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~ Artigos, crônicas e notícias sobre Manaus, economia e atualidades

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Arquivos do Autor: Eustáquio Libório

Protestos e toadas de bumbá na Djalma Batista

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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corrupção, Dilma Rousseff, escândalo, govermo, Manaus, manifestação, PT, toada

Motivos para protestar foi o que não faltou aos manifestantes que foram à ruas de Manaus demonstrar a sua inconformidade com os rumos do país nos últimos tempos em função da má gestão do governo petista, com os consequentes prejuízos à população que enfrenta a má qualidade dos serviços públicos agravada por fatores como desemprego.

O brasileiro sabe ser possível ao povo que elege um político, também destituí-lo

No entanto, se a maior parte dos manifestantes estava antenada com os erros cometidos pelo governo de Dilma Rousseff e outros que já vêm de seu antecessor, como a opção por aquilo que os petistas denominaram de nova matriz econômica, deixando de lado o tripé básico para ampliar os gastos públicos, a intervenção do Estado na economia, além de deixar correr frouxa a inflação.
Outras medidas também concorreram para pôr o país na situação de crise econômica como o controle de preços e até mesmo a utilização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como sócio na criação de grande grupos empresariais. Isto sem falar na endêmica corrupção, agora institucionalizada, e na crise política.
Em que pesem essas medidas como motivos para os manifestantes mostrarem seu desagrado com o governo, o que pegou mesmo, pelo menos em Manaus, foi o apelo anticorrupção e o peso da inflação no bolso dos brasileiros.
De outro lado, gente que já foi apoio e sustentação do PT e do lulismo caiu em si e mudou de lado ao ver o descalabro na administração e o reflexo disso na sua renda, no seu bolso, como é o caso de funcionários públicos que se armaram de faixas e cartazes para reivindicar, além do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o reajuste de seus salários, corroídos pela inflação, cuja defasagem, dizem, está próximo dos 30%.
Se há motivos legítimos para descontentamento com o governo, existes também aquelas reivindicações que podem ser classificadas, no mínimo, como sem propósito. É o caso, por exemplo, de quem quer a volta dos militares por achar que não haveria políticos capazes de colocar o país nos eixos, novamente. Ora, homens, independente da profissão, são falhos pela própria natureza e nada garante que um militar, como já aconteceu no  passado, esteja isento de cometer erros.
A democracia, o voto, as eleições e a harmonia entre – embora às vezes a desarmonia momentânea possa ocorrer – os poderes é que garantem o funcionamento das instituições, e nesse aspecto o país tem caminhado firme nas últimas décadas. Logo, ter a pretensão de pôr o país sob a tutela militar é um equívoco.
Os manifestantes da avenida Djalma Batista acrescentaram tempero no protesto ao montar letras que exprimiam sua insatisfação, ao mesmo tempo que cultivaram uma característica muito amazonense ao cantar essas reivindicações no ritmo contagiante das toadas dos bumbás de Parintins. E aí, a avenida, toda em verde e amarelo, esqueceu a rivalidade “bovina” para mostrar a unidade contra o descalabro na administração pública.
Não passou despercebida, também, a vontade de tirar o crime organizado, e muito bem organizado, que infesta o país e, entre outros males, conseguiu detonar a maior empresa brasileira, a Petrobras, cujas ações despencaram em mais de dois terços, obviamente com a ajuda, neste caso específico, da conjuntura internacional a jogar o preço do petróleo para o chão.
Por fim, cabe lembrar que a suposta ligação do ex-presidente Lula com ilegalidades junto a empreiteiras investigadas pelo juiz Sérgio Moro, na operação Lava-Jato, acabou por dar um toque novo às manifestações, uma vez que até então o ex-presidente não fora alvo desse tipo de conexão indecente.
Aos que julgam que o número de pessoas nas ruas é que conta, fica o lembrete que o próprio ex-presidente Lula fez, à época do impeachment de Fernando Color, ao dizer que o brasileiro sabe ser possível ao povo que elege um político, também destituí-lo. Tudo, obviamente, conforme as leis e em conformidade com a democracia.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 18/08/2015

Dez motivos para protestar dia 16 de agosto 

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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Dilma Rousseff, estelionato, inflação, Lula, protesto, PT, recessão

No próximo domingo, dia 16 de agosto, brasileiros, pobres ou ricos, de todas as raças, idade e credos vão, mais uma vez, às ruas protestar contra o desgoverno da presidente Dilma Rousseff, no particular, e, no geral, contra a permanência do PT dirigindo o destino do Brasil. 

