo do IBGE, a produção industrial teve expansão de 1,1% na comparação com o desempenho do mês anterior, obviamente que não é um crescimento dos mais expressivos, mas quando se tem em mente que esta expansão é a quarta consecutiva contabilizada pelo instituto, o fato se torna relevante por implicar que a manutenção do crescimento, mesmo em pequena escala, pode se tornar tendência e deixar para trás o ambiente recessivo que o país tem vivido até agora.

Mais relevante ainda é que esse desempenho do mês de junho, agregado aos dos outros três meses anteriores, consolida ganhos positivos da ordem de 3,5% na produção industrial pelo país afora, embora não se possa deixar de lado que, mesmo assim, com esses resultados positivos nos últimos meses, a comparação com o mesmo período de 2015 registra perdas de produção de 6%. Como os ganhos ainda não deram para contrabalançar as perdas registradas na produção industrial, de acordo com o IBGE, o 2º trimestre de 2016 fechou com saldo negativo de 6,7%, enquanto o acumulado no primeiro semestre deste ano foi de -9,1%, ambos no comparativo com igual período de 2015.

Porém, se os números relativos ao desempenho do setor privado começam a dar sinais de recuperação e, neste caso, a indústria, o mesmo não pode ser dito em relação às medidas necessárias ao desengessamento da economia envolvendo o setor público. Por ali, ao contrário dos discursos de boa vontade no sentido de implementar mecanismos que deem maior transparência e controle aos gastos do governo, o que se vê é a contemporização do governo interino com o aumento dos dispêndios, principalmente aqueles voltados para o custeio do funcionalismo.

Dados do Ministério da Fazenda informam que, no período de 2012 a 2015, os gastos do governo federal com os quadros de servidores tiveram aumento de 36%, enquanto as demais despesas da administração pública cresceram, no mesmo período de quatro anos, mais 32%. O mais relevante nisto tudo é que, onde os recursos deveriam ter aportado em maior volume, por gerar a estrutura necessária ao crescimento econômico, isto não aconteceu. Assim, no que diz respeito aos investimentos da alçada do governo, os recursos decresceram 7% naqueles quatro anos.

Mas se o governo não faz sua parte, também existe aquela parcela de empresas que procuram o “jeitinho brasileiro” com a finalidade de reduzir seus custos, como atrasar o recolhimento de tributos e depois negociar o pagamento, obviamente com um bom desconto a favor de seus caixas e perdas de arrecadação aos cofres públicos que, com programas como o de recuperação fiscal, parcelamento especial e excepcional, além do Programa de Recuperação Fiscal da Crise, desde os anos 2000, deram um substancial acréscimo na arrecadação, mas, em contrapartida, incentivam o mau pagador e apenam quem paga seus compromissos com o fisco em dia.

A não ser que o governo mude realmente de postura, após a definição do impeachment de Dilma Rousseff, a recuperação vai ficar mais longe, mesmo estando quase à vista, como indicam os números da conjuntura econômica.

Publicado na edição de julho/2016 da revista PIM Amazônia

 

Soluções novas para problemas antigos

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, economia, incentivo fiscal, logística, Manaus, Zona Franca de Manaus

Em meados dos anos 1994, quando publicou “Manáos-do-Amazonas”, Samuel Benchimol já chamava a atenção para os novos (velhos) problemas que administradores públicos de Manaus e do Estado do Amazonas deveriam enfrentar e cujas raízes, dizia o estudioso, decorreram da mudança de paradigmas entre os modos de produção e divisão do trabalho ocorridos até então, quando a Zona Franca de Manaus (ZFM), ao oferecer oportunidades de trabalho e benefícios, se tornou polo de atração do homem do interior, não só do Amazonas, assim como dos demais Estados e não apenas da Amazônia.

