Habilitação para ciclista e pregação em ônibus

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A metrópole na qual Manaus se transformou tem todos os problemas que as grandes cidades atraem em decorrência de seu crescimento e, por que não dizer, desenvolvimento. Se este não foi suficiente para inibir mazelas durante o processo de expansão da cidade, agora é a vez dos cerca de dois milhões de habitantes pagarem o preço, enquanto as autoridades correm – correm? – atrás das soluções necessárias que, quando forem implantadas, chegarão com algum atraso.

Afirmar que autoridades buscam soluções, no entanto, nem sempre espelha a realidade dos fatos, embora, a favor de quem está investido de algum cargo público em quaisquer dos três poderes, possa se dizer ainda existir aqueles para quem o serviço público é maneira de se realizar como pessoa e, assim, contribuir para dar soluções aos inúmeros imbróglios que complicam a vida urbana.

O outro lado da moeda é a iniciativa de uma vereadora que, se pedalou em alguma magrela pelas ruas da cidade, já esqueceu como é difícil transitar entre veículos de quatro roda

Mesmo assim, há casos nos quais a solução proposta vai na contramão das tendências modernas e até do bom senso. Se contadas de forma literária, têm situações que podem virar lendas urbanas, na melhor das hipóteses. Na pior, se transformarão em pesadelos.

Enquanto na maior parte do mundo, tanto em países ricos como pobres, existe hoje algum tipo de incentivo para as pessoas buscarem vida mais saudável por meio de atividades físicas e, entre essas, pedalar uma magrela, além de fazer bem para saúde, tem outros benefícios.

É o caso de quem pedala para chegar ao seu trabalho. Em Manaus está em expansão o número de pessoas que vão e voltam do trabalho de bike, além da legião daqueles que usam bicicletas para o lazer.

Se por um lado, a prefeitura tenta oferecer algumas alternativas em forma de espaço para ciclistas, elas são insuficientes para o tamanho da cidade, além de, em alguns casos, estar localizada fora dos eixos principais de circulação de pessoas, como a ciclovia instalada nas pistas da avenida Nathan Albuquerque, na zona Norte e quase não utilizada.

O outro lado da moeda é a iniciativa de uma vereadora que, se pedalou em alguma magrela pelas ruas da cidade, já esqueceu como é difícil transitar entre veículos de quatro rodas e atormentado pelas motocicletas que pouco ou nenhum respeito têm pelos ciclistas e pedestres.

A ideia da vereadora, com projeto e tudo em tramitação na Câmara Municipal de Manaus (CMM), é que os ciclistas sejam obrigados a fazer curso de habilitação para pedalar pela cidade. Se depender do Detran/AM, a ideia não prospera.

Outra proposta, de um vereador suplente, egresso do sindicalismo do setor de transporte coletivo. Ele quer porque quer que as magrelas passem a circular somente à noite, após as 19h30. Veja bem: 19h30, nem um minuto antes.

As contradições que a cidade e sua população têm de encarar, no entanto, não param por aí. Ainda na CMM, outra vereadora – suplente – tem proposta que nem merece esse nome, pois é um retrocesso: a parlamentar, que é religiosa, quer liberar a pregação em terminais e dentro dos ônibus. As igrejas, ao que parece, não comportam mais o número de pregadores, pois achar fiel está meio difícil.

Por fim, cabe registrar a luta do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Amazonas (CAU) para obter o direito de integrar o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU).  O CAU deveria ter sido convidado desde sempre, no entanto, está brigando para ir onde sua competência é necessária.

As contradições da metrópole só aumentam até pela contribuição daqueles que deveriam fazer justamente o contrário: tentar reduzi-las.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 09/06/2016

 

Congestionamentos, estresse e morte no trânsito 

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O número de veículos em Manaus é grande e aumenta, conforme o Detran/AM, à média de 5 mil novos veículos por mês. Assim, se em março de 2014 o órgão de trânsito informava a existência de 685 mil veículos circulando pela cidade, deve ter fechado o aquele ano com pelo menos 730 mil veículos constituindo a frota de Manaus.