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A velha tática de negar a realidade usada desde sempre pelo ex-presidente Lula da Silva e seus simpatizantes caiu por terra e até petistas de raiz já não conseguem deixar de ver o que o governo – ou desgoverno – atual deixou de fazer para o país estar em situação calamitosa, quando a política e a economia enfrentam uma crise agravada por corrupção no alto escalão do governo. 

Se a inflação reduz a quantidade de comida que um pai de família pode levar para sua casa, a taxa de juros concorre para complicar mais ainda a vida dos brasileiro

Motivos para ir às ruas é que não faltam aos brasileiros e brasileiras, acuados por uma inflação que, até julho de 2015, já atingiu 6,83% e se aproxima, no acumulado de 12 meses, dos dois dígitos, pois o IPCA, nesse período, é de 9,56%. 

Se a inflação reduz a quantidade de comida que um pai de família pode levar para sua casa, a taxa de juros concorre para complicar mais ainda a vida dos brasileiros. Com a Selic, a taxa básica de juros, em 14,15% a.a., quem quiser fazer um empréstimo bancário não vai conseguir pagar menos do que 56% a.a. na Caixa Econômica Federal, enquanto no Banco do Brasil não fica por menos de 71,58%, no Itaú Unibanco são 86,33% e o Bradesco está cobrando “módicos” 100,88 % a.a. Isso só para falar dos maiores bancos. 

Quer mais alguns motivos para ir protestar no dia 16? É só pensar no preço dos combustíveis, que faz as pessoas diminuírem o uso de seus carros, ou da energia que agora, no desgoverno do PT, também aumenta retroativamente por aqui, com a implantação das tais bandeiras, mesmo que o sistema de Manaus não esteja ligado completamente ao sistema nacional. 

Mas a gestão atual fez pior quando empresários, investidores e analistas perderam a confiança no governo. Resultado: as torneiras dos investimentos praticamente secaram, o país está às vésperas de perder o grau de investimento, enquanto, na hora de cortar gastos, a tesoura elegeu cortes prioritários na saúde, que já anda capenga pelo país todo, e na educação, onde o país fica nas posições finais de qualquer ranking internacional. 

Outra razão para ir às ruas no dia 16 de agosto é lembrar do estelionato eleitoral, quando a então candidata demonizou o postulante da oposição que pregava a necessidade de fazer ajuste na economia, conter gastos públicos, manter metas do superávit primário. Nada disso seria feito,pregou a então candidata, mas entre as medidas tomadas pelo governo dos trabalhadores foi justamente dificultar a obtenção de benefícios como auxílio-desemprego e aposentadoria. 

Por falar em desemprego, o país já perdeu mais de 600 mil postos de trabalho neste ano, enquanto as filas para tentar obter o tal auxílio-desemprego só crescem, sem falar no período de carência que o governo petista aumentou para 12 meses. 

O crescimento do país, cuja meta inicial era de 2%, foi caindo, chegou a 0,8% e, agora, a previsão é de uma recessão de 2%. Quer dizer, a meta foi mantida, só que no vermelho. Mas para uma presidente que propõe meta aberta, vale qualquer coisa. 

Por fim cabe lembrar que a presidente, mesmo dizendo que ninguém lhe vai tirar a legitimidade conferida pelas urnas, ela mesma a perdeu quando mentiu durante a campanha e fez tudo ao contrário do que prometera.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 11/08/2015

Redes sociais perdem credibilidade

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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confiança, digital, impresso, informação, mídia, opinião, rede social

Em meados de 2014, o Instituto Máquina da Pesquisa realizou a 4ª edição do estudo “Impacto das Mídias”, divulgado após as manifestações populares que aconteceram naquele ano, organizadas por meio das redes sociais. O estudo é voltado para aferir que tipos de mídia e veículos de informações são acessados com mais frequência por executivos de grandes empresas com o objetivo de obter informações que melhor os situem para a tomada de decisão.

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Conforme a metodologia utilizada na pesquisa, foram ouvidos 226 executivos de 137 empresas do país, as quais são responsáveis por R$ 433 bilhões em faturamento. Do universo de pessoas ouvidas, 96% acessam as redes sociais. A rede social mais acessada é o Facebook que detém 87% dos acessos feitos pelos executivos ouvidos.

A maioria dos entrevistados pelo Instituto Máquina da Pesquisa, 51%, veem a notícia como o gênero informativo mais confiável e 61% consideram que o nível da imprensa melhorou ou se manteve inalterado desde 2011, ano da pesquisa anterior e período a partir do qual as redes sociais se consolidaram no Brasil.

Conforme o estudo, apesar de se informarem pela internet, acompanhando as notícias veiculadas pela web, 49% asseguram que não abrem mão de ler jornais e revistas no formato tradicional, isto é, impressos.