Os percalços que a indústria incentivada enfrenta, no entanto, vão desde a ausência de logística para trazer matéria-prima ao Polo Industrial de Manaus, até a saída dos produtos finais

Na visão de Benchimol, e lá se vão mais de 20 anos, as “cidades-capitais” como Manaus, Belém/PA e São Luiz/MA eram centros urbanos que tinham “sua própria identidade de cultura, tradições e valores”. Mas, reconhecia, aquele mundo urbano deixou de existir, tragado por cidades alienadas, independentes, que romperam com os laços que as ligavam às cidades do interior e a cultura rural, transformando-se, como Manaus, em cidade-Estado devido aos avanços da globalização que “passou a refletir interesses forâneos”.

Abandonado, o interior se estagnou desde há muito e a capital do Amazonas continua a não conseguir dar solução aos velhos problemas de saneamento, invasões, infraestrutura, entre outros, mantendo um passivo social de tamanho considerável com sua população menos favorecida.

As constatações de Benchimol, no entanto, continuam a ser motivo de preocupação não só de administradores públicos como prefeitos de Manaus e governadores do Amazonas. Aí se incluem, entre outros tantos agentes públicos como a superintendente da Zona Franca de Manaus, Rebecca Garcia, e o comandante militar da Amazônia, general Antonio Miotto. Os dois, em perspectivas peculiares às instituições que administram, deram mostras de suas inquietações quanto à conjuntura vivida pela região e também acerca do futuro da Amazônia, no 3º Congresso Internacional do Centro Celso Furtado, realizado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e encerrado na última sexta-feira, dia 16.

Pelo lado militar, o general Miotto afirmou que o Brasil, e por tabela a Amazônia, pode ter perdas de patrimônio, soberania e respeito internacional em decorrência de ter negligenciado investimentos em ciência, tecnologia e inovação, assim como na industrialização nacional de defesa. O titular do Comando Militar da Amazônia (CMA), deixou muito clara sua visão acerca do que falta ser feito em sua área de autuação, quando especificou que defesa também é criar estratégias de desenvolvimento regional.

A realidade do que acontece – ou não acontece – no Amazonas pode ser ilustrada por um fato corriqueiro em Manaus, infelizmente, apesar de a cidade estar conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de produção e distribuição de energia: durante toda a manhã, os debatedores do congresso tiveram que fazer suas intervenções sem nenhum recurso midiático e sob um calor beirando os 30ºC, no campus da Ufam, porque faltou energia.

Pelo lado da Suframa que, como afirmou a superintendente Rebecca Garcia, chegou a construir ponte em sua área de jurisdição – “no tempo das vacas gordas” – há necessidade de aprimorar a vocação local para o aproveitamento das matérias-primas regionais e, assim, colocar a Zona Franca de Manaus no mapa internacional.

Os percalços que a indústria incentivada enfrenta, no entanto, vão desde a ausência de logística para trazer matéria-prima ao Polo Industrial de Manaus, até a saída dos produtos finais, com agravantes como o “passeio” que motocicletas fabricadas aqui fazem a São Paulo, pela ausência de centro de distribuição em Manaus, o que possibilitaria, caso existisse, vendê-las ao consumidor manauara por um custo menor.

Os problemas da região, como se vê, não são novos, mas a perda de força das instituições, seja política ou na gestão de seus recursos, acaba por deixá-las sem poder cumprir com o essencial, que seria o desenvolvimento regional.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 20 e 21/09/2016

Otimismo & companhia limitada

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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Abraciclo, Brasil, desconstrução, economia, investimentos, petista, preços

A desconstrução do país pelo último governo petista deixou um rastro de quase 12 milhões desempregados, o setor industrial está com grande parte de sua capacidade instalada ociosa, assim como Estados e municípios continuam sem recursos para garantir algum bem-estar à população, mas o desenlace finalmente aconteceu no último dia 31 de agosto, que marcou o fim da gestão do partido que tinha no 13 seu número de registro na Justiça Eleitoral.

Quanto a novos investimentos a serem feitos no país, o indicador Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) detectou, após 30 meses de taxas negativas, a evolução positiva de 0,4%

O impasse que paralisou o Brasil afugentou investidores nacionais e estrangeiros, detonou o grau de investimento conquistado a duras penas durante a administração Lula e, finalmente, terminou com o impeachment de Dilma Rousseff na última quarta-feira de agosto, que também vai passar para história como o dia em que o país teve três presidentes em 24 horas: a presidente destituída, o interino que assumiu e logo em seguida embarcou para a China e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que assumiu o cargo na ausência de Michel Miguel Temer.