Desses 730 mil, cerca de 25% são motocicletas, o equivalente a 182 mil motos rodando pelas vias da cidade, muitas das quais se envolvem em acidentes e findam por compor estatísticas tristes como os 508 que morreram vítimas desses acidentes no ano de 2011, de acordo com o Mapa da Violência.

Em 2011, pedestres compunham 27,3% das mortes ocorridas no trânsito, pessoas transportadas em automóveis eram 28,7% e os motociclistas lideravam as mortes com participação de 33,9%

Além das mortes no trânsito, que em 2013 mataram cerca de 45 mil pessoas no Brasil, o excessivo número de veículos nas ruas de Manaus, também concorre para aumentar o nível de estresse nas ruas e na vida das pessoas, de maneira geral, afinal, quem não dirige é vítima preferencial dos acidentes com mortes: o pedestre.

Ainda de acordo com a estatísticas do Mapa da Violência, em 2011, pedestres compunham 27,3% das mortes ocorridas no trânsito, pessoas transportadas em automóveis eram 28,7% e os motociclistas lideravam as mortes com participação de 33,9%.

Mas, voltando a Manaus, o outro problema que a cidade não consegue resolver, apesar dos viadutos, passagens de nível, complexos viários, retornos e outras supostas soluções para tráfego de veículos, é reduzir os congestionamentos que se formam por todas as zonas administrativas nos horários de rush e, em determinadas regiões, se estendem por quase todo o dia.

Da forma como a cidade está atualmente, um engarrafamento até em via coletora, caso se estenda por tempo razoável, é capaz de praticamente parar a cidade ou tornar o trânsito tão lento que conseguirá atrasar a chegada das pessoas a seus destinos em tempo superior a uma hora.

Exemplos desse tipo de congestionamento aconteceram no dia 22 de abril, quando duas situações comprometeram a circulação de veículos principalmente nas zonas Sul e Leste, mas com repercussão em boa parte da cidade. Naquele dia, duas ocorrências pararam as vias próximas ao Complexo Viário Gilberto Mestrinho, no Aleixo, quando perseguição policial terminou em troca de tiros e acidente de trânsito, além de um outro veículo que incendiou na entrada da avenida das Torres, pelo acesso da avenida Efigênio Sales.

Menos de um mês depois, uma carreta transportando cabos de cobre caiu na passagem de nível da avenida Umberto Calderaro – que já foi Paraíba – com a avenida Efigênio Sales, parando trânsito naquela via. O pior é que a avenida Paraíba só foi liberada depois das 20h e, durante todo esse período, quem dirige em Manaus penou, mas quem não dirige e anda de coletivo sofreu do mesmo jeito ou até mais.

É tempo de se pensar o trânsito de forma a obter soluções definitivas que não as já usadas e que se sabe, são paliativas, como destacar agentes de trânsito para rotatórias ineficientes ou instalar semáforos debaixo de viadutos.

Se o trânsito é caótico, as mortes por acidente são trágicas, mas as soluções não aparecem.

Por fim, cabe registrar o fato de que o número de veículos está tão grande em Manaus, ou as ruas são insuficientes, que tem shopping onde, em horário de muita frequência, segurança é transformado em agente de trânsito, com apito e tudo, em suas dependências. Infelizmente, não dá para rir, é mais para chorar.

 

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 02/06/2015

Horizonte tenebroso do país sem quilha

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A vida do brasileiro está difícil e não deve ficar menos ruim tão cedo a se manterem as tendências atuais de juros, inflação e desemprego em alta, enquanto a renda cai e, de carona, o consumo vai derrubando a produção industrial em um círculo que não tem nada de virtuoso, pelo contrário, está mais para vicioso, se me perdoam o trocadilho.

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A indisciplina fiscal que aconteceu nos últimos anos está cobrando seu preço e na alça de mira do cobrador quem aparece com maior destaque é o bolso do cidadão, também conhecido como consumidor ou contribuinte.