A sondagem dos executivos, no entanto, também quis saber as expectativas, em 2014, sobre o ano de 2015 e os entrevistados, infelizmente, não se enganaram. Pelo menos 57% acreditavam, à época, que a economia iria piorar depois dos jogos da Copa do Mundo e das eleições. Não deu outra.

Quando indagados acerca do maior problema que o país enfrenta e que impede ou reduz o ímpeto de crescimento, a atávica corrupção brasileira foi citada por nada menos que 70% dos entrevistados e o Mensalão, assim como as 15 fases, até agora, da operação Lava-Jato estão aí para corroborar essa percepção.

Para aqueles que consideram as redes sociais meios superpoderosos para disseminar informações, no entanto, os resultados garimpados pelo estudo “Impacto das Mídias” põe um chega pra lá nesse tipo de expectativa, pelo menos entre executivos de grandes empresas a partir do nível de gerência/supervisão.

Se, por um lado, entre os tomadores de decisão, o uso de redes sociais está disseminado com a utilização diária por 61%, enquanto apenas 4% afirmaram não utilizá-las nunca, de outro, não dá para deixar de lado a constatação de que veículos impressos perdem terreno a cada estudo divulgado. Neste caso, o uso diário de jornais impressos para consumir informação é feito por 42%, enquanto 5% afirmaram nunca utilizá-los. Porém, a versão digital dos jornais é vista, diariamente, por 46% dos entrevistados.

Onde veículos impressos como jornais e revistas estão bem é na credibilidade. Se na 3ª edição da pesquisa, em 2011, 18,6% dos executivos viam as redes sociais com credibilidade, esse número caiu quase dois terços e agora apenas 7% ainda mantêm esse ponto de vista, enquanto os jornais impressos, na contramão na baixa da tiragem, passaram de 75,9%, que indicavam esse meio como confiável em 2011, para 81% na última pesquisa.

Como se vê, embora os impressos enfrentem dificuldades, não vai ser, por enquanto, as redes sociais que vão extingui-los. Mesmo assim, é oportuno lembrar do tema do 20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, sobre os impressos: “Ou você muda. Ou mudam você”, e também da advertência do presidente do evento, Roberto Duailibi, para quem o crescimento dos meios digitais é incontrolável, assim como a queda dos meios impressos.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 28/07/2015

Promessas de sempre e o desemprego atual

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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desemprego, economia, greve, inflação, mercadoria, porto, suframa

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Depois de 56 dias de greve, o Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa) decidiu pôr fim ao movimento paredista sem que, até onde se sabe, tenham obtido qualquer ganho. No entanto o movimento perdeu força depois que técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), amparados por medida judicial, fizeram o serviço de liberação de quase mil unidades de carga que estavam à espera de ser desembaraçadas.

Se do lado dos servidores da Suframa o que restou foram as promessas de sempre, desta vez sob o artifício de que os sindicalistas deram um voto de confiança aos parlamentares dos cinco Estados afetados pela greve – Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima– do lado do Estado, da indústria e da própria cidade de Manaus não foram poucos, nem pequenos, os prejuízos causados pela paralisação.

 

O Amazonas perdeu na arrecadação e a indústria calcula em cerca de US$ 5 bilhões as perdas em função da greve dos servidores da Suframa, cujo movimento sofreu impacto da ação do governo estadual no momento em que fiscais da Sefazforam mobilizados para liberar carretas, contêineres, entre outros, a fim de não paralisar ainda mais a atividade econômica no Amazonas.

 

Outra consequência que a greve trouxe foi a desatualização dos dados, normalmente informados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus, com a divulgação mensal dos indicadores industriais. A última edição publicada se refere ao mês de março de 2015.

Em ano de crise, recessão, desemprego e queda nos salários, a informação ganha maior valor, pois é de importância crucial para nortear o planejamento de entidades públicas e do setor privado. Desatualizados os dados, o que é ruim, como o desempenho da atividade econômica abaixo do esperado e com estimativas de analistas avaliando que o produto interno bruto (PIB) deste ano deve ser negativo em mais de 1,5%, as expectativas só pioram.

 

Se a Suframa, por força da greve, deixou de atualizar os indicadores, nem por isso as más notícias deixam de chegar por outras vias, como é o caso do Cagedreferente ao mês de junho, divulgado na sexta-feira, e que mostra o crescimento das perdas dos postos de trabalho pelo país afora.

 

No Amazonas, a contabilidade do extermínio de vagas, assim como o destino da Suframa, preocupam mais do que o normal. Em 12 meses, conforme informações do Caged, foram detonadas 17.412 vagas. Deste total, as maiores perdas aconteceram em 2015, quando 16.951 foram ceifadas no primeiro semestre, das quais 3.859 aconteceram no mês de junho. Os números, se trabalhados pela média, dá como medida um corte mensal de 2.825 vagas.