As boas notícias começam em agosto, que apesar da fama de mau agouro que o acompanha, até que não esteve tão ruim. Para começar pode-se registrar números da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) que informaram crescimento de 23% na produção de motocicletas em relação ao mês de julho. A parte ruim é que, em julho, houve concessão de férias coletivas no segmento.

Mesmo assim, a própria Abraciclo registrou, no decorrer de 2016, o expressivo crescimento de 9% na exportação de veículos de duas rodas. Até agosto, o volume de vendas ao exterior beirava as 40 mil unidades. Com esforços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), incluindo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a tendência é ampliar ainda mais a comercialização de motocicletas no mercado externo.

Quanto aos preços, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou, no oitavo mês de 2016, ligeira queda na apuração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quando esse indicador da inflação foi de 0,44%. Em julho, o IPCA chegou a 0,52%. Enquanto o acumulado do ano é de 5,42%, mas em 12 meses a inflação medida pelo IBGE está muito acima do teto das metas perseguidas pelo Banco Central, pois atinge a marca de 8,97%.

Do ponto de vista de novos investimentos a serem feitos no país, o indicador Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) detectou, após 30 meses de taxas negativas, a evolução positiva de 0,4% no segundo trimestre de 2016, na comparação com o período encerrado em março.

Baixa na inflação, expansão nos investimentos. Embora não se possa dizer que já sejam uma tendência consolidada, indicam a disposição dos investidores de aplicar recursos na economia real. Essa expectativa também é endossada pela permanência da taxa Selic no mesmo patamar de 14,25% a.a., embora os analistas vejam como muito grande a possibilidade de que a taxa básica de juros venha a cair no futuro próximo.

No entanto, nem só de boas notícias vive o mercado. A greve deflagrada pelos auditores fiscais da Receita Federal, que querem aumentos salariais, deixa mais de 3 mil contêineres estacionados nos portos da capital do Amazonas, enquanto o Polo Industrial de Manaus (PIM) pode parar, caso os auditores da Receita Federal continuem seu movimento.

O paradoxo do movimento paredista dos fiscais da Receita Federal é que seus porta-vozes alegam que estão apenas fazendo verificações rigorosas para poder liberar as mercadorias. Fica a dúvida: normalmente as vistorias são superficiais, então?

Mas, entre greves mal explicadas e expectativas positivas, pelo menos o país parece começar a andar novamente e, por aqui, a aprovação pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), de pauta com 34 projetos industriais estimados em R$ 3,2 bilhões, no dia 1º de setembro, dá o tom do otimismo que começa a voltar ao mercado.

Publicado na edição de agosto/2016 da revista PIM Amazônia

Promessas de candidato e as lendas amazônicas

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, candidato, eleição 2016, Manaus, política, prefeitura, promessa

A campanha eleitoral onde políticos disputam a cadeira de prefeito de Manaus anda quente na cidade, nas redes sociais, além da TV e rádio, mas as propostas são escassas, repetitivas e, à primeira vista, na maioria dos casos, o candidato a prefeito “esquece” de um detalhe muito importante: explicar como vai fazer aquilo que está prometendo aos eleitores durante a campanha.

Se no campo das promessas os fatos se casam com as expectativas, isto é, não há praticamente nada de novo sob a luz dos refletores da TV ou nas ondas de rádio, o comportamento de alguns postulantes a ser o dirigente máximo da cidade também imita campanhas passadas, onde acusações sem comprovação são feitas em um jogo de cena para impressionar incautos e o eleitor desinformado.

Desse tipo de candidato, o mínimo que se pode dizer é que apela para a demagogia, que é, ao longo da história ocidental, a arte de conduzir o povo, mesmo utilizando de artifícios e subterfúgios para enganar o cidadão

No mesmo ritmo estão os candidatos que apresentam o atual prefeito de Manaus e seus antecessores, mais ou menos no “estilo Lula da Silva”, para quem nada foi feito e algo, se o foi, não presta, é danoso e não beneficia a população. É a lenga-lenga do “nunca antes neste país”, no caso, em Manaus.