Esse é o quadro atual, já o horizonte se apresenta tão tenebroso que é melhor dar um tempo antes de tentar adivinhar

Se o cidadão cometeu o erro de, em 2014, reeleger a presidente petista, agora quem está sendo apenado é um tal de consumidor. Por falta da oferta de crédito e, quando esse aparece, os juros, a alturas estratosféricas, inibem sua utilização. Com isso, o consumidor teve que se metamorfosear em outro personagem, malquisto e malvisto pelo comércio e pelos bancos: chama-se inadimplente.

Enquanto o inadimplente renegocia suas dívidas, um eufemismo usado para fazê-lo pagar o valor original de sua obrigação a juros exorbitantes por um prazo a perder de vista, mas que beira a eternidade, com a única vantagem de caber no orçamento do pobre inadimplente que tem, ainda assim, a vaidade estar limpando seu nome.

Mas se o inadimplente renegocia sua dívida e faz sacrifícios para sair do vermelho, mesmo ao preço de cortar, em alguns casos, despesas essenciais, um outro personagem entra em cena para atender ao chamado, quase intimação, de algo conhecido e fomentado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como ajuste fiscal. Isto é, o governo – a tal petista – que desajustou meio mundo, agora convoca o contribuinte para pagar sua parte na festa da qual ele pouco participou.

A conta que acaba de embarcar na vida do contribuinte sem ao menos pedir licença deve ficar aí pela casa dos R$ 70 bilhões e vai ser sentida na falta de investimentos em infraestrutura, na educação, moradia e saúde, para citar as áreas mais atingidas pela tesoura federal.

Na outra ponta, a do tesouro federal, a dívida pública – parte mais visível da indisciplina fiscal –  teve um “pequeno” crescimento entre os meses de fevereiro e março: passou de R$ 2,33 trilhões para R$ 2,44 trilhões. Quer dizer, em 30 dias a dívida cresceu “apenas” R$ 11 bilhões. A pior parte nessa conta, porém, é o montante dos juros pagos, os quais, conforme o Tesouro Nacional, foi de R$ 29,50 bilhões, devidamente financiados com a emissão de papéis remunerados à taxa Selic.

Mas aí o cidadão, contribuinte, consumidor, inadimplente e um tal de desempregado, figura que também está aparecendo aos montes nas ruas do Brasil, vai perguntar: e o que temos a ver com isso? Tudo.

Me explico: o crédito está escasso porque a dívida pública cresceu e continua a se expandir, com isso, grosso modo, os juros – Selic – aumentam, pois os bancos veem risco maior, logo, suas taxas serão maiores. Mas como a Selic é taxa básica, isto é, outras operações de crédito são calculadas a partir dela, finda por atingir tanto a produção – indústria -, comércio e serviços, sem falar na renda de salários do pobre consumidor, já apenado pela inflação, que deve atingir 8,17% no fim de 2015, ou mais.

O consumidor que virou inadimplente – você ou algum conhecido seu – ao pagar aos bancos taxas de juros mensais, em cartões de crédito, por exemplo, que ultrapassam aquela anualizada para a Selic, hoje em 13,25%, se dá mal. Nesse caso, por exemplo, o Santander cobra 16,99% ao mês se você não quitar a fatura, o Bradesco cobra 14,50%, enquanto o Itaú vai a 14,89%, para citar três bancos maiores.

Esse é o quadro atual, já o horizonte se apresenta tão tenebroso que é melhor dar um tempo antes de tentar adivinhar, porque prever é missão quase impossível, para onde a nau sem quilha que é o Brasil se encaminha.

Publicação no Jornal do Commercio, edição de 26/05/2015

 

Educação e saúde não acompanham crescimento da população

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O Brasil ainda não conseguiu tirar seu povo da miséria, livrando-o, assim, da violência e lhe oferecendo educação, serviço de saúde razoável ou mesmo infraestrutura que melhore a vida dos brasileiros, principalmente dos mais carentes e que sofrem com a desigualdade que marca a sociedade por aqui.