 

Agora, infelizmente, vêm as péssimas notícias, já que as anteriores eram as más. Assim, como parte do ajuste fiscal ainda está por ser aprovado no Congresso Nacional, a expectativa da inflação continua a indicar demora em baixar o nívelatual, além da conjuntura política tornar o ambiente de negócios complicado para investidores, só se pode dizer, por enquanto, que o túnel deve ser escavado a fim de que a luz, quem sabe no fim de 2016, possa ser avistada.

Se depender de más notícias, mensageiro morre

05 segunda-feira dez 2016

Posted by Eustáquio Libório in Textos & Economia

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brasília, economia, inflação, Manaus, PIM, política, zona franca

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No Planalto e imediações, a conjuntura política continua desfavorável para a presidente, apesar de suas viagens internacionais e das tentativas de lavar as mãos sobre os casos de corrupção que aparecem a cada delação premiada que os procuradores e o juiz federal Sérgio Moro ouvem.

Se a política tem trazido dissabores para a presidente Dilma Rousseff, pior ainda é a economia, onde o acúmulo de pisadas na bola ocorrido no primeiro mandato da petista abriu a represa de notícias ruins para a população com desemprego, inflação próxima dos dois dígitos e os juros, mais altos que voo em altitude de cruzeiro, só fazem a festa dos banqueiros, para variar.

Para a indústria de Manaus, as más notícias também desembarcam nas páginas do anuário Melhores e Maiores 2015, da revista Exame

Quanto às boas notícias, só tem a que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira, 10, de que a produção industrial no Brasil deu um soluço em maio e cresceu incríveis 0,6%. O mensageiro, no entanto, corre o risco de morrer, pois junto à boa nova entregou outras nem tanto.

No comparativo entre maio de 2014/15, informa o IBGE, a produção industrial caiu 8,8%, enquanto no acumulado de janeiro a maio, a baixa foi de 6,9% e, em 12 meses, a queda foi um pouco menor: 5,3%.

Enquanto no Planalto a presidente diz que não cai, mas precisa ser ajudada, na planície o que se tem são os processos remanescentes da campanha eleitoral de 2014, da coligação do atual ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, contra o governador José Melo, que entram na pauta do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas.

A economia por aqui acompanha a conjuntura nacional e o Distrito Industrial continua em baixa como atestam os números do IBGE sobre a produção da indústria local, responsável por 37,3% do produto interno bruto (PIB).

Conforme aquele instituto, em maio a produção da ZFM cresceu 2,6%, mas os outros três comparativos são todos negativos. Entre maio de 2014 e mesmo mês deste ano, a produção da indústria incentivada caiu 13,7%. No acumulado entre janeiro e maio de 2015, a atividade do setor despencou 17,3%. Já o acumulado de 12 meses é menos ruim: queda de 13%.

A consequência da baixa na produção da Zona Franca de Manaus repercutiu em perda de arrecadação do ICMS no Estado do Amazonas. Se no primeiro trimestre a estimativa era de perder cerca de R$ 237 milhões em receitas, junho, conforme números da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) consolidou perdas de R$ 251 milhões. Ao governador restou empunhar o instrumento do alfaiate e emplacar mais uma série de cortes definidos no sábado, dia 4 de julho.

Para a indústria de Manaus, as más notícias também desembarcam nas páginas do anuário Melhores e Maiores 2015, da revista Exame, que compara o desempenho das empresas em 2013 e 2014. O Amazonas, que em edições anteriores já emplacou número próximo de 20 empresas entre as 500 maiores, nesta edição só conseguiu incluir dez e apenas a Samsung ficou entre as 20 maiores, ocupando a 19ª posição, com recuo de duas, pois em 2014 era 17ª maior.

Das dez listadas em Melhores e Maiores, cinco subiram posições, quatro perderam posições com desempenho pior em 2014 e uma, a Digibras, entrou no ranking em 384º lugar.

Por fim, cabe registrar que se 2015 está ruim, nada indica que 2016 traga melhores notícias, até pelo prazo, nada curto, que os ajustes a serem feitos na economia vão demandar.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 14/07/2015

Peso do volume morto

21 segunda-feira nov 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, Dilma Rousseff, lava-jato, Lula, mandato, política, PT

O fim de semana, que  está sendo considerado por muitas pessoas também o fim dos dias para o Partido dos Trabalhadores (PT) e suas lideranças principais, como o ex-presidente Lula da Silva e a atual inquilina do Planalto, Dilma Rousseff, começou com a prisão, na sexta-feira, 19, de dois executivos das maiores empreiteiras do Brasil, Andrade Gutierrez e Odebrecht.