Tais posturas de candidatos fazem lembrar lendas amazônicas como a do Matinta-Perera, também conhecido como Saci-Pererê, que à noite incomoda os vilarejos com seu assobio e não deixa ninguém dormir até que lhe deem ou prometam dar fumo, tabaco, já que a criatura é fumante inveterada. Qualquer semelhança com esta época pré-eleição de 2 de outubro não é coincidência.

Mas existem candidatos que preferem algo mais glamoroso – não é o caso que se viu na semana passada, quando a cara-de-pau levou um a carregar água em baldes na periferia da cidade, enquanto um outro foi “passear” de ônibus para demonstrar a precariedade do sistema de transporte coletivo urbano, da qual, aliás, ninguém duvida.

Desse tipo de candidato, o mínimo que se pode dizer é que apela para a demagogia, que é, ao longo da história ocidental, a arte de conduzir o povo, mesmo utilizando de artifícios e subterfúgios para enganar o cidadão, seja fazendo promessas inexequíveis ou deixando de cumprir as exequíveis, uma vez que pesa mais, para tais políticos, alcançar e permanecer no poder.

A estes a lenda mais apropriada para descrevê-los é do boto-cor-de-rosa, animal que, no período da lua cheia ou nas festas juninas, se transforma em um belo rapaz para atrair e seduzir donzelas. As que caem em sua lábia, diz a lenda, engravidam de um bebê… boto.

Vaidade e gente cheia de orgulho não falta nesta campanha, seja a vaidade de achar saber tudo ou o orgulho de pensar ser o único iluminado a ter capacidade para administrar Manaus e tornar o dia-a-dia dos manauaras menos estressante e com mais qualidade de vida. Mas o candidato com essas “qualificações” pode ser identificado com a lenda do Pirarucu, guerreiro vaidoso e orgulhoso, filho de um cacique, que oprimia seus irmãos na ausência do pai e foi atingido por um raio, por desígnio de Tupã, transformando-o no saboroso peixe amazônico.

No nível atual da campanha, os políticos mais confundem do que esclarecem (algo novo por aí?). Quando algum candidato diz, por exemplo, que vai oferecer aulas particulares de reforço aos alunos do município, enquanto outro prefere garantir a segurança da cidade e um terceiro, se eleito, se diz disposto a consultar o povo para saber onde investir o dinheiro público.

Por aí dá para sentir que não há, aparentemente, intenção de resolver os problemas urbanos, melhorar o que pode ser melhorado, mas apenas mostrar que é o melhor candidato. Como diz o ditado, falar é fácil, difícil é fazer.

Ao eleitor cabe a pior das tarefas: descobrir, entre oito candidatos, quem pode fazer gestão melhor que o atual prefeito, o qual, aliás, anda muito calado.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 13/09/2016

Varejo e indústria começam a reagir

27 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, crise, economia, emprego, indústria, Manaus, varejo, zona franca

Terminada a Olimpíada Rio 2016, quando o Brasil conseguiu, finalmente, obter a simpatia de atletas e até de dirigentes olímpicos, os quais, antes, estavam com o pé atrás sem acreditar na capacidade de o país realizar os jogos de forma segura, onde as críticas também abrangiam a área de saúde, dado o potencial de contrair o zika vírus e outras doenças tropicais, sem falar na poluição nas águas da baía da Guanabara.

No mais, é ano eleitoral, momento para definir quem vai governar Manaus nos próximos quatro anos e o eleito (ou reeleito) já começa o mandato com a missão de driblar a crise

No fim, foi tudo festa e o país conseguiu até mais medalhas do que em outros jogos olímpicos. Mas se a olimpíada aconteceu de forma satisfatória, o país ainda está mergulhado na crise político-econômica desencadeada pelo último governo petista, cujo desenlace deve acontecer a partir do próximo dia 25, quando tem início a sessão do Senado Federal que deve pôr fim ao impasse político que parou a economia brasileira há cerca de dois anos.

No entanto, há boas notícias, as quais, se não indicam o fim dos gráficos de cabeça-para-baixo na atividade econômica, pelo menos deixam transparecer que a economia começa a reagir.