Um exemplo é a questão da educação. Dividido em três categorias, acima da média, média e abaixo da média, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) mede as habilidades dos estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciência. Com o objetivo de apresentar indicadores educacionais comparativos, a aferição é voltada para os 34 países que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômica (OCDE) e mais 31 países convidados, incluindo o Brasil. O ranking afere habilidades de estudantes de 65 países.

Melhorar a educação no Brasil custaria ao país cerca de 41% do produto interno bruto (PIB), algo próximo de R$ 1,28 trilhão por ano, a preços de 2010

O país participa do programa desde o ano 2000 e, em 2011, estava em 53º lugar. Entre as nações latino-americanas perdia para Uruguai (47º) e México (48º). Caso sirva de consolo, estava à frente da Argentina (58º) e Peru (63º). Só que, em 2012, caiu duas posições e ficou e 55º lugar.

Melhorar a educação no Brasil, de acordo com dados do engenheiro José Olavo M. Alves Pinto, autor do livro “O Direito de Bem Nascer”, custaria ao país cerca de 41% do produto interno bruto (PIB), algo próximo de R$ 1,28 trilhão por ano, a preços de 2010. Esse fato explica porque cerca de 80% da população não têm educação plena.

A questão da saúde no Brasil vai pelo mesmo lado, isto é, a maioria dos brasileiros não consegue ser atendido por serviço com um mínimo de qualidade, como atestam as longas filas para obter atendimento no Sistema único de Saúde  (SUS).

Outro ranking da OCDE, com dados de 2008, onde estão listados 30 países que investem até 6% do PIB nos serviços de saúde pública, só mostra um país latino-americano: o México, já no fim do ranking, em 27ª colocação, e, obviamente, o Brasil está fora.

A falta de recursos a ser aplicados na saúde, no entanto, não é o principal fator a aumentar a incidência de doenças entre os brasileiros, uma vez que a ausência de saneamento básico é outra mazela a afligir a vida de quem vive nos 3.342 municípios do país onde isso inexiste. É o equivalente a 60% dos 5.570 municípios do Brasil.

Levar melhorias à saúde dos brasileiros, com ênfase naqueles 80% da população que não são beneficiados com o crescimento da economia, vai custar outra montanha de recursos, ainda conforme Alves Pinto, para quem, se quiséssemos ter saúde no nível dos países desenvolvidos, teríamos que aplicar o equivalente a 36% do PIB nesse setor. Em termos de dinheiro, seriam necessários R$ 1,13 trilhão a preços de 2009.

Esses números são inflados pelo crescimento populacional do país, que, nas últimas décadas, apresentou cerca de 3 milhões de nascimentos anuais. Para complicar a equação, 90% das crianças nascidas no Brasil são de famílias mais carentes, que desconhecem ou não têm acesso às técnicas de controle da natalidade que deveriam estar disponíveis a todos.

A miséria é parceira da ausência de educação, da falta de saneamento básico e de investimentos em saúde, e, infelizmente, é tutelada pela violência.

Publicação no Jornal do Commercio,  edição de 05/05/2015

 

Previsões pessimistas viram fatos em 2015

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As informações divulgadas pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) referentes aos indicadores industriais do mês de fevereiro deste ano mostram que a baixa no faturamento é só um dos fatores que o Polo Industrial de Manaus (PIM) vai ter que enfrentar em 2015.

Para se ter uma ideia de como a atividade da indústria local está sendo afetada por fatores macroeconômicos, um bom exemplo é a desvalorização do real ante o dólar norte-americano. Nos meses cujos dados foram divulgados, o dólar se valorizou mais de 18%. Como já se sabe que até abril a moeda vai ultrapassar os R$ 3, o impacto deve ser ainda maior nos próximos meses.