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Quem duvida da seriedade dos fatos que aconteceram na sexta-feira, com a 14ª fase da operação Lava-Jato, pode fazer um paralelo com o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, onde o Ibovespa, principal índice, fechou em queda de 0,90% aos 53.749 pontos. O impacto da prisão, em termos de Bolsa de Valores, foi que o papel da Brasken, controladora da Odebrecht, caiu mais de 10% no pregão de sexta-feira.

Para variar, Lula da Silva usou outra de suas metáforas ao tentar explicar a conjuntura política ao dizer que ele e Dilma Rousseff estão no volume morto

Mas o governo de Dilma Rousseff também se defrontou com a inusitada decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de dar prazo de 30 dias para que a prestação de contas do exercício de 2014 apresente explicações sobre 13 – número absolutamente petista – ações, conhecidas como ‘pedaladas fiscais’, que maquiaram os resultados apresentados no documento.

De outro lado, enquanto um dos empreiteiros ligados à Odebrecht ameaça abrir o bico e detonar a república do PT ao dizer que, se falar vai atingir o ex-presidente e também Dilma Rousseff, o próprio Lula comentou que, agora, os próximos alvos dos investigadores da operação Lava-Jato seriam ele e a presidente.

Às más notícias que encerraram a semana da presidente Dilma Rousseff e seu governo, resta acrescentar o resultado da Pesquisa DataFolha onde o oposicionista Aécio Neves (PSBD) tem 35% da preferência do eleitorado e, caso eleição fosse agora, poderia se eleger. Enquanto o tucano comemora a posição favorável,  Dilma Rousseff amarga rejeição de 65% dos entrevistados que classificam seu segundo mandato como ruim ou péssimo.

Pior do que esse índice de rejeição, dizem os analistas, só o atingido pela administração ex-presidente Collor de Mello, às vésperas de ser despejado do Planalto, que atingiu 68%.
Para variar, Lula da Silva usou outra de suas metáforas ao tentar explicar a conjuntura política ao dizer que ele e Dilma Rousseff estão no volume morto.

Se a metáfora pode ter fácil entendimento para quem convive com o noticiário sobre a seca que aflige São Paulo há algum tempo, para outros cabe esclarecer que volume morto é uma reserva técnica – de água – localizada abaixo do nível das comportas e, no caso de São Paulo, nunca havia sido usada até o estado crítico da estiagem de 2014 naquela cidade.

No caso de Lula, que em outras condições usou essa figura de linguagem para comparar o Brasil a uma churrascaria e criticar seus opositores que exigiam o cumprimento de promessas de campanha e de outros compromissos assumidos pelo então presidente, não parece que ele possa ser classificado como uma reserva técnica para solucionar a crise na qual, a cada dia, mais se envolve o novo mandato de Dilma Rousseff, cuja maior realização parece ser ter conseguido, em menos de seis meses, ter a popularidade abaixo dos níveis das comportas de Cantareira.

Até o momento em que este artigo foi escrito, o fim dos dias da república do PT, anunciado pelo patriarca dos Odebrecht, não se concretizara, mas a investigação da Lava-Jato, assim como a estiagem paulista, é longa e persistente, a indicar que com água ou petróleo, o Brasil pode estar mudando ao punir aqueles que sempre se consideraram não só acima de suspeitas, assim como da própria lei, como bem ilustra o título dado à 14ª fase da operação Lava-Jato:  Erga Omnes, ou “vale para todos”.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 23/06/2015

Cavalo de Troia na aposentadoria

17 quinta-feira mar 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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aposentadoria, Fator previdenciário, INSS, previdência, PT

A renda do trabalhador está sempre sob controle de outro agente que não é ele. Quando busca emprego, a determinação vem da empresa e até os mais bem preparados, às vezes, perdem o emprego, mesmo que temporariamente, e ficam sem renda.

 

APOSENTADORIA-

A busca de emprego é mais dramática à medida que a idade do trabalhador avança. Mesmo com a experiência acumulada ao longo de uma vida de trabalho, a tendência e ter menos oportunidades de emprego, com o agravante de ter a remuneração em queda.

Se o horizonte é desfrutar de uma aposentadoria, não será o benefício pago pela Previdência que vai oferecer essa condição ao trabalhador, o qual, desde o governo de Fernando Collor, que em novembro de 1991 criou o fator previdenciário, vê o valor do benefício ser reduzido se não tiver tempo de contribuição e idade especificados nos textos legais.

Vai ver que a ideia é pôr todo mundo para trabalhar mais, a fim de alimentar os malfeitos que surgem a cada operação da Polícia Federal em busca de gatunos

À época da implantação do fator previdenciário, quem mais gritou contra foi o Partido dos Trabalhadores (PT), cujos integrantes também se insurgiram quando, em 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso deu outra mexida no tal fator, evidentemente para desencorajar aposentadorias de quem ainda poderia continuar no batente, contribuindo para uma possível aposentadoria, quem sabe um ano antes de morrer.