No Polo Industrial de Manaus (PIM), por exemplo, o emprego, no comparativo entre maio e junho deste ano, já apresenta uma ligeira evolução positiva, enquanto o nível de aquisição de insumos no mês de junho foi o maior do primeiro semestre de 2016, sem falar na evolução positiva, mês a mês, desde janeiro de 2016, dos investimentos produtivos efetivados pela indústria da Zona Franca de Manaus (ZFM), de acordo com os Indicadores do PIM referentes a junho.

No comércio também já há números positivos, mesmo que a base de comparação seja entre os meses do primeiro semestre e não contemple, ainda, a evolução de 12 meses.

Conforme a Sondagem Conjuntural do Comércio Varejista de Manaus, divulgada na segunda-feira, 22, pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas (IFPEAM), o varejo apresenta algumas boas novas, a exemplo do emprego, onde a pesquisa da Fecomércio aponta crescimento de 0,19% na comparação entre maio e junho deste ano.

No mesmo compasso, a folha de pagamento do varejo teve evolução positiva de 0,13% entre maio e junho deste ano, enquanto o nível de estoque aumentou 1,10% no período.

Nessa conjuntura, a má notícia é a de que o faturamento dos varejistas caiu 0,55% entre maio e junho de 2016 e a evolução negativa na comparação entre junho de 2015 e o mesmo mês deste ano é de 3,16%. Entre os segmentos que tiveram recuperação detectada pela sondagem do IFPEAM, em junho, estão material de construção e o varejo de bens duráveis.

A travessia do período recessivo parece estar se iniciando e a resolução do imbróglio acerca do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff deve dar mais fôlego à iniciativa privada para tocar seus projetos e, quem sabe, talvez o governo federal comece, realmente, a trabalhar para aprovar medidas que impactam em toda a atividade econômica.

No mais, é ano eleitoral, momento para definir quem vai governar Manaus nos próximos quatro anos e o eleito (ou reeleito) já começa o mandato com a missão de driblar a crise e oferecer soluções para os muitos problemas da cidade. Falta de dinheiro não vai poder ser argumento impeditivo de realizações, afinal, se a receita do município caiu, os nove candidatos já o sabem, logo, devem oferecer soluções realistas dentro desse quadro.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 23/08/2016

Açaí para a atacante da seleção

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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açaí, Amazonas, futebol, jogos olímpicos, Manaus, olimpíada, Rio2016

A participação de Manaus na Rio 2016, ou seja, nos Jogos da XXXI Olimpíada da era moderna, deve dar bom resultado para os organizadores, para quem conseguiu se estabelecer comercialmente na Arena da Amazônia e deixar alguma saudade para os espectadores que foram ou irão, nesta terça-feira, à Arena da Amazônia, assistir aos jogos de futebol feminino da seleção brasileira contra a África do Sul, e da Colômbia, que deve enfrentar os atletas dos Estados Unidos.

Bom mesmo, porém, é ouvir a atacante da seleção brasileira, Beatriz, dizer que durante os dias que vai passar na cidade quer aproveitar todas as belezas que puder encontrar

Mas se os estabelecimentos comerciais da Arena da Amazônia podem comemorar, já que os seis jogos praticamente têm garantia de casa cheia, e o desta terça-feira, 9, entre Brasil x África do Sul deve lotar o estádio, o mesmo não se pode dizer em relação aos torcedores que prestigiam os jogos.

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A insatisfação de quem comparece aos jogos começa quando há necessidade de adquirir comida ou bebida no estádio. O serviço é demorado, os produtos são caros, além das filas quilométricas para conseguir comprar alguma coisa por lá.

Porém se os jogos da Rio 2016 trouxeram alguns transtornos para a cidade, como os tais pontos facultativos nos dias de realização dos eventos, ou o desvio do trânsito nas imediações da Arena da Amazônia, além de contratempo e burocracia para quem mora nas imediações, por outro lado, dá prazer ouvir visitantes reconhecerem as belezas da cidade e do Amazonas, mesmo que, em determinado momento, jornalistas da Rede Globo tenham transferido o município de Parintins para o estado vizinho, o Pará, como aconteceu na edição do Fantástico, do último domingo.