Se o histórico dos principais custos da indústria incentivada, entre 2010 e 2014 estava situado na faixa de 56% em relação ao faturamento, com exceção do ano de 2013, quando esse indicador subiu para 58%, nos dois meses deste ano atingiram uma fatia bem maior do faturamento do PIM e chegaram em 64%.

Ao se considerar a importação de insumos pelas indústrias, a queda, medida pelos valores de aquisição em dólares, foi de 26,42%, quando atingiu o montante de US$ 1,78 bilhão, no acumulado de janeiro e fevereiro deste ano, contra US$ 2,41 bilhões no ano anterior. Mesmo assim cabe registrar que o valor da aquisição de insumos importados nestes dois meses de 2015 estão acima do valor de 2013, quando foi de US$ 1,67 bilhão.

As notícias ruins, no entanto, só estão começando. O faturamento do polo de Manaus, no mês de fevereiro, medido em dólar, desabou exatos 27,39% na comparação com igual mês de 2014.

esse mau desempenho significa que as indústrias incentivadas de Manaus deixaram de vender mais de US$ 850 milhões no mês de fevereiro, quando o faturamento atingiu US$ 2,26 bilhões, ante US$ 3,11 bilhões no mesmo período de 2014.

Na curva descendente do faturamento de 2015, o acumulado dos dois meses indica perda de vendas no montante de US$ 1,18 bilhão, representando perda de vendas de 20,28%, uma vez que, no bimestre, o faturamento foi de US$ 4,66 bilhões contra os US$ 5,84 vendidos pelas empresa do polo de Manaus nos dois primeiros meses de 2014.

A questão do emprego, conforme dados da Suframa, também não está nada boa. No mês de fevereiro foram eliminadas 76 vagas no PIM, no entanto, quando a comparação é feita entre fevereiro de 2015 e de 2014, a constatação é de que, entre os dois períodos, foram eliminados nada menos que 11.284 postos de trabalho.

Isso significa que as vagas vêm sendo eliminadas nos últimos 12 meses e, ao que parece, é uma tendência que vai se manter por tempo indefinido ao se levar em consideração a questão macroeconômica do país, onde as más notícias brotam de todos cantos e não apenas na área econômica.

Por fim, cabe rever as expectativas para o exercício de 2015 que começam, digamos assim, pela subida do dólar, passa pela tendência de ascenção da taxa Selic, fator que vai aumentar os juros e repercutir no custo do crédito, o qual, se voltado para o consumo, já está bem restrito e deve ficar mais ainda, sem falar que investimentos também vão se retrair em decorrência desse fator.

Como se vê, as previsões negras feitas em 2014 para o presente exercício, ao contrário dos discursos otimistas na campanha eleitoral da presidente reeleita, estão, para infelicidade geral do país, se tornando fatos e quem vai pagar o pato é o cidadão, o contribuinte.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda 28/04/2015

Foi jantar e as balas da sobremesa o mataram

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Morena, cerca de 1,70 m de altura, seios fartos e pernas bem delineadas, de rosto agradável e simpática com as pessoas, aos 17 anos Maria conheceu Pedro Américo, de 18, lá no bairro Alvorada e começaram a namorar.

Aos sábados, Américo sempre a levava para um lanche, à noite, na avenida Desembargador João Machado. Mas Américo já havia percebido que quase todas as vezes, quando ia buscar Maria para sair, tinha um engraçadinho, conhecido como Homi Cida, que tirava sarro com ele e Maria dizia para não ligar pra isso, manter a cabeça fria, cuidar dela etc e tal.

Américo tirava por menos, mas sabia que sua garota era bonita e despertava o desejo de outros jovens como ele. O que Américo e Maria não sabiam, era que Cida estava planejando aprontar algo mais séria contra o casal.

O dia 10 de janeiro de 2015 teve uma noite iluminada pela lua cheia e Américo aproveitou para levar Maria ao lanche que costumavam frequentar. Pediram a comida, trocaram olhares, até que o lanche chegou, junto com um saboroso suco de cupuaçu, pra ele, e de laranja pra ela, que, de cupuaçu, só gostava das balas.