Mas aí o PT vira governo, e ao completar o 13º ano de gestão – esse número é o próprio PT – resolve “melhorar” a vida dos trabalhadores ao propor mexida no cálculo do valor das aposentadorias com o objetivo de equilibrar a grana da Previdência, mas a briga política entre o governo e a base de apoio no Congresso Nacional findou por criar uma alternativa mais onerosa aos cofres públicos e dar um pouco alívio a quem vai se aposentar.

Porém, como se sabe, não existe almoço gráti, e aí quem quiser e tiver as condições de usufruir dessa brecha legal deve fazer o pedido de aposentadoria até dezembro de 2016. A partir daí, a combinação de idade mais tempo de serviço, que hoje deve somar 85 para as mulheres e 95 para os homens, passa a ser progressiva a cada ano até atingir 90 e 100, em 2022.

Trocando em miúdos, o trabalhador vai ter que trabalhar mais cinco anos, a partir de 2022, para conseguir obter, quem sabe, uma aposentadoria maior, surgida dos cálculos inacessíveis ao comum dos mortais.

Agora, quanto ao que é feito na administração dos bilionários recursos do INSS, que a cada mês arrecada mais de R$ 24 bilhões, pouco se sabe, embora os dados sobre esses recursos sejam escassos quanto às aplicações financeiras feitas com eles. Para se ter uma ideia, no site do INSS, os dados consolidados mais recentes que se consegue datam de 2013. Se tem algum mais recente, não está muito à vista.

No entanto, há que se registrar um fato sobre a gestão do Partido dos Trabalhadores com essa medida que amplia em mais cinco anos o tempo de serviço do trabalhador. Afinal, o partido é do trabalhador, vai ver que a ideia é pôr todo mundo para trabalhar mais, a fim de alimentar os malfeitos que surgem a cada operação da Polícia Federal em busca de gatunos que transitam, ou se escondem, sob o negro manto do petróleo de uma certa estatal brasileira.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 30/06/2015

Habilitação para ciclista e pregação em ônibus

16 quarta-feira mar 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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bicicleta, bike, ciclista, ciclovia, Manaus, trânsito

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A metrópole na qual Manaus se transformou tem todos os problemas que as grandes cidades atraem em decorrência de seu crescimento e, por que não dizer, desenvolvimento. Se este não foi suficiente para inibir mazelas durante o processo de expansão da cidade, agora é a vez dos cerca de dois milhões de habitantes pagarem o preço, enquanto as autoridades correm – correm? – atrás das soluções necessárias que, quando forem implantadas, chegarão com algum atraso.

Afirmar que autoridades buscam soluções, no entanto, nem sempre espelha a realidade dos fatos, embora, a favor de quem está investido de algum cargo público em quaisquer dos três poderes, possa se dizer ainda existir aqueles para quem o serviço público é maneira de se realizar como pessoa e, assim, contribuir para dar soluções aos inúmeros imbróglios que complicam a vida urbana.

O outro lado da moeda é a iniciativa de uma vereadora que, se pedalou em alguma magrela pelas ruas da cidade, já esqueceu como é difícil transitar entre veículos de quatro roda

Mesmo assim, há casos nos quais a solução proposta vai na contramão das tendências modernas e até do bom senso. Se contadas de forma literária, têm situações que podem virar lendas urbanas, na melhor das hipóteses. Na pior, se transformarão em pesadelos.

Enquanto na maior parte do mundo, tanto em países ricos como pobres, existe hoje algum tipo de incentivo para as pessoas buscarem vida mais saudável por meio de atividades físicas e, entre essas, pedalar uma magrela, além de fazer bem para saúde, tem outros benefícios.

É o caso de quem pedala para chegar ao seu trabalho. Em Manaus está em expansão o número de pessoas que vão e voltam do trabalho de bike, além da legião daqueles que usam bicicletas para o lazer.

Se por um lado, a prefeitura tenta oferecer algumas alternativas em forma de espaço para ciclistas, elas são insuficientes para o tamanho da cidade, além de, em alguns casos, estar localizada fora dos eixos principais de circulação de pessoas, como a ciclovia instalada nas pistas da avenida Nathan Albuquerque, na zona Norte e quase não utilizada.

O outro lado da moeda é a iniciativa de uma vereadora que, se pedalou em alguma magrela pelas ruas da cidade, já esqueceu como é difícil transitar entre veículos de quatro rodas e atormentado pelas motocicletas que pouco ou nenhum respeito têm pelos ciclistas e pedestres.