Aliás, por falar em Parintins, não é possível deixar de registrar a atuação dos artesãos e artistas parintinenses na abertura da Rio 2016, ocorrida na sexta-feira, dia 5. Até onde a memória lembra, talvez a abertura dos jogos olímpicos de Moscou, em 1980, ainda quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) existia, possa rivalizar com o trabalho feito no Brasil, com destaque para a pavulagem – no melhor sentido – dos artistas da ilha Tupinambarana.

Bom mesmo, porém, é ouvir, como registrou um matutino local, a atacante da seleção brasileira, Beatriz, dizer que durante os dias que vai passar na cidade quer aproveitar todas as belezas que puder encontrar, sem esquecer de tomar o saboroso “vinho” de açaí. Pois é, “vinho” é como jovens com mais de seis décadas de vida chamavam ao suco de açaí.

Vinho ou suco, garanto que Beatriz e companhia vão se surpreender ao provarem um açaí puro, apenas com açúcar e farinha de tapioca. Afinal, esse negócio de pôr amendoim, castanha e até leite condensado no açaí não é coisa de quem conhece e sabe como tomá-lo.

Como tudo é festa, o melhor é esquecer os transtornos causados pelos jogos e aproveitá-los. Afinal, não é todo dia que uma olimpíada vai aterrissar por aqui, principalmente quando o manauara vai ter oportunidade de ver e torcer pelas meninas da seleção, que já garantiram vaga na fase seguinte e, ao contrário do triste espetáculo da seleção masculina, as moças só têm dado alegria aos brasileiros.

Dá-lhes Marta, Beatriz e, possivelmente, Cristiane!

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 9/08/2016

Boas notícias, mas governo ainda atrapalha

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, crise, economia, governo, inflação, melhoria, Michel Temer, recessão

Ao fim do primeiro semestre de 2016, as indicações de que o mercado começa a reagir, assim como a expectativa de que o fundo do poço, se ainda não foi atingido, já está bem próximo, irrompem de fontes como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de estarem espelhadas na pesquisa semanal realizada pelo Banco Central do Brasil, a Focus, divulgada às segundas-feiras.

De acordo com os Indicadores Industriais relativos ao mês de junho de 2016, divulgado pela CNI na segunda-feira, dia 1º, de cinco indicadores por ela levantados, três têm evolução positiva, dois ainda estão em queda e o quinto, não evoluiu.

O estudo da CNI informa que o faturamento da indústria apresentou crescimento de 2% no mês de junho, ao mesmo tempo em que as horas trabalhadas na produção apresentaram expansão de 0,2%, além de a utilização da capacidade instalada ter crescido 0,3%. A pesquisa informa ainda que o rendimento médio real dos trabalhadores desse segmento da atividade econômica permaneceu estável.

O porém apresentado no estudo da entidade de classe da indústria é que, no período estudado, o emprego apresentou queda de 0,6%, acompanhado – por tabela – por baixa na massa salarial no mesmo nível de 0,6%.

O estudo da CNI destaca o fato de que o crescimento de 2% no faturamento da indústria em junho, em relação ao mês anterior, acontece depois de três meses de quedas consecutivas. A pesquisa esclarece, ainda, que no comparativo com o mesmo mês de 2015, a baixa foi de 8,2%. O mais grave é que, no primeiro semestre deste ano, o acumulado é uma queda de 11,2% no faturamento das indústrias.

Pelo lado do Banco Central, também existem boas e más notícias. As boas são que, para este ano, dos quatro indicadores de inflação pesquisados em relação à semana anterior, três apresentam expectativas de queda e apenas o IPCA permaneceu com a mesma estimativa da semana anterior, de chegar ao fim de 2016 em 7,21%. No entanto, ao se considerar que, há quatro semanas, esse indicador era de 7,27%, mesmo aí há melhorias.

Se o mercado vê o câmbio em queda, com expectativa de 2016 fechar com a moeda norte-americana cotada em R$ 3,30, quando na semana anterior o valor era de R$ 3,34, pelo lado do segmento administrado pelo governo as coisas não estão em céu de brigadeiro.