Enquanto comiam, os dois planejaram ir para um forró ali por perto, pois casa de forró não falta no Alvorada, e aproveitar a noite de sábado para dançar e se divertirem.

Ao fim do lanche, Américo foi pagar o consumo e quando voltou do caixa e se aproximou de Maria, viu Cida se chegar, mas não levou malícia, apenas pensou: “Lá vem esse chato encher o saco de novo!”

Se enganou redondamente. Cida, dessa vez, resolvera presentear o casal com balas e fazer jus ao seu apelido, até então. Se aproximou, sacou de uma arma e disparou três vezes contra Américo. Um quarto disparo acertou Maria e Homi Cida saiu correndo para uma moto que o aguardava e fugiu.

Quando o Samu chegou só pôde dar assistência a Maria, pois Américo estava morto com três balas no corpo. Maria foi levada ao pronto-socorro e verificou-se que ela fora atingida de raspão, não corria risco de morrer.

Enquanto isso, Homi Cida e seu piloto de moto voltaram ao local para ver se a vítima, Américo, estava mesmo morta. Estava.

Mais tarde, a polícia ficou sabendo pelo irmão de Américo, João Antonio, que Cida era apaixonado por Maria e queria o caminho livre para ficar com a garota.

Maria, que gosta de balas de cupuaçu, quase morre alvejada por outro tipo de bala, e seu namorado perdeu a vida porque nessa terra tem gente que mata pensando que algum tipo de amor pode justificar tal maldade, que, infelizmente, acontece todo dia.

Publicação no Portal do Holanda 17/04/2015

Nem todo mundo aprende com seus erros

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Pouco mais de um mês depois de ter ido às ruas, em 15 de março, protestar contra a corrupção que veio à tona principalmente com a operação Lava-Jato, que está em sua 11ª fase, brasileiros de todas as regiões do país voltaram a fazer manifestação no domingo, 12 de abril, pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, pela reforma política, mas pouco ou quase nada se ouviu em favor da Petrobras, como o pseudoapoio ensaiado por manifestantes pagos por organizações controladas pelo PT tentaram fazer em 13 de março.

Se em Manaus teve petista postando foto do início da manifestação, que aconteceu na Praça do Congresso, no centro da cidade, e dizendo, no Facebook, que apenas 15 manifestantes apareceram, é de se inferir que esse tipo de militante é cria legítima do PT, onde seus líderes negam a realidade desde há muito, e se comportam, como bem exemplificaram as lambanças eleitorais da então candidata à reeleição que conseguiu seu intento alicerçada em bases fictícias, para dizer coisa mais forte, se espelhando nessas figuras.

No entanto, ainda em Manaus, quem se deu ao trabalho de sair sob a chuva forte que caiu desde o início da manhã e só amainou depois das 10h, e foi às ruas exigir respeito às leis, esgrimir faixas contra a corrupção, dar seu grito de “Fora Dilma”, ou mesmo protestar contra a inflação em curva ascendente, resultado de quatro anos de política econômica equivocada, de protecionismo a setores escolhidos entre os favoritos da corte, percebeu que, na Praça do Congresso, havia pelo menos 500 pessoas e na avenida Djalma Batista, mais tarde, cerca de 2,3 mil cidadãos insatisfeitos e ordeiros fizeram suas manifestações contra o caos político e outras mazelas de forma civilizada.

O petismo, que sempre foi forte nas estatais do Brasil, começa a desmoronar também nesse setor e o escândalo das aplicações sem retorno, para não dizer fraudulentas, que vieram à tona envolvendo o fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis, levou servidores da estatal a protestar contra a má gestão dos recursos do Postalis e exigir punição aos responsáveis pelos desmandos que deram prejuízo. Faixas exibidas na manifestação manauense acusavam inclusive a presidente Dilma Rousseff. Um exagero?