A ideia da vereadora, com projeto e tudo em tramitação na Câmara Municipal de Manaus (CMM), é que os ciclistas sejam obrigados a fazer curso de habilitação para pedalar pela cidade. Se depender do Detran/AM, a ideia não prospera.

Outra proposta, de um vereador suplente, egresso do sindicalismo do setor de transporte coletivo. Ele quer porque quer que as magrelas passem a circular somente à noite, após as 19h30. Veja bem: 19h30, nem um minuto antes.

As contradições que a cidade e sua população têm de encarar, no entanto, não param por aí. Ainda na CMM, outra vereadora – suplente – tem proposta que nem merece esse nome, pois é um retrocesso: a parlamentar, que é religiosa, quer liberar a pregação em terminais e dentro dos ônibus. As igrejas, ao que parece, não comportam mais o número de pregadores, pois achar fiel está meio difícil.

Por fim, cabe registrar a luta do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Amazonas (CAU) para obter o direito de integrar o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU).  O CAU deveria ter sido convidado desde sempre, no entanto, está brigando para ir onde sua competência é necessária.

As contradições da metrópole só aumentam até pela contribuição daqueles que deveriam fazer justamente o contrário: tentar reduzi-las.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 09/06/2016

 

Congestionamentos, estresse e morte no trânsito 

16 quarta-feira mar 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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acidente, congestionamento, Manaus, mortes, motociclista, trânsito

O número de veículos em Manaus é grande e aumenta, conforme o Detran/AM, à média de 5 mil novos veículos por mês. Assim, se em março de 2014 o órgão de trânsito informava a existência de 685 mil veículos circulando pela cidade, deve ter fechado o aquele ano com pelo menos 730 mil veículos constituindo a frota de Manaus.

Desses 730 mil, cerca de 25% são motocicletas, o equivalente a 182 mil motos rodando pelas vias da cidade, muitas das quais se envolvem em acidentes e findam por compor estatísticas tristes como os 508 que morreram vítimas desses acidentes no ano de 2011, de acordo com o Mapa da Violência.

Em 2011, pedestres compunham 27,3% das mortes ocorridas no trânsito, pessoas transportadas em automóveis eram 28,7% e os motociclistas lideravam as mortes com participação de 33,9%

Além das mortes no trânsito, que em 2013 mataram cerca de 45 mil pessoas no Brasil, o excessivo número de veículos nas ruas de Manaus, também concorre para aumentar o nível de estresse nas ruas e na vida das pessoas, de maneira geral, afinal, quem não dirige é vítima preferencial dos acidentes com mortes: o pedestre.

Ainda de acordo com a estatísticas do Mapa da Violência, em 2011, pedestres compunham 27,3% das mortes ocorridas no trânsito, pessoas transportadas em automóveis eram 28,7% e os motociclistas lideravam as mortes com participação de 33,9%.

Mas, voltando a Manaus, o outro problema que a cidade não consegue resolver, apesar dos viadutos, passagens de nível, complexos viários, retornos e outras supostas soluções para tráfego de veículos, é reduzir os congestionamentos que se formam por todas as zonas administrativas nos horários de rush e, em determinadas regiões, se estendem por quase todo o dia.

Da forma como a cidade está atualmente, um engarrafamento até em via coletora, caso se estenda por tempo razoável, é capaz de praticamente parar a cidade ou tornar o trânsito tão lento que conseguirá atrasar a chegada das pessoas a seus destinos em tempo superior a uma hora.

Exemplos desse tipo de congestionamento aconteceram no dia 22 de abril, quando duas situações comprometeram a circulação de veículos principalmente nas zonas Sul e Leste, mas com repercussão em boa parte da cidade. Naquele dia, duas ocorrências pararam as vias próximas ao Complexo Viário Gilberto Mestrinho, no Aleixo, quando perseguição policial terminou em troca de tiros e acidente de trânsito, além de um outro veículo que incendiou na entrada da avenida das Torres, pelo acesso da avenida Efigênio Sales.

Menos de um mês depois, uma carreta transportando cabos de cobre caiu na passagem de nível da avenida Umberto Calderaro – que já foi Paraíba – com a avenida Efigênio Sales, parando trânsito naquela via. O pior é que a avenida Paraíba só foi liberada depois das 20h e, durante todo esse período, quem dirige em Manaus penou, mas quem não dirige e anda de coletivo sofreu do mesmo jeito ou até mais.

É tempo de se pensar o trânsito de forma a obter soluções definitivas que não as já usadas e que se sabe, são paliativas, como destacar agentes de trânsito para rotatórias ineficientes ou instalar semáforos debaixo de viadutos.

Se o trânsito é caótico, as mortes por acidente são trágicas, mas as soluções não aparecem.