Exemplo disso é que a dívida líquida do setor público continua a apresentar tendência de alta, impactando, assim, as expectativas em relação à taxa básica de juros, a Selic. De acordo com a pesquisa Focus, 2016 deve fechar com a Selic em 13,50%. Na semana anterior a previsão era de 13,25%.

Quanto à geração de riqueza neste ano, os agentes de mercado consultados pelo Banco Central estão mais otimistas. Há cerca de um mês, a expectativa era de queda em -3,35% no produto interno bruto (PIB). Na semana passada esse valor caiu para -3,27% e nesta semana as expectativas convergiram para -3,24% no fim de 2016.

Se o panorama visto para o setor privado parece se encaminhar para uma reação contra a recessão, o governo ainda não dá sinais de estar fazendo o dever de casa de forma rígida. Para completar, o presidente em exercício, Michel Miguel Temer, que no início de sua gestão dizia não pretender se candidatar à reeleição em 2018, já ensaia sair para candidato. Quer dizer, se for por aí, as medidas duras e necessárias para tirar o país do buraco vão demorar mais ainda.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 2 e 7/08/2016

Mortes no trânsito custam R$ 50 bilhões por ano

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, economia, jovem, morte, trânsito, violência

Enquanto a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal se preocupam com terroristas nacionais que poderiam, ou estariam fazendo preparativos para um possível ataque durante os jogos olímpicos Rio 2016, os brasileiros continuam morrendo nas ruas do país vitimadas pela violência, seja de bandidos ou do trânsito.

No ranking sobre as principais causas de morte organizado pelo Ministério da Saúde, com base em dados de 2013, as vítimas fatais que morrem no asfalto ocupam a 9ª posição, com 42.266 mortes naquele ano.

No entanto, a notícia pior é que, quando a análise dos pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) se volta para a faixa etária, em estudo divulgado no fim de julho, os acidentes de trânsito terrestres (ATTs) ficam em posição de destaque.

Usuários/condutores de motocicletas são 30% desta causa de óbito

No estudo, a faixa etária que vai de cinco a 14 anos, analisada quanto a causa de morte por ATTs, fica em segundo lugar com 13.632 mortes em 2013. A campeã, como não poderia deixar de ser, é a morte por agressão, com 30.213 óbitos. Fazem parte do ranking, nas três posições seguintes: outras causas externas, com 5.369, suicídios e internações indeterminadas, 4.885, além de neoplasias (tumores), 3.519.

Embora na faixa seguinte – entre 15 e 29 anos – as mortes por ATTs se mantenham na mesma posição – em 2º lugar, com 1.233 ocorrências -, a diferença para o primeiro colocado (1.243) é bem menor. No entanto, na análise entre os mais jovens, entre cinco e 14 anos, os óbitos por ATTs representam cerca de 24% das 57.213 mortes listadas entre as cinco principais causas.

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Os analistas do Ipea constataram que, quando há a implantação de legislação mais dura para reger o trânsito, no momento seguinte as mortes no asfalto se reduzem, como aconteceu em 1998, quando entrou em vigor o novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), lei 9.503/1997, assim como em 2008, quando a Lei Seca (lei nº 11.705), instituiu a tolerância zero com álcool ao volante. Na sequência, porém, a violência no trânsito volta a subir a patamar até superior ao anterior.

Do ponto de vista econômico, os pesquisadores do Ipea, em conjunto com os técnicos do Ministério da Saúde (MS), estimam que a sociedade brasileira perde cerca de R$ 50 bilhões por ano em virtude das mortes no trânsito em cidades e rodovias do país.

Ao catalogar as principais vítimas das mortes no trânsito e meios de locomoção utilizados, o estudo do Ipea informa que usuários/condutores de motocicletas são 30% desta causa de óbito. Em seguida vêm os ocupantes de automóveis, que formam 24% das mortes e, em terceiro lugar os pedestres, com 20%.