De outro lado, para aqueles que acreditam que o menor número de manifestantes que foram às ruas no último domingo demonstra fraqueza do movimento “antitudoquestaí”, é bom se dizer que, se menos gente foi às ruas, isso pode significar, como bem afirmou a ex-senadora petista Marina Silva, um aumento da desesperança. Quer dizer, o brasileiro acredita cada vez menos que a presidente e seu governo consigam resolver o estrago feito nos últimos anos.

Prova disso são as pesquisas divulgadas no último fim de semana pelo Datafolha a mostrar que 63% dos brasileiros são favoráveis à instauração de um processo contra a presidente Dilma Rousseff. Essa percepção, porém, indica, por outro lado, que menos de 30% acreditam que Dilma possa mesmo ser afastada.

A favor da presidente, diga-se, que a opção do Palácio do Planalto e do PT de nada comentar sobre a manifestação no próprio domingo é salutar. Vai ver que que os ministros que da última vez tentaram explicar o inexplicável andaram lendo a teoria de Karl R. Popper, a pregar que podemos aprender com os erros que cometemos. Não se pode dizer o mesmo da presidente Dilma Rousseff.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda 14/04/2015

Novo protesto vai ser no domingo, dia 12

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No próximo domingo, dia 12 de abril, brasileiros insatisfeitos com o atual governo devem sair às ruas para protestar contra a situação do país, manifestar seu desagrado contra a corrupção que grassa na administração pública e envolve até a estatal do petróleo, além de pedir, novamente, o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Os organizadores do novo evento contra a corrupção e a favor do impeachment presidencial querem reunir mais do que os 2,3 milhões de pessoas que participaram das manifestações no dia 15 de março, quando a população se mobilizou em 26 estados, além do Distrito Federal.

A presidente Dilma Roussef, que mandou ministros darem explicações aos brasileiros ainda na noite daquele dia 15, ainda está em débito com seus eleitores e mais ainda aqueles que não votaram nela, cerca de de 52 milhões, e têm mais motivos para querê-la fora do Palácio do Planalto.

Se boa parte do desagrado com a administração Dilma Rousseff decorre das medidas que ela anunciou logo depois de tomar posse, uma vez que, durante a campanha eleitoral de 2014, ela afirmara que não tomaria decisões que contrariassem os direitos e benefícios dos trabalhadores, também não vai faltar gente que votou na atual presidente, mas que se decepcionou com o rumo de seu segundo mandato.

O arrocho que o país enfrenta, com inflação alta, atividade industrial caindo pelas tabelas, desemprego aumentando, e juros na estratosfera, entre outras coisas que impactam no dia-a-dia e no bolso de todos os brasileiros, esse arrocho não deve acabar tão cedo e as previsões e projeções para o futuro próximo feitas por consultorias e analistas econômicos só confirmam o pior dos mundos para o Brasil neste e nos próximos anos.

Essa situação já levou analistas a expressar uma verdade dolorida, embora bem humorada, ao afirmar que todos índices que deveriam estar baixando, sobem, e aqueles que deveriam estar subindo, caem.

Enquanto isso, a presidente perde popularidade e a grande maioria da população já não crê que ela possa comandar o país, até pelos impasses que têm surgido entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, onde o maior partido de sua base de sustentação, o PMDB, abriu uma cratera no relacionamento político com o governo.

De outro lado, as medidas que impactam o trabalhador estão sendo emendadas, inclusive por parlamentares dos partidos que compõem a base do governo, no sentido de reduzir o impacto das medidas propostas por Dilma Rousseff.

Como se pode ver, o que não faltam são motivos para que o número de “coxinhas”, como são qualificados aqueles que não gostam das medidas tomadas pelos governos do PT, e também de ex-simpatizantes do petismo de Lula e Dilma, voltarem às ruas de todo o país e mostrar, mais uma vez, a insatisfação popular com o governo.