Por fim, cabe registrar o fato de que o número de veículos está tão grande em Manaus, ou as ruas são insuficientes, que tem shopping onde, em horário de muita frequência, segurança é transformado em agente de trânsito, com apito e tudo, em suas dependências. Infelizmente, não dá para rir, é mais para chorar.

 

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 02/06/2015

Horizonte tenebroso do país sem quilha

16 quarta-feira mar 2016

Posted by Eustáquio Libório in Artigo

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Brasil, cartão de crédito, dívida pública, economia, juros, selic

A vida do brasileiro está difícil e não deve ficar menos ruim tão cedo a se manterem as tendências atuais de juros, inflação e desemprego em alta, enquanto a renda cai e, de carona, o consumo vai derrubando a produção industrial em um círculo que não tem nada de virtuoso, pelo contrário, está mais para vicioso, se me perdoam o trocadilho.

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A indisciplina fiscal que aconteceu nos últimos anos está cobrando seu preço e na alça de mira do cobrador quem aparece com maior destaque é o bolso do cidadão, também conhecido como consumidor ou contribuinte.

Esse é o quadro atual, já o horizonte se apresenta tão tenebroso que é melhor dar um tempo antes de tentar adivinhar

Se o cidadão cometeu o erro de, em 2014, reeleger a presidente petista, agora quem está sendo apenado é um tal de consumidor. Por falta da oferta de crédito e, quando esse aparece, os juros, a alturas estratosféricas, inibem sua utilização. Com isso, o consumidor teve que se metamorfosear em outro personagem, malquisto e malvisto pelo comércio e pelos bancos: chama-se inadimplente.

Enquanto o inadimplente renegocia suas dívidas, um eufemismo usado para fazê-lo pagar o valor original de sua obrigação a juros exorbitantes por um prazo a perder de vista, mas que beira a eternidade, com a única vantagem de caber no orçamento do pobre inadimplente que tem, ainda assim, a vaidade estar limpando seu nome.

Mas se o inadimplente renegocia sua dívida e faz sacrifícios para sair do vermelho, mesmo ao preço de cortar, em alguns casos, despesas essenciais, um outro personagem entra em cena para atender ao chamado, quase intimação, de algo conhecido e fomentado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como ajuste fiscal. Isto é, o governo – a tal petista – que desajustou meio mundo, agora convoca o contribuinte para pagar sua parte na festa da qual ele pouco participou.

A conta que acaba de embarcar na vida do contribuinte sem ao menos pedir licença deve ficar aí pela casa dos R$ 70 bilhões e vai ser sentida na falta de investimentos em infraestrutura, na educação, moradia e saúde, para citar as áreas mais atingidas pela tesoura federal.

Na outra ponta, a do tesouro federal, a dívida pública – parte mais visível da indisciplina fiscal –  teve um “pequeno” crescimento entre os meses de fevereiro e março: passou de R$ 2,33 trilhões para R$ 2,44 trilhões. Quer dizer, em 30 dias a dívida cresceu “apenas” R$ 11 bilhões. A pior parte nessa conta, porém, é o montante dos juros pagos, os quais, conforme o Tesouro Nacional, foi de R$ 29,50 bilhões, devidamente financiados com a emissão de papéis remunerados à taxa Selic.

Mas aí o cidadão, contribuinte, consumidor, inadimplente e um tal de desempregado, figura que também está aparecendo aos montes nas ruas do Brasil, vai perguntar: e o que temos a ver com isso? Tudo.

Me explico: o crédito está escasso porque a dívida pública cresceu e continua a se expandir, com isso, grosso modo, os juros – Selic – aumentam, pois os bancos veem risco maior, logo, suas taxas serão maiores. Mas como a Selic é taxa básica, isto é, outras operações de crédito são calculadas a partir dela, finda por atingir tanto a produção – indústria -, comércio e serviços, sem falar na renda de salários do pobre consumidor, já apenado pela inflação, que deve atingir 8,17% no fim de 2015, ou mais.

O consumidor que virou inadimplente – você ou algum conhecido seu – ao pagar aos bancos taxas de juros mensais, em cartões de crédito, por exemplo, que ultrapassam aquela anualizada para a Selic, hoje em 13,25%, se dá mal. Nesse caso, por exemplo, o Santander cobra 16,99% ao mês se você não quitar a fatura, o Bradesco cobra 14,50%, enquanto o Itaú vai a 14,89%, para citar três bancos maiores.

Esse é o quadro atual, já o horizonte se apresenta tão tenebroso que é melhor dar um tempo antes de tentar adivinhar, porque prever é missão quase impossível, para onde a nau sem quilha que é o Brasil se encaminha.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 26/05/2015

 

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