Ainda sob a análise econômica, o estudo do Ipea deixa claro que, quanto mais jovem a pessoa morre vítima da violência, maior é a perda para a sociedade. De acordo com o documento do Ipea, no Brasil, as mortes por acidentes de trânsito atingem a taxa de 21/100.000 habitantes, quando em outros países esse valor é bem menor. Como exemplo, o estudo cita que em países desenvolvidos essa taxa fica em 12/100.000 hab. e na Europa está na faixa dos 10/100.000 hab.

O Brasil, que agora se dá ao luxo de procurar terroristas nativos, não têm políticas para combater duas das principais causas de morte de seus cidadãos: a violência desenfreada da bandidagem, em grande parte derivada do tráfico de drogas, e as mortes no trânsito. As duas matam mais do que guerras pelo mundo afora.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 26/07 e 4/08/2016

Sem educação de qualidade, capital humano vai à míngua

20 terça-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Amazonas, Brasil, capital humano, educação, Pisa, produtividade

Em 2015, o Programme for International Student Assessment (Pisa) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – avaliou 65 países, incluindo o Brasil, que participou com mais de 30 mil estudantes com até 15 anos de idade e que já haviam terminado o Ensino Fundamental. As conclusões desse estudo e de outras fontes não deixam dúvidas sobre como o Brasil vem cuidando – ou descuidando – da educação nos últimos tempos.

A posição ocupada pelo Brasil na avaliação Pisa, por si só já diz muito sobre a quantas anda a educação dos jovens brasileiros. O país ficou em 53º lugar entre os 65 países que participaram da avaliação.

O resultado é que 34% dos jovens estudantes que chegam à quinta série do Fundamental não conseguem ler, outros 20% conseguem a proeza de concluir o Ensino Fundamental sem, no entanto, dominar a leitura ou a escrita, mas nos últimos anos havia um governo a dizer que o Brasil se tornara a “Pátria Educadora”.

O pouco caso com que a educação é tratada no país espelha o descompromisso com o futuro das novas gerações e ao, comprometer o preparo educacional dos jovens, determina também o atraso do Brasil em obter produtividade e competitividade com sua força de trabalho nos próximos anos.

É justamente aí que estudos como o efetivado pelo Fórum Econômico Mundial mostram porque o Brasil perde feio na comparação com outros países, mesmo aqueles localizados na América Latina, apesar de sermos a maior economia da região.

No Índice de Capital Humano, levantado pelo Fórum Econômico Mundial entre 130 países, o Brasil aparece como o 83º colocado, atrás do Uruguai (60º), Colômbia (64º), México (65º), Bolívia (77º) e do Paraguai (82º). Sintomaticamente, o Brasil fica à frente da Venezuela (89º).

A definição de capital humano especifica que é o conjunto de capacidades, conhecimentos, competências e outros atributos, inclusive de personalidade, que facilitam o trabalho para produzir valor econômico. Quer dizer, no cerne do capital humano está a educação, a qual, no Brasil, está começando muito mau, prejudicando o desenvolvimento que a experiência e a perícia iriam dar à mão de obra, principalmente quando se sabe que a qualificação do trabalhador brasileiro ainda não atingiu o nível ideal.

É no mercado de trabalho que a ausência do capital humano vai se cristalizar quando o trabalhador, por falta de qualificação, não consegue obter um posto de trabalho, enquanto as organizações, mesmo se dispondo a contratar, não conseguem encontrar candidatos que preencham os pré-requisitos mínimos para determinada função.

O resultado de tal conjuntura é trazer capital humano de onde eles estão, de países como Finlândia, primeiro colocado no estudo desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial, Noruega, Suíça e do Japão, como se pode conferir, neste último caso, nas empresas que mantêm operações no Polo Industrial de Manaus (PIM).

O Brasil, que vive um momento de inflexão a partir do qual se espera que políticas públicas com objetivos voltados para o crescimento e desenvolvimento nacionais sejam implantadas, não pode mais se dar ao luxo de cultivar um modelo de educação voltado para gerar estatísticas, quando procedimentos, nas salas de aulas, levam à aprovação de estudantes que não aprendem nem a ler, quando mais a escrever.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 19 e 20/07/2016

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