Com certeza, no domingo que vem, não faltarão as palavras de ordem já gritadas no dia 15 de março, como “fora Dilma”, “impeachment já”, “abaixo a corrupção”, entre outras. O que ainda não se sabe é se facções comandadas pelo PT vão tentar fazer, mesmo com manifestantes pagos, o que tentaram no dia 13 de março e ir para as ruas em um arremedo de apoio ao governo.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda 07/04/2015

Crescimento da população e miséria

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Há um postulado na ciência econômica segundo o qual os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas, enquanto, há pouco mais de dois séculos, um jovem economista inglês, então com 32 anos, percebeu que o crescimento da população acontece em progressão geométrica, mas a expansão dos meios de subsistência ocorre em progressão aritmética.

Escrito em 1798, o “Ensaio sobre a população” de Thomas Robert Malthus, descortina um panorama no qual o economista e sacerdote da Igreja Anglicana conclui que é impossível ao homem ser feliz nesta vida.

Escrita em um período no qual seu país estava em plena Revolução Industrial, a obra malthusiana está inserida em um contexto onde a população agrícola inicia a migração para as cidades, que oferecem oportunidade de trabalho nas indústrias nascentes, com as novas invenções a potencializar a criação de riqueza, quase nunca direcionada ao trabalhador.

A argumentação de Malthus é de que o crescimento da população, à sua época, era atenuada pela alta taxa de mortalidade, além de limitações aos nascimentos, como a miséria.

Desde então, a população mundial só cresceu, alavancada pelos progressos nas ciências, incluída a medicina, assim como pelas inovações tecnológicas que ampliaram sobremaneira a produção agrícola e a agroindústria. Se em 1800 a população da Terra chegou ao primeiro bilhão, no entanto, o mundo levou pouco mais de 200 anos para atingir a cifra de 7 bilhões de almas, em 2011.

Um levantamento do Banco Mundial com dados de 2007, informa que os 13 países mais populosos do planeta, China (1,32 bilhão de habitantes), Índia (1,13 bilhão) e os Estados Unidos (301 milhões) somam 39,3% da população mundial.

O que os diferencia é que a renda per capita nos EUA é de US$ 47.084, com taxa de crescimento populacional de 0,98%, enquanto na China a renda per capita equivale a US$ 4.393 e a população cresce à taxa de 0,47%. Na Índia a renda per capita é de US$ 1.477 e taxa de crescimento demográfico é de 1,41%.

Dos três, apenas os EUA é um país desenvolvido. A queda na taxa de natalidade na Índia é produto de política de controle dos nascimentos, enquanto na Índia a expansão dos nascimentos é responsável miséria em boa parte do país.

Um estudo publicado em 2013 pelo engenheiro mineiro José Olavo Mourão Alves Pinto, sob o título “O Direito de Bem Nascer” traça diagnóstico sobre as causas da pobreza e projeta o futuro não só do Brasil, mas do planeta, caso a população não seja estabilizada.

O Brasil, com 190 milhões de habitantes naquele ranking dos 13, aparece com renda per capita de US$ 10.710, taxa de natalidade de 1,20% e é o quinto colocado, atrás, além dos três países já citados, mais a Indonésia.

Com pouco menos de 10 milhões de habitantes em 1872, no primeiro censo realizado no país, em 1950 já éramos 52 milhões. Ao atingir 169,8 milhões de habitantes no ano 2000, a população brasileira cresceu, em 50 anos, 227%.

No país há cerca de 2,1 milhões de nascimentos por ano e uma política de planejamento familiar que ninguém conhece e onde isso só praticado pelos que têm maior nível de educação e renda, o Brasil vive uma epidemia de gravidez na adolescência, fato que contribui, nas palavras do médico Drauzio Varella, para o empobrecimento da família, uma vez que o nascimento de um bebê nessa idade tira a jovem da escola e empobrece a família.

Enquanto isso, políticas de inclusão social sem fiscalização da porta de saída para uma vida mais digna, como exigir e fiscalizar que os beneficiados aprendam um ofício e frequentem a escola, se tornam cabos eleitorais de quem dirige o Brasil.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda 31/03/